Doleiro Yusseff:do almoço na carceragem
para UTI em hospital de Curitiba

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DEU NO ESTADÃO

Blogs
Fausto Macedo

Redação

Por Fausto Macedo, Ricardo Brandt e Mateus Coutinho

O doleiro Alberto Youssef foi encaminhado na tarde deste sábado, 25, para a UTI do hospital Santa Cruz, em Curitiba, após sofrer forte queda de pressão na hora do almoço (cerca de 13h), chegando a desmaiar na carceragem após a refeição. A suspeita é de ele que tenha sofrido um enfarte, mas o doleiro ainda será submetido a exames cardiológicos. “É o estresse pelo qual está passando, é natural. Mas não tem diagnóstico ainda”, afirmou o advogado de defesa do doleiro, Antonio Figueiredo Basto.

Caso se confirme o enfarte, essa será a terceira vez que ele sofre de parada cardíaca desde que caiu no radar da PF. A primeira foi no ano passado, quando ainda era monitorado pela PF, sem saber. Nas conversas interceptadas com autorização judicial, ele e seus subalternos comentam o episódio em que o doleiro esteve internado por conta de problema no coração. Já em 2014, após ser preso, ele teve outra internação em julho, quando chegou a passar por um cateterismo.

Principal alvo da Operação Lava Jato, que teria lavado cerca de R$ 10 bilhões, o doleiro está preso na carceragem da Polícia Federal no Paraná. Ele é acusado de liderar um esquema de desvio de dinheiro público e pagamento de propinas a políticos envolvendo a Petrobrás que abasteceu o PP, PT, PMDB e também o PSDB.

Alvo de 4 ações penais na Justiça Federal do Paraná, Youssef decidiu fazer uma delação premiada e vem prestando depoimentos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, nos quais revelou que o ex-presidente Lula teria dado uma ordem em 2010 ao então presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, para que ele resolvesse uma pendência com uma agência de publicidade suspeita de integrar o esquema de corrupção na estatal. O doleiro, contudo, não apresentou nenhum detalhe ou prova.

Os depoimentos estão sendo tomados em sigilo e ainda serão submetidos ao ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que vai decidir se homologa ou não o acordo. Caso seja homologado, o doleiro poderá conseguir atenuar sua pena.

Além disso, segundo o depoimento do empresário Leonardo Meirelles – apontado como “testa de ferro” do doleiro – à Justiça Federal, Youssef também atuava para membros do PSDB. “Em uma das ocasiões eu estava na sala, teve um contato telefônico do Alberto Youssef quando do qual surgiu o nome (Sérgio Guerra, ex-presidente do PSDB morto neste ano)”, declarou Meirelles em uma das audiências da Operação Lava Jato que, diferente da delação, não ocorrem sob segredo de justiça. O empresário chegou a citar ainda um “padrinho político” do doleiro ligado ao PSDB, da região do Paraná.

Após o episódio, a defesa de Youssef pediu uma acareação com Meirelles, que já informou para a Justiça que está à disposição para falar sobre o assunto com o doleiro.


Ibope mostra Dilma reeleita; Datafolha aponta empate técnico

Do UOL, em São Paulo

Ibope mostra Dilma reeleita; Datafolha aponta empate técnico

Do UOL, em São Paulo

Pesquisa do Ibope divulgada neste sábado (25), véspera do segundo turno das eleições, mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) seria reeleita ao derrotar o senador Aécio Neves (PSDB). Já o Datafolha, que também divulgou pesquisa hoje, aponta uma indefinição já que os dois aparecem empatados tecnicamente no limite da margem de erro com a petista numericamente à frente.

Considerando os votos válidos, Dilma está com 53% das intenções de voto contra 47% de Aécio, de acordo com o Ibope. Já segundo o Datafolha, a petista está com 52%, e o tucano, 48%. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos nas duas pesquisas.

Na pesquisa Ibope divulgada na quinta-feira (23), a petista aparecia com 54% dos votos válidos contra 46% de Aécio. O Datafolha mostrava Dilma com 53% e o tucano com 47%.
Votos totais

Levando em conta os votos totais, que incluem eleitores dispostos a votar em branco, anular e os indecisos Dilma obteve 49%, e Aécio, 43%, no Ibope divulgado hoje; 3% declararam-se indecisos e outros 5% pretendem votar em branco ou anular.

No Datafolha, a petista alcançou 47% das intenções contra 43% do tucano. Há 5% de eleitores indecisos e 5% que pretendem anular ou votar em branco.

