BOA TARDE!!!

dez
13
Posted on 13-12-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-12-2014


Sponholz, hoje, no portal de humor A Charge Online

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13


Hage:de partida da CGU
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Brizola:”um moço honrado e de valor”
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ARTIGO DA SEMANA

Jorge Hage: o abraço esquecido de Brizola

Vitor Hugo Soares

No final da segunda metade dos anos 70, dias antes da ditadura que se implantava no Uruguai determinar a expulsão de Leonel Brizola, exilado com dezenas de outros brasileiros no país à beira do Rio da Prata (o ex-presidente deposto João Goulart entre eles), estive com o ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul.

O encontro aconteceu na fazenda onde ele vivia com dona Neuza e a família no povoado de Carmen, distrito de Durazno. Na época Laila, neta de todos os encantos de Brizola, filha da falecida Neuzinha, mal começava a dar os primeiros passos na sala de visitas. Foi um dia e parte da noite de conversas e revelações, sem anotações jornalísticas, mas impossíveis de esquecer.

“Amacord”, como Fellini. Então eu trabalhava no Jornal do Brasil. Chefiava a redação da sucursal de Salvador. Em anos seguintes, contei sobre vários momentos do encontro em matérias, artigos e escritos avulsos. Geralmente, ao contextualizar informações sobre fatos e episódios da história e da política. Relatos direta ou indiretamente relacionados com a intensa e sempre polêmica presença e atuação de Leonel, como era chamado por dona Neuza, até a morte inesperada do líder político em um hospital do Rio, antes de chegar aos 90 anos. “Idade mínima para um Brizola partir”, como ele me dissera naquela noite uruguaia ao falar sobre a longevidade dos membros da sua família.

Nestes dias de insano dezembro da vida nacional, recordo de repente de um detalhe da conversa com Brizola sobre o qual acho que nunca escrevi, embora admita a possibilidade de estar sendo traído pela memória.

De madrugada, um carro chegou para me pegar com Margarida (minha mulher e também jornalista), e levar para uma hospedaria em Carmen, juntamente com o jornalista alagoano no exílio, Paulo Cavalcante Valente, amigo comum, que tornara possível o encontro. De lá tomaríamos um ônibus cedinho de volta a Montevidéu.

Nas despedidas já fora da casa, na escuridão da noite que ele iluminava apenas com uma lanterna de mão, Brizola falou: “Venha de lá um abraço, baiano! Tu sabes como eu gosto da tua terra e da tua gente. Apelidei a Neuzinha de “Bahia”, desde pequena, só para ficar repetindo o nome”, disse. Tentando disfarçar a emoção, perguntei no meio do abraço: “Retorno ainda hoje ao Brasil e à Bahia, governador. Tem alguma mensagem ou recado para alguém de lá?”. “Mando lembranças a quem recordar ou perguntar por mim”, respondeu. E logo acrescentou:

-Tu conheces esse jovem prefeito de Salvador, Jorge Hage? Se o encontrar diga que mando um abraço especial e a minha solidariedade a ele. Acompanho daqui pelo rádio e jornais que ele está sendo forçado pelos poderosos da Bahia e de Brasília a deixar a prefeitura da capital, antes de completar o seu mandato. Simplesmente porque ele é firme, correto, capaz e incorruptível no cumprimento de seu dever de gestor e homem público. Este é um moço de valor, como poucos no Brasil atualmente”.

Hage perdeu (ou ganhou?) a briga em Salvador. Teve de deixar no meio do caminho uma das mais honestas e competentes gestões da cidade onde os poderosos do comércio, da política, da indústria e de parte da imprensa, não gostavam de honrar seus encargos, nem queriam pagar IPTU, coleta de lixo, iluminação, asfalto. E, sempre que possível, tentavam levar mais do que o devido nos contratos com a administração pública. A luta de Hage contra isso mereceu destaque até no New York Times.

De volta do Uruguai encontrei o ex-prefeito muitas vezes, uma das minhas melhores, confiáveis e didáticas fontes no JB. Qualidades do administrador e professor da Universidade Federal da Bahia que ele aprimorou e conserva ainda hoje. Sempre aberto, acessível e franco nos contatos com a imprensa em geral e jornalistas em particular. Conhecedor como poucos da importância da comunicação e do acesso à informação da sociedade para o êxito no trabalho incansável contra a corrupção que ele desenvolve.

Esta semana brasileira na qual as nações democráticas do planeta comemoraram o Dia Internacional Contra a Corrupção, estabelecido pela ONU, o ministro Jorge Hage Sobrinho, nome referencial no combate a corruptos e malfeitores na administração e no serviço público do Brasil, anunciou que está arrumando as gavetas de seu gabinete. Vai deixar o comando da Controladoria Geral da União (CGU), que ocupa desde o governo Lula. Não participará do segundo mandato da petista Dilma Rousseff. “Cumpri o meu dever. É hora de descansar”, disse Hage em surpreendente discurso de despedida na véspera do Dia Mundial contra a Corrupção”.

