=======================================================

DOMINGO NO JARDIM DA SAUDADE

Acabo de retornar do cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas , intensamente movimentado neste domingo misturado de chuva fina e sol e forte calor na Cidade da Bahia. Muitos jovens, abraçados e comovidos, antes, durante e depois da cerimônia do enterro do publicitário Daniel Prata, 29 anos, morto em dramática e chocante batida de automóveis na área do Parque da Cidade (Itaigara), bem pertinho do apartamento onde moro.
Outros enterros, também bastantes concorridos, marcantes e diferentes nas reações e comportamentos de parentes e participantes. Coisas próprias do jeito de expressar sentimentos e emoções diante da vida e da morte

É só um registro.

Mas fui ao Jardim da Saudade neste histórico 9 de novembro, porque no dia 2, de Finados, estava com Margarida em Santiago do Chile e assim ambos impossibilitados de cumprir o ritual de tributo e saudades que há décadas cumprimos juntos frente aos túmulos de alguns dos nossos mortos mais queridos, amados e admirados.

Primeiro fomos levar flores em memória de seu Cardoso (aniversariante de 8 de novembro) e Dona Celina, pais de Margarida. Em seguida, fomos ao local onde estão sepultados seu Alaôr e dona Jandira, meus pais, e o mano Fernando David Soares, também jornalista, vítima de um infarto fulminante aos 42 anos de idade.

Rosas vermelhas para os três, mais uma mensagem especial impressa para Dona Jandira.

A última rosa vermelha foi deixada, como todos os anos, na sepultura do compadre e amigo maior de sempre, Pedro Milton de Brito. Advogado brilhante, ex-presidente da OAB-BA, destacado ex-conselheiro federal da Ordem ( quando a OAB não se submetia aos poderosos da vez nem a ditadores), mas acima de tudo um incansável e corajoso defensor dos perseguidos na Bahia. Fiquei um tempo sozinho frente a cova do leal conselheiro pessoal e político de décadas. Fiz perguntas, baixinho, sobre minhas dúvidas destes dias raivosos e estranhos das pessoas e do País. Vou aguardar a resposta e a luz do amigo e compadre Pedro, em um sonho em noite qualquer. Sei que ele, com a lealdade, sabedoria e firmeza de sempre, não deixará o velho amigo sem resposta e apontará caminhos. Saudades.

Começou a chover e, desta vez, não passei para o tributo de todos os anos na sepultura do maluco beleza da Bahia, Raul Seixas. Mas é dele a música “Meu Amigo Pedro”, síntese das dúvidas e contradições destes dias temerários, presentes a cada passo da visita deste domingo ao Jardim da Saudade.

Som na caixa, maestro, como diz Olívia.
BOA TARDE DE DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)

nov
09
Posted on 09-11-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 09-11-2014


Galvão, hoje, na Gazeta do Povo (PR)


Publicitário Daniel Prata:enterro na manhã de hoje(9)

==========================================================

DEU NO PORTAL DO JORNAL A TARDE

Da redação

O publicitário Daniel Prata, 29 anos, morreu na madrugada deste sábado, 8, por volta das 4h30, perto do Parque da Cidade, no Itaigara. Segundo a Transalvador, uma caminhonete bateu no veículo da vítima, que capotou em seguida.

Uma amiga do publicitário, a médica Luciana Tavares, de Fortaleza, estava no carro e ficou gravemente ferida. Ela está internada em coma no Hospital Geral do Estado (HGE).

De acordo com policiais da 35ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM), o motorista do carro envolvido no acidente, Roberto João Starteri Sampaio Filho, foi autuado em flagrante com sinais de embriaguez. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro.

O enterro de Daniel será neste domingo, 9, às 11h30, no cemitério Jardim da Saudade, em Brotas, na capela C.

=======================================


Advogado Roberto João Starteri Sampaio Filho está detido

==========================================================

DEU NO CORREIO DA BAHIA

O motorista do carro envolvido no acidente que resultou na morte do publicitário Daniel Prata, de 28 anos, segue detido na Central de Flagrantes, no Iguatemi. De acordo com o comandante Arnaldo Neto, titular da 35ª Companhia Independente de Polícia Militar, ele foi identificado como Roberto João Starteri Sampaio Filho, advogado trabalhista.

