DEU NO BLOG POR ESCRITO (EDITADO PELO JORNALISTA LUIS AUGUSTO GOMES)

Tende a uma radicalização aparentemente desnecessária a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa, em que a bancada do PT não aceita apoiar seu antiquíssimo aliado Marcelo Nilo para o exercício do quinto mandato consecutivo.

Lançou-se candidato ninguém menos que o líder Rosemberg Pinto, que se mantém irredutível até o momento, mesma posição da correligionária Luiza Maia: “Nós vamos até o final, está na hora da alternância”, alardeou a deputada em emissora de rádio.

Entretanto, analisada friamente, a candidatura de Rosemberg é uma anticandidatura sem sentido, diferente daquela que consagrou a expressão, de Ulysses Guimarães a presidente da República, em 1973, contra o general Ernesto Geisel, no Colégio Eleitoral da ditadura.

O PT não vai sensibilizar ninguém com discurso inútil. A disputa atual, na Assembleia Legislativa, se dá sob uma legislação legítima, instituída democraticamente. Estão em jogo as posições de forças políticas dentro do cenário. Em suma, quem tiver voto que vença.

Não fosse assim, o presidente Marcelo Nilo não estaria com o pescoço grosso que vem exibindo, ao dizer que “o PT sempre o apoia aos 47 de segundo tempo”, mas advertindo: “Eu até estou querendo que eles mantenham a candidatura. Desta vez o jogo pode ser encerrado aos 45”.

Nilo vê uma ingratidão dos petistas, como disse a jornalistas, na rampa da Assembleia, no dia da posse do governador: “Trabalhei pra Rui Costa, me dediquei. Até do filho de Paulo Souto recebi a garantia do voto. Não me conformo que só o PT, em 17 partidos, seja contra”.

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Comentários

rosane santana on 4 Janeiro, 2015 at 6:17 #

Caro Luis Augusto, tenho que discordar de vice. Não a nada de legítimo na eleição de Marcelo Nilo pela quinta vez consecutiva para a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia. Há conveniências e acordos de bastidores, sabe-se lá a que custo, que fazem perpetuar esse absurdo, desestimulando que se recorra aa Justiça, até aa sua instância máxima para acabar com esse absurdo. O Regimento Interno não está acima da Constituição, mas subordinada a ela.


rosane santana on 4 Janeiro, 2015 at 6:17 #

OBS: discordar de você.


rosane santana on 4 Janeiro, 2015 at 6:17 #

OBS: Não há nada..


luís augusto on 4 Janeiro, 2015 at 8:53 #

Querida Ró-Ró, destaco o trecho seguinte do texto: “Estão em jogo as posições de forças políticas dentro do cenário. Em suma, quem tiver voto que vença”.

Como você sabe, o PT, no meio político, é tido como açambarcador do que for possível. Não que isso não seja um mal da política, mas o PT não costuma reconhecer o momento de abrir mão em nome de um entendimento, preferindo o atrito, um defeito de origem, de quando, por falso purismo, não aceitava alianças.

Deputados governistas não petistas sofreram nesses oito anos, inclusive com a farta distribuição de grana a ONGs ligadas ao PT nas bases interioranas, e têm em Marcelo Nilo uma liderança capaz de equilibrar um pouco a balança. Há a convicção de que, no dia em que o PT tomar a Assembleia, seu poder será crescente e esmagador.

A crença de que isso nunca acontecerá é simbolizada numa piada antiga lá da AL segundo a qual, mesmo que tenha 32 deputados (maioria absoluta dos 63), o PT não elegerá o presidente porque um será contra.

No presente caso, Wagner não conseguiu impedir as reeleições de Marcelo Nilo, nem Rui Costa conseguirá, o que não deixa de caracterizar a tão desejada “independência” do Legislativo, embora Nilo seja governista de quatro costados.

