http://youtu.be/3JxrzO3sNTY

BOA NOITE COM O GRANDE ANIVERSARIANTE DO 7 DE JANEIRO

DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

Paulo Victor Chagas

Agência Brasil

O almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira vai comandar a Marinha, o general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas estará à frente do Exército e o brigadeiro Nivaldo Luiz Rossato estará no comando da Aeronáutica.

Por meio de nota divulgada ontem, 7, pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República, Dilma agradeceu a “competência e dedicação” dos ex-comandantes almirante Julio Soares de Moura Neto (Marinha), general Enzo Martins Peri (Exército) e brigadeiro Juniti Saito (Aeronáutica).

A presidente recebeu, pela manhã e à tarde, o ministro da Defesa, Jaques Wagner. Os encontros não constavam de sua agenda oficial, e foram atualizados somente depois que Dilma deixou o Palácio do Planalto, de volta para a residência oficial, no Palácio da Alvorada.

Também entraram na agenda retroativa o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, e o presidente nacional do PT, Rui Falcão.

É a primeira vez que a presidente Dilma troca o comando das Forças Armadas. Os comandantes que estão de saída foram indicados em 2007 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira incorporou-se à Marinha em 1971, na Escola Naval. De acordo com a Escola Superior de Guerra, instituição que comandava desde 2013, ele permaneceu embarcado, ao longo de sua carreira, por mais de 16 anos, e tem cerca de 1.300 dias de mar.

Eduardo Dias da Costa Villas Bôas ingressou nas fileiras das forças terrestres do Exército em 1967. No ano passado, ele assumiu o cargo de comandante de Operações Terrestres, após ter sido comandante Militar da Amazônia. Em 1972, ele iniciou na Arma de Infantaria, em 7º lugar, e em 1973 foi declarado aspirante a oficial de Infantaria.

Ocupando até agora o Estado Maior da Aeronáutica, segundo mais alto posto da Força, Nivaldo Luiz Rossato tem 3.500 horas de voo. Ele ingressou na Força Aérea Brasileira em 1969 e já chefiou o Comando-Geral de Operações Aéreas e o Departamento de Ensino da Aeronáutica.


DEU NO EL PAIS

Gabriela Cañas

De Paris

Quatro dos 12 assassinados no ataque ao semanário Charlie Hebdo eram celebridades do humor e da ilustração na França:

Stéphane Charbonnier, Charb, diretor do Charlie Hebdo. Desenhista (Conflans-Sainte-Honorine,1971) que havia colaborado anteriormente com L’Echo des savanes, Télérama, Fluide glacial e L’Humanité.“Se nos pusermos a questão sobre se temos direito a desenhar ou não Maomé, se é perigoso ou não fazê-lo, a questão que virá depois será se podemos representar os muçulmanos no jornal, e depois nos perguntaremos se podemos colocar seres humanos… E, no final, não criaremos mais nada e o punhado de extremistas que se agitam no mundo e na França terá vencido”, afirmou Charb depois do atentado com um coquetel molotov em 2011, na sede do semanário. Ele também disse: “Prefiro morrer de pé do que viver de joelhos”.


George Wolinski em 1990. / GILLES LEIMDORFER (AFP)

Georges Wolinski, o pai de todos os cartunistas. “Erotomaníaco autodeclarado, provocador nato, pessimista patente e cínico assumido”. Assim define Le Monde um homem de “múltiplas facetas e contradições indizíveis”. Wolinski tinha 80 anos e colaborava desde 1969 com o Charlie Hebdo. No ano seguinte de sua chegada se tornou redator-chefe do Charlie Mensuel, cargo que ocupou até 1981. Colaborava com numerosas publicações e tinha feito dezenas de revistas, Também escreveu para o teatro e o cinema. Em uma visita à Espanha há quase 20 anos, elogiou o “talento e a luta pela justiça por parte dos humoristas dos países onde a liberdade está ameaçada”.

