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Para acompanhar Maria Olívia, colaboradora e um dos pilares do BP, nascida na beira do São Francisco, mas que está voando para passar uns dias no Rio de Janeiro, do jeito que ela mais ama e parece feliz.Bom voo.

BOA TARDE!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
13
Posted on 13-11-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-11-2014


Canyons de Paulo Afonso, no Rio São Francisco,
o paraiso de Janio na porta do Raso da Catarina

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CRÔNICA/ BRASIS

Piauí, Feira de São Cristovão, Gonzagão e mano Janio

Maria Aparecida Torneros

Li com atenção o texto publicado no site Bahia em Pauta sobre o Nordeste e a seca da Cantareira Paulista incluindo a praga do preconceito que campeia ainda sobre a histórica migração dos povos que fugiram das faltas de água e do Norte vieram doar sua garra de sobreviver no sul, no sudeste e na capital Brasília.

Vivi alguns anos na pauliceia desvairada e convivi de pertinho com a desintegração fatiada de uma megalopole que nada seria sem o braço infatigável do imigrante nacional ou estrangeiro. Mas o resquício preconceituoso das famílias Paulistas quatrocentonas se iludem e ofendem sem dó nem piedade irmãos que se arriscam em novas vidas de gente forte e batalhadora.

Quando Luiza Erudina fez-se prefeita foi uma glória que acompanhei de perto. Uma retirante na sede da cidade a comandar um centro nervoso reduto de imenso contingente de cabras machos e mulheres lutadoras que nunca se acovardaram diante da secura por conquistar seu lugar ao sol.

Depois aqui nas bandas do meu Rio de Janeiro sempre tive o prazer de frequentar o centro de tradições nordestinas com sua famosa feira de São Cristóvão e até aprendi a dançar o xaxado quando jovem. Tive sorte. Meu avô português adorava ouvir o Gonzagão aos domingos e decorei ainda menina a letra do Asa Branca.
Os do Norte e Nordeste sempre vieram e vem para somar e nunca diminuir. Sua força e luta é um patrimônio nacional. Meu pai dizia que aquela música do Chico em que ele fala das suas origens Paulistas ou baianas ou pernambucanas é o retrato do verdadeiro país que amamos.

Mas quero falar é do Piauí que nunca visitei por falta de oportunidade mas que aprendi a admirar com um amigo jornalista com quem trabalhei na década de 80. Armando Madeira Basto me contava mil histórias sobre sua terra Natal e o delta do Parnaiba lugar que ainda vou conhecer.

Repentinamente me engajo num desses movimentos sociais que defendam os nortistas e nordestinos de tanta maledicência. Minha grande amiga de Campina Grande me convida sempre para assistir a festa do Bode Reí. Um dia irei sim. Já conheço João Pessoa. E outras capitais lindas dessa parte do Brasil.

O melhor desses lugares é a sua gente. De uma garra espantosa. Imagino como será o aldeão das margens do velho Chico. Gente de brio com certeza.
Portanto em tempos de sérias mudanças climáticas imagino os do Sul e Sudeste deste país pegando seus autos e aviões e buscando paraísos em litorais onde serão recebidos com exóticas comidas e bebidas fortes.

Os Paulistas que chamam a gente de “mano” afinal precisam aprender que o irmão é o mesmo cujas mãos balançam o berço e este só tem um nome que brilha com o sol sobre a terra que nos acolhe e onde nossa igualdade se faz total. O nome deste lugar é Brasil. O resto é sonho infeliz de se achar melhor ou pior mesmo estando no mesmo barco que busca rios e mares para navegar nossas diferenças ou indiferenças que somam votos e subtraem derrotas vãs.

Meu prezado Janio e conterrâneos de norte a sul precisamos viajar ao Piauí. Estou me devendo este passeio desde que conheci as histórias do Rio Parnaiba assim como me devo também uma ida ao velho Chico e preciso saudar suas águas em nome da unidade nacional!

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Editora do Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente.

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nov
13
Posted on 13-11-2014
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Myrria, hoje, no jornal A Crítica (AM)

nov
13
Posted on 13-11-2014
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Aécio é aprovado no teste do avião
Vôo da GOL decolou com atraso.

