http://youtu.be/5_fAlxU-jrI

Os cartunistas Charb, Wolinski, Cabu e Tignous entre os 12 mortos no atentado ao semanário Charlie Hebdo na manhã desta quarta-feira , 7, de luto na França e no mundo.

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DEU NO JORNAL PÚBLICO, DE LISBOA

Clara Barata

Já por várias vezes o semanário satírico Charlie Hebdo publicou representações do profeta Maomé – algo levado muito a mal pelos seguidores de interpretações estritas do livro sagrado dos muçulmanos, o Corão. Este espírito de enfrentar tabus, correndo o risco de ser chamado explorador de escândalos, no mínimo, ou até racista, é a alma desta publicação alinhada à esquerda.

Teve uma primeira vida, de 1969 a 1981, mas ressuscitou em 1992, até ao presente, com edições semanais à quarta-feira. Mas foi a republicação dos cartoons de Maomé do jornal dinamarquês Jyllands-Posten em 2006 que tornou o Charlie Hebdo internacionalmente famoso. Se normalmente vendia 100 mil exemplares, da edição de 9 de Fevereiro de 2006 vendeu 160 mil da primeira impressão, e mais 150 mil de uma nova impressão feita mais tarde. Foi processada por várias organizações religiosas islâmicas.

Não é só contra os integristas muçulmanos que o semanário Charlie Hebdo investe: opositores do casamento gay, judeus, Marine Le Pen, François Hollande, o Vaticano, todos já foram alvo dos seus desenhos satíricos e mordazes.

Nada de espantar, na verdade: o Charlie Hebdo insere-se na tradição das publicações satíricas. À direita existe, por exemplo, o semanário Minute, sem as caricaturas divertidas e que foi condenado recentemente a pagar uma multa de 10 mil euros por ter comparado a ministra da Justiça, Chiristiane Taubira, a um macaco.

Esta não é a primeira vez que a sede do Charlie Hebdo, no 20º arrondissement de Paris, é atacada. Em 2011, foi atacada à bomba, provavelmente devido à decisão de produzir uma edição especial com o título Charia Hebdo, em que o profeta Maomé seria colocado como o diretor do semanário. A capa do que seria esta edição especial já circulava na Internet há alguns dias antes do ataque.

Um grupo de rappers franceses produziu também uma canção em 2013, apelando a um “auto da fé contra os cães” do semanário satírico.


Charb, Wolinski, Cabu et Tignous:chargistas mortos na fuzilaria ao
jornal “Charlie Hebdo”, segundo Liberation

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Ao menos 12 pessoas morreram e quatro correm risco de morte em consequência do ataque com fuzis automáticos ocorrido na manhã desta quarta-feira, 7, contra a sede da revista semanária satírica Charlie Hebdo, em Paris, segundo dados oficiais. Os autores do atentado, um dos mais graves da história da França, foram dois homens vestidos de preto, encapuzados e armados com fuzis Kalashnikov. O presidente François Hollande afirmou que a França vive “um momento extremamente difícil”.

O ataque ocorreu pouco depois das 11h (8h, no horário de Brasília). Os dois terroristas já entraram atirando no hall do jornal. Durante mais de dez minutos, os agressores efetuaram pelo menos 30 disparos contra os jornalistas e funcionários da publicação. Em alguns momentos, segundo uma testemunha citada por vários veículos da França, eles gritavam os nomes de jornalistas. Dezenas de funcionários refugiaram-se na terraço do edifício, situado no bulevar Richard Lenoir, no 11º distrito da capital francesa. Após o atentado, os criminosos gritaram “Alá é grande” e fugiram em um carro – que foi abandonado a algumas quadras do local. Eles ainda não foram identificados nem presos.

O presidente francês, François Hollande, visitou o local pouco após o atentado. “É um ato excepcional de barbárie”, declarou Hollande, para onde foi acompanhado do ministro do Interior, Bernard Cazaneuve. À imprensa, Hollande disse ainda que as autoridades vão se empenhar para “perseguir” os responsáveis e levá-los à Justiça. O chefe de Estado convocou uma reunião extraordinária do Governo, que elevou ao nível máximo o “alerta de atentados” –o alerta antiterrorista. A segurança foi reforçada em veículos de imprensa, grandes estabelecimentos comerciais e no transporte público.

A Charlie Hebdo estava especialmente protegida porque já havia sido alvo de ameaças e ataques menores nos últimos anos, especialmente por ter publicado, em 2006, caricaturas do profeta Maomé. Em 2011, foi atacada com coquetéis molotov e teve de fechar seus escritórios durante várias semanas. Entre as vítimas fatais do ataque de quarta-feira estão dois policiais que vigiavam a área. Uma das viaturas foi atingida por 15 tiros.

Fontes do Ministério do Interior optaram por não divulgar oficialmente nenhuma pista sobre os autores do atentado, mas consideram que a possibilidade de se tratar de um ataque de origem de fundamentalistas islâmicos “é uma opção possível”. Segundo a rede de televisão BFM, um dos terroristas teria afirmado em vídeo que estariam “vingando” Maomé.

O último tuíte publicado pela revista é uma caricatura do autoproclamado chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr al Baghdadi, acompanhado do comentário “meilleurs voeux” (boas festas).

