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Postado em 06-11-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 06-11-2014 00:12


Aécio no Senado:mensagem dura ao PT e ao governo

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

“Enxerguem em cada gesto dos parlamentares da oposição a voz estridente de mais de 51 milhões de brasileiros que não aguentam mais ver o Brasil capturado por um partido e por um projeto de poder”, disse, em seu primeiro discurso no Congresso Nacional após a derrota na corrida eleitoral deste ano, o senador Aécio Neves (PSDB), dando o tom da oposição ao segundo mandato do Governo Dilma Rousseff. Falando como líder informal da oposição para um plenário lotado, Neves repetiu o discurso que vem fazendo desde a campanha: destacou que seu projeto representa o desejo de mudança e lamentou o fato de que “a mentira foi a principal arma dos nossos adversários”.

Mencionando a recente alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros e dizendo que o Governo Dilma “escondeu o rombo [nas contas públicas] enquanto pôde”, o senador tucano disse que “a presidente já está fazendo aquilo que disse que não faria”. “Para a presidente, elevar juros era retirar comida dos mais pobres. Se isso é verdade, foi o que ela fez logo que ganhou”, acrescentou. Criticando a demora do Governo para fazer os ajustes econômicos necessários, Neves disse que “a conta a ser paga aumenta exatamente para aqueles que menos têm”. “Me orgulho de ter feito a campanha da verdade. Quem falou a verdade foi taxado de pessimista, de ser contra o Brasil. Só não conseguiram esconder os escândalos de corrupção porque os delatores resolveram falar a verdade”, disse, cobrando a investigação dos escândalos na Petrobras.

Durante seu discurso, Neves citou o finado governador de Pernambuco Eduardo Campos e a ex-senadora Marina Silva, também candidatos da oposição na última eleição, além de colegas de partidos da base do governo que estiveram ao seu lado durante a campanha. Muitos deles fizeram apartes em apoio ao senador tucano, mas a manifestação de apoio de Magno Malta (PR), também da base do governo e antigo defensor do Governo Dilma, foi a mais clara ao expor o quadro adverso que a presidenta deve enfrentar dentro de sua própria base no Congresso no segundo mandato. Condenando as decisões econômicas do Governo Dilma, Malta viu um benefício em Neves não ter sido eleito presidente: “Quem vai ter que pagar essa conta [de dificuldade econômica] é quem fez strip tease moral em praça pública”.

Ao fazer referência ao primeiro discurso da presidenta Dilma Rousseff após o anúncio de sua reeleição, Aécio Neves disse que “agora, os que foram intolerantes durante 12 anos falam em diálogo”, acrescentando que está disposto a dialogar, desde que isso esteja condicionado à apresentação de propostas a à investigação de denúncias de corrupção. “O desejo da maioria dos brasileiros foi de que nos mantivéssemos na oposição. E faremos uma oposição incansável, inquebrantável e intransigente na defesa dos interesses dos brasileiros”, prometeu, mencionando a necessidade de que propostas como a dos conselhos populares, apresentada por meio de decreto pelo Governo federal, seja discutida no Congresso Nacional antes de virar projeto.

Ao finalizar o discurso, Neves reforçou o pedido que fez a Dilma no primeiro telefonema que lhe deu após saber da própria derrota, com uma ressalva: “É preciso unir o país, mas, para isso, preciso dizer a verdade”. Segundo ele, “o grande desafio do Brasil do nosso tempo é ser uma nação que garanta direitos do cidadão”, e, para o tucano, a oposição deve perseguir isso respeitando três compromissos fundamentais: liberdade, transparência e democracia. No campo prático, o senador se comprometeu com a defesa da liberdade de imprensa e da autonomia dos poderes, e foi mais direto ainda ao falar sobre os programas sociais do governo: “É nosso compromisso transformar o Bolsa Família em política de Estado, para o país não ser mais vítima de chantagem eleitoral”.

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Comentários

jader on 6 novembro, 2014 at 11:04 #

Janio de Feritas na Folha:
Paisagem da oposição
06/11/2014

A construção de uma forte barragem opositora, anunciada pelo senador Aécio Neves em seu festivo retorno ao Senado, tem uma dificuldade para efetivar-se: oposição dá trabalho.

Desde a onda do mensalão, com a CPI, os governos Lula e Dilma não precisaram incomodar-se de fato com o PSDB, o DEM (o PFL travestido) e os comerciantes que às vezes lhes fizeram companhia. Mesmo na CPI do mensalão, os representantes desses partidos já recebiam tudo mastigado, cabendo-lhes apenas fazer o espetáculo.

De então para cá, os oposicionistas nem se deram ao trabalho de ser ao menos palavrosos. O PSDB deixou ao senador Álvaro Dias a tarefa de fazer uma declaração a cada ato do governo, mais ou menos a mesma sempre, e o DEM entregou a tarefa ao senador José Agripino Maia. Duas pessoas educadas, portanto impróprias para fazer pela oposição maior disfarce do que umas acusações ligeiras e vazias.

Há tempos as bancadas do PSDB e do DEM foram aqui chamadas de oposição preguiçosa. Não mudaram. Ambas deixaram que os meios de comunicação trabalhassem por elas, considerando suficiente –por comodismo ou incompetência– dar algum eco ao novo padrão do jornalismo brasileiro, de mínimos rigores e noticiário com feições políticas indisfarçáveis. Mas o futuro desse sistema não levaria a boas paisagens.

DESMEMÓRIA

A perda de memória é tanta que parece esquecido até aquele bordão, acusatório e salvador, de que o brasileiro não tem memória. Nem a propósito das eleições, que o sobrepunham a tudo dito na campanha e nos resultados, a sentença pôde ser lida ou ouvida.

E, no entanto, nunca foi mais apropriada. Texto da Executiva do PT, por exemplo, expressa a conclusão de que a conquista do “quarto mandato [é] algo que nenhuma outra força política havia alcançado até agora no país”.

Houve uma que ocupou quatro mandatos, sim. E o fez por ser a maior força política do Brasil em todo o século 20: o Exército.

A frase destacada pela edição do artigo de Luiz Felipe Pondé: “O PT ensinou bem o ódio político ao Brasil e agora poderá provar do próprio veneno”. O golpe não foi feito por amor, a ditadura e as torturas e os assassinatos não foram feitos como carinhos, Lacerda e o udenismo não ensinaram o convívio democrático. E nem foi só a tais alturas que o ódio entrou na história do Brasil, para ficar não se sabe até quando. Está, aliás, em maré crescente.

Muito espaço e tempo foram ocupados com as acusações da delação de Paulo Roberto Costa ao presidente da Transpetro, Sérgio Machado, e agora com sua licença forçada da presidência dessa subsidiária da Petrobras. Nunca foi esquecida a informação, correta, de que Machado chegou ao cargo em 2003, primeiro ano do governo Lula, como indicado de Renan Calheiros e do PMDB.

Em todo esse tempo de escândalo Petrobras, tem sido difícil ver a informação de que Sérgio Machado foi do PSDB. E nem era um a mais ou a menos no partido.

De 1995, primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso, a 2001, foi o líder do PSDB no Senado. Nesse último ano, teve o principal papel na batalha com que o governo barrou a CPI da Corrupção. Tarefa na qual Machado já estava experiente e consagrado, a ponto de ser chamado de “o Trator”. Próximo de completar o sétimo ano na liderança, deixou o PSDB pelo PMDB, por briga com o então governador Tasso Jereissati e para disputar o governo cearense em 2002. Foi para compensar a derrota que Renan Calheiros o apresentou como indicado do PMDB à Transpetro.


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