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Ricardo Noblat

– Isto é uma pegadinha? – espantou-se a mulher ao olhar para o homem sentado na cadeira do corredor da terceira fila do voo 1488 da GOL, que decolaria ontem, no meio da tarde, do aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, com destino a Brasília.

– Pegadinha, como? – perguntou o homem, sorrindo.

– O senhor é a cara de Aécio – observou a mulher.

– Eu sou Aécio – o homem respondeu.

Instalou-se então a confusão, que acabou por atrasar a decolagem. Bem mais da metade dos passageiros que quase lotavam o avião fez questão de cumprimentar o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e de tirar fotos junto com ele.

Outra mulher comentou depois de abraçar Aécio:

– Você está por aqui? Não acredito.

Um homem idoso apertou a mão de Aécio e disse:

– Aécio, é você? Chorei muito quando você perdeu a eleição.

Entre uma foto e outra com o senador, uma jovem tascou:

– Nossa, você é muito bonito. É mais bonito do que na televisão.

A tripulação teve trabalho para conseguir que as pessoas ocupassem seus assentos. Antes que o avião decolasse, por três vezes, e a curtos intervalos, passageiros gritaram o nome de Aécio provocando aplausos.

Na descida do avião em Brasília, o comandante falou aos passageiros por meio do sistema de som:

– A GOL sente-se honrada em transportar o senador Aécio Neves, futuro presidente do Brasil.

Novamente Aécio foi aplaudido. E por último foi aplaudido ao se levantar para desembarcar, olhar para os fundos do avião e dizer:

– Obrigado pelo carinho, pessoal.

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Raro é o dia em que a Petrobras, a maior empresa do Brasil e da América Latina, gestora pública do ativo (petróleo) visto pelo Governo de Dilma Rousseff como “o passaporte do futuro” do gigante sul-americano, não se vê implicada no panorama judicial. O presidente do Tribunal de Contas da União, o ministro Augusto Nardes, afirmou nesta quarta-feira que as irregularidades encontradas até o momento em obras da Petrobras somam 3 bilhões de reais, o que o transforma no “maior escândalo da história do Tribunal”, informa a EFE. A Polícia Federal do Brasil estima que a toda a trama pode ter desviado ilegalmente mais de 10,8 bilhões de reais.
mais informações

Após protagonizar involuntariamente a recente campanha eleitoral por uma série de detenções, demissões e depoimentos judiciais sobre os atos de corrupção e um sistema bem organizado de financiamento irregular dos partidos políticos brasileiros (especialmente o PT), a Justiça norte-americana iniciou uma investigação contra a empresa petrolífera estatal por suposta corrupção, segundo informações da edição do último domingo do jornal britânico Financial Times. A presidenta Dilma Rousseff minimizou a notícia na quarta-feira em Doha e se limitou a afirmar que “a Petrobras está cotada na bolsa de Nova York e faz parte das regras do jogo ser investigada […] os Estados Unidos devem investigar se existem cidadãos norte-americanos envolvidos em alguma irregularidade”.

De acordo com o publicado, o Departamento de Justiça analisa supostas violações do Ato de Práticas Estrangeiras Corruptas (FCPA, na sigla em inglês), que “proíbe oferecer, pagar, prometer pagar ou autorizar o pagamento de dinheiro ou qualquer coisa de valor para um funcionário estrangeiro”: nesse caso concreto, subornos de cidadãos e empresas norte-americanos para funcionários brasileiros para conseguir vantagens comerciais com a Petrobras. Por seu lado, a Comissão de Segurança e Câmbio (SEC, na sigla em inglês), que regula o mercado de valores norte-americano, também teria aberto uma investigação sobre os recebimentos de ações (ADR) da Petrobras, que são negociadas em Wall Street. Fontes consultadas no Departamento de Justiça norte-americano evitaram entrar em detalhes na terça-feira: “Por uma questão de política, geralmente não confirmamos nem desmentimos se um assunto está sendo investigado”, disse um porta-voz para esse jornal, segundo informações de Joan Faus. Por seu lado, um porta-voz da Embaixada Brasileira em Washington assegurou não ter informações sobre uma investigação.