Sua presença na presidência dá tranquilidade aos pares. Por exemplo, há três anos, quando Wagner resistia em dar uma suplementação de recursos à Assembleia, os caras redigiram uma emenda constitucional obrigando-o ao repasse.

Não chegou a ser votada porque acomodaram as coisas. Um deputado me perguntou, como disse em matéria publicada há algum tempo: “Se o presidente fosse Rosemberg, isso ia pra frente?”

Você sabe que governador e prefeito, nesta terra, sempre elegeram os presidentes da Assembleia e Câmara que desejaram, não me recordo de exceção. Até Paulo Souto passou por cima de ACM e fez Clóvis Ferraz em 2005.

E concluo: se houver algum impedimento para Nilo alcançar, em 2017, o sexto mandato, um candidato indicado por ele ganhará a eleição.


rosane santana on 4 Janeiro, 2015 at 12:07 #

Nada disso muda a inconstitucionalidade do caso. Data venia, me permita discordar, não acredito nos argumentos usados para a manutenção de Nilo na presidência. Aa propósito, de quanto dispõe Nilo oara administrar anualmente o Legislativo Estadual da Bahia? Quem ganha com sua permanência?


rosane santana on 4 Janeiro, 2015 at 12:10 #

Wagner não conseguiu impedir as reeleições? Caro Luis, isso parece história da carochinha!


luís augusto on 4 Janeiro, 2015 at 21:11 #

Quando Wagner abriu o olho, já era tarde. Para impedir a segunda reeleição (terceiro mandato), ele correria o risco de desarrumar seriamente a base dele na Assembleia. Aí preferiu acochambrar.

Quanto à inconstitucionalidade, não existe. A Constituição foi mudada em dezembro de 2000 para permitir a reeleição de Reinaldo Braga em fevereiro de 2001, quando Antonio Honorato foi para o TCE. Nesse caso, o Regimento da AL apenas repete o que está na Constituição.

Diga-se de passagem que reeleição só se caracteriza na mesma legislatura. Uma nova legislatura, como agora, é absolutamente livre para quem quiser se candidatar.


rosane santana on 5 Janeiro, 2015 at 9:03 #

Pergunte a qualquer constitucionalista que não seja de encomenda.


luís augusto on 5 Janeiro, 2015 at 10:53 #

Sendo de fato inconstitucional, não entendo por que até agora ninguém questionou isso na Justiça. Talvez desta vez apareça alguém para tentar barrar a reeleição. Temos o mês inteiro para esperar. Beijos.


vitor on 5 Janeiro, 2015 at 12:50 #

Rosane

Aos beijos de Luis Augusto acrescento os votos de boa viagem de volta da sua histórica e paradisíaca Pasárgada do extremo sul baiano para a Cidade da Bahia. Que Ponta de Areia, a canção de Milton Nascimento que tão lindamente fala de seu paraíso particular, a acompanhe no retorno.


rosane santana on 5 Janeiro, 2015 at 16:07 #

E’ o que lhe disse acima, Luis, e’ óbvio que ninguém leva a sério, até a ultima instância, a questão, porque outros interesses entram em jogo. Qual e mesmo o valor do orçamento anual da AL? Quem ganha?


rosane santana on 5 Janeiro, 2015 at 16:08 #

E’ lflagrantemente inconstitucional!!!


rosane santana on 5 Janeiro, 2015 at 16:10 #

Aberração!!!


rosane santana on 5 Janeiro, 2015 at 16:11 #

Obrigada, Vitor, pelos votos, pela canção que me emociona sempre.


rosane santana on 5 Janeiro, 2015 at 16:18 #

Durante o Império, Nem o todo poderoso D. Romualdo Seixas, representante da alta cúpula da igreja Católica, que governava o Brasil junto com os poderes civis, ele que foi primeiro presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, ousou este absurdo. Perpetuar-se na presidência da Casa, porque, apesar de conservador. Esse tipo de atitude avacalha o Legislativo, gera mais descrédito na classe política e na democracia.


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