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Dia de Cão em São Paulo lembra 2006

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DEU NO DIÁRIO ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Três dias após o assassinato de um comerciante suspeito de pertencer à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) um grupo de bandidos ateou fogo em ao menos sete veículos na região em que ocorreu o crime, na zona norte de São Paulo. Durante os ataques, que fecharam duas importantes vias da cidade, um homem morreu de infarto logo após ser abordado por um ladrão que tentou roubar seu automóvel.

O suposto criminoso assassinado era, de acordo com a polícia, o principal líder do PCC na zona norte. Dono de uma pizzaria, Jorge Vieira Porcinato, de 39 anos, morreu após receber ao menos três tiros no rosto e no tórax na noite de domingo em frente ao seu estabelecimento, no bairro Jardim Brasil. Os atiradores estavam em duas motocicletas e não foram identificados. Porcinato era conhecido como JJ e, de acordo com investigadores, era o responsável por administrar bocas de fumo (pontos de venda de drogas do PCC).

No dia seguinte ao homicídio, diversas mensagens foram divulgadas pelo Whatsapp. Algumas diziam que haveria um toque de recolher nos próximos dias porque Porcinato teria sido assassinado por agentes da polícia. Até mesmo policiais da zona norte dispararam e-mails para colegas e enviaram alertas por telefone de que redobrassem a atenção porque bases policiais poderiam ser atacadas e policiais vítimas de atentados, assim como ocorreu nos ataques de 2006 e em 2012.

Oficialmente, as polícias paulistas não confirmaram o toque de recolher e disseram que há duas linhas de investigação para a morte de Porcinato: acerto de contas entre criminosos do ou retaliação por parte de policiais.

Durante a tarde a Polícia Militar teve de aumentar seu efetivo nas ruas e usar inclusive a Tropa de Choque para dispersas alguns vândalos que incendiaram um ônibus e um carro antes de fechar a avenida Zachi Narchi. O local desse ato criminoso fica a poucas quadras de um dos maiores departamentos da polícia, o DEIC, responsável por investigar o crime organizado e as facções criminosas, como o PCC.

Contramão e infarto

Os ataques começaram por volta das 16h de ontem (25). Os bandidos fecharam um trecho do rodoanel onde incendiaram três caminhões, uma van e um carro. Na sequência iniciaram um arrastão. Os motoristas que seguiam na direção ao litoral paulista começaram a voltar na contramão. Assustado, um desses motoristas enfartou e morreu antes mesmo de ser levado a um hospital pelos socorristas da concessionária que administra o rodoanel e por policiais militares.

Os comerciantes de bairros como Jaçanã, Jardim Brasil, Parque Novo Mundo e Vila Gustavo fecharam suas portas. O temor de serem vítimas de ataques se estendeu a municípios da região metropolitana como Osasco e Carapicuíba, próximos ao rodoanel.

No fim do dia, a cúpula da Segurança Pública se reuniu para discutir as estratégias para evitar novos ataques. O principal temor era que houvesse agressões diretas a policiais ou bases da polícia. Um dos membros do alto escalão da polícia paulista disse ao EL PAÍS que durante a noite a tendência era que a situação ficasse pior.

Paulista lembram de mortes de 2006

Quase sempre que se fala de ataques orquestrados pelo PCC os paulistas costumam se lembrar de 2006, ano em que 493 pessoas foram assassinadas pelo crime organizado e por policiais no período de uma semana, entre 12 e 19 de maio.

Ao contrário dos ataques desta quarta-feira, naquela ocasião a série de crimes aconteceu por causa de achaques cometidos por policiais contra traficantes de drogas do PCC. A ONG Humans Rights Watch chegou a elaborar um relatório analisando os casos.

Até o início da noite de ontem, os crimes atribuídos ao PCC se limitaram aos protestos no rodoanel e ao incêndio de veículos.

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