Dilma e o bolo de ministros na foto oficial depois da posse
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ARTIGO DA SEMANA

A Presidente, os novos ministros e o samba

Vitor Hugo Soares

“Seu Presidente,/ Sua Excelência mostrou que é de fato/
Agora tudo vai ficar barato/Agora o pobre já pode comer/Seu Presidente,
Pois era isso que o povo queria/ O Ministério da Economia/ Parece que vai resolver/ Seu Presidente//Graças a Deus não vou comer mais gato/Carne de vaca no açougue é mato/Com meu amor eu já posso viver”.

(Do samba Ministério da Economia, de Geraldo Pereira e Arnaldo Passos)

Basta trocar o tratamento inicial de Senhor para Senhora Presidente e fazer algumas pequenas adaptações de linguagem para evitar os chatos de plantão no tempo do “politicamente correto”, que atravessamos, e está tudo OK. A exemplo do que rolou em Brasília na última quinta-feira, primeiro dia de 2015.

Temos até, na letra e melodia do velho e bom samba “Ministério da Economia”, sucesso popular absoluto no Brasil de 1951 (pode parecer distante, mas é quase ontem para os registros históricos), o tema musical da festa da posse para o segundo mandato da petista Dilma Rousseff. Acompanhada do coro de calouros e veteranos ministros, de múltiplas e desafinadas vozes, que ela escolheu na largada de seu segundo mandato no ano regido pelo guerreiro Oxóssi, a entidade sincrética de São Jorge nos cultos afro-brasileiros.

A garimpagem atenta e certeira, retirada do fundo do baú da MPB, da música interpretada à perfeição pelo saudoso sambista Geraldo Pereira, deve ser creditada ao jornalista baiano Claudio Leal. De São Paulo, ele postou no site blog Bahia em Pauta, o vídeo do YouTube, acompanhado da letra e informações básicas sobre a composição genial.

No título, o jornalista cravou com a inteligência e refinada perspicácia de sempre: “Seu Presidente/ Graças a Deus não vou comer mais gato”. Um samba de Geraldo Pereira para sonhar com as promessas dos discursos de posse em todo o Brasil”.

Na mosca!!!

Vejam, por exemplo, aquela foto tradicional em dia de posse, que todos os jornais fazem e quase nenhum publica na edição do dia seguinte. A chamada “foto de Arquivo” no jargão das redações, para ajudar em futuras comparações à medida que os governos vão passando e vários dos sorridentes ou circunspectos auxiliares do primeiro escalão vão se desgastando política ou tecnicamente, perdendo força e visibilidade.

No caso em tela, um amontoado de 39 figuras díspares, boa parte surge e desaparece como miragens no deserto, sem que a maioria dos brasileiros saiba de fato quem são, ou o que fazem. A não ser quando os malfeitos e escândalos explodem e se multiplicam com suas sequelas e contaminações inevitáveis.

Alguns acabam descartados. Sem sequer um “muito obrigado” do poderoso da vez. Em outros casos, simplesmente, são deixados na margem da estreita e selvagem estrada do poder, sem verbas, sem atenção, abandonados para morrer à mingua.

Neste começo do segundo governo Dilma, a “foto de Arquivo” foi publicada em alguns diários impressos, como a Tribuna da Bahia, sites e blogs. A imagem que tenho é a publicada na edição de ontem (2) do jornal espanhol El Pais (Edição do Brasil, que sempre leio junto com a TB).

Nela, uma figura se destaca no meio do bolo completo de novos e antigos auxiliares da presidente: O Ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Ele assume de fato o comando Economia na segunda-feira, 5, em cerimônia no Banco Central que promete dar o que falar. Atualmente é ele o nome do samba.

Natural do Rio de Janeiro (embora tantos na imprensa o confundam com um paulista), Levy desfila no meio do amontoado da posse no Palácio do Planalto e depois na festa fechada nos salões do Itamaraty, com a aura semelhante a uma daquelas personalidades de que fala o saudoso mestre da política, Ulysses Guimarães, ao justificar o nono mandamento de seu famoso Decálogo do Estadista: A Autoridade.

A figura que se destaca na multidão. Aquele do “poder de comandar com o olhar. A autoridade que promove a pessoa em personalidade”, na definição de Ulysses. O atributo inato e raro com o qual alguns poucos homens públicos são gratificados. Não se fabrica, a custo de armações de ocasião, coro de batráquios partidário e ideológico, ou custoso marketing político, pessoal ou governamental. Vale guardar a foto e conferir depois.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Mariana Soares on 3 Janeiro, 2015 at 10:35 #

Na mosca, meu irmão! Levy é a esperança maior deste novo governo. Se a ele for possível, não duvide, vai colocar a nossa economia nos trilhos!
Além de capacidade técnica ímpar, incomparável e invejável, é um profissional destemido e incansável, sem hora e sem limite para o trabalho. Já deu provas disso tanto no setor público federal, estadual, quando colocou a economia combalida do Rio de Janeiro em níveis invejaveis, e, também, no setor privado, aqui e em outras paisagens. Levi é o cara desta governo!
Ontem, também, assisti, com tristeza e saudade, a despedida de Jorge Hage da CGU, em bonito e empolgante discurso, como sempre. Acho que é a tal da vida que segue.
O novo Ministro Valdir Simão, também, me deixou entusiasmada, quando no seu discurso de posse, prometeu ser implacável com a corrupção, além de desejar deixar para as filhas dele um país livre deste mal. Ficarei na torcida! O trabalho da CGU não pode e não deve ter freios ou paradas, seguir avançando sempre, não só será preciso, como imprescindível, no nosso país.
Feliz 2015!


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