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Postado em 25-12-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 25-12-2014 00:59


Wagner:do Palácio de Ondina
ao Ministério da Defesa. A Tarde

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DEU NO JORNAL A TARDE

Biaggio Talento

Após longo período de espera, a presidente Dilma Rousseff anunciou, ontem, que o Ministério da Defesa será a pasta do governador Jaques Wagner no seu segundo mandato, que começa em janeiro de 2015. Em entrevista exclusiva ao A TARDE, Wagner falou qual será seu papel no governo.

Acabou a novela do ministério, governador?

Terminou. Na verdade, o primeiro a sugerir (o Ministério da Defesa) para ela (presidente Dilma Rousseff) fui eu. Primeiro tenho uma relação boa com eles (militares). Estudei no Colégio Militar do Rio de Janeiro e até iria seguir carreira, mas depois daqueles episódios todos de 1968, acabei não indo. Acho que os militares são extremamente importantes. Na carreira de Estado, as mais perenes são eles e o Itamaraty (diplomatas).

O senhor acha que ainda existe um pouco de medo em relação aos militares?

Algumas pessoas têm uma visão equivocada (dos militares). Olham para a Defesa ou ainda com trauma de 64 ou com uma lógica de Guerra do Paraguai, que é como se fosse necessário ter tropas para brigar e invadir. Creio que as pessoas desconhecem a dimensão que têm hoje o Exército, a Marinha e a Aeronáutica do ponto de vista tecnológico, campanhas de diminuição de vulnerabilidade. As pessoas não têm ideia dos investimentos da área. Por exemplo, o submarino nuclear. É tecnologia pura que será transferida da França para cá. Satélites. Estamos prestes a lançar um satélite brasileiro estacionário com muita tecnologia, muito mais que banda larga (internet). Também os caças (que o governo comprou) da Suécia. Então, tem um grande volume de investimentos. É bom lembrar ainda o comando da vigilância da Amazônia, que é um patrimônio nosso. A base da Antártida. Enfim, há uma capilaridade incrível, pois eles estão em todos os cantos. Na própria Base Aérea de Salvador, os caças que patrulham a nossa costa. Só para se ter uma dimensão do cargo: já foram ministros da Defesa o ex-governador Waldir Pires, o vice-presidente da república, o ex-presidente do STF Nelson Jobim, o Celso Amorim, que foi durante oito anos ministro das Relações Exteriores, que teve reconhecido seu trabalho fantástico.

Além disso, o senhor também vai participar do núcleo de governança do governo Dilma?

Prefiro chamar de coordenação de governo, que é aquela primeira linha, o “núcleo duro”, não gosto muito desse nome. É o grupo de ministros que ela convoca para ficar diretamente em volta. Na conversa com a presidente, ficou acertado que vou para a Defesa e sou parte da coordenação política ou de governo.

Mas com a função de participar de negociações com o Congresso, com as lideranças políticas?

Não. A coordenação estuda projetos estratégicos. Agora ninguém impede de negociar. O Jobim, por exemplo, era ministro da Defesa, e até pela origem dele, que foi além de integrante do STF, ministro da Justiça, poderia receber uma missão. É o meu caso também, ela pode me encomendar algo nessa linha, não tem nada que me impeça. Não estou na frente da batalha política. O articulador político pelo que estou percebendo é o deputado Pepe Vargas do Rio Grande do Sul. Mas todo ministro é político. Pela minha relação posso conversar com vários segmentos, mas não é minha função primeira.

Já discutiu com a presidente a estratégia nesse início de governo ante esse bombardeio todo pelo caso da Petrobras?

Ainda não puxou essa reunião. Quando puxar, vou estar. É que ela está nesse momento querendo fechar o ministério para anunciar.

Como o senhor responde a essas provocações da oposição de que a Defesa não é um dos ministérios fortes?

Há uma espécie de senso comum, que é muito pobre, segundo o qual pelo meu poder político deveria ir para Comunicações. Isso é uma babaquice. Para quem diz isso eu respondo: amigo, a última vez que fui para um cargo dito de segunda, foi para o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, saindo para ser governador. É uma pasta da maior relevância. Cibernética, Amazônia, satélite, submarino nuclear, os caças, a Embraer, a Base da Antártica, ou seja, é muito dinheiro investido. Meu sentimento é que estou absolutamente satisfeito. Aí ficam me perguntando: o que o senhor vai fazer pela Bahia na Defesa? É outra bobagem, gente. O que eu vou fazer pela Bahia depende de estar na coordenação de governo e ter o peso de, quando Rui (Costa, governador eleito) precisar de alguma coisa, eu ligar para um ministro amigo meu e dizer o que o Estado quer. E com toda força política nossa. Se por acaso eu fosse para o Ministério dos Transportes, resolveria os problemas das estradas da Bahia. E o resto? Tem Cidades, Integração Nacional, Saúde. Os tempos estão mudando. Não adianta o cara achar que eu no Ministério das Comunicações iria fechar rádio de inimigo e dar rádio a amigo. Isso não existe mais.

O senhor está esperando um orçamento apertado para 2015 em função da crise econômica?

Lógico que todo mundo sabe que terá orçamento apertado, mas óbvio que eu tenho garantias para os projetos prioritários que citei. Todos terão continuidade, mas tudo aponta para um ano de orçamento apertado.

E o sentimento de começar esse nosso governo?

É um sentimento bom. A presidente conseguiu fazer a equação política. Praticamente todos os partidos parceiros estarão bem representados (no ministério). Claro que todo parceiro quer ampliar a participação, mas ela venceu etapa importante. (Veja matéria na página B2)

Incomoda o senhor integrar um ministério que tem pessoas ditas conservadoras, como a ministra da Agricultura Kátia Abreu?

Não. Você sabe como eu fiz na Bahia. E alguns diziam que tinha mais carlistas na minha chapa que na do adversário. As pessoas também têm o direito de mudar, caramba. As pessoas podem ter uma história assim e depois conviver com outro projeto político. A presidente tem o comando. O ministro não vai fazer o que quer no ministério. Se fizer uma aberração contra aquilo que é o conceito da presidente da república, ela vai dizer, não é por aí. Você pode dizer, olha ela trouxe uma pessoa conservadora. Eu posso ver por outro ângulo: a pessoa conservadora aceitou vir para o ministério de alguém do PT e tem a característica que tem. É um processo de ajuste de todo mundo. Um deputado tem um grau de liberdade muito maior de quem está num ministério. Não acho que isso é problema, esse é um governo de coalizão, não ganhamos só com o PT, com as forças chamadas de esquerda, ganhamos também com as forças de centro.

Já deu para puxar alguma coisa para a gestão de Rui Costa?

Agora não é o momento de discutir isso, porque a cabeça de todo mundo está focada em fechar o ano e fazer a transição. Isso é para 15 de janeiro. Todo mundo que chega vai arrumar a casa ainda.

O senhor estará em Brasília quando a presidente Dilma chegar à Bahia para descansar, na quinta?

Ela já fez o dela. Eu tenho que fazer o meu agora. É como quando o governador nomeia o secretário. Transfere para ele o problema. Ela já transferiu, cada ministro tem que montar (a equipe). Eu volto a Salvador e retorno na quinta-feira para Brasília para estudar a estrutura do Ministério da Fazenda, enfim tem todo um trabalho a ser feito.

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