Questionada pelo EL PAÍS sobre a questão, a Petrobras esclareceu, por meio de nota, que “desconhece qualquer investigação que esteja sendo feita no âmbito do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) ou da Securities and Exchange Comission (SEC)”. Segundo o texto divulgado pela estatal, “a companhia não recebeu notificação de nenhum dos dois órgãos acerca de abertura de investigações para identificar eventual violação à legislação americana, tendo em vista as denúncias efetuadas no âmbito da ‘Operação Lava Jato’”. A nota segue, dizendo que “a Petrobras, através do escritório americano contratado para conduzir as investigações independentes, Gibson, Dunn & Crutcher LLP, já fez contato com os referidos órgãos americanos, informando sobre o início dos trabalhos para apurar tais denúncias na companhia”.

Perguntado na segunda-feira sobre o assunto, o vice-presidente brasileiro, Michel Temer, não negou as informações sobre investigação nos EUA e frisou que as responsabilidades devem ser apontadas, “doa a quem doer”, a mesma frase usada por Dilma ao longo da campanha. “A Constituição brasileira determina a autodeterminação dos povos. Se os Estados Unidos iniciaram uma investigação, devem continuar, como o Brasil está fazendo”, afirmou durante uma reunião com prefeitos.

Os tribunais do país norte-americano podem investigar qualquer empresa estrangeira cotada na Bolsa de Nova York, como é o caso da petrolífera brasileira, cujas ações na segunda-feira caíram 3,5%. O Financial Times destaca que alguns dos supostos delitos começaram quando a empresa tinha Dilma Rousseff como presidenta do Conselho de Administração entre 2003 e 2010, que está agora em seu segundo mandato como presidenta da nação. Sob seu mandato, ocorreu a polêmica compra e venda de uma refinaria em Pasadena, Texas, uma das operações que estariam por trás da abertura do expediente nos Estados Unidos (entre 2006 e 1012, a Petrobras pagou 3 bilhões de reais pelo controle total da citada refinaria, uma quantidade 27 vezes superior à desembolsada anos antes pela belga Astra Oil).

A Petrobras, que emprega mais de 86.000 pessoas e produz dois milhões e oitocentos mil barris de petróleo por dia, vive imersa desde março na ‘Operação Lava-Jato’, iniciada pela Polícia Federal brasileira, que teve uma reviravolta espetacular nas últimas semanas com os depoimentos de três delatores (seu ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa; o doleiro e especialista em lavagem de dinheiro Alberto Youssef; e Julio Camargo, representante de uma construtora com contratos de mais de 3,83 bilhões de reais com a Petrobras) que revelaram o funcionamento de um complexo esquema de propinas e lavagem de dinheiro em troca de uma sensível redução de sua pena e a devolução de 175 milhões de reais. Costa afirmou diante do juiz que existia um sistema de subornos institucionalizado e que o PT embolsou entre 1% e 3% de todos os contratos feitos de 2004 a 2012.

Memorável gravação ao vivo feita no The African Concert, em 1987.

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)


Isabel:a mulher mais rica da África, segundo a Forbes

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DO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Javier Martín

De Lisboa

Há mandachuvas com problemas para lotar um táxi com parentes e outros que necessitam de um estádio. Isabel dos Santos encaixa-se no último caso. Na Copa do Mundo do Brasil, levou 600 convidados. Dizem que seu casamento com Sindika Dokolo, cuja profissão é colecionador de arte (e filho de um empresário de diamantes), teve 800 convidados, entre eles vários presidentes africanos. Dizem que é a mulher mais rica da África, e a revista Forbes confirmou a informação no ano passado, embora em valor sua riqueza seja difícil de contabilizar — entre 6,4 bilhões a 12,8 bilhões de reais, segundo pesquisas — já que, por mais que falem, da boca da “menina dos olhos” de seu pai nunca saiu nada.

Nascida em 1973 em Baku (hoje Azerbaijão, então localizado na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a URSS), é a primeira filha de José Eduardo dos Santos, presidente de Angola desde 1979. O então militante do Movimento Popular de Libertação de Angola — até 1975 colônia portuguesa — recebia naquela cidade doutrinamento ideológico e educacional — graduou-se em engenharia petrolífera e comunicações por radar—. Ali conheceu a jogadora de xadrez russa Tatiana Kukanova, a primeira de suas três esposas. De sua relação nasceu Isabel, primeira filha dos sete descendentes reconhecidos pelo presidente.

