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Posted on 15-11-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 15-11-2014


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Sid, hoje, no portal de humor A Charge Online


Jorge Amado e Neruda (com Carybé) em Salvador:comparações

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ARTIGO DA SEMANA

Um filme e o dicionário El Mercúrio do novo governo Dilma

Vitor Hugo Soares

Aclamado nos anos 80 como uma das mais belas e completas realizações cinematográficas sobre a infância, a produção sueca Minha Vida de Cachorro tem sido, ao longo de décadas – ao lado de Morte em Veneza, de Visconti – meu filme de cabeceira preferido. As incríveis comparações do garoto Ingemar (sobre a vida, o destino das pessoas e das coisas, a amizade, a morte, o futebol e a política) são referências permanente para mim. Antes e agora.

“É preciso comparar”. Este conselho tipo bordão do garoto, perpassa a narrativa do começo ao fim. Me acompanha e não raramente me socorre na vida pessoal e nos escritos profissionais. Iguais a este, em que preciso falar sobre a complicada e estranha transição do moribundo primeiro mandato do governo petista de Dilma Rouseff, para o novo período de mando, que ainda enfrenta sequelas amargas e preocupantes resultantes de sérias complicações do parto de risco recente.

Tem sido assim desde a primeira vez que vi o filme de Lasse Hallström. Se não me engano, em uma sessão vespertina no Cine Tamoio, quando já chefiava a redação da sucursal do Jornal do Brasil na Bahia. Uma escapada rápida do trabalho, remédio eficaz (melhor que a geladeira recomendada pelo gaúcho Leonel Brizola para a cabeça e para o espírito), simples e barato na época. Bastava descer de elevador do décimo andar do Edifício Bráulio Xavier(Rua Chile), atravessar a rua Rui Barbosa, e entrar na sala do cinema quase colado com a redação de A Tarde, onde trabalhara antes e iniciei esse tipo de “terapia”.

Dei para pensar de novo no filme e nas comparações de Ingemar há duas semanas, quando de volta de rápida viagem por cima e ao pé da majestosa e magnética Cordilheira dos Andes, no Chile. Roteiro sentimental e intelectual aprendido também, há décadas, nas poesias antológicas e no livro de memórias “Confesso que Vivi”, de Pablo Neruda.

Na passagem de menos de uma semana comparei, vi e senti o poeta ainda muito presente não só em “La Chascona” (residência de Neruda, em Santiago transformada há anos em um dos mais visitados museus e centros culturais da América Latina), mas também em cada rua, praça e mercado público (o Central principalmente) da capital chilena.

Que a Bahia faça o mesmo com Jorge Amado enquanto é tempo, principalmente depois que, esta semana, a família do autor de “Tenda dos Milagres” e a prefeitura de Salvador transformaram a famosa Casa do Rio Vermelho (residência de Jorge e Zélia Gattai na Cidade da Bahia) em esplêndido museu e espaço aberto e entregue à visitação pública. Para baianos e visitantes do País e do mundo inteiro. É preciso comparar.

Mais que nunca, no Brasil, se fazem comparações. Desde a campanha eleitoral em que Dilma bateu Aécio. Por um triz, repita-se para não esquecer.

Impossível não lembrar do garoto de Minha Vida de Cachorro comparando seu destino e suas amarguras existenciais com aquele campeão de salto de motocicleta sobre automóveis enfileirados em uma pista. Tentou saltar sobre 22 carros e se espatifou ao cair em cima do último da fila.

-Se ele tivesse feito por menos um, ainda estaria vivo, reflete Ingemar no filme.

Na capital chilena,de volta ao País, parei em um quiosque do moderno e funcional aeroporto internacional de Santiago (quanta diferença desde a primeira visita, logo depois da queda do ditador Pinochet!) para comprar a alentada edição dominical do jornal El Mercúrio. Compra efetuada sob veementes protestos de Margarida (minha mulher e também jornalista), contrária à antiga mania de carregar pesados jornais impressos na bagagem. Isso já havia resultado em um mico sem tamanho e multa dolorosa ao bolso por excesso de peso no aeroporto de Barajas, em Madri.

Felizmente ela não lembrou que o El Mercúrio é até hoje o diário acusado de ter ajudado e participado ativamente do golpe sangrento que derrubou e matou o presidente socialista Salvador Allende, eleito democraticamente, substituído pelo ditador Augusto Pinochet, o mais perverso e sinistro governante da história da nação chilena, de novo florescente. Se ela tivesse lembrado na hora do episódio e comparado as situações, seguramente teria sido muito pior.

O El Mercúrio carregado nas mãos traz como uma de suas principais manchetes de política internacional uma reportagem sobre o início da transição entre os governos de Dilma.Título: “El dicionário Del segundo mandato de Dilma”. Página inteira, de A a Z. Vai do A, de Aloízio Mercadante ao Z, de Zé Dirceu. Passando pelo Y do doleiro Yousseff, o P da Petrobras, o L de Lula e o W, de Wagner (Jaques), o disputado coringa de qualquer jogo, governador da Bahia até janeiro deste ano. Depois é incógnita. Tão grande quanto a carta de Marta Suplicy, caindo fora no Ministério da Cultura e voltando ao Senado. Marta não consta do dicionário do El Mercurio, que é substancioso no texto e informações do repórter Jean Palou Eguaguirre e pede mais espaço em outro artigo, semana que vem. Talvez.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br


Editor do BP em Santiago:comparando
Foto: Margarida Dourado

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DEU NO UOL/FOLHA
O cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Domingos Jatene, 85, morreu na noite desta sexta-feira (14) no HCor (Hospital do Coração), em São Paulo.

Jatene estava internado desde setembro com mal estar em decorrência de um infarto agudo do miocárdio. A família do cardiologista disse que não iria se pronunciar na noite desta sexta sobre a morte.

Em 2012, o médico sofreu um infarto classificado como pequeno e foi submetido a um cateterismo, que constatou a obstrução das artérias. Na época, foi colocado um stent, aparelho que ajuda na desobstrução.

O velório será no anfiteatro do edifício Dr. Adib Jatene, no Hcor. Ainda não há definição do horário de início do velório.


BOM DIA!!!


Duque Estrada, diretor da Petrobras, é preso no Rio

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Os rumores que corriam pelas principais cidades brasileiras não eram falsos. O pânico que tinham provocado no setor empresarial as delações premiadas (em troca de uma redução de pena) de ex-diretores da Petrobras e de empresas contratadas que firmaram contratos bilionários com a gigante petrolífera, como parte da Operação Lava-Jato, foi plenamente justificado pelas 85 ordens de prisão emitidas nesta sexta-feira pela Polícia Federal, que revistou escritórios de nove empresas (algumas tão emblemáticas como a Camargo Corrêa e a Odebrecht, dos grupos empresariais brasileiros que mais cresceram na última década). O temor tinha sido desencadeado no final de outubro, com o depoimento de Julio Camargo, executivo da empresa de engenharia Toyo-Setal, o primeiro “arrependido” não integrante da estrutura da petroleira que comparecia para revelar uma rede de subornos, comissões e lavagem de dinheiro que sacode a vida política brasileira e que, segundo a Polícia Federal, pode ter desviado bilhões de dólares.
mais informações

Camargo não é apenas um alto executivo de uma companhia cujos contratos com a Petrobras (a maior empresa do Brasil) alcançam 3,5 bilhões de reais. “Era o coração do esquema de corrupção”, segundo revelou há poucas semanas uma fonte próxima da investigação. Três empresas que ele controlava (Treviso, Piemonte e Auguri) fizeram depósitos milionários em contas de firmas fictícias usadas pelo cambista e especialista em lavagem de dinheiro Alberto Youssef, personagem-chave na rede e segundo “arrependido” que aceitou a troca proposta pelo Ministério Público Federal. O primeiro deles tinha sido ninguém menos que Paulo Roberto Costa, poderoso ex-diretor de Abastecimento da própria Petrobras, que reconheceu perante o juiz que existia um esquema de subornos institucionalizado e que o Partido dos Trabalhadores embolsou entre 1% e 3% de todos os contratos que foram executados desde 2004 a 2012. O aliado PMDB e o oposicionista PSDB também tiravam vantagem, embora supostamente de quantia menor. Além do mais, confirmou um dado fundamental: o esquema envolvia todas as grandes construtoras que trabalham para a Petrobras.