Ainda segundo informações da 35ª CIPM, Roberto Starteri dirigia uma Hilux e foi autuado em flagrante com sinais de embriaguez na madrugada deste sábado (8). Ele se recusou a fazer o exame de alcoolemia e teve apenas ferimentos leves. Daniel Prata, que estava acompanhado da amiga Luciana Tavares Lucetti, dirigia um Hyundai Sonata e morreu na hora.

Ontem, hoje e sempre ao lado da Liberdade e das lutas que conduzam a ela.

Festeje com o BP e com ox libertários da Alemanha e do mundo inteiro.

BOM DOMINGO!!!

(Vitor Hugo Soares)


Berlim:Balões luminosos no lugar do Muro
===========================================================

CRÔNICA DOMINICAL

O Cão, o Jardim e o Muro

Maria Aparecida Torneros

Bom dia, disse o cão para o jardim. Podia ser uma fabula, daquelas dos tempos infantis. Imaginemos resposta de um jardim que fala. – Obrigada, lindo cachorrinho, desejo a você também um dia feliz, daqueles em que não se lembre de nada difícil, em que possa ter muita esperança e curta o azul do céu sem pensar na poluição .

E o bichinho sai correndo e pulando sobre a grama, rabo em riste, balançando a cauda, eufórico, ele late risonho, o mundo parece feliz, as flores dançam ao sabor da brisa, as crianças saltitam, jogam bola, dão gargalhadas.

Elas nem sabem dessas histórias macabras como os 25 anos da queda dom muro de Berlim. Meninas e meninos na tenra idade, devem crer que imagens de guerra sejam ficção e torcem pelos vencedores que são heróis fantasiados, estão nos games, abatem inimigos imaginários, porque depois vovós e tias chamam para lanches deliciosos enquanto mamães e papais trabalham, viajam, telefonam, e nas voltas, trazem muitos presentes.

Mas, quando meninos e meninas despertam dos seus sonhos, ouvem tiros, de verdade, em comunidades sitiadas. Choram de medo, nem podem ir brincar nos jardins públicos , alguns estão até em Campos de refugiados, perderam pais , mães , avós e estão sozinhos com medo.

Se crescem um pouco, descobrem que o mundo anda cheio de lugares estranhos, ódios entranhados, progressos devastadores, naturezas depredadas, em crises climáticas , em crises de identidade humana, em maltratos a animais e a jardins.

– Mau dia, resmunga o Cãozinho solitário espreitando a chegada da chuva para que haja água e esperança de sobrevida para flores e frutas.

– Ah, finalmente chega aquela primeira criança com a manhã nublada, ele correr para ela, que o acaricia, sorri, trouxe uma bolinha para brincarem.

Bem, podia ser pior, o cachorro pensa, e desliza as pastas em busca da bola que agarra com os dentes e traz de volta para as mãos da menina. Resolve perguntar seu nome. Ela grita, Esperança , já atirando novamente o brinquedo, e prosseguindo na história de faz de conta que posso ser muito feliz na Terra.

O jardim se engalana. As flores dançam , mais crianças chegam, outros cães também , e a chuva começa a garoar. Lá fora , se há bombas e ódios , pobreza e desigualdades, a gente não quer saber, vamos erguer novo muro, cercaram os jardins onde ainda podemos brincar e sermos felizes, mas, como aconteceu em Berlim, um dia, alguém pode derrubá-lo e nunca estaremos a salvo de ideologias totalitárias ou de sonhos impossíveis.

Mesmo assim, no tempo em que os animais falavam, eles nos desejavam bom dia, se me lembro bem!

