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DEU NO PORTAL TERRA

Presença diária na TV brasileira, Roberto Bolaños se tornou um ícone da comédia não só no Brasil ou em seu país, o México, ao criar personagens como Chaves, Chespirito e Chapolin. O humorista, morto aos 85 anos de idade nesta sexta-feira (28), virou manchete nos principais jornais em todo o mundo com a triste notícia que chegou aos seus fãs.

A morte de Bolaños estampou grandes veículos estrangeiros, como a britânica BBC, o canal alemão Deutche Welle, a revista norte-americana Variety e o jornal LA Times.

“Ele esquentou o coração de milhares com um estilo de comédia distante de conotações sexuais e obscenidades. Suas piadas seguem populares até hoje”, diz o obituário do jornal de Los Angeles.

Já o canal de televisão da Alemanha Deutche Welle afirmou que o mexicano “definiu gerações e milhões de latino-americanos”. A Variety descreveu sua obra como “comédia limpa e familiar, uma sensação entre crianças e seus pais”.

A rede BBC destacou a popularidade de seus personagens e como seus shows permaneceram atuais ao longo dos anos.

O site colombiano El Espectador traz em sua manchete “O humor escrito com ‘CH’ maiúsculo”.

E os elogios não sáo poucos. A CNN mexicana chamou o humorista de “Chespirito, um fabricante internacional de risadas” e de “pequeno Shakespeare da televisão mexicana”.

O site de celebridades TMZ se referiu a Bolaños como “icônico humorista mexicano”.

nov
29
Posted on 29-11-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 29-11-2014


Sinfrônio, hoje, no Diário do Nordeste (CE)

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ARTIGO DA SEMANA

Levy na Fazenda e as chaves do mandato Dilma II

Vitor Hugo Soares

A fumaça branca saiu da chaminé da cozinha do Palácio do Planalto – depois de idas e vindas sintomáticas de dúvidas e discórdias no “colégio de cardeais” dos donos do poder, na quinta-feira, 27, anunciando: “habemos ministro da Fazenda”. O fato causa sensações desconexas de alívio, indiferença, euforia localizada, desabafos irados ou irônicos, deja vu.

O certo, (de martelo batido e votos cardinalícios devidamente incinerados, para não deixar rastros e suspeitas), é que Joaquim Levy, qualificado executivo do Bradesco – um “neoliberal” para governistas descontentes ditos “de esquerda”- comandará a economia, os negócios e as finanças do maior País da América do Sul no segundo mandato do governo Dilma Rousseff .

“A autonomia está dada” (pela presidente com fama de mandona e centralizadora), disse, sem meias palavras, o substituto do claudicante Guido Mantega, na primeira entrevista coletiva depois de confirmada a escolha.

“Pela presidente”, anotem e confiram bem o vídeo e o áudio da fala de Levy na coletiva. E não “pela presidenta”, como é praxe do jargão ministerial e do linguajar oficialista dos burocratas de alto e médio escalões do governo do PT. “Porque é assim que Dilma prefere ser chamada”, explica o polido e bom de voto governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin. O tratamento diferenciado do novo chefe da Economia pode ter algum significado e consequências (ou não, diria o artista baiano). A conferir.

No meio do “auê” sobra picardia e bom humor ao senador mineiro Aécio Neves, voz mais poderosa da oposição nacional, respaldada em mais de 50 milhões de votos conquistados no confronto direto do segundo turno presidencial passado. É do neto de Tancredo a tirada mais cortante e irônica, até aqui, sobre a escolha do ex-aluno de Armínio Fraga (previamente escolhido para comandar a Economia em caso de eleito o tucano mineiro):

“É como se um quadro da CIA fosse indicado para comandar a KGB”, provoca Aécio.

Na mosca. Dezembro se aproxima e considero essa estocada verbal forte candidata, na hora da tradicional escolha da “frase do ano” nos balanços dos jornais, sites e redes sociais. Já a incluí entre as melhores de 2014, no site blog que edito na Bahia. E a recomendo, também, ao Blog do Noblat e à Tribuna da Bahia, espaços jornalísticos que também me acolhem.

O episódio serviu ao mesmo tempo para lembrar uma promessa feita há três semanas: voltar a comentar a reportagem política publicada em recente edição dominical do jornal chileno El Mercúrio, que adquiri no quiosque do aeroporto de Santiago, em viagem à capital chilena dias depois da apuração das presidenciais no Brasil.

Promessa é dívida. O texto referido é assinado por Jean Palou Egoaguirre, enviado especial a Brasília com a pauta de descobrir “as chaves dos próximos quatro anos no Brasil de A à Z”. Constato, porém, que mais uma vez estourei o espaço. O cumprimento integral da promessa, portanto, fica novamente adiado para quando houver novo “gancho factual” (a expressão é do mestre e saudoso Editor Nacional do Jornal do Brasil, Juarez Bahia) e se as informações da reportagem resistirem até lá com relevância e interesse político e público.

