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Jango fotografado por Maria Teresa:morte no exílio
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DEU NA TRIBUNA DA BAHIA

OPINIÃO

Morte de Jango:38 anos depois
Hari Alexandre Brust

Há 38 anos (06 de dezembro de 1976), morreu em Mercedes – Argentina, João Belchior Marques Goulart, o nosso saudoso Jango, único Presidente brasileiro a falecer no exílio, cuja causa mortis, até hoje não foi desvendada já que à época, a ditadura militar não permitiu a realização da autópsia.

Em razão disso, a família do ex-presidente jamais aceitou a hipótese de morte natural, em consequência da permanente vigília que mantinham os órgãos de repressão tanto nacional, como internacional.

Poderá ter sido mais uma vítima da “Operação Condor”, uma organização para militar das ditaduras militares do Cone Sul, na década de 1970, para combater os inimigos desses regimes.

Por anos a fio seus familiares tentaram a exumação do corpo, com um processo iniciado em 2007, através do Ministério Público Federal, mas somente com a criação da Comissão Nacional da Verdade, em 2012, encarregada de apurar as violações dos direitos humanos, foi decidida a investigação da causa que provocou a morte do ex-presidente e, em novembro de 2013, foi criado pelo Ministério dos Direitos Humanos, um grupo para proceder a exumação para as investigações requeridas.

Assim, em 14 de novembro de 2013, finalmente foi procedida a exumação dos restos mortais de Jango, que submetidos a exame toxicológico, somente no inicio deste mês, teve o resultado revelado. Segundo noticia da Agencia Globo de Brasília, dia 2 passado, o “LAUDO NÃO NEGA NEM CONFIRMA QUE JANGO TERIA SIDO ENVENENADO: Os peritos que trabalharam no caso explicaram que o material colhido foi submetido a cerca de 700 mil substancias, testadas como possível causa da morte. Não foi encontrada nenhuma delas no exame toxicológico, mas os peritos explicaram que há milhões de outras substancias que não foram comparadas. “Contudo, não é possível negar que não tenha ocorrido envenenamento, tendo em vista mudanças físicas e químicas dessas substancias ao longo do tempo. Algumas substancias permanecem mais tempo no corpo que outras. É inconclusivo”. A família de Jango estava presente na divulgação do laudo, com exceção da viúva Maria Thereza Goulart. João Vicente Goulart, filho do ex-presidente, afirmou que a família tinha noção que seria difícil, 37 anos depois da morte do ex-presidente, comprovar o envenenamento. “A família decidiu por um passo doloroso. Sabíamos que era remota a possibilidade de se encontrar alguma substancia”, afirmou”.

Para Vladimir Safatle, em artigo publicado na Revista Carta Capital, em 24.11.2013, “As duas Mortes de Jango”, foram duas as vezes que João Goulart morreu. Uma foi a morte física que, tudo indica, resulta de mais um assassinato perpetrado pela Operação Condor.

Talvez nunca consigamos as provas definitivas de tal assassinato”.

Infelizmente a dúvida de Vladimir, acaba de ser confirmada pelo laudo do exame toxicológico.

“A outra morte, descrita pelo jornalista, talvez pior, à qual João Goulart foi submetido: a morte simbólica, Jango não foi simplesmente deposto, ele foi assassinado simbolicamente. Era necessário não apenas matá-lo, mas apagá-lo de nossa história. Ela é a eliminação também da memória das ações que tal nome representou”.

O crescimento do movimento pelas Reformas de BASE, provocou a reação das oligarquias conservadoras, aliada aos golpistas de segmentos militares, dos banqueiros, das insaciáveis multinacionais com apoio da CIA, fomentaram toda sorte de sabotagem e subversão, culminando com o golpe e o afastamento do presidente reformista João Goulart, em 31 de março de 1964. Darcy Ribeiro, em sua clarividência, assim definiu a violência praticada pelos militares golpistas: “Jango não caiu por defeitos do seu governo. Foi derrubado em razão das suas altas qualidades”.

Somente 44 anos depois de ter sido “injustamente cassado, perseguido e derrubado por meios ilegais”, segundo o então Ministro Tarso Genro, em 15 de novembro de 2008, o Governo do Brasil concedeu anistia política ao seu ex-governante. Na ocasião leu uma carta do ex-presidente Lula na qual afirmou: “o ato de hoje não apenas homenageia sua memoria, mas também marca um pedido oficial de desculpa do Estado Brasileiro em nome do povo, reconhece os erros do passado”.

A interrupção de todo um processo de transformação da realidade brasileira, retardou o desenvolvimento sócio-econômico em meio século, razão da existência dos sem terra, dos sem teto, dos sem saúde, dos sem educação, dos sem transporte, além de atrasar a construção da independência econômica, da autonomia e a soberania política do Brasil.

Reeditar João Goulart, nesta data, é uma forma de alertar a classe trabalhadora para reencontrar as suas raízes e fortalecer a luta trabalhista no enfrentamento da crise que afeta toda estrutura nacional: a estrutura do Estado, da indústria, do comércio, da agricultura, da estrutura política e social. As novas gerações na sua luta por uma pátria socialmente justa e solidária, com certeza irão se deparar com João Goulart, “UM TRABALHISTA À FRENTE DO SEU TEMPO”.

Hari Alexandre é secretário geral do PDT

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