O Ibope entrevistou 3.010 eleitores em 206 municípios entre ontem (24) e hoje (25). A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. O número do registro é BR-01195/2014.

O Datafolha ouviu 19.956, entre ontem (24) e hoje (25), em 400 municípios. Contratada pela “Folha de S. Paulo” e pela TV Globo, a pesquisa foi registrada sob o número BR-01210/2014.

Parte das entrevistas das duas pesquisas foram feitas após o debate da TV Globo, ocorrido ontem (24) à noite. Os levantamentos captam o impacto das reportagens com a denúncia do doleiro Alberto Youssef de que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento dos desvios na Petrobras.
Datafolha
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Presidência da República

A pesquisa de hoje Datafolha mostra que a rejeição de Aécio igual a do levantamento de quinta-feira (23). Ao todo, 41% dos entrevistados disseram que não votam no tucano de jeito nenhum. A rejeição de Dilma oscilou um ponto percentual, de 37% para 38%.

Segundo a pesquisa Ibope divulgada hoje, a avaliação do governo Dilma permanece estável: 45% consideram ótimo ou bom; 30% regular; e 23% ruim ou péssimo.
Último dia de campanha

No último dia de campanha, Dilma participou de uma carreata em Porto Alegre, ao lado do governador e candidato à reeleição, Tarso Genro (PT). Em entrevista coletiva, a candidata chamou de golpistas as manifestações a favor de um eventual impeachment caso se comprovem que ela tinha conhecimento do esquema de desvios na Petrobras.

A denúncia teria sido feita pelo doleiro Alberto Youssef a investigadores durante delação premiada. Uma petição online anuncia ter coletado mais de 650 mil assinaturas pedindo o impeachment dela.

“Eu quero aqui manifestar meu repúdio a esse tipo de processo que é um processo golpístico [sic], que não se coaduna com uma situação democrática. Eu quero dizer aqui que eu tenho uma vida inteira que demonstra o meu repúdio à corrupção. Eu não compactuo com a corrupção e quero que provem que eu compactuei com a corrupção”, afirmou.

Já Aécio está em São João Del Rey (MG), cidade natal dele e do avô Tancredo Neves. Em entrevista coletiva, Aécio disse que o ataque feito à sede da editora Abril, que edita a revista “Veja”, na zona oeste de São Paulo, atenta contra a democracia.

A ação ocorreu depois que a revista divulgou reportagem em que o doleiro Alberto Youssef, preso durante a operação Lava Jato, teria afirmado em depoimento prestado à à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal que tanto Dilma quanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabiam do esquema de desvio de recursos públicos da Petrobras para abastecer caixas de campanha de partidos da base aliada.

“Os acontecimentos de ontem e hoje são um atentado contra a democracia e contra a liberdade de expressão, o que, aliás, é uma marca dos nossos adversários”, disse.

DEU NO PORTAL A TARDE

A Confederação Nacional do Trasnporte divulgou neste sábado a 126ª Pesquisa CNT/MDA que mostra Aécio Neves numericamente à frente de Dilma Rousseff. Segundo o documento, Aécio inverteu a curva de queda e voltou a subir.

Para a agência de notícias da entidade, o debate da Rede Globo pode ter definido as eleições, “com grandes possibilidades de Aécio ser eleito presidente da República neste domingo”.

A pesquisa foi realizada 23 e 24 de outubro de 2014 e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR – 01199/2014. Foram entrevistadas 2.002 pessoas de 137 municípios de 25 Unidades da Federação.

Confira os números da pesquisa

INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE (ESPONTÂNEA)
Aécio Neves (44,4%), Dilma Rousseff (43,3%)

2º TURNO – INTENÇÃO DE VOTO PARA PRESIDENTE (ESTIMULADA)
Aécio Neves (PSDB) – 45,3%
Dilma Rousseff (PT) – 44,7%

VOTOS VÁLIDOS
(percentual calculado excluindo os percentuais de branco, nulo e indecisos)
Aécio Neves (PSDB) – 50,3%
Dilma Rousseff (PT) – 49,7%

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SÃO BERNARDO DO CAMPO – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado que se “assusta” com um “discurso lacerdista” adotado na reta final da campanha e considerou a revista “Veja” “leviana, grotesca e mesquinha” por publicar a suposta acusação do doleiro Alberto Youssef de que Lula e a presidente Dilma Rousseff sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. O petista disse que depois das eleições deve ir à Justiça contra a publicação.

