DEU NO BLOG POR ESCRITO

Por expressão da verdade, saí da frente de um computador permanentemente ligado na TV Assembleia e dirigi-me a outro, um tanto distante, para redigir alguns textos da cobertura on line que fazia da sessão de ontem, que encerrou o ano legislativo estadual.

Levei o dia de trabalho até as 21h30, desligando-me depois, por isso não assisti nem tomei conhecimento imediato do discurso feito pelo líder do PT, Rosemberg Pinto, com aparte da deputada Luiza Maia (PT), em que sua excelência comentou texto deste jornalista sobre o processo sucessório da Casa – daí o atraso destas ponderações.

Não precisou citar-me o nome, pois foi óbvia a referência a matéria deste blog do dia 3, intitulada “PT estica a corda na eleição da Assembleia”. Assombrou-me o fato de o deputado ter-me acusado, repetidas vezes, de estar “a serviço de alguém”, o que, não sendo verdade, deslustra não somente o jornalista, como também o presumido beneficiário.

Disse em certo momento o parlamentar: “Ele faz a defesa de um candidato e desrespeita a mim e à deputada Luiza Maia quando diz que o nosso discurso é um discurso inútil. Nós não podemos aceitar, permitir que um jornalista venha pra cá dizer que o debate não é fundamental nessas questões”.

Uma simples leitura mostrará que, longe de tal proposição, a matéria corresponde à realidade política da Assembleia Legislativa, constituindo uma análise técnica da conjuntura num ambiente seleto, cenário de luta pelo poder estadual, em que ninguém está para brincadeira.

Está claro que a adjetivação de “inútil” dada ao debate é no sentido de que não alterará o quadro eleitoral, em que o atual presidente e candidato à reeleição, Marcelo Nilo, tem, segundo a visão dominante, muito mais que os 32 votos de que precisa para a vitória.

Se o deputado Rosemberg quer levar à sociedade a discussão sobre a anomalia de uma mesma pessoa exercer por quatro, cinco, talvez seis vezes a presidência de um Legislativo, no que, aliás, concordamos, temos de respeitá-lo por isso, mas sem renunciar ao direito a uma opinião objetiva sobre o pleito em curso na Assembleia.

A manifestação do deputado ocorreu em meio à defesa que ele fazia de “um processo de regulamentação da mídia no Brasil”, tese geralmente levantada em relação aos grandes órgãos de comunicação do país.

Não se imaginava que Por Escrito, apesar de, modestamente, privilegiar o debate de temas de relevo nos seus cinco anos e oito meses de existência, com 15 mil textos postados até hoje, pudesse servir de exemplo para a necessidade de adoção de medidas restritivas que o partido do deputado propõe para órgãos como a revista Veja e a Rede Globo. (Luís Augusto Gomes)
========================================================


Editor não tem candidato a presidente

Em aparte, a deputada Luiza contestou o fato de ter sido considerada, em recente matéria também deste blog, “um Dom Quixote de saias”, buscando coisas “impossíveis”.

Tratávamos, na ocasião, de sua frustração em razão de o governador Rui Costa, na definição do secretariado, não ter praticado a paridade de gêneros, política oficial do PT, em âmbito nacional, que o partido não executa, assim como, nos 12 anos de governo federal, não se movimentou para consumar a reforma política que o deputado Rosemberg propugna no mesmo discurso.

Como é merecedora de todo o respeito que tem caracterizado o relacionamento de muitos anos com este editor, a deputada não deve sentir-se ofendida. Foi apenas uma imagem com que se procurou definir, jornalisticamente, a inconsequência de sua ideia no aludido caso.

Algo semelhante à situação ocorrida há alguns anos, que nos propiciou cordial debate pessoal, quando a parlamentar defendia a implantação do voto secreto para apreciação de qualquer projeto na Assembleia Legislativa.

Com base no sentimento captado entre os deputados, antevimos em fevereiro de 2011 a derrota da proposta de emenda constitucional que, votada em abril, só teve oito votos a favor.

Mas há uma diferença entre essa votação e a do próximo dia 2 de fevereiro: na primeira, defendíamos, por princípio, os casos em que a Constituição impõe o sigilo do voto. Na eleição de presidente, o editor, evidentemente, não tem candidato, ao contrário do que afirmou o deputado Rosemberg. (LAG)

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos