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DEU NO SITE DANÇA CATARINA

Clarissa Pereira Nunes

Há uma famosa frase no Tango que foi dita uma vez por Aníbal Troilo e que Osvaldo Pugliese gostava de repetir: “O tango te espera”. O tango sempre espera aos que ainda não se animaram a explora-lo, a senti-lo, a abraça-lo. Hoje, o tango nas milongas portenhas não é recordação do passado do passado, não é um exercício da nostalgia, é uma prática social, atual, popular, florescente, e mais viva que nunca nunca”….

O Tango não tem simpatizantes, tem amantes, fervorosos, intensos, apaixonados, Troilo foi profético e genial, aqueles que se animam a conhecer verdadeiramente o Tango, a mergulhar em seu sentimento, a abraçá-lo, inebriam-se de tal forma que não mais conseguem desvencilhar-se. Tango é uma paixão para toda a vida, ou você o ama, ou você ainda não o conhece de fato.

E esta legião de milhões de tangueros espalhados pelo mundo hoje (1O/12) comemora o Dia Internacional do Tango, 11 de dezembro. Mas você sabe o por que deste dia?

A data é uma comemoração ao nascimento dos criadores de duas das principais vertentes do Tango: ” A Voz” (Carlos Gardel, el zorzal criollo, ídolo e uma das mais representativas, conhecidas e importantes figuras do Tango) e “A Música” (Julio de Caro, músico, compositor, violinista e um dos grandes maestros das orquestras de Tango). E foi celebrada pela primeira vez em 29 de novembro de 1977, graças a incansável determinação de Ben Molar, uma pessoa quase mitológica na Buenos-Aires Porteña e um dos maiores defensores e lutadores da cultura do Tango.

E para quem quiser conhecer um pouco mais sobre a história deste “sentimento que se baila”, vamos deixar aqui um texto que foi escrito especialmente para o espetáculo ORIGEM, de Fabiano Silveira, que, pela primeira vez no Brasil, contou nos palcos a história do Tango.

ORIGEM:

“As mais remotas raízes do Tango estão prefiguradas na alma do nosso povo”, cita o poeta Horácio Ferrer.

Como um sopro criador, uma música profana, “um ritmo bárbaro”, executada por tambores e atabaques ouve-se na Buenos-Aires do século XVIII. A dança é sincrônica, frenética, são os “candombes” celebrando a coroação dos Reis Congos que acontecem dentro dos Tangôs.

No caldeirão cultural e efervescente da Bacia do Plata, os imigrantes europeus somam-se aos negros e a gente pobre dos campos, o candombe mistura-se às habaneras e milongas e a música suaviza-se, resultando em um som mestiço, em um ritmo menos sexual, mas ainda sensual.

A música germina pelas casas de baile, pelos boliches e pelos bordéis, é o século XIX, nos teatros os atores começam a cantar e bailar o Tango; mas em público, apenas os homens bailam entre si.

Expressão popular de linguagem forte o Tango ganha os cafés e bairros do subúrbio e no entrelaçar dos fios, chega à capital francesa, centro cultural do mundo em 1910; espalhando-se e caindo nas graças da alta sociedade.

As letras, agora românticas, líricas e sentimentais, falam de alegrias e amores.

A produção se intensifica e a felicidade parece uma constante. Mas os ventos são traiçoeiros, e como um vendaval imperioso e imprevisível, a repressão militar faz calar os bandonéons. O medo, o horror e o sofrimento estampam o rosto do povo, o Tango submerge, adormece.

Os ventos alvoroçam os dias, sopram os anos e embalam os sonhos; com a luz da manhã de um novo alvorecer um músico revolucionário desperta o ritmo até então adormecido, seu nome: Astor Piazzolla.

Delineando arranjos atrevidos e timbres pouco habituais para o tango, como a introdução de guitarra; mesclando jazz e música clássica; o resultado é formidável, e a Argentina apresenta ao mundo uma de suas maiores expressões artísticas.

Foi dedilhando seu bandonéon, embaixo da chuva num dia qualquer nos idos de 1960, que Astor Piazzolla, presenteia o mundo com sua mais bela e dolorida pérola, Adios Nonino, é uma doce homenagem a seu pai, Vicente “Nonino” Piazzolla. Vinte anos depois, Piazzola diria “Talvez eu estivesse rodeado de anjos. Foi a mais bela melodia que escrevi e não sei se alguma vez farei melhor.”

Dos Tangos e bordéis ao século XXI, o Tango; clássico ou eletrônico; com sua sensualidade provocante, arrepia desejos à flor da pele e o seu toque ousado acaricia o corpo sedento pelo abraço apaixonado.

Como toda autêntica expressão artística, o Tango desentranha nossa inexplicável condição humana, revelando a força do espírito porteño. E talvez, devido a esta verdade, hoje viva tanto nos bairros da cosmopolita Buenos-Aires, como nas academias do Japão, nas ruas de Paris, nos night-clubs novaiorquinos, nos centros culturais de Milão e aqui; no palco do Teatro Ademir Rosa, Ilha de Santa Catarina, Brasil.

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