Isabel dos Santos rejeita as insinuações de que seus negócios estão muito relacionados aos 35 anos de presidência de seu pai

Quando seus pais se separaram, Isabel foi viver com sua mãe em Londres, onde estudou engenharia no King’s College. Em Londres conheceu seu futuro marido, Sindika Dokolo, com quem se casou em 2002.

Na época Isabel havia aberto seu primeiro negócio há cinco anos, um bar. Mas não foi com um night club na baía de Luanda que ela se transformou na mulher mais rica do continente africano. O lucro das taças não consegue comprar, em 15 anos, bancos, fábricas de cimento, redes de televisão, postos de gasolina ou lançar, esta semana, uma oferta pública de aquisição (OPA) de 1,2 bilhão de euros (3,8 bilhões de reais) para comprar os direitos de voto da Portugal Telecom SGPS na operadora brasileira Oi.

O jornalista angolano Rafael Marques, preso em 1999 por suas críticas ao regime, publicou em 2013 na Forbes o artigo Daddy’s Girl: How an African ‘Princess’ Banked $3 Billion in a Country Living on $2 a Day (Filhinha de Papai: Como uma ‘Princesa Africana’ Acumulou $3 Bilhões em um País que Vive com $2 por Dia). Segundo Marques, os grandes negócios de Isabel dos Santos são forjados de duas formas: participando de uma empresa estrangeira que precisa de licenças para abrir caminho em Angola, ou por meio de uma concessionária, criada pelo decreto real de seu pai.
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A ideologia socialista assimilada por Eduardo dos Santos na União Soviética durou até o final dos anos 1990, na agonia da guerra civil, quando já estava há quase duas décadas no comando da nação. Então abraçou o capitalismo e começou a assinar contratos de concessão com o capital privado estrangeiro para a exploração de minas, operadoras de telefonia e bancos, um mercado virgem em um país com inesgotáveis recursos naturais.

O país cresce a taxas nunca vistas, embora 70% da população sobreviva com menos de dois dólares (5 reais) por dia e, segundo a organização Transparency International, no mundo há apenas 10 países mais corruptos que Angola (posição 168 no ranking entre os 178 países analisados).

Depois do night club, um dos primeiros negócios de Isabel dos Santos, foi o de diamantes. O presidente-papai cria a Endiama, empresa estatal para a exploração de pedras preciosas, e sua filha aparece como proprietária de 25% da sociedade. Com o escândalo provocado pelo filme Diamantes de Sangue, baseado no livro de Marques, Isabel transfere a propriedade para sua mãe.

O país cresce a um bom ritmo, por isso o cimento é um bem de primeira necessidade, mais ainda, um bem estratégico nacional. A cimenteira Cimangola passa a ser controlada pela filha rica.

Portugal se torna pequeno para os escassos, mas grandes empresários nacionais, como Américo Amorim. O rei mundial da cortiça vê em Angola uma oportunidade de novos negócios. Repete-se o roteiro, a presidência de Angola concede uma licença a um banco privado, o BIC. Amorim põe dinheiro e, entre os acionistas, aparece Isabel dos Santos, com 25%. Como também é de praxe, o negócio acaba mal, e finalmente Amorim vende sua participação à angolana, que já tem 42,5% do maior banco do país. Consolidada em Angola e com dinheiro vivo, já pode dar o salto a outros países africanos (está na Namíbia) e europeus. Dos Santos controla 20% do banco português BPI.

Amorim ampliou seus negócios para outras áreas angolanas de inegável futuro, como o petróleo e o cimento. Cria a Amorim Energia, sendo 55% da família e 45% de Isabel, formalmente sob a holding holandesa Esperanza. Por meio dessa sociedade, controla a petrolífera portuguesa Galp, onde Dos Santos tem uma participação direta de 7%. A essas alturas, já é a mulher mais poderosa de Portugal — superando Maria do Carmo Moniz Espírito Santo —, controlando os setores bancário, de energia, meios de comunicação e operadoras de telefonia.


