Aécio:de volta ao Congresso com toda força
de mais de 51 milhões de votos

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

“Estamos em pé de guerra para defender nossa vitória. Não vamos permitir fraudes ao estilo chavista, como na Venezuela.” “Não vamos reconhecer o resultado até que não se conte cada voto”. As duas frases poderiam ter saído dos partidários de Aécio Neves (PSDB), que estão assinando petições pelo impeachment da presidenta Dilma Rousseff, por não reconhecerem a legitimidade da sua eleição. Mas foram proferidas em datas distintas por candidatos derrotados em eleições apertadas, entre o primeiro e segundo lugar, da mesma forma que o pleito brasileiro, de 26 de outubro. A primeira foi dita por López Obrador, que perdeu as eleições em 2006 para Felipe Calderón por uma margem de 0,56% de diferença. A segunda é de Henrique Capriles Radonski, opositor de Hugo Chávez, que perdeu por uma margem de 1,77% em abril de 2013.

No Brasil, Aécio Neves perdeu para Dilma Rousseff por 3,28%, o que também gerou desconfiança sobre a lisura do processo eleitoral brasileiro, a ponto de o PSDB entrar no Tribunal Superior Eleitoral com pedido de auditoria especial para dar certeza ao cidadão sobre o resultado. O pesquisador mexicano Alfonso Myers Gallardo decidiu estudar o comportamento dos perdedores em eleições na América Latina, cujo vitorioso saiu com vantagem estreita. Em seus estudos para o doutorado na Universidade de Salamanca, na Espanha, descobriu que um perdedor pode ter um comportamento de derrotado ressentido, ao questionar demais um resultado, ou de vencedor, ao aceitar o pleito, e focar suas energias para a próxima eleição. “Aécio Neves fez um discurso elegante quando a vitória de Dilma foi confirmada. Mas o PSDB questionar as instituições eleitorais não é algo muito positivo”, diz Gallardo.

Nesta terça-feira, pouco mais de uma semana após as eleições, Aécio proferiu palavras mais duras no discurso de seu retorno ao Senado. “Quando o Governo olhar para a oposição, sugiro que não contabilize mais o número de cadeiras ou de assentos no Senado ou na Câmara”, disse o senador tucano. “Olhe bem que vai encontrar mais de 50 milhões de brasileiros que vão estar vigilantes, cobrando atitudes deste Governo. Somos hoje um grande exército a favor do Brasil”.

Contrário à tese de muitos que foram para as ruas manifestar no último sábado, Alfonso Myers Gallardo não acredita em fraude eleitoral no Brasil, lembrando da credibilidade conferida por institutos internacionais ao sistema eleitoral brasileiro. Para ele, a insinuação de que houve fraude não seria positiva para Aécio Neves, uma vez que o futuro político do tucano depende do seu comportamento durante este segundo mandato de Dilma. E ele tem muito a favor desse projeto. Além do respaldo de 51 milhões de votos, ele estará num palanque permanente voltando ao Senado, para firmar seu nome como um presidenciável para 2018. “Ele precisa ter muito cuidado, pois se houver de fato recontagem de votos ele sai ferido. Precisa atuar dentro dos limites institucionais”, afirma.

Aécio parece saber disso. “Chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por grande maioria da população brasileira. Por 51 milhões de brasileiros. Vou ser oposição sem adjetivos”, disse, em seu discurso. Para Gallardo, porém, será preciso que o senador tucano vá além dos seus eleitores. “Se a direita quiser um futuro realmente competitivo, a oposição deve ser inteligente e cumprir com uma agenda que represente os mais de 200 milhões de brasileiros e não apenas os 51 milhões que votaram em Aécio, e dizer: ‘Ser oposição não é se opor a tudo o que o PT diga’”, diz o pesquisador.

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