Suassuna e Ubaldo:saudades deixadas como presentes

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Presentes e presenteados 2014

Janio Ferreira Soares

José Dirceu ganhou um forno de micro-ondas e um chuveiro quente, talvez pra aquecer suas mágoas de mártir abandonado na frieza noturna do cárcere planaltino.

Delúbio ganhou uma feijoada completa e, comenta-se pelos corredores da Papuda, soltou um belo de um arroto depois do gole final numa Coca com gelo e limão.

O sortudo do Kassab nem bem colocou seu sapatinho na janela do Planalto e já recebeu de uma surpreendente Mamãe Noel, justamente a pasta onde rolou o maior funk ostentação ao som de Mc Youssef e seus maleiros amestrados.

Helder Barbalho (cujo sobrenome, por si só, derrapa na curva da suspeita) também foi contemplado pela Boa Velhinha do vestido rendado, com aquele inútil Ministério onde seus ocupantes vivem a propagar a balela sobre não dar o peixe e sim a vara, que, envergada, continua entrando.

Paulo Roberto ganhou uma diretoria da Petrobras e uma assinatura de Lula no seu macacão laranja, provavelmente o login que ele necessitava para, como um Metralha cibernético, acessar a caixa-forte dos displicentes tio Gabrielli e tia Foster.

Figurões presos na Lava Jato ganharam panetones levados por suas aloiradas madames, recheados de sonhos de futuros natais em Aspen.

Dona Nalvinha ganhou uma dentadura pra sorrir pra Dilma, estranhou-a, e hoje permanece com a arcada superior qual uma trave de futebol de botão sem a caixa de fósforos no meio.

Múcio Tolentino, tio-avô de Aécio, ganhou um chaveiro com o escudo do Cruzeiro para pendurar as chaves que dão acesso ao seu aeroporto particular.

Marina Ruy Barbosa, a my sweet child do comendador Zé Alfredo, ganhou um apartamento em Copacabana e, nos demais capítulos, o mesmo que Mariazinha levou no Beco do Cine Palace.

Neymar recebeu uma joelhada e livrou-se da enfiada que a Seleção de Felipão levou dos alemães – a seco, frise-se -, bastante parecida com a que Maria Schneider ganhou de Marlon Brando naquele amanteigado tango em Paris.

Andressa Urach, a rainha do bumbum, ganhou uma temporada num hospital depois de uma aplicação de gel exatamente nas partes que lhe abrem portas de sites e braguilhas de grifes.

Renan Filho ganhou o governo de Alagoas, ao tempo que seu pai ganhou 10 mil novos fios de cabelos e o sugestivo apelido de: “Sansão, o doutrinador das dalilas do cerrado”.

Torcedores do Bahia e do Vitória – e a imprensa baiana, de um modo geral -, receberam nos peitos resultados totalmente condizentes com suas atitudes de crianças buchudas que vibram com qualquer Danoninho vencido dado por cartoletes de ocasião.

Eu, além da primeira manhã do ano ouvindo Pablo num som de um carro em frente de casa, ganhei um cachorro meio pé-duro, meio Fox Terrier, cujo nome é Edgarr, com dois erres, como os de Deborah Kerr.

Wagner ganhou a Defesa e a oportunidade de, se raspar a barba e deixar só o bigodão, se apresentar para a tropa numa atitude tipo General Custer, ou, de camisão florido, num estilo General Dureza.

João Ubaldo, Ariano, Zé Wilker, Joe Cocker e Carvana ganharam minhas saudades e cadeiras cativas em algum lugar por aí que tenha um chope gelado e um dia pra vadiar.

2015, coitado, até que ganhou uma chance, mas a nomeação de George Hilton para o Esporte antecipou seu fim. Feliz 2016.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco

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Comentários

Mariana Soares on 3 Janeiro, 2015 at 14:01 #

Maravilha de crônica, Janio! Feliz 2015, ainda tenho alguma esperança!


luís augusto on 4 Janeiro, 2015 at 21:16 #

Um primor!


luís augusto on 4 Janeiro, 2015 at 21:17 #

Em tempo: me sinto presenteado nas cotas do Vitória e de João Ubaldo.


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