Eduardo dos Santos, o pai:35 anos de mando em Angola
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Isabel dos Santos rejeita as insinuações de que seus negócios estão muito relacionados aos 35 anos de presidência de seu pai. Uma de suas escassas entrevistas com jornalistas foi no ano passado, em um almoço com Tom Burgis, do Financial Times. À parte dos 800 reais que o jornal teve que pagar pelo peixe com batatas, a executiva angolana destacava que aos seis anos vendia ovos e que pessoas bem relacionadas existem muitas, mas que saibam fazer negócio, poucas.

Dos Santos, com três filhos, atribuiu o sucesso de seus negócios à sua formação em matemática e engenharia. Seu marido foi mais específico, listando em uma entrevista à televisão angolana as virtudes de sua esposa: “É muito tranquila e muito estável, gosta de ter uma perspectiva a longo prazo. Possui três qualidades que a transformam na grande força de Angola: autoconfiança, estabilidade e ambição.” Assim, qualquer um.


Lisboa:consumidores vão às compras no supermencado chinês
Foto: Mario Proença/Bloonberg/El Pais

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DEU NO EL PAIS

Javier Martín, de Lisboa

Chineses, brasileiros e angolanos protagonizaram as mais recentes e maiores aquisições de empresas portuguesas. Ficaram para trás os anos da invasão espanhola e, portanto, o receio em relação ao país vizinho. Hoje, a água, a eletricidade e os hospitais portugueses caíram nas mãos de chineses.
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A China Three Gorges pagou 2,7 bilhões de euros (8,6 bilhões de reais) por 21,3% da elétrica EDP; o grupo Fosun, do mesmo país, assumiu o controle da Fidelidade, seguradora líder de mercado, pagando 1,01 bilhão de euros (3,2 bilhões de reais) e há um mês deu outro passo, ao desembolsar 480 milhões de euros (1,5 bilhão de reais) pela Espírito Santo Saúde, que administra cerca de 20 centros hospitalares no país.

A State Grid, outra estatal chinesa, comprou 25% da Red Eléctrica Nacional (por 387 milhões de euros, ou 1,2 bilhão de reais) —depois o grupo Fosun adquiriu outros 5%—, e a Beijing Enterprises Water Group, de Pequim, adquiriu por 95 milhões de euros (304 milhões de reais) a Veolia, empresa de abastecimento de água de Portugal. Em três anos, a China gastou 5,38 bilhões de euros (17,2 bilhões de reais) na aquisição de empresas portuguesas; em termos de volume, Portugal é o quarto país europeu com investimentos chineses, mas o primeiro em proporção à sua população.

O Brasil também colocou seu antigo colonizador no radar. A Camargo Corrêa comprou a Cimpor por mais de 5 bilhões de euros; dois anos antes de a operadora Oi usar a PT como moeda de troca para levantar fundos e adquirir a subsidiária brasileira da Telecom Italia, e assim se consolidar em seu país de origem.

Se os investidores chineses se concentraram em serviços básicos, os angolanos preferiram o mundo financeiro e os meios de comunicação. Em Portugal, se consolidaram com sucursais de seus próprios bancos (BIC, Atlântico, BAI, BANC e BNI), mas também entraram como acionistas de instituições locais. Uma parceria da filha do presidente de Angola, Isabel dos Santos, tem uma participação de 10% no BPI; e a Sonagol, petrolífera estatal africana, possui uma fatia de 20% do BCP, além disso controla a petrolífera portuguesa Galp. Dos Santos também tem uma elevada participação na operadora NOS, líder em TV por assinatura, e agora disputa a PT.

No setor de mídia, os fundos angolanos também são donos do grupo Controlinveste (Diario de Noticias, Jornal de Noticias, rádio TSF e o jornal de esportes O Jogo), e já manifestaram interesse pela estatal Rádio e Televisão de Portugal, caso seja privatizada.

Os angolanos, que desembarcam nos fins de semana em Lisboa para fechar as lojas de luxo da avenida Liberdade, os chineses, mais discretos, e os brasileiros são hoje os colonizadores da antiga metrópole. Portugal começa a ver a Espanha com menos receio do que antes, e os espanhóis olham os portugueses com menos arrogância, solidários diante de suas semelhantes dificuldades.

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