Pegar os corruptores não era o objetivo principal da investigação quando teve início, por volta do mês de março; o foco passou aos empreiteiros quando começaram as delações premiadas de Costa e Youssef e, sobretudo, de Camargo. Até que ele falasse, as empreiteiras vinham adotando uma posição unânime de negar sua participação no suposto pagamento de subornos. Depois de seu depoimento, instalou-se um profundo mal-estar entre o restante das empresas, embora nenhum representante afirme publicamente, e essa unanimidade se rompeu, começando cada qual a pensar na própria pele. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou esta semana que pelo menos nove pessoas já concordaram em colaborar sob o formato da delação premiada.

Outro executivo da Toyo-Setal, Augusto Ribeiro de Mendonça, se uniu depois de Camargo ao acordo de colaboração judicial. Além do mais, ocorre que Ribeiro de Mendonça é presidente da Associação Brasileira das Empresas de Construção Naval e Offshore (Abenav) e vice-presidente do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), os dois órgãos mais representativos do segmento, que preferiram não fazer declarações. “Estão todos envolvidos”, afirma a este jornal um advogado ligado ao caso, que mantém o anonimato. “Pode ser uma carnificina.” Entre as pessoas detidas hoje, 20 pertencem às maiores empreiteiras do país. Quatro delas são presidentes de grandes companhias. Segundo revelou o jornal O Globo, um dos cúmplices de Renato Duque (ex-diretor de Serviços da Petrobras, preso hoje) embolsou, sozinho, mais de 100 milhões de dólares. A gigante do petróleo contratou dois escritórios de advocacia para investigar as supostas fraudes relacionadas com a empresa.

As prisões representam mais uma reviravolta em uma operação que supera amplamente o célebre caso do “Mensalão”, do qual a imprensa brasileira se ocupou durante anos. “Esses empresários são os que estão contando verdadeiramente como funcionava o esquema: se não pagavam, não havia negócio. Criaram fundos específicos para pagar”, afirma a este jornal Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE): “Pela primeira vez está sendo examinado o funcionamento do país, como se passou na Itália há alguns anos com as operações contra a Máfia. A relação entre políticos e empresas tem de mudar no país…. Tudo depende de até onde chegue a operação, e se alcança o Governo. É uma oportunidade para refundar o país, a moral, o respeito ao trabalho. As pessoas não sabem quem é o verdadeiro responsável, até onde chega, quem são os implicados. É preciso haver uma mudança total para criar boas práticas.”

Qual é o perfil do corruptor que aceitava pagar enormes comissões ilegais em troca de obter contratos bilionários? Pouco se sabe sobre a vida privada de Camargo, para dar um exemplo, embora seja conhecida sua paixão pelos cavalos de raça, que costumava transportar em aviões climatizados quando disputavam competições: um hobby caro que provavelmente agora terá de abandonar, depois de ter devolvido 40 milhões de reais às autoridades brasileiras. É provável que restrinja também suas contribuições econômicas a políticos: na campanha eleitoral de 2010, foi um dos maiores doadores pessoais de todo o país: 1,12 milhão de reais, no total, a sete políticos. Camargo mantinha um altíssimo nível de vida: segundo a revista Veja, emprestou várias vezes seu jato particular a José Dirceu, ex-chefe de Gabinete do ex-presidente Lula e principal acusado na trama do “Mensalão” (preso em regime fechado entre 2013 e 2014), para cruzar o Brasil depois de deixar seu cargo, em 2005.

A origem do azeitado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro remonta a 2004, quando Dilma Rousseff chegou ao Ministério de Minas e Energia. Uma de suas primeiras decisões foi estabelecer uma política de “compre nacional” na Petrobras, com a finalidade de desenvolver a indústria brasileira e criar novos empregos. O Brasil ampliou consideravelmente sua indústria naval, até o ponto em que as empresas investigadas atualmente na Operação Lava Jato somassem contratos com a Petrobras de 59 bilhões de reais, abarcando o período 2003-2014. Ainda faltam seis empresas suspeitas sobre as quais as provas por enquanto são pouco conclusivas: não está descartado que as próximas semanas tragam novas detenções de empreiteiros transformados em supostos corruptores.


Presidente da OAS é preso em hotel de luxe de Salvador

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DEU NO PORTAL IG

Roger Pereira
Direto de Curitiba

A Polícia Federal no Paraná divulgou o balanço da sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira em cinco estados e no Distrito Federal.

Foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva, todos em São Paulo, contra Agenor Franklin Magalhães Medeiros, diretor-presidente da área internacional da Construtora OAS; Erton Medeiros Fonseca, diretor-presidente da divisão de engenharia industrial da Galvão Engenharia; Gerson de Mello Almada, vice-presidente da Engevix Engenharia; e José Ricardo Nogueira Breghirolli, funcionário da Construtora OAS.

