===========================================================

DEU NO JORNAL O GLOBO

por Cristiana Lôbo
Lula dá conselhos a Dilma em Brasília sobre a reforma ministerial

No primeiro dia em Brasília depois da viagem à Austrália para a reunião do G-20, a presidente Dilma Rousseff conversou longamente na tarde desta terça-feira (18) com o ex-presidente Lula sobre a composição do primeiro escalão no segundo mandato da petista.

Para despistar os jornalistas que faziam plantão na porta do Palácio da Alvorada, o encontro aconteceu na residência oficial do Torto – onde Lula morou durante o período em que a residência oficial da Presidência estava em reforma. Dilma deixou o Alvorada por um portão lateral sem ser vista pelos repórteres que cobrem o dia a dia do palácio.

Lula, como se sabe, tem sugerido à presidente nomes para o Ministério da Fazenda, em substituição a Guido Mantega. O padrinho político de Dilma também tem recomendado que o novo comandante da economia seja anunciado logo para dar um sinal ao mercado de qual política econômica será adotada no segundo mandato.

A preferência de Lula é pelo ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, que comandou a autoridade monetária durante seu governo. A segunda opção do ex-presidente da República seria Nelson Barbosa, que ocupou o cargo de secretário-executivo de Guido Mantega na Fazenda.

Pelo menos dois ministros compareceram ao encontro de Dilma e Lula: Aloízio Mercadante (Casa Civil) e José Eduardo Cardozo (Justiça). Considerado um “coringa” no próximo governo, o governador da Bahia, Jacques Wagner, também se juntou à reunião.

O nome de Jacques Wagner é cotado para a presidência da Petrobras, se a mudança for ser feita imediatamente, e até mesmo para o lugar de Aloizio Mercadante, na Casa Civil.

O PT gostaria de contar com o governador baiano no Ministério das Comunicações, que reuniria também a verba de publicidade que hoje está concentrada na Secretaria de Comunicação Institucional. O próprio Wagner chegou a mencionar o Ministério de Indústria e Comércio como uma das pastas em que gostaria de atuar no primeiro escalão.

=====================================================

Som na caixa, maestro, como diz Maria Olívia, já merecedora do título de carioca honorária ou, no mínimo, de A Moça do Rio.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)


Maria Jose Alvarado,Miss Honduras Mundo

===========================================================

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

María José Alvarado. / Atlas / AFP

A Miss Honduras Mundo 2014, María José Alvarado, de 19 anos, e sua irmã, Sofía Trinidad, desaparecidas desde o dia 13 de novembro na província ocidental de Santa Bárbara, foram encontradas mortas nesta quarta-feira, segundo informou uma fonte oficial. A polícia hondurenha prendeu na terça-feira dois homens suspeitos do desaparecimento da atual Miss Honduras, María José Alvarado, de 19 anos, e sua irmã Sofía Trindade. A candidata do concurso de beleza Miss Universo deveria viajar a Londres para continuar sua participação, mas na noite de quinta-feira entrou com a irmã em um carro sem placa no oeste do país. Foi a última vez que foram vistas.

Um dos detidos, segundo confirmou uma fonte policial à agência Efe, é o namorado da irmã, Plutarco Ruiz, de 28 anos, cuja festa de aniversário aconteceu na noite do desaparecimento das jovens. A mãe de ambas, Teresa Muñoz, pediu que as autoridades investiguem Ruiz, uma das últimas pessoas que estiveram com elas.

O homem foi detido no município de São Vicente, departamento de Santa Bárbara, conforme informou o chefe da polícia local José Casco Torres. Os agentes prenderam ainda Aris Valentín Maldonado, amigo de Ruiz, que também será investigado. Ambos são suspeitos de privar as duas jovens de liberdade. Torres esclareceu que não são descartadas mais detenções.

Duas armas de fogo e dois veículos foram apreendidos com os detidos, disse Torres. Por outro lado, antes de ser conhecido o assassinato, o titular da Direção Nacional de Investigação Criminal (DNIC), Leandro Osorio, disse que a investigação descartava o motivo de sequestro “porque ninguém pediu dinheiro em troca” da aparição das irmãs Alvarado.