Antes do ponto final vale registrar um detalhe curioso da reportagem do El Mercúrio, cujo titulo em manchete de oito colunas é: “O dicionário do segundo mandato de Dilma”. Nos vocábulos de A à Z não existem citações referenciais para o nome ou sobrenome de Joaquim Levy.

No H de Hacienda (Fazenda) está escrito: “Com a Bolsa de Valores e as entidades empresariais sumamente céticos, quanto a política econômica de Dilma, existe elevada expectativa sobre a nomeação do novo ministro da Fazenda, que substituirá Guido Mantega, no cargo desde 2006. Na lista para ocupar a carteira aparecem os nomes de Aloízio Mercadante, atual chefe da Casa Civil e Nelson Barbosa, ex-secretário executivo da Pasta; Henrique Meireles, ex-presidente do Banco Central e Luiz Trabuco, presidente do Banco Bradesco”.

No caso, deu zebra, já se vê. O resto, a conferir.Incluindo o W de Wagner, governador da Bahia cujo mandato termina no começo de janeiro de 2015.Ele é um nome que o abecedário recomenda “ficar de olho como um dos mais importantes articuladores políticos do futuro governo Dilma, em qualquer cargo e em qualquer ministério”. Um coringa do PT no Planalto.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

Sergio Ricardo:um grande filho de Marília (SP) e mestre da música brasileira.Salve!

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Luiz Fontana

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DA ÁREA DE COMENTÁRIOS PARA O PALCO PRINCIPAL DO BAHIA EM PAUTA.

O mais do mesmo

Luiz Alfredo Motta Fontana

O representante da outrora Casa Almeida de Valores, o pequeno banco fundado em Marília, que Amador Aguiar, diz a lenda, assenhorou-se, assume o comando explícito da economia.

Todos louvam, respiram aliviados, sorriem, a senda continua, continuaremos a servir juros estufados ao molho roti.

Articulistas continuarão fingindo que a estabilidade da moeda, em nosso clima hostil, só é possível mediante essa especiaria. Aqui os bancos engordam, lá fora enfrentam o mercado. Somos assim, tolos e pretensiosos, amamos salvar o Santander. Aquele banquinho espanhol cuja herdeira visitava Dilma enquanto a “nova” equipe concedia entrevista coletiva.

Voltando a Marília, vem à memória o famoso burrinho, símbolo do Bradesco, nas década de 60, começo de 70, que figurava na publicidade.

Diziam os marilienses, a boca pequena, que o burro representava a família Almeida.

Hoje o burro é nossa caricatura.

Amém! Jurosalém!!!

Luiz Fontana é advogado, poeta e blogueiro.Criador e editor do Blogbar do Fontana.


Roberto Gómez Bolaños, ‘Chaves’. / TELEVISA

DO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Poucos usaram a ironia como Roberto Gómez Bolaños, ator, escritor, comediante, diretor e dramaturgo mexicano. O Chavo del Ocho para milhões de lares na América Latina; Chaves para tantos brasileiros; o Chómpiras, um ladrão nobre; Chapolin Colorado – um herói “mais ágil do que uma tartaruga, mais forte que um rato, mais nobre do que uma alface, seu escudo é seu coração” – conhecido no México como Chespirito. O criador desses personagens queridos de sotaque mexicano, que está nos corações de muitos latino-americanos, morreu hoje. Tinha 85 anos.

Mas quando Gómez Bolaños quis se aventurar nos palcos, o assunto não foi fácil. Primeiro quis subir a um ringue (como pugilista amador e depois de alguns socos decidiu que não era para ele), cumpriu o serviço militar – contra sua vontade – e decidiu estudar engenharia na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM). Nunca exerceu, claro. Finalmente terminou trabalhando em uma agência de publicidade e como roteirista de filmes, muitos de Viruta y Capulina, uma popular dupla de cômicos dos anos cinquenta.

Destes tempos vêm seu apelido, Chespirito. Ele é atribuído ao diretor Agustín Delgado. A questão é que o mexicano transbordava criatividade, junto com sua baixa estatura, o cineasta carinhosamente disse que ele era como um Shakespeare, mas pequeno. Um Shakespearecito. O apelido, mexicanizado, se transformou em Chespirito.

Em sua autobiografia, Gómez Bolaños também confessa que era primo do ex-presidente Gustavo Díaz Ordaz (1964-1970 e presidente em 2 de outubro de 1968, dia em que ocorreu o massacre contra estudantes na praça de Tlatelolco). Diz que era um primo de sua mãe, que tocava violão, tinha uma ótima voz e era muito bom contando piadas. E sim, era político. “Mas neste mundo ninguém é perfeito”.

