De volta:Uma voluntária republicana tira uma foto de Bush em Phoenix.
/ R.D.Franklin (AP)

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O Partido Republicano obteve na terça-feira sua maior vitória eleitoral desde que o democrata Barack Obama chegou à Casa Branca, em 2009. Impulsionados pelo descontentamento com o presidente norte-americano e pela apatia do eleitorado democrata, a oposição conservadora conquistou o controle do Senado, onde o Partido Democrata era maioria até agora, e ampliou sua maioria na Câmara de Representantes (deputados).

As eleições do meio mandato, as últimas antes de Obama deixar o cargo, em 2017, conferem à oposição o controle absoluto do Congresso e isolam um presidente debilitado e em fase de retirada. Nas eleições para os Governos estaduais, o Grand Old Party – partido ao qual pertenceram Lincoln, Reagan, Nixon e os Bush – venceu em redutos progressistas como Maryland, Massachusetts, Maryland e Illinois.

Nos últimos seis anos, em sucessivas eleições, os republicanos foram ampliando sua parcela de poder em Washington. Em 2009, quando Obama tomou posse, o Senado e a Câmara de Representantes eram democratas. Na eleição intermediária de 2010, os republicanos conquistaram a maioria na Câmara, a qual mantiveram em 2012. Agora, o último passo seria a conquista da Casa Branca, em 2016.

Nos últimos seis anos, em sucessivas eleições, os republicanos foram ampliando sua parcela de poder em Washington

Mas as eleições legislativas raramente antecipam os resultados das presidenciais. A batalha para suceder Obama já começou e inclui pesos-pesados do Senado – os republicanos Rand Paul, de Kentucky, e Marco Rubio, da Flórida, são figuras emergentes – junto com a favorita pelos democratas, Hillary Clinton.

O resultado das eleições, após uma campanha em que foram gastos quase 4 bilhões de dólares, não é uma surpresa pelo partido vencedor, mas sim pelas dimensões do triunfo. A maioria das pesquisas apontava que o Partido Republicano conquistaria as seis vagas necessárias para formar maioria no Senado.

Por volta de 23h30 (2h30 de quarta em Brasília), os republicanos proclamaram a vitória, após receberem a confirmação de que haviam vencido os candidatos democratas nos seis Estados necessários para obterem a maioria de 51 senadores: Colorado, Arkansas, Montana, Virgínia Ocidental, Dakota do Sul e Carolina do Sul (o Estado que deu a vitória final ao partido). Minutos mais tarde, os republicanos declararam a vitória também em Iowa.

Antes mesmo de conhecer o resultado final, Obama já convidou os líderes de ambos os partidos para irem à Casa Branca

O senador Mitch McConnell, atual líder da minoria, deve se tornar o novo líder da maioria do Senado. Junto com o presidente da Câmara, o também republicano John Boehner, será o principal interlocutor de Obama para questões de governo da maior potência mundial.

Obama já convidou os líderes de ambos os partidos para irem na sexta-feira à Casa Branca, conforme anunciaram fontes do Executivo antes mesmo da divulgação dos resultados. Em discurso após se proclamar vencedor na eleição para o Senado pelo Kentucky, McConnell estendeu a mão a Obama e disse que ambos deverão procurar pontos de concordância para trabalharem juntos.

“Não é por termos um sistema bipartidário que devemos viver em um conflito perpétuo”, disse.

Basicamente, o domínio republicano em ambas as Casas do Congresso não altera o equilíbrio de poderes. Desde que o Partido Republicano assumiu o controle da Câmara, há quase quatro anos, a oposição já dispunha de um direito de veto sobre as iniciativas da Casa Branca. Com o Senado e a Casa Branca em mãos democratas e um ambiente de polarização ideológica, a política federal ficou bloqueada. Nos últimos anos, o Congresso, um dos mais improdutivos da história, não adotou nenhuma lei importante.
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A paralisia pode se acentuar depois da vitória republicana. Esse partido está hoje mais poderoso e dispõe de mais recursos para impedir nomeações em altos escalões, iniciar CPIs por casos de má gestão ou corrupção e desmontar leis como a da reforma da saúde. O presidente preserva o poder de vetar projetos aprovados no Congresso.

Outra hipótese, a partir de agora, é que o Partido Republicano – que sofreu uma guinada à direita nos últimos anos, sob a influência do movimento populista Tea Party – abandone a política do não e se transforme em um partido de governo. Já não poderá mais se defender alegando que o Senado é democrata. Todo o poder Legislativo está nas mãos da oposição a Obama.

As eleições renovaram todas as 435 vagas da Câmara e 36 das 100 do Senado. A vitória republicana reflete a rejeição do eleitorado conservador a Obama e o desencanto das bases tradicionais do presidente.

As eleições legislativas foram em parte um referendo sobre Obama e suas políticas. Não é incomum que essas eleições midterm (no meio do mandato presidencial) sirvam de castigo: desde Franklin D. Roosevelt, todos os presidentes, com raras exceções, viram suas bancadas encolherem nos pleitos intermediários. Os resultados econômicos de Obama – a taxa de desemprego, que era de 9,5% em 2010, caiu atualmente para 5,9% – significam pouco para uma classe média que na última década perdeu poder aquisitivo e não se sente beneficiada por um ritmo de crescimento que a maioria de países europeus invejaria.

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