O apresentador de televisão hondurenho Salvador Nasralla, que animou a festa do Miss Honduras na qual María José foi coroada, em abril, informou na segunda-feira que a viagem da concorrente estava prevista para esta quarta-feira, mas que os organizadores locais devem informar sobre sua situação à produção em Londres.

“O representante do Miss Universo daqui vai ter que dizer a eles que ela não viajará”, disse Nasralla. “Isso não vai provocar muita estranheza entre os organizadores porque todo os dias se lê sobre gente que desaparece ou que é assassinada”.


Dois suspeitos presos

Honduras tem o maior índice de homicídios do mundo, com 90,4 assassinatos por 100.000 habitantes – quase o dobro de países que também sofrem com altas taxas de criminalidade, como a Venezuela e El Salvador. Os cartéis da droga do México expandiram-se em Honduras nos últimos anos, transformando o país em uma rota importante do tráfico de cocaína da América do Sul para os Estados Unidos, e gerando um aumento da violência.

nov
19

======================================================

DICA DE SHOW E ARTE DO JORNALISTA TONY PACHECO. BAHIA EM PAUTA RECOMENDA

A banda Dom Sá, formada pelos músicos Gustavo Mendonça e Thiago Peralva, são as estrelas principais da 3ª Exposição, Bazar e Música que acontece no próximo sábado, dia 22 de novembro, a partir das 16 horas, na Ribeira, mais exatamente na Rua Júlio David, 57, uma via lateral à esquerda na Enseada dos Tainheiros. A entrada é grátis.

O evento tem a promoção do ICBIE – Instituto Cultural Brasil Itália Europa, na Rua Júlio David, próximo ao Clube de Remo do Vitória e ao Saveiro Clube, no mesmo caminho de quem vai para a Sorveteria da Ribeira, só que antes.

A banda Dom Sá nasce na cena rocker depois que Gustavo Mendonça, guitarrista, saiu da banda Picapau e As Andorinhas, que se desfez. Na Dom Sá, Gustavo toca violão e faz backing vocal para o cantor principal, Thiago Peralva, que surpreende pelo timbre e pela segurança a todos que já o ouviram cantar. A “pegada” é MPB com “levada” rocker, com romantismo sem ser piegas. As músicas são autorais, embora os dois músicos não neguem suas influências dos anos 1980: Legião Urbana e Capital Inicial, pelo lado rock´n´roll, e Caetano Veloso e Chico Buarque, pelo lado MPB. A música de trabalho da dupla, “O Amor”, está disponível no Youtube, Soundcloud e 4Shared e a moçada tem uma página no Facebook: www.facebook.com/domsaoficial

nov
19
Posted on 19-11-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 19-11-2014


======================================================
Zop, hoje, no portal de humor A Charge Online


===============================================================

=================================================================

CRÔNICA

Empreiteiros e políticos, um clube sem inocentes

Maria Aparecida Torneiros

Quando li a primeira versão da vida do repórter Samuel Wiener lembro que havia uma referência ao Clube dos Empreiteiros que detinham um grande poder sobre os governos municipais já que as Prefeituras e seus governantes faziam acordos para a realização de grandes obras e por baixo dos panos as candidaturas eram assim financiadas. A citação se referia a um prefeito famoso e muito querido de Belo Horizonte que transformou arquitetônicamente a capital mineira e mais tarde virou Presidente e fez nada menos que Brasília.

No texto nem JK e nem os Empreiteiros aparecem taxados de corruptos ou Corruptores mas há uma clara afirmação do poder que o tal Clube sempre teve no conjunto das trocas entre Governos e Empresários.

Um pacto silencioso de décadas ou séculos permeou até agora essa relação que plica em contratos e licitações concorrências e canteiros de obras. As brechas para a corrupção devem ter se aprimorado e o tal mundo de clube tão assediado deve ter se esmerado e ampliado métodos de ação em face da tal impunidade reconhecida.