Cida Torneros é jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro, on edita o Blog da Mulher Necessária


Cidadãos dos dois lados de Berlim celebram sobre o Muro a abertura da fronteira em 9 de novembro de 1989. / Fabrizio Bensch (Reuters)

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Neste fim de semana, Berlim voltou a ser uma cidade dividida. Oito mil balões desenham uma linha luminosa de 15 quilômetros de extensão, um traçado que durante a guerra fria foi uma das fronteiras mais vigiadas do mundo. Mas quem sair às ruas em 9 de novembro não encontrará o muro de 3,6 metros de altura que dividiu Berlim – e, de certa forma, o mundo inteiro – entre 1961 e 1989. Sob o lema “valor à liberdade”, os cidadãos celebrarão o 25º aniversário do dia em que tudo mudou. Desde então, qualquer um pode viajar tranquilamente de Dresden a Hannover, sem ir para a cadeia ou perder a vida, como ocorreu às quatrocentas pessoas que morreram tentando abandonar a Alemanha socialista.

“É incrível. Nunca pensamos que poderíamos estar aqui”, dizia naquela noite inesquecível um jovem a repórteres de televisão em um vídeo hoje disponível para qualquer um no YouTube. Diante de um Portão de Brandemburgo às escuras, os entrevistados diziam a quem quisesse ouvir que não pretendiam ficar na parte ocidental da cidade. Só queriam ver como era o outro lado e voltar para casa. Vinte e quatro horas mais tarde, e não muito longe dali, Willy Brandt pronunciaria um discurso histórico. “Nada voltará a ser como antes. Sempre soube que a separação de concreto, arame farpado e faixa da morte ia contra a corrente da história. Disse isso no verão, sem saber que aconteceria tão rápido: Berlim viverá e o Muro cairá”, bradou o antigo chanceler e prefeito de Berllim durante a construção do muro da vergonha.

Já antes daquele 9 de novembro, alguns acontecimentos – como a eleição do primeiro Governo não comunista na Polônia em 40 anos ou a abertura da fronteira entre a Hungria e a Áustria – mostravam a decomposição do bloco comunista. Mas as imagens de cidadãos esfuziantes sobre a barreira de cimento que tinha marcado suas vidas, ou dos Ossis (a palavra com que os alemães se referem coloquialmente aos do Leste) com lágrimas no rosto pisando pela primeira vez o outro lado de sua cidade se tornaram um ícone do século XX. “A queda do Muro teve uma força simbólica incomparável. De uma tacada, mostrava-se o desgoverno da Alemanha Oriental, a resistência das tropas soviéticas a imiscuir-se em sua teórica zona de influência e o êxito do movimento popular que exigia liberdade”, explica o historiador Jürgen Kocka.

Muitos alemães do Leste saudaram a construção do muro, em 1961, como uma oportunidade para estabilizar a Alemanha Oriental. E, de certa forma, tinham razão: sem ele, o regime socialista resistiria apenas alguns meses. O êxito democrata-cristão nas primeiras eleições livres, celebradas em 18 de março de 1990, pavimentou o caminho para a integração dos cinco Estados do Leste e Berlim Oriental à República Federal, que seria oficializada em 3 de outubro desse mesmo ano.

Passado o tempo, parece que o fim do Muro, a derrocada da Alemanha Oriental e de todo o bloco soviético e a reunificação das duas Alemanhas era uma sequência inevitável. Contudo, no outono de 1989, nada estava escrito. De um lado e outro da fronteira havia muita gente que não desejava um só país. Uns pensavam que o horror do nazismo invalidava a existência de uma Alemanha unida e forte, outros temiam os custos da reunificação e, no Leste, muitos preferiam uma Alemanha Oriental reformada que não fosse absorvida pelo Ocidente.

As reticências não vinham só de dentro. Líderes como a britânica Margaret Thatcher fizeram todo o possível para manter o equilíbrio estabelecido no Continente depois da vitória aliada sobre Adolf Hitler por temor a um poder excessivo do país que tinha protagonizado duas guerras mundiais nos últimos 75 anos. Mas a reunificação finalmente aconteceu. Dois fatores foram decisivos: o reconhecimento, por parte do Governo de Helmut Kohl, da fronteira com a Polônia traçada após a derrota do nazismo e o apoio soviético a uma Alemanha unificada membro da OTAN.

“As dúvidas eram compreensíveis, mas os temores de um renascimento do nacionalismo alemão não se cumpriram”, acrescenta Kocka, presidente emérito do Centro de Pesquisa Social de Berlim. “A mudança saiu bem, mas não nos esqueçamos dos perdedores da reunificação. As gerações que ficaram sem emprego e que tiveram de reorganizar sua vida profissional com muitos esforços”, acrescenta o cientista político Gero Neugebauer.

