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ARTIGO DA SEMANA

Levy na Fazenda e as chaves do mandato Dilma II

Vitor Hugo Soares

A fumaça branca saiu da chaminé da cozinha do Palácio do Planalto – depois de idas e vindas sintomáticas de dúvidas e discórdias no “colégio de cardeais” dos donos do poder, na quinta-feira, 27, anunciando: “habemos ministro da Fazenda”. O fato causa sensações desconexas de alívio, indiferença, euforia localizada, desabafos irados ou irônicos, deja vu.

O certo, (de martelo batido e votos cardinalícios devidamente incinerados, para não deixar rastros e suspeitas), é que Joaquim Levy, qualificado executivo do Bradesco – um “neoliberal” para governistas descontentes ditos “de esquerda”- comandará a economia, os negócios e as finanças do maior País da América do Sul no segundo mandato do governo Dilma Rousseff .

“A autonomia está dada” (pela presidente com fama de mandona e centralizadora), disse, sem meias palavras, o substituto do claudicante Guido Mantega, na primeira entrevista coletiva depois de confirmada a escolha.

“Pela presidente”, anotem e confiram bem o vídeo e o áudio da fala de Levy na coletiva. E não “pela presidenta”, como é praxe do jargão ministerial e do linguajar oficialista dos burocratas de alto e médio escalões do governo do PT. “Porque é assim que Dilma prefere ser chamada”, explica o polido e bom de voto governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin. O tratamento diferenciado do novo chefe da Economia pode ter algum significado e consequências (ou não, diria o artista baiano). A conferir.

No meio do “auê” sobra picardia e bom humor ao senador mineiro Aécio Neves, voz mais poderosa da oposição nacional, respaldada em mais de 50 milhões de votos conquistados no confronto direto do segundo turno presidencial passado. É do neto de Tancredo a tirada mais cortante e irônica, até aqui, sobre a escolha do ex-aluno de Armínio Fraga (previamente escolhido para comandar a Economia em caso de eleito o tucano mineiro):

“É como se um quadro da CIA fosse indicado para comandar a KGB”, provoca Aécio.

Na mosca. Dezembro se aproxima e considero essa estocada verbal forte candidata, na hora da tradicional escolha da “frase do ano” nos balanços dos jornais, sites e redes sociais. Já a incluí entre as melhores de 2014, no site blog que edito na Bahia. E a recomendo, também, ao Blog do Noblat e à Tribuna da Bahia, espaços jornalísticos que também me acolhem.

O episódio serviu ao mesmo tempo para lembrar uma promessa feita há três semanas: voltar a comentar a reportagem política publicada em recente edição dominical do jornal chileno El Mercúrio, que adquiri no quiosque do aeroporto de Santiago, em viagem à capital chilena dias depois da apuração das presidenciais no Brasil.

Promessa é dívida. O texto referido é assinado por Jean Palou Egoaguirre, enviado especial a Brasília com a pauta de descobrir “as chaves dos próximos quatro anos no Brasil de A à Z”. Constato, porém, que mais uma vez estourei o espaço. O cumprimento integral da promessa, portanto, fica novamente adiado para quando houver novo “gancho factual” (a expressão é do mestre e saudoso Editor Nacional do Jornal do Brasil, Juarez Bahia) e se as informações da reportagem resistirem até lá com relevância e interesse político e público.

Antes do ponto final vale registrar um detalhe curioso da reportagem do El Mercúrio, cujo titulo em manchete de oito colunas é: “O dicionário do segundo mandato de Dilma”. Nos vocábulos de A à Z não existem citações referenciais para o nome ou sobrenome de Joaquim Levy.

No H de Hacienda (Fazenda) está escrito: “Com a Bolsa de Valores e as entidades empresariais sumamente céticos, quanto a política econômica de Dilma, existe elevada expectativa sobre a nomeação do novo ministro da Fazenda, que substituirá Guido Mantega, no cargo desde 2006. Na lista para ocupar a carteira aparecem os nomes de Aloízio Mercadante, atual chefe da Casa Civil e Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da Pasta; Henrique Meireles, ex-presidente do Banco Central e Luiz Trabuco, presidente do Banco Bradesco”.

No caso, deu zebra, já se vê. O resto, a conferir.Incluindo o W de Wagner, governador da Bahia cujo mandato termina no começo de janeiro de 2015.Ele é um nome que o abecedário recomenda “ficar de olho como um dos mais importantes articuladores políticos do futuro governo Dilma, em qualquer cargo e em qualquer ministério”. Um coringa do PT no Planalto.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Mariana Soares on 29 novembro, 2014 at 8:27 #

Diga o que quiserem sobe a escolha do novo ministro da fazenda, afinal a Democracia é um dos pilares mais importante do Bahia em Pauta, graças a Deus, mas o fato é que Levy é um dos melhores quadros deste país, além de muito trabalhador e vocacionado para o sucesso. Estou torcendo por ele e, acima de tudo, para que o Brasil saia desta crise econômica horrorosa em que está metido.


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