A França está em alerta antiterrorista desde que iniciou sua participação nos bombardeios contra o Estado Islâmico no Iraque em setembro passado. Pelo menos 1.200 militares participam do dispositivo de alerta. Porta-vozes do EI pediram em diversos vídeos que os franceses sejam atacados em qualquer lugar do mundo.

Nostálgica e belíssima interpretação de Célia Cruz, uma que teve de deixar Havana e não vai poder voltar. Saudades para sempre!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

DEU NO PORTAL A TARDE (COM INFORMAÇÕES DO ESTADÃO)

Vera Rosa e Tânia Monteiro

A presidente Dilma Rousseff se reuniu na noite desta terça-feira, 6, com ministros do PT que participam da coordenação de governo para fazer uma avaliação do cenário político e analisar as sugestões dos aliados para os cargos do segundo escalão. O PMDB do Senado ameaça se rebelar se não for bem aquinhoado em empresas estatais e o governo está preocupado com a possibilidade de reinstalação da CPI da Petrobras, em fevereiro.

Após cinco dias de descanso na Bahia, Dilma chamou para uma conversa, no Palácio da Alvorada, os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Comunicações), Jaques Wagner (Defesa) e Pepe Vargas (Secretaria de Relações Institucionais).

Os petistas não escondem a contrariedade com a pressão do PMDB e tentam reagir, segurando o avanço do aliado sobre os domínios do PT. Querem manter, por exemplo, o Banco do Nordeste, uma indicação do governador do Piauí, Wellington Dias.

Wagner chegou a sair da reunião no Alvorada, mas voltou mais tarde para tratar com Dilma das nomeações dos comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. No fim de semana, ele conversou com os candidatos a ocupar os principais postos das Forças Armadas.

jan
07
Posted on 07-01-2015
Filed Under (Artigos) by vitor on 07-01-2015


Samuca, no Diário de Pernambuco


O papa com o arcebispo Daniel Sturla.

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DEU NO DIÁRIO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Aos 55 anos, o montevideano Daniel Sturla é um dos três latino-americanos nomeados para o colégio cardinalício pelo papa Francisco, uma grande aposta quando se leva em conta que o Uruguai é uma exceção na região, com tão somente 42% de católicos na população e uma separação autêntica entre Igreja e Estado desde 1917. Um total de 40% de uruguaios se declara ateu ou agnóstico, segundo dados de 2014 do Centro de Pesquisas Pew, dos Estados Unidos.

Por isso, a escolha de Sturla tem mais a ver com seu perfil moderno e aberto ao diálogo do que com a possibilidade numérica de reverter a perda de fiéis na América Latina, onde vivem 40% dos católicos do mundo. Procedente do México, outro dos alçados ao cardinalato pelo papa, Alberto Suárez Inda, prega em um país com 79% de católicos. O terceiro latino-americano nomeado cardeal é o panamenho José Luis Lacunza, residente em um país com 72% de católicos, segundo um levantamento da Corporação Latinobarômetro em 2014.
mais informações

Desce sua chegada ao arcebispado de Montevidéu, o salesiano Sturla se mostrou favorável à legalização da maconha (“não tenho uma posição contrária”), embora demonstrando “dúvidas” sobre seu êxito na luta contra a dependência de drogas. Em novembro de 2012 ele se reuniu com as organizações de gays e lésbicas e declarou que “ser homossexual não é pecado”, pedindo desculpas se a Igreja ofendeu os que optaram por ter relações com pessoas do mesmo sexo.

Mas, do mesmo modo que o papa Francisco, Sturla tem seus limites. Ele se opôs ao casamento homossexual (legal desde 2013) e recentemente provocou polêmica ao criticar uma orientação destinada aos professores dos colégios para a abordagem das situações de diversidade de gênero na salas de aula.

Nestes dias as grandes lojas de departamentos e de brinquedos transbordam de produtos natalinos. Mas, no Uruguai, oficialmente o dia 6 de janeiro não é o da chegada dos Reis Magos, mas o de comemorar “o dia da criança”. E 25 de dezembro é “o dia das famílias”. A Semana Santa se chama “semana de turismo” e a festa da Imaculada é “o dia das praias”. Desde 1919 o Uruguai tem o único calendário laico bem-sucedido no mundo cristão, como reconheceu o novo cardeal Sturla em um de seus artigos teológicos, depois de compará-lo com os fracassos da Revolução Francesa e da Revolução Russa, que conseguiram efêmeras abolições do calendário gregoriano.

Sturla, com extensa experiência como professor e teólogo, prega contra um inimigo na sombra, o duas vezes presidente José Batlle y Ordóñez (1856-1926), que separou a Igreja do Estado em 1917 e forjou o caráter liberal e laico da sociedade uruguaia. No momento, a Igreja Católica tem inimigos mais diretos, com o forte avanço dos grupos evangélicos procedentes do Brasil. Em 2013 a Igreja Pare de Sofrer (Igreja Universal do Reino de Deus) inaugurou o maior templo em décadas em Montevidéu. O edifício, situado em pleno centro, absorveu um investimento de 15 milhões de dólares (40 milhões de reais) e foi uma grande exibição de poder.

Diante desse fenômeno, os católicos uruguaios se refugiaram no ensino, setor visto como uma alternativa ao sistema público, que registra um retrocesso nos resultados no primário e secundário. A melhoria da educação é uma das prioridades dos cidadãos uruguaios, tema que concentrou os intercâmbios entre o novo cardeal e o papa Francisco, segundo a imprensa local.

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