Talvez em bom português do setor jurídico o crime de irresponsabilidade na Gestão pública assuma mesmo a piada de acabar em pizza ou a nuance que separa a semântica entre suspeito ou culpado passe por tantos estágios de classificação gradativa. De réu a condenado há um caminho a percorrer. De julgado a inocentado com certeza os trâmites dos tribunais sugerem defesas e investigações como também acusações e provas que ao fim e ao cabo lotam de informações os autos da justiça e os livros de história.

Quando nos anos 80 fui professora de Teoria da Comunicação em cursos de Jornalismo usei para algumas pesquisas o livro sobre a trajetória de Samuel Wiener organizado pelo jornalista Augusto Nunes. Anos depois o livro foi reeditado com nova formatação e mais detalhes da história do fundador do jornal Última Hora que surgiu para defender o trabalhismo no Brasil dos anos, 50.

Nele há uma citação de que os Empreiteiros detinham uma parcela de poder sobre os políticos e que isso era antigo e próprio da nossa cultura.
Passaram-se mais de 60 Anos da era Vargas e da era JK. Tivemos os anos da ditadura militar e suas obras faraônicas com usinas e estradas . Depois nos acostumamos aos escândalos e Cpis. Muitas denúncias. Eleições diretas e novas eras presidenciais de partidos que alternaram poderes em esferas. Tucanos ou petistas, sejam pmdebistas ou de outras agremiações partidárias há sempre o discurso moralizante que esbarra no modelo vigente.
Na prática quando estouram no noticiário os vazamentos da corrupção como prática profissionalizada há uma corrida para minimizar os efeitos desmoralizante da roubalheira consentida. Nesse tipo de clube não há inocentes em tese. Pode até não se provar culpas mas o simples silêncio diante do jogo sujo já se constitui delito de consciência.

Polícia Federal prende suspeitos de serem Corruptores e estes são bem vindos ao Clube dos Punidos. Talvez por algumas noites dormindo no chão em corredores enquanto se decide seu futuro. O passado quem vai revelar é a história. Talvez dentro de mais algumas décadas.

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, onde edita o Blog da Mulher Necessária

nov
19

================================================

Verde

Leila Pinheiro

Composição: Eduardo Gudin/Costa Netto

Quem pergunta por mim
Já deve saber
Do riso no fim
De tanto sofrer
Que eu não desisti
Das minhas bandeiras
Caminho, trincheiras, da noite

Eu, que sempre apostei
Na minha paixão
Guardei um país no meu coração
Um foco de luz, seduz a razão
De repente a visão da esperança
Quis esse sonhador
Aprendiz de tanto suor
Ser feliz num gesto de amor
Meu país acendeu a cor

Verde, as matas no olhar, ver de perto
Ver de novo um lugar, ver adiante
Sede de navegar, verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração
Verdejantes tempos
Mudança dos ventos no meu coração


BOM DIA!!!


Acusados deixam carceragem da PF
=====================================================

DEU NO ESTADÃO

Andreza Matais

O Estado de S. Paulo

A Justiça Federal já tem “provas robustas” da participação dos presidentes de três das maiores empreiteiras do país: OAS, Camargo Corrêa e UTC Engenharia, além do ex-diretor da Petrobrás Renato Duque no esquema de corrupção que lavou R$ 10 bilhões da petroleira. Ao decidir por prorrogar as prisões de seis investigados por tempo indeterminado, o juiz federal Sérgio Moro afirmou que ao “reavaliar os fatos”, após a deflagração da sétima fase da Operação Lava Jato, na última sexta-feira, é possível cogitar também o cometimento de crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo; fraude à lei de licitações e peculato. Ao mesmo tempo, Moro colocou em liberdade outros 11 empreiteiros envolvidos no esquema.

Os artigos mencionados pelo juiz no despacho são por “abuso do poder econômico, dominando o mercado ou eliminando, total ou parcialmente, a concorrência mediante qualquer forma de ajuste ou acordo de empresas, fraude em prejuízo da Fazenda Pública, licitação instaurada para aquisição ou venda de bens ou mercadorias, ou contrato dela decorrente… elevando arbitrariamente os preços.”

Além dos presidentes da OAS, José Aldemário Pinheiro, da Camargo Corrêa, Dalton dos Santos Avancini, e da UTC, Ricardo Pessoa, e de Renato Duque, o juiz também manteve presos outros dois executivos: Mateus Coutinho de Sá Oliveira, vice-presidente do Conselho de Administração da OAS, e João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Camargo Corrêa. Conforme o juiz, as prisões preventivas foram decretadas para os acusados “aos quais a prova me parece, nesse momento e prima facie, mais robusta.”

Ao mesmo tempo, Moro também mandou soltar 11 envolvidos, cujas prisões temporárias estavam vencendo. Para os que foram soltos, o juiz determinou a proibição de deixar o País, de mudar de endereço “sem autorização deste Juízo”, obrigação de entregar o passaporte no prazo de cinco dias, obrigação de comparecer a todos os atos do processo, inclusive mediante intimação por qualquer meio, inclusive telefone.

São eles Valdir Lima Carreiro (Iesa), Othon Zanoide de Moraes Filho (Queiroz Galvão), Jayme Alves de Oliveira Filho (policial federal), Alexandre Portela Barbosa (OAS), Walmir Pinheiro Santana (UTC), Ildefonso Colares Filho (Queiroz Galvão), Carlos Alberto da Costa (que trabalhava para empreiteiras), Otto Garrido Sparenberg (Iesa), Newton Prado Junior (Engevix), Carlos Eduardo Strauch Albero (Engevix) e Ednaldo Alves da Silva (UTC). A maioria dos investigados que foi solta respondeu às perguntas feitas pelos delegados da Polícia Federal em interrogatórios que se iniciaram no sábado.

No despacho, Moro ainda afirmou: “Os crimes narrados nas peças retratam uma empreitada delituosa comum, com a formação do cartel das empreiteiras, as frustrações das licitações, a lavagem de dinheiro, o pagamento de propina a agentes da Petrobrás e as fraudes documentais, todo o conjunto a merecer idênticas consequências”.


Promotor Marcelo Mendroni, de São Paulo. / M. Novaes/El Pais

=============================================================

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Mudam os esquemas, mas os protagonistas continuam os mesmos. Ano após ano, grandes empresas – em especial, construtoras – são apontadas como pivôs de escândalos suspeitos de desviar uma fortuna dos cofres públicos no Brasil. O mais atual, que atinge a empresa estatal mais importante do país, a Petrobras, revelado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), pode ter causado um rombo de até 10 bilhões de reais. Para o promotor de Justiça de São Paulo Marcelo Batlouni Mendroni, especialista em investigar crimes financeiros e cartéis, somente uma ampla reforma na legislação diminuirá a ocorrência de casos de corrupção que, na avaliação dele, é endêmica.

“Não há uma prefeitura, um Estado no Brasil, sem contratos superfaturados de obras, de prestação de serviços”, disse o promotor, doutor pela Universidad Complutense de Madrid, na Espanha, com pós doutorado na Università di Bologna, na Itália. Em entrevista ao EL PAÍS, na sede do Gedec, órgão do Ministério Público paulista criado em 2008 para investigar delitos de ordem econômica, Mendroni comparou as empresas envolvidas em escândalos dessa natureza à máfia italiana.
mais informações

O promotor é autor da denúncia, de 2012, um grupo de empreiteiras suspeitas de fraudar uma concorrência pública para obras do metrô paulista. Embora sejam casos completamente distintos – um afeta o Governo Federal, comandado pelo PT, e o outro o Governo paulista, a cargo do PSDB –, chama a atenção a repetição dos “personagens” da esfera privada. Dentre as denunciadas pela Promotoria de São Paulo há dois anos, seis estão agora sob a mira da Operação Lava Jato da PF: as construtoras Camargo Corrêa, Mendes Júnior, OAS, Queiroz Galvão, Iesa e Odebrecht – todas negam irregularidades. Na semana passada, 36 investigados, entre eles executivos de oito construtoras, foram detidos pela Polícia Federal.

Pergunta. Por que observamos a repetição de algumas empresas em casos diferentes de corrupção?

Resposta. Por causado volume de dinheiro envolvido nos contratos com grandes estatais. O Brasil parece que, indiretamente, vai copiando o modelo das atividades mafiosas. Se você for olhar a Cosa Nostra italiana, de um tempo pra cá, ela parou de praticar crimes violentos e entendeu que conseguia ter muito mais sucesso conseguindo ganhar grandes contratos com o poder público, através da infiltração nas obras públicas, da corrupção de agentes públicos e intimidação de concorrentes. Então eles ganham grandes contratos com o Estado, superfaturam essas obras, que foi exatamente o que parece que aconteceu na Operação Lava Jato e que acontece no Brasil… Aliás, verdade seja dita: é o que acontece em praticamente todos os municípios, todos os Estados e na União. É uma corrupção absolutamente disseminada em todo o país. Eu acho que não existe uma prefeitura nesse país, um Estado, que não tenha esquema de superfaturamento de contratos de obras e serviços públicos. E a União, evidentemente, é onde estão os maiores contratos.

Na corrupção a gente também não sabe quem vem antes, a empresa ou o político

Essas organizações empresariais também são organizações criminosas. Isso tem que ficar bem claro. Hoje em dia, sabemos de empresas perfeitamente lícitas que atuam como um modelo de organização criminosa empresarial, que praticam muitos crimes, além de corrupção, a formação de cartel, os crimes tributários, e outros por aí… ou seja, elas praticam atividades lícitas, mas se valem da estrutura empresarial pra praticar crimes.

P. O senhor foi enfático em mencionar que não tem conhecimento profundo sobre a Operação Lava Jato. Mas, pela sua experiência, é possível que o esquema que vimos na Petrobras hoje tenha começado há muitos anos, até em Governos passados?

R. Sem conhecer o caso, sem opinar especificamente sobre esse caso, acho que esse é um esquema que já vem de muitos, muitos anos. (…) A minha opinião é de que sim. Que isso não é um esquema novo. Não só a Petrobras, mas se fossem investigar a fundo as grandes estatais, todos esses contratos, a gente ia ver aí que muitos outros bilhões de reais foram levados através de superfaturamento de obras, de hidrelétricas, estradas, hidrovias, enfim… Não tenho a menor dúvida. Na verdade, eu diria que, com 99,99% de chance, sim que esse esquema existe há pelo menos aí uns 30 anos, desde que o Brasil saiu da ditadura militar… Meu palpite é que desde os anos 80 a gente tenha aí esses esquemas atravessando os Governos indistintamente. Talvez tenha sido mais forte em um Governo que em outro, dependendo muito da ação de Tribunais de Contas, do Ministério Público, da Polícia Federal, enfim, dos termos de investigação e repressão à criminalidade. Mas que existe há bastante tempo eu acho que sim.

Meu palpite é que desde os anos 80 a gente tenha aí esses esquemas atravessando os Governos indistintamente

P. Muitos classificaram como “histórica” as prisões de empresários na última semana – e recentemente de políticos envolvidos no escândalo do Mensalão. Qual a sua opinião?

R. Eu acho que o Brasil vive uma fase em que deveria rever toda a legislação, a questão da Justiça, pra de alguma forma passar o país a limpo… É lógico que a corrupção não vai ser extirpada, mas que fosse dado um golpe violento contra a corrupção, para que as pessoas tenham mais medo. Porque do jeito que ela existe hoje, eu não tenho nenhum medo de errar em dizer que a corrupção é absolutamente endêmica no Brasil. E não acho que só isso vai ser um divisor de águas. Se não se houver essa reforma processual penal e penal, eu acho que nós vamos viver esse filme mais algumas vezes, achando que dessa vez vai… E isso pode ter um efeito rebote muito perigoso, no sentido de que as pessoas fiquem incrédulas, desestimuladas…

P. O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, disse à Folha de S.Paulo que algumas das empresas investigadas disseram ter sido alvo de concussão, ou seja, da exigência de dinheiro para fechar contratos. O que o senhor acha desse discurso?

R. É balela. (…) Assim como a gente não sabe quem veio antes, o ovo ou a galinha, na corrupção a gente também não sabe quem vem antes, a empresa ou o agente político. Porque é interessante para os dois. Na verdade, as duas partes se procuram…

LEIA ENTREVISTA NA ÍNTEGRA NO EL PAIShttp://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/18/politica

  • Arquivos