Desde novembro o ministro-chefe da CGU entregara sua carta com o pedido de demissão. Silêncio completo. Nenhum sinal do Palácio do Planalto, ou da presidente Dilma Rousseff, que utilizou fartamente o trabalho de controle interno da CGU como arma de propagada e de comunicação em sua reeleição.
Semana passada, uma nota curta e grossa na coluna de Ancelmo Gois, em O Globo, comunicou, sem desmentido, que o ex-presidente do INSS Valdir Moysés Simão, atual braço direito do ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, “será o novo xerife da CGU” no futuro governo Dilma. Fecham-se as cortinas à espera dos próximos atos.

Fica a lembrança do abraço e das palavras de Brizola, que esqueci de transmitir a Jorge Hage na época. Faço-o agora, acompanhado do meu próprio abraço de admiração ao bravo e honrado baiano de Itabuna, homem público brasileiro como poucos, que está de saída da CGU. Bravo!!!

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

MARAVILHAS DO BRASIL!!!
BOM DIA!

dez
13


Venina: “Expatriada” para Cingapura

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Foster:presidente da Petrobras na corda bamba
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DEU NO DIÁRIO ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

O escândalo de corrupção na Petrobras ganhou mais um capítulo decisivo nesta sexta-feira. A geóloga Venina Velosa da Fonseca, funcionária de carreira da maior estatal brasileira desde 1990, perdeu seu emprego na tentativa de avisar a atual diretoria da empresa sobre os ilícitos investigados pela Operação Lava Jato, revelou reportagem do jornal Valor Econômico. Rica em detalhes, a matéria dá conta de que Venina informou, desde 2008 até este ano, vários diretores da empresa, entre eles a atual presidenta da companhia, Graça Foster, e seu antecessor, José Sérgio Gabrielli, sobre suspeitas de malfeitos na diretoria de Abastecimento, então dirigida por Paulo Roberto Costa, preso na operação da Polícia Federal.

E o que ganhou a funcionária por tentar proteger a empresa que até outro dia era motivo de orgulho para seus funcionários? Antes de ser afastada, no mês passado, após auditorias internas na estatal, a ex-gerente da Petrobras foi enviada para o escritório da petroleira em Cingapura, em 2010, onde teria sido instruída a não trabalhar e aconselhada a fazer um curso de especialização. Meses depois, Venina enviou uma mensagem para Graça Foster dizendo que “do imenso orgulho que eu tinha pela minha empresa passei a sentir vergonha”.

As minúcias da denúncia, que a ex-gerente pretende apresentar ao Ministério Público Federal, aumentam o cerco sobre os já encurralados dirigentes da petroleira e animaram a oposição do Governo Dilma no Congresso Nacional a pedir o afastamento imediato da diretoria da Petrobras. Para o senador Alvaro Dias, um dos líderes do PSDB, a “demissão de Graça Foster e dos demais diretores é umas medidas que já deveria ter sido tomada pelo Planalto desde que veio à tona o esquema de corrupção na Petrobras”.

Líder do PPS na Câmara, o deputado Rubens Bueno descreve a denúncia como “um enredo estarrecedor”. “Não há mais qualquer desculpa para a permanência de Graça Foster na presidência da Petrobras. Se tiver o mínimo de juízo, a presidente Dilma tem a obrigação de demitir sua protegida e toda a diretoria da empresa. Se não o fizer, vai sinalizar que também faz parte da quadrilha que saqueou a Petrobras”, desafiou o deputado, que cobra a inclusão das denúncias da ex-gerente da diretoria de Abastecimento da Petrobras na apuração da Operação Lava Jato.

No material enviado por Venina Velosa da Fonseca aos superiores durante um período de seis anos, fica registrado que Graça Foster e José Carlos Cosenza, que substituiu Paulo Roberto Costa na diretoria de Abastecimento, foram avisados de desvios no pagamento de um total de 58 milhões de reais em serviços de comunicação que não foram realizados e no aumento de 4 bilhões de dólares (10 bilhões de reais) para 18 bilhões de dólares (45 bilhões de reais) no orçamento para a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco.

No último e-mail enviado por Venina a Graça Foster, em 20 de novembro deste ano, um dia depois de ser afastada, a ex-gerente diz que desde 2008 sua vida “se tornou um inferno”. “Me deparei com um esquema inicial de desvio de dinheiro, no âmbito da Comunicação do Abastecimento. Ao lutar contra isso, fui ameaçada e assediada. Até arma na minha cabeça e ameaça às minhas filhas eu tive”, escreveu Venina, que diz que não havia exposto toda a documentação do caso à imprensa por respeito à Petrobras e destaca que, quando foi “expatriada” para Cingapura, “o diretor hoje preso [Costa] “levantou um brinde, apesar de dizer ser pena não poder me exilar por toda a vida”.

