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OPINIÃO

Talisca lembra que ao torcedor resta sofrer

Luis Augusto Gomes

Bahia e Vitória, os dois maiores clubes de futebol do Estado, iniciam hoje o confronto direto por uma vaga nas finais da mais importante competição nacional para jogadores de menos de 20 anos de idade.

Simultaneamente, seus times profissionais frequentam há mais de dez rodadas a zona de rebaixamento do campeonato brasileiro da primeira divisão, sendo fortíssimos candidatos à série B em 2015.

Mas, rebaixados ou não, suas torcidas estarão sempre nas arquibancadas, gritando por “ferros velhos” ou “bondes”, como se queira denominar atletas tecnicamente ruins ou na fase descendente da carreira, enquanto os jovens que o clube descobriu, preparou e lançou no futebol brilham nos principais clubes do mundo.

Só a irracionalidade da massa, acrescida da paixão por um elemento que preenche um vazio emocional causado pela ignorância e pela falta de oportunidade, explica a repetição por décadas de um processo que não oferece outra perspectiva. A cada ano, a renovação de uma esperança condenada.

Vivemos a exacerbação do conflito entre o profissionalismo e o amadorismo. Amadora é a multidão, que vibra com os triunfos e sofre com as derrotas. Profissional – e sem coração – é o sistema, que mapeia a matéria-prima onde ela se encontre e promove sua exploração sempre vinculada a milhões de dólares e euros.

Não haverá leis e regulamentos que controlem o quadro, pois, no presente caso, o direito individual está acima de interesses difusos. Não há como impedir o garoto da periferia que estourou de exercer o trabalho que a realidade lhe reservou, com o empregador que melhor lhe convier.

Todos ganham nesse mundo mágico em que o investimento, da noite para o dia, é multiplicado infinitamente: os jogadores – e seus familiares, quando se trata de menor –, os empresários, os intermediários, os clubes e dirigentes e, sobretudo, os patrocinadores, que com aquele gol de bicicleta do contratado vão vender muito mais.

Perde apenas o torcedor, embora, de certa forma, com o baque na “felicidade coletiva”, o prejuízo seja mais ou menos geral. Mas tudo bem. No fundo, todo mundo sente uma ponta de alegria quando vê um menino tão magrinho que mereceu o apelido de Talisca fazer sucesso na Europa e chegar à Seleção.

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