Jean Cabut, ‘Cabu’, em uma foto de 2006. / JOEL SAGET (afp)

Jean Cabut, Cabu, um gigante da caricatura. A lenda do desenho, com seu ar eternamente adolescente, tal como o descreve Le Monde, cumpriria 77 anos no próximo dia 13. Foi o autor do desenho de Maomé que apareceu na capa do Charlie Hebdo em 2006, em resposta ao escândalo pela publicação em um jornal dinamarquês de uma caricatura do profeta. Publicou seus primeiros desenhos aos 16 anos e se transformou em uma celebridade nos anos 60 quando criou Le Grand Duduche, “um herói naíf e utópico”, nas palavras do rotativo francês, que destaca sua incrível facilidade para a caricatura. Também idealizou Mon Boeauf, um anti-herói grosseiro e machista.

Tignous, em uma imagem de 2012. / Tim Somerset (efe)

Bernard Verlhac, Tignous. Colaborava habitualmente com o Charlie Hebdo, Marianne, Fluide glacial, L’Express, VSD, Télérama e L’Humanité. Caricaturista e ilustrador da imprensa, começou aos 52 anos nos quadrinhos: em 2010 publicou Pandas dans la brume.

DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

OPINIÃO

Da dignidade dos suicidas aos assassinos de hoje

Brincava a revista norte-americana de generalidades Reader’s Digest em edição da década de 50, na seção “Piadas de caserna”, que “o primeiro dever de um bom soldado não é morrer por sua pátria, mas fazer com que o inimigo morra pela pátria dele”.

No pós-guerra, os Estados Unidos consolidavam sua presença militar no globo terrestre, que continuamente se expande, calcada sobretudo na evolução da tecnologia bélica. O conceito jocoso da publicação, portanto, não estava longe da verdade.

Dali por diante, a guerra seria cada vez menos do combate direto entre humanos. No princípio, foi a bomba atômica, da desintegração de populações, das graves consequências ambientais e das sequelas impostas por decênios a centenas de milhares de vítimas.

Hoje, um país poderoso detém a visão completa do planeta, em todas as suas latitudes, longitudes e detalhes, monitorando-o em sistemas computadorizados de ponta e com capacidade de intervenção, digamos, imediata, sem falar na espionagem.

Mantém a capacidade de bombardear de longe com o prosaico apertar do botão. Porta-aviões cheios de mísseis prontos disparar em qualquer costa. E tem drones, pombos sem asa encaminhados supostamente a inimigos, mas Deus é quem sabe onde verdadeiramente lançam suas cargas letais.

Coube aos muçulmanos em geral e aos palestinos em particular inverter cruamente essa lógica militar nos anos que se seguiram à ampliação do domínio israelense no Oriente Médio. Os homens-bomba e os carros-bomba representaram – e potencialmente não se pode dizer que desapareceram – considerável instrumento de combate contra os tidos, pelo menos, como intrusos ou infiéis.

A vida colocou-se em nova dimensão, em que em si mesma não é nada, vale, na mente de quem assume esse papel, a contribuição extrema por melhor futuro para as próximas gerações e para alimentar a chama de um povo que, não há como negar, vive permanentemente em estado de guerra.

O ápice histórico dessa luta está, obviamente, no ataque ao World Trade Center, que, inspirado em grande parte pela causa palestina, foi um ato de guerra de inexcedível simbolismo, produto do aproveitamento máximo das condições existentes.

Os suicidas que arremessaram os aviões não sabiam a quem matavam, e seu sacrifício voluntário determinou uma mudança histórica que os torna, de fato, vitoriosos, embora suas vidas não valessem mais que as dos milhares de vítimas inocentes que fizeram.

O atentado da manhã de hoje em Paris, que se pretendeu até nivelar com o 11 de Setembro, é puro gangsterismo teológico, em que se matam pessoas determinadas, com frieza, porque não se concorda com suas ideias e depois e se foge do local do crime.

Je suis Charlie. Seja você também.

Poucas vezes na história a liberdade de expressão sofreu golpe tão duro quanto o da manhã de ontem, 7, na redação do Charlie Hebdo, em Paris. Resista! E conte com o BP!

(Vitor Hugo Soares)


Milhares se manifestam contra os ataques ao ‘Charlie Hebdo’ em Nantes.
/ G. G. (AFP)

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DEU NO EL PAIS

Milhares de pessoas atenderam ao chamado do Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ) francês e foram nesta quarta-feira à praça da República de Paris para condenar o ataque terrorista sofrido pela revista satírica Charlie Hebdo e mostrar sua solidariedade às vítimas. Os manifestantes responderam as convocatórias espontâneas realizadas por meio das redes sociais e muitos deles levantavam cartazes com os dizeres: “Je sui Charlie” (“Eu sou Charlie”).