A Petrobras divulgou nota nesta sexta-feira para comentar a reportagem publicada pelo Valor Econômico, e a companhia assegura que “apurou todas as informações enviadas pela empregada citada na matéria”. “A Petrobras esclarece que (…) instaurou comissões internas em 2008 e 2009 para averiguar indícios de irregularidades em contratos e pagamentos efetuados pela gerência de Comunicação do Abastecimento. O ex-gerente da área foi demitido por justa causa em 03 de abril de 2009, por desrespeito aos procedimentos de contratação da companhia. Porém, a demissão não foi efetivada naquela ocasião porque seu contrato de trabalho estava suspenso, em virtude de afastamento por licença médica, vindo a ocorrer em 2013. O resultado das análises foi encaminhado às autoridades competentes”, diz a nota.

Após a Petrobras sair do centro das investigações da Operação Lava Jato, que concentrou sua sétima etapa nos corruptores e levou à cadeia dezenas de diretores e presidentes de empreiteiras, a maior estatal brasileira retorna ao foco do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, e, agora, tem como protagonista a presidenta Graça Foster, amiga da presidenta Dilma Rousseff, e num momento em que os primeiros investigados do caso começam a virar réus.

O juiz responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, aceitou nesta sexta-feira denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal contra nove dos suspeitos de participação em crimes como corrupção, formação de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Entre os novos réus estão diretores da Engevix, o doleiro Alberto Youssef, acusado de ser o chefe do esquema, e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Resta ainda a decisão sobre os outros 27 nomes denunciados pelo MPF.

dez
13
Posted on 13-12-2014
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Imagem atual e antiga de um dos presos
de Guantânamo. / AFP
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DEU NO EL PAIS

Magdalena Martínez

De Montevidéu

Uma imagem vale mais do que mil palavras. Foi o que concluíram os presos de Guantânamo libertados pelos EUA e levados ao Uruguai. Apesar de terem o anonimato garantido por seu estatuto de refugiados, nesta sexta-feira decidiram posar para os fotógrafos de barba feita e com camisas azuis. A mudança é tão impactante que a imprensa local publicou informações interativas do antes e depois. Assim, descobre-se que Ahmed Adnan Aham, sírio de 37 anos, é um homem de aparência juvenil e sem barba. Um contraste total com a imagem que o mostrava temível, com barba e o macacão laranja dos prisioneiros. Algo parecido acontece com Abd Hadi Omar, sírio de 22 anos, que, mesmo tendo deixado a barba, tem um aspecto bem diferente do que apresentava nas imagens que tanto assustaram a opinião pública uruguaia.


Ex-presos de Guantanamo passeiam em Montividéu
30 ofertas de emprego
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Desde sua chegada a Montevidéu no sábado passado, os ex-prisioneiros multiplicaram os gestos em relação à população local, que segundo uma pesquisa de outubro passado declarava-se majoritariamente contra sua chegada (58% dos entrevistados). Acomodados desde quinta-feira em uma casa do sindicato único uruguaio (Pit-CNT), passearam por Montevidéu sem se esconder e se mostraram sorridentes e até tomando mate, a infusão que os uruguaios tanto apreciam.

O Governo do Uruguai e o presidente José Mujica cumprem por enquanto sua promessa de lhes dar toda a liberdade —“No primeiro dia que quiserem ir, podem ir”, disse o presidente. Os Estados Unidos exigiu a princípio que ficassem no Uruguai obrigatoriamente por dois anos. Os seis homens foram declarados ex-detentos pelo Governo de Washington em 2009 e são considerados pouco perigosos. Todos passaram mais de dez anos na base militar norte-americana em solo cubano sem julgamento nem sentenças. Quatro são sírios, um, palestino, e outro é tunisiano. Seu traslado para o Uruguai foi o de maior importância desde 2009 e o primeiro a ser feito na América do Sul. Depois dessas libertações, restam 137 presos em Guantânamo, 68 deles na qualidade de libertados.
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Os seis antigos presos serão submetidos a discreta vigilância, garantiu à imprensa local uma fonte do Ministério do Interior. Segundo dados norte-americanos, dos 88 libertados de Guantânamo enviados a outros países, cinco voltaram às atividades terroristas.

Vários ex-detentos transladados mostraram seu interesse em receber seus familiares no Uruguai, um país de 3,3 milhões de habitantes. Os seis estão aprendendo espanhol, receberam exemplares do Corão e, segundo o sindicato, já têm mais de 30 ofertas de emprego. Muitos cidadãos identificaram a casa em que vivem, em pleno centro de Montevidéu, e doaram roupas, alimentos e vários objetos. Tanto o Governo como esses novos cidadãos livres esperam que se supere a desconfiança de grande parte da sociedade.

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