O grande momento de Chespirito chegou no final dos anos sessenta. Nasceu Os Supergênios da Mesa Quadrada, uma espécie de reunião social, onde compartilhava a mesa com María Antonieta de las Nieves, Rubén Aguirre e Ramón Valdés. Os espectadores mandavam perguntas de atualidades e os participantes respondiam de maneira absurda. “Problema discutido, problema resolvido”, era seu lema. Sucesso imediato.

A criatividade de Gómez Bolaños, que seus primeiros professores tinham diagnosticado como própria de um gêiser, fez com que o programa fosse aumentado para uma hora e passou a se chamar Chespirito. Transformou-se então em um espaço de esquetes. Aí nasce o Chapolin Colorado e em 1971 chegou El Chavo del Ocho (Chaves).

O Chaves era uma criança que vivia em um barril em uma vila que poderia existir na Cidade do México ou talvez, podemos nos aventurar a dizer, em qualquer metrópole da América Latina. Chaves não tinha nome, mas um sonho: um sanduíche com presunto. Era humilhado, mas sua engenhosidade o salvava. Os personagens do bairro faziam uma paródia do enraizado classismo da sociedade mexicana. “Gentalha, gentalha!”, gritava Quico, o suposto bom menino daquela peculiar tropa, que na realidade era um garoto com enormes bochechas que se refugiava atrás da saia de sua mãe.

O Chapolin Colorado foi criado separadamente. O México é um país que, apesar de sua vocação épica, tende a olhar com uma sobrancelha levantada, de incredulidade, para o surgimento de um herói autoproclamado. Por isso Chespirito teve a ideia de criar um herói peculiar. Suas “antenas de vinil” detectavam qualquer coisa errada. Era muito (muito) desastrado. Mas tinha um grande coração. Sua “marreta biônica” (que era a sua arma) vencia os malvados, suas “pílulas de nanicolina” ajudavam a escapar de situações incômodas e “buzina paralisadora” servia para imobilizar inimigos e escapar de novo, deixando seu público, como sempre, fascinado. “Não contavam com a minha astúcia!”, falava para a câmera.

Falta descrever Chómpiras, o ladrão honrado; o doutor Chapatín, um veterano dos Supergênios da Mesa Quadrada que carregava uma sacola de papel que ninguém sabia o que tinha dentro ou Chaparrón Bonaparte, o louco mais ajuizado do pedaço.


Torcedores mexicanos fantasiados de ‘Chapolin’,
na Copa do Mundo de 2014. / diego/El Pais

Seus programas, sob nomes diferentes, foram transmitidos por décadas pela televisão mexicana e em todo o continente pela Televisa. Lotava estádios em toda a região. Nem tudo é um mar de rosas. Sempre pairou sobre ele a suspeita de ter atuado em uma festa infantil para um narcotraficante colombiano (ele negou com firmeza até o fim) e o fato de se apresentar no Chile enquanto o país amargava o sangrento regime de Pinochet. Chespirito dizia que ele não visitava governos, mas “os povos que desfrutavam de seu trabalho”.

Mas acontece que a América Latina de Roberto Gómez Bolaños o amava, e o sentimento era mútuo. Fossem salvadorenhos, chilenos, brasileiros ou peruanos. “Vocês, mexicanos, acreditam que por terem inventado Chaves inventaram o mundo, não?”, dizia um peruano em Madri há pouco mais de
um ano.

Gómez Bolaños casou-se duas vezes, primeiro com Graciela Fernández, mãe de seus seis filhos, e que morreu em agosto de 2013. E depois em 2004 com Florinda Balance, sua companheira por décadas e outra presença obrigatória no amplo leque de personagens do mundo do Chespirito.

Chespirito gostava de contar um caso. Um dia, em um hospital, um senhor de idade avançada não podia falar. Mas seus olhos brilhavam quando passava o programa de Gómez Bolaños e ainda mais quando aparecia o Chapolin Colorado. Passaram dias e semanas. Finalmente, os médicos ficaram fascinados. O paciente falou. Só disse uma palavra: Chapulín.

No México, o amor por Chespirito está internalizado. Não é comum que se declare, mas o fato é que seu programa não parou de ser transmitido e os direitos por suas personagens geram tantos lucros que provocaram brigas terríveis entre os outrora amigos do elenco.

Mas ele, no serviço militar, recordava que um dia ficou dormindo quando era momento de fazer honras à bandeira. Quando se hasteia o lábaro pátrio e todos os jovens que cumprem a tarefa devem estar firmes e sérios. Pois Gómez Bolaños estava dormindo e quando o acordaram, a única coisa que lhe ocorreu dizer foi: “E eu com isso, caralho!”. Erro crasso. Seu superior, já acalmados os ânimos, disse-lhe: “Antes não te mandei fuzilar”. Chespirito refletia: “Possivelmente eu merecia algo assim. Mas a verdade é que não só amo visceralmente o meu país, como também adoro nossa bandeira e sinto algo muito bonito quando a vejo”.

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