— O que a “Veja” fez foi uma demonstração de insanidade da imprensa marrom deste país, de um seguimento da imprensa que nós já conhecemos muito bem, que tenta interferir no processo eleitoral. Muitas vezes, a tolerância com o abuso de certo setor da imprensa vai permitindo que eles avancem cada vez mais e a “Veja” ontem chegou ao limite dos limites. Conseguiu fazer o impossível, inventar uma mentira e que não tem ninguém dizendo absolutamente nada. É apenas a tentativa grotesca, inclusive de antecipar a tiragem, para ver se influía no restante da imprensa brasileira. É uma atitude de má-fé, uma atitude leviana, mesquinha.

Lula aprovou a iniciativa da campanha de Dilma de atacar a revista durante o horário eleitoral:

— Acho que ela deveria falar porque era indignação aquilo. Você aceita qualquer debate político, mas quando ultrapassa os limites da política, ela fez muito bem em se indignar. E ela tinha o horário dela, que era o horário de televisão.

O ex-presidente disse que, apesar de conselhos de advogados para “deixar para lá”, deve procurar os tribunais:

— Da minha parte, a partir do processo eleitoral, eu acho que a “Veja” vai ter de explicar na Justiça por que fez isso. Não tem mais limite. Sabe lá aquele negócio: “não adianta processar, deixa pra lá”. É sempre assim que a gente ouve. Você vai conversar com o advogado e ele fala: “não adianta processar, deixa pra lá”. Mas eu acho que o que a “Veja” fez não pode “ficar para lá”. Ela exagerou — disse Lula, que completou: — A gente não pode nem chamar de imprensa marrom. Não sei se algum diretor da “Veja” que fez aquela matéria, ou o editor, coloca a cabeça no travesseiro e consegue dormir um sono tranquilo.

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It Had To Be You – Cecilia Dale : Direto do precioso garimpo musical do jornalista e mestre em Bossa Nova, Gilson Nogueira, para a tarde do Bahia em Pauta.

Bom resto de sábado.

( Vitor Hugo Soares)


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Do G1 São Paulo

O prédio onde fica a sede da Editora Abril, em Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo, foi alvo de um ataque na noite desta sexta-feira (24), depois que a revista “Veja” publicou uma reportagem sobre o escândalo da propina na Petrobras. A revista afirma que o doleiro Alberto Youssef disse, em depoimento à Polícia Federal, que a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinham conhecimento de um suposto esquema de corrupção na Petrobras que abasteceria campanhas do PT. Segundo a revista, o doleiro não apresentou provas.

OPERAÇÃO LAVA JATO
PF investiga lavagem de dinheiro.

entenda a operação
acusações contra cada um
a prisão de paulo roberto costa
notícias da operação

O tumulto na sede da editora Abril terminou com três pessoas detidas. De acordo com o boletim de ocorrência registrado no 14º DP, de Pinheiros, por volta das 20h de sexta-feira cerca de 200 pessoas se reuniram em frente ao prédio da editora, com o apoio de um carro de som da União da Juventude Socialista. Eles jogaram muito lixo em frente ao prédio e picharam frases como “Veja mente” e “Fora Veja”. Exemplares da revista foram rasgados. Segundo a Polícia Civil, os detidos foram qualificados por pichação e liberados em seguida. Os suspeitos negaram envolvimento em atos de vandalismo e disseram que apenas participaram do protesto.

Procurada pelo G1, a editora Abril não havia se pronunciado sobre o protesto até a última atualização desta reportagem.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) afirmou em nota que “repudia veementemente os ataques”. “A Abert acompanha com preocupação episódios como o de ontem à noite, pois a entidade considera grave qualquer ato de intimidação à liberdade de imprensa. A Abert lembra que a Declaração de Chapultepec, da qual o Brasil é signatário, aponta uma imprensa livre ‘como uma condição fundamental para que as sociedades resolvam os seus conflitos, promovam o bem-estar e protejam sua liberdade’”, diz a nota da associação.

A Ordem dos Advogados do Brasil também comentou o ataque ao prédio da editora Abril. Em entrevista à TV Globo, o presidente da OAB, Marcos Vinícius Coelho, disse que é preciso investigar quem são os responsáveis pela pichação. “Vamos avaliar os fatos, vamos com calma e principalmente após as eleições verificar o que aconteceu efetivamente, porque nesse momento entendemos que o principal é termos a maturidade institucional para preservarmos a democracia brasileira”, afirmou.