A nova Alemanha se orgulha de seu passado mais recente. “Quase todos os jovens do Leste acham que foram beneficiados pela reunificação. Isso demonstra que nesses 24 anos não fizemos tudo mal, pelo contrário”, disse a chanceler Angela Merkel em 3 de outubro, nas comemorações do 24º aniversário da reunificação.

Fora de suas fronteiras, o último quarto de século serviu para a Alemanha consolidar seu poder na União Europeia, um clube construído no equilíbrio do eixo Paris-Bonn. O primeiro contribuía com uma maior autonomia política, enquanto o segundo ostentava superioridade industrial e econômica. Mas faz tempo que essa divisão de poderes não funciona mais.

A reunificação, a ampliação da UE para o Leste – onde Berlim goza de uma influência crescente – e a crise econômica do sul do Continente escoraram o poderio alemão. Merkel não apenas influencia mais que ninguém a tomada de decisões em Bruxelas, como também quer exercer seu poder. Os líderes do país insistem que chegou a hora de assumir uma maior responsabilidade internacional. A política externa alemã já não tem complexos. Um primeiro aviso foi a intervenção em Kosovo aprovada em 1999 pelo Governo de social-democratas e verdes chefiado por Gerhard Schröder, a primeira depois da II Guerra Mundial. Quinze anos mais tarde, Berlim quer ter um papel ativo na resolução de conflitos como o da Ucrânia ou o jihadismo na Síria e no Iraque.

“A Alemanha está em um dilema. É indubitável seu maior poder político e econômico. Mas, ao mesmo tempo, não quer uma posição de liderança na UE. Recusa-se por razões históricas, depois de suas tentativas de domínio militar no século XX. E também por motivos econômicos, porque então teria de estar disposta a renunciar a parte de sua riqueza para ajudar aos sócios com mais problemas”, resume Neugebauer, professor da Universidade Livre de Berlim. Essa Alemanha ambivalente é que festeja, neste fim de semana, os 25 anos de reconciliação com 8.000 balões que iluminarão uma cidade que já se acostumou a ser uma só.

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

LULA VOLTOU?

Juan Arias

O slogan “Volta Lula” se apagou com as eleições. Não voltou. Seja porque ele não quis ou porque Dilma Rousseff não deixou que voltasse, não importa. Dilma voltou a ser presidente, mas Lula da Silva também voltou e está mais ativo do que nunca até na formação do novo Governo, pelo menos em seus ministérios chaves.

Com poucas coisas se especulou tanto na política quanto com as relações nos últimos quatro anos entre Dilma e seu criador. Uma coisa é certa: o ex-presidente não parece feliz, segundo seus colaboradores mais próximos, com tantas notícias negativas tanto na economia quanto nas relações entre o Governo e o Congresso; entre a presidenta e os empresários, entre ela e os aliados, sobretudo com o centrista PMDB. E com a imagem negativa que, justa ou injustamente, seu partido projeta para metade da sociedade.

É conhecido o estilo de Lula de fazer política, pragmático, negociador e não ideológico, e sua capacidade de metamorfose para se adaptar às circunstâncias (como ele mesmo destacou de seu caráter), é lógico que às vezes choque com o estilo bem diferente de sua criatura, menos contemporizador, mais direto, às vezes até duro e exigente, e sem muito espaço nem vontade de negociar muito. E mais ideológico. Dilma é de esquerda. Lula é, simplesmente, sindicalista.
mais informações

Existe nos meios políticos muita curiosidade por conhecer até que ponto Lula será capaz de convencer Dilma a aceitar um novo caminho traçado por ele para enfrentar a crise econômica que aperta o país.

Saberemos logo. O melhor espelho será a indicação do novo ministro da Fazenda. Será alguém à imagem e semelhança dela a quem deverá obedecer, goste ou não, ou levará a marca de Lula, mais liberal e independente, mais parecido com o que teria escolhido a oposição se tivesse ganhando as eleições? É importante, porque as decisões mais importantes que o novo Governo deverá tomar serão em matéria de economia e poderiam, com cortes inevitáveis de gastos e aumento dos serviços públicos, prejudicar momentaneamente os interesses das classes mais necessitadas.