Na concentração, parte do público mostrou cartazes de apoio à revista, alguns deles com imagens de caricaturas de Maomé. Outros manifestantes levantavam lápis e canetas como gesto de apoio à liberdade de expressão, segundo a mídia local.

Muitos dos presentes estavam emocionados e até choraram com exemplares da revista nas mãos. “É o dia mais triste da minha vida. Charlie Hebdo é uma publicação simbólica para a juventude francesa. Já não resta ninguém que faça uma imprensa de esquerda”, disse o estudante secundário Hugo à agência Efe. Outro jovem, identificado como Sasha, explicou que participa da manifestação para impedir que seja feita uma “mistura entre quem cometeu o atentado e todos os muçulmanos da França”. Outros participantes colocaram velas e cartazes no monumento que existe na praça, que fica no centro da capital francesa.

À manifestação de Paris se somaram outras em várias cidades francesas como Toulouse, Nantes e Lille. As redações dos meios de comunicação franceses também guardaram um minuto de silêncio em lembrança das vítimas e em apoio à revista.

Cidades como Bruxelas, Munique e Amsterdã se uniram à onda de protestos. E em Berlim foram depositadas rosas na frente da Embaixada do país em memória das vítimas.

Os partidos franceses de esquerda, por sua vez, convocaram uma marcha silenciosa no sábado às 15 horas na Praça da República de Paris. O protesto é aberto a todos os partidos.

jan
08
Posted on 08-01-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 08-01-2015


Rico, no jornal Vale Paraibano (SP)

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A revista humorística francesa Charlie Hebdo, vítima de um ataque à sua sede editorial em Paris na quarta-feira, que deixou 12 mortos, é conhecida por ter protagonizado várias polêmicas em torno da liberdade de expressão na imprensa. Em 2006, a publicação de esquerda colocou nas bancas (da mesma forma que o El Jueves na Espanha) um número cuja capa reunia as caricaturas de Maomé, publicadas primeiramente no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. A reprodução dessas imagens provocou a ira de várias autoridades islâmicas francesas, que processaram o então diretor da revista, Philippe Val, por “injúrias públicas contra um grupo de pessoas em razão de sua religião”. Em 2007, um juiz não deu ganho de causa aos acusadores, assegurando que as caricaturas denunciavam os extremistas religiosos muçulmanos e que sua publicação era legal.

O atentado de 2011 debilitou a revista economicamente, afetada como muitas publicações na França pela crise que a imprensa escrita atravessa

A revista, fundada em 1992, sofreu outro ataque terrorista em novembro de 2011, quando vários agressores incendiaram a sede da redação, no centro de Paris, com um coquetel molotov, que destruiu boa parte das instalações. O ataque pareceu, na época, claramente relacionado com o número publicado no dia anterior, rebatizado excepcionalmente como Sharia Hebdo, e dedicado ao avanço islâmico em Túnis e na Líbia. Na capa, estava um desenho do profeta Maomé, nomeado “redator-chefe” do número.

Charlie Hebdo também mostrou-se crítica, em várias ocasiões, contra os extremistas católicos e a ultradireita francesa, publicando uma caricatura da líder da Frente Nacional Marine Le Pen como um monte de fezes fumegantes, meses antes da realização das eleições presidenciais de 2012. Stéphane Charbonnier, o diretor da revista assassinado no ataque de quarta, defendia uma linha política republicana acima de tudo, vinculada à defesa das liberdades individuais e coletivas, que pratica a liberdade de expressão até mesmo dentro da própria redação: por exemplo, o cartunista Siné demitiu-se em 2008 após um profundo desentendimento com a direção sobre a linha editorial.

O atentado de 2011 debilitou economicamente a revista, afetada como muitas publicações na França pela crise que a imprensa escrita atravessa. Em 2006, a revista vendia até 160.000 exemplares (até 400.000 no número das caricaturas).

Em 2014, as vendas foram caindo, alcançando a cifra de 50.000 exemplares. De fato, Charbonnier lançou, no final do ano passado, um pedido aos seus leitores e simpatizantes para salvar a publicação, que não conta com publicidade e acionistas, mediante doações de solidariedade.

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