Delação premiada

Assim como o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, Youssef decidiu fazer um acordo de delação premiada, para contar o que sabe sobre o suposto esquema em troca de benefícios. Os depoimentos são protegidos por sigilo. Youssef foi preso pela Polícia Federal acusado de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro – do qual Paulo Roberto Costa seria um dos integrantes – que teria movimentado R$ 10 bilhões. Nos depoimentos, Costa e Youssef teriam afirmado que o esquema se estendia à Petrobras e que políticos recebiam propina proveniente de contratos da estatal com fornecedores.

De acordo com a reportagem publicada nesta semana pela revista “Veja”, Youssef foi indagado no depoimento sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema e teria respondido: “O Planalto sabia de tudo”. “Mas quem do Planalto?”, teria questionado o delegado. “Lula e Dilma”, supostamente respondeu o doleiro. Youssef não apresentou provas.

A Procuradoria Geral da República informou que, no início da noite, recebeu uma representação em nome da coligação do candidato a presidente pelo PSDB, Aécio Neves. Na representação, a coligação pede que as investigações sejam aprofundadas, “para se apurar a prática dos crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro, prevaricação e formação de quadrilha ou bando (associação criminosa), dentre outros”.

Dilma

Em pronunciamento no horário eleitoral na tarde desta sexta, a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, disse que a reportagem da revista “é um crime” e classificou a publicação como “terrorismo eleitoral”. Segundo ela, a intenção da revista é interferir no resultado da eleição.

“É mais do que clara a intenção malévola da “Veja” de interferir de forma desonesta e desleal nos resultados das eleições. A começar pela antecipação de sua edição semanal para hoje, sexta-feira, quando, normalmente, chega às bancas no domingo. Mas como das outras vezes, em outras eleições, “Veja” vai fracassar no seu intento criminoso. A única diferença é que desta vez ela não ficará impune. A Justiça livre deste país seguramente vai condená-la por este crime”, afirmou.

Para a presidente, a reportagem “envergonha a imprensa e agride a nossa tradição democrática”. “Sem apresentar nenhuma prova concreta e mais uma vez baseando-se em supostas declarações de pessoas do submundo do crime, a revista tenta envolver diretamente a mim e ao presidente Lula nos episódios da Petrobras que estão sob investigação da Justiça. Todos os eleitores sabem da campanha sistemática que esta revista move há anos contra Lula e contra mim. Mas, desta vez, a Veja excedeu todos os limites”, afirmou.

A revista “Veja” divulgou em seu site nota na qual justifica a publicação da reportagem. Segundo a nota, a antecipação da edição do fim de semana se repetiu em quatro das cinco últimas eleições presidenciais. A revista informou que o “grau de certeza” para publicação foi alcançado na quinta-feira, dois dias depois do depoimento de Youssef. Para a publicação, os fatos seriam os mesmos se publicados antes ou depois da eleição.

Mais tarde, a coligação de Dilma divulgou nota na qual informou que moverá quatro ações criminais contra a revista na Justiça: ação penal por calúnia e difamação contra o repórter que assina o texto e contra a revista; pedido de investigação à Procuradoria Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que apure o suposto vazamento de parte da delação de Alberto Yousseff; pedido de indenização do PT por imagens.

A coligação também informou que ajuizaria quatro ações eleitorais: pedido de direito de resposta na revista, no site da revista e nos demais veículos que reproduziram a reportagem, com pedido de liminar para que o direito de resposta seja exibido imediatamente; pedido para proibir que a revista faça qualquer tipo de publicidade do conteúdo por considerar que isso configura publicidade contra a campanha; representação no TSE para que se investigue supostos “abusos” cometidos pela publicação durante a campanha eleitoral; pedido para que o Facebook retire o conteúdo da reportagem da rede, por se tratar, segundo a coligação, de publicidade irregular.

Aécio Neves
Em pronunciamento a jornalistas no Rio, Aécio Neves classificou a denúncia como “extremamente grave”.

“Determinei que hoje o PSDB ingressasse na Procuradoria Geral da República solicitando que essas investigações sejam aprofundadas em razão da sua gravidade, chamando a atenção ainda para uma parte do depoimento do senhor Youssef, que diz que um dos coordenadores da campanha do PT solicitava que fossem repatriados – portanto, que retornasse ao Brasil – R$ 20 