Lula conseguirá, além disso, convencer o PMDB a não abandonar o barco de Dilma? Do jeito que estão as coisas, tudo faz pensar que só ele conseguiria isso.

E o PT? Aí Lula deverá colocar em ação o melhor de seu estilo conciliador porque em seu partido as águas também estão alvoroçadas. Estão aqueles que querem arrastar o partido para a esquerda, com o objetivo de poder prescindir o antes possível do PMDB, visto como mais de direita do que talvez seja na realidade. Alguma vez, por acaso, esse partido investiu contra a liberdade de imprensa?

Será esse desejo do PT de girar à esquerda a tática de Lula, que sempre se sentiu muito bem com seus aliados mais conservadores?

Seria melhor começar a aceitar que Lula já voltou e que já é candidato para 2018. Melhor para Dilma que, não tendo que se preocupar em assegurar sua reeleição, tampouco precisa se diferenciar tanto da política de Lula (que, como todos sabem, de um modo ou de outro, continuará sendo influente, pelo simples fato de que o PT é ele. Goste ou não.) Volta a antiga frase de que Lula não existiria sem o PT, assim como este tampouco seria nada sem Lula. Menos ainda, contra ele.

De Dilma Rousseff já se sabe que não nasceu no partido do ex-sindicalista, que nunca teve cargo nem influência nele a não ser pelo fato de ter sido a candidata escolhida. Por Lula, mais que pelo partido. Por isso chegou-se a falar de dilmismo em contraposição ao lulismo. Ela acaba de dizer: “Eu não sou o PT”, e é verdade.

A política do PT está em um labirinto. Quer continuar no poder pelo menos outros 12 anos para cumprir um ciclo de 1/4 de século de Governo popular. Vai conseguir sem Lula ou contra ele? O PT tem hoje algum candidato, além de Lula, capaz de fazer com que continue no poder? Hoje não funcionam mais nem os candidatos propostos pelo ex-presidente. Continuará, além disso, crescendo e se afirmando a nova oposição nos próximos quatro anos? E alguém é capaz de profetizar o papel, talvez fundamental, das redes sociais na futura política do país? Dilma será capaz de domesticá-las, como parece ser seu projeto?

Lula já manifestou desejos de dar uma virada no partido. Não pôde deixar de ver que, ao contrário do sucesso que esperava no novo Congresso, o PT chegou diminuído e com menos força. Sabe que o PT não entusiasma mais os jovens como antes e que os chamados movimentos sociais têm dificuldade de arrastar seus membros para a rua, que começa a ser ocupada também pelas classes médias, menos simpáticas ao PT. Pesam os escândalos de corrupção, ou como já afirmou o próprio Lula, o fato de que o PT se transformou em um partido “como os demais”, enquanto ele o havia concebido diferente, mais ético.

O mais urgente hoje para Lula é devolver ao PT sua força perdida, força que, segundo ele, se manifesta sobretudo na rua, não nas experiências de laboratório.

Um alto personagem político me assegura que o PT já “perdeu sua virgindade”, enquanto que a oposição afirma que o Brasil “perdeu o medo do PT”. O que isso significa?

Lula terá que atuar em duas frentes que não pode separar: primeiro, assegurar que Dilma Rousseff não chegue muito mal posicionada daqui a quatro anos, em sua viagem pelas águas agitadas da crise que caracterizará seu segundo mandato, para que seja mais fácil para ele sua última aventura eleitoral em 2018. Segundo, intervir no PT para que isso seja possível.

E, claro, contar, por fim, com a benevolência de sua criatura, hoje com o poder presidencial nas mãos. Ela vai aceitar exercer o papel do precursor João Batista e preparar o caminho ao Messias anunciado pelos profetas? Difícil saber. O Brasil parece estar em busca de uma nova identidade. Segundo o sociólogo francês Michel Maffesoli, em sua entrevista de hoje no jornal O Globo, seria um país que, sem saber, “está entrando pelo caminho da pós-modernidade”.

Os políticos saberão disso ou preferem não acreditar, desejosos de que tudo continue igual?

  • Arquivos