Mafalda na exposição comemorativa em São Paulo.
/ Sylvia Masini (Divulgação)

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DEU NO DIÁRIO ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Flávia Marreiro

São Paulo

Com um espanador na mão, a garotinha pergunta, do lado de um globo terrestre: “É para limpar todos os países ou só os mal governados?” A menina em questão é Mafalda, 50 anos completados em 2014, fresca e atual tal como o argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino, a desenhou entre 1964 e 1973. A tirinha faz parte da exposição “O Mundo segundo Mafalda”, que abriu nesta terça-feira na Praça das Artes, no centro de São Paulo, e fica em cartaz até 28 de fevereiro.

A montagem, que estreou na Argentina e já passou por México, Costa Rica e Chile, é um convite a entrar no mundo da garotinha-cabeça, sempre angustiada com o noticiário.

“Com as decapitações cometidas por esse grupo islâmico [Estado Islâmico] tive uns ataques de choro que nem te conto. Ou por ver esses meninos mexicanos que cruzam sozinhos a fronteira. Uma coisa espantosa”, disse Quino recentemente ao EL PAÍS, pouco antes de receber, neste ano, um dos mais prestigiosos prêmios da Espanha, o Príncipe de Astúrias de Comunicação e Humanidades.

A declaração de Quino aparece límpida nas preocupações e na empatia de Mafalda, o que leva a personagem para uma pequena legião, ao lado de Alice de Lewis Carroll e a Mônica de Maurício de Souza: a das heroínas anti-princesa. “Mafalda é anti-princesa. Temos de apresentar outros modelos para as crianças”, diz Sabina Villagra, argentina curadora da exposição.

Na Praça das Artes, não há bonecos gigantes, nem pirotecnia, mas uma delicada introdução à atmosfera da menina, a da classe média da Argentina dos anos 1960, e de seus amigos.

A família da garotinha – mãe, pai e o caçula Guille – surgem para o público no Citroen 2CV da família em tamanho real. Depois, é a vez de entrar no apartamento dos vizinhos de Mafalda, com vitrola e TV preto e branco. A paixão da garotinha pelos Beatles e suas diatribes contra sopa também estão lá.

Há muito para ler, o que delicia quem ama Mafalda, mas, em tese, pode afastar as crianças mais novas. A curadoria de Villagra, no entanto, contorna isso povoando a exposição com espaços para desenhar e objetos fofinhos para tocar, tirinhas gigantes para montar. Segundo a assessoria do local, haverá monitores em cada módulo da exposição para guiar as atividades das crianças.

No mundo infantil hiperpovoado de produtos, não haverá nada para comprar, avisam os organizadores. “Quino vende ideias”, diz a representante do artista, Julieta Colombo.

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