Encontro

Gilson Nogueira

Dominando uma moderna máquina de datilografar a vida, o cotidiano da Cidade da Bahia, a fim de concluir matéria que havia produzido para a edição de segunda-feira da Tribuna da Bahia, em meados dos anos 1970, surge, à minha frente, na redação do jornal, fundado pelo empresário Elmano Castro, meu colega de profissão, e saudoso mestre na Escola de Jornalismo da Ufba, Milton Cayres de Brito, então redator-chefe da TB. No ato, determina: “ Migué, faça um texto, de página inteira, para essas fotos!”

“Deixe comigo, professor!”, garanti, aceitando a empreitada, como se fosse ter um orgasmo ou fazer um gol de letra na Fonte Nova lotada de paixão. Eram três ou quatro morenas, não lembro bem, gostosíssimas, de tanga, na areia da praia, desfilando sensualidade, em seus corpos curvilíneos, feito violões em carne, osso e desejos.

O pano cobria os seios e parte do essencial invisível para os olhos. Lembrava-me o cofrinho de barro de estimação, com o escudo do Bahia, que eu possuía, em casa, desde menino. A moda da tanga chegava para arrasar e fazer dupla com o biquíni tradicional. De quebra, formar um trio ao lado do maiô, este, no embalo da abertura sexual, vivida intensamente nos anos 70, peça de museu, já naquela época.

Escrevi o texto,de uma só tacada, como se estivesse, no Abel, enfiando a bola preta, a sete, na caçapa. Sob o impacto das belezas em preto e branco, no papel fotográfico, orgasmei na imaginação.No momento, lembrando os bons tempos vividos no jovem veículo de imprensa que revolucionou a forma de fazer jornalismo na capital do berimbau, a saudade bate para homenagear os colegas do jornal da Rua Djalma Dutra que subiram para o último andar e os que continuam, aqui, no térreo do Edifício Existência Carnal, cumprindo a pauta que Deus lhes deu.

Por isso, que tal, colegas, enquanto temos forças, para pensar e produzir, nos reunirmos, agora, em dezembro, em um hotel de categoria, tipo o Hotel da Bahia, no Campo Grande, perto da sua piscina, em feijoada monumental, a fim de dividirmos a alegria em abraços e beijos, e ideias, muitas ideias, visando iluminar, mais e mais, nossas vidas, com a chama do companheirismo e da amizade, sob as luzes do Natal?

Fica a sugestão, vendo a página do jornal estampando a matéria inventada pelo repórter escalado pelo Dr. Milton, na TB, ir amarelando, devagar, no armário, a caminho do nada, e imaginando as garotas das fotos, certamente, lembrando, agora, a juventude que a brisa canta. Ah, o título da matéria foi: ” De repente, o suspense da tanga!”

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador do Bahia em Pauta

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Comentários

vangelis.a on 23 novembro, 2014 at 9:53 #

E por que não reproduzir a velha matéria, se tiver ainda o arquivo Gilson?


gilson nogueira on 23 novembro, 2014 at 10:50 #

Van, boa idéia, vou mergulhar no meu mar de jornais velhos e tentar encontrar a matéria. Sinto que ela está lá, feito ouro. Bom domingo!


luís augusto on 23 novembro, 2014 at 13:32 #

Gilsão, essas jovens batem nas que o BP selecionou?


gilson nogueira on 23 novembro, 2014 at 13:46 #

Lula, meu caro, é páreo duro. Sigo mergulhando, em busca das morenas. Um abraço!


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