De acordo com a Justiça Federal do Paraná, mandados também foram emitidos para Eduardo Hermelino Leite, diretor vice-presidente da Camargo Correa e Sérgio Cunha Mendes, diretor vice-presidente executivo da Mendes Junior Trading Engenharia.

A Justiça Federal decretou 19 mandados de prisão temporária – todas de cinco dias -, sendo que 13 deles foram cumpridos durante o dia: seis em São Paulo, um Osasco, um Santos, quatro no Rio de Janeiro e um em Salvador (este mandado estava previsto incialmente para ser cumprido em São Paulo).

Foram presos Othon Zanoide de Moraes Filho, diretor-geral de desenvolvimento comercial da Vital Engenharia, do Grupo Queiroz Galvão; Ildelfonso Colares Filho, diretor-presidente da Construtora Queiroz Galvão; Otto Garrido Sparenberg, diretor de operações da IESA Óleo & Gás; Jayme Alves de Oliveira Filho; Renato de Souza Duque; Mateus Coutinho de Sá Oliveira, da Construtora OAS; José Aldemário Pinheiro Filho, presidente da OAS; Alexandre Portela Barbosa, advogado da Construtora OAS; Ricardo Ribeiro Pessoa, responsável pela UTC Participações; Ednaldo Alves da Silva, da empresa UTC; Carlos Eduardo Strauch Albero, diretor técnico da Engevix Engenaria; Carlos Alberto da Costa Silva; Newton Prado Júnior, diretor técnico da Engevix Engenharia em Santos; e Walmir Pinheiro Santana, da UTC.

Também foram emitidos mandados de prisão temporária para: João Ricardo Auler, presidente do Conselho de Administração da Construções e Comércio Camargo Correa; Dalton dos Santos Avancini, diretor presidente da Camargo Corrêa Construções e Participações; Valdir Lima Carreiro, diretor-presidente da IESA Óleo & Gás em Pinhais (PR); Adarico Negromonte Filho e Fernando Antonio Falcão Soares (Fernando Baiano).

Todos os presos durante a sétima fase da operação estão sendo encaminhados para a superintendência da PF em Curitiba.

Foram cumpridos ainda nove mandados de condução coercitiva, sendo três na capital paulista, um em Jundiaí, no interior paulista, dois em Belo Horizonte, dois no Rio de Janeiro e outro em Recife. Destes, foram cumpridos seis (em São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Recife).

Os mandados, para que os citados compareçam perante à autoridade policial para esclarecimentos, foram decretados para Edmundo Trujillo, diretor do Consórcio Nacional Camargo Correa; Pedro Morollo Junior, da OAS; Angelo Alves Mendes, diretor vice-presidente da Mendes Junior Trading e Engenharia; Flavio Sá Motta Pinheiro, diretor administrativo e financeiro da Mendesprev, da Mendes Junior; Cristiano Kok, presidente da Engevix Engenharia; Marice Correa de Lima, da OAS; e Luiz Roberto Pereira.

A PF ainda confirmou que foram cumpridos todos os 49 mandados de busca e apreensão, em Recife, Jundiaí, Santos, Curitiba, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte.

O Ministério Público Federal (MPF) no Paraná, que integra a força-tarefa da operação Lava Jato, divulgou nesta sexta-feira que, em breve, devem ser oferecidas denúncias relacionadas ao caso. Segundo o MPF, as prisões e os materiais recolhidos vão possibilitar o avanço das investigações, aprofundando o conhecimento sobre crimes cometidos contra a Petrobras. O MPF ainda comunicou que os trabalhos têm apoio e coordenação do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.

As empreiteiras envolvidas na sétima fase da Operação Lava Jato possuem contratos de R$ 59 bilhões com a Petrobras. A suspeita é de que parte dos recursos tenha sido utilizado em corrupção de agentes públicos. Em entrevista coletiva realizada na manhã de hoje, em Curitiba (PR), o delegado da PF, Igor Romário de Paula comentou que os mandados de prisão foram concentrados em executivos de empreiteiras que celebraram contratos com a Petrobras e em agentes secundários do esquema, em envolviam operadores e doleiros, além de outras pessoas que participavam da lavagem de dinheiro por meio de prestações de consultorias cujas realizações não foram confirmadas.

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