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Chiquinha Gonzaga: mulheres necessárias

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Cadê as mulheres do futuro governo?

Maria Aparecida Torneros

Em princípio elas não aparecem em destaque no primeiro escalão dos Ministérios. Talvez venham a compor a retaguarda ou alicerçar as mil e uma utilidades que o sexo feminino tem de costurar remendos ou desatar nós. O que se vê por enquanto é o esforço quase matriarcal da presidenta reeleita em compor um ministério que reflita apoio no congresso e lhe garanta melhor governabilidade. Claro está que a mulherada a elegeu também e vai cobrar.

Mulher em segundo plano e ganhando menos é a praxe do mercado. Num mundo tão ultrajantemente machista observa-se o absurdo dos casos de estupro e desrespeito além de um véu diáfano que parece encobrir a injustiça com a figura dita feminina estereotipada. Mulher no comando tem requisitos absolutamente ultrapassados em tese. Precisa saber mais e provar isso.

De esconder beleza ou disfarçar encantos físicos. Ou então precisa ter companheiro que a proteja. Se não o tem a classe dos machos preconceituosos desconfia e insulta. Quando um Bolsonaro diz em alto e bom som que não estupra a Maria do Rosário porque ela não merece na mesma hora pensei que nós não marchamos a Brasília para castrá-lo e a tantos outros como ele porque evoluímos como seres humanos e cremos na lei. Mas também imaginei se ele mereceria gesto assim por parte de alguma fêmea que surtasse.

Chiquinha Gonzaga fez questão de criar o termo maestrina em português. Não admitiu ser chamada de maestra. Ela foi pioneira. E nos precedeu na luta. Penso que no universo plural onde deve se respeitar os gays e suas conquistas sociais, o lugar do feminino deva ser repensado e a toque de caixa. Dilma também sabe e o fará com certeza. Sob pena de equilibrar forças e honrar o voto feminino.

Mais do que isso ela terá que juntar forças conosco para enfrentar corte de despesas e combate sério à corrupção. É hora de valorizar aquelas cuja luta vai além dos acordos partidários e são capazes de dar suor e sangue por ideais ainda que isso pareça conversa dos anos 70.

Sugiro um mutirão de donas de casa e chefes femininas de família a serem convocada como comissão da verdade feminina . Ainda há tempo Presidenta. A maestrina Chiquinha é nossa inspiração . Afinal ela levou o corta jaca para os salões presidenciais e abriu alas para o povo no carnaval de rua.

Cida Torneros é jornalista e escritora, editora no Rio de Janeiro onde mora do Blog da Mulher Necessária

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Comentários

Cida Torneros on 31 dezembro, 2014 at 10:42 #

Bom dia e feliz Ano Novo. A primeira dama Nair de Tefe executou o corta Jaca ao piano para surpresa de todos em 1914 no palácio do Catete. Até Rui Barbosa escreveu crítica no jornal do dia seguinte. Mulheres como Chiquinha e Nair nos abriram os olhos e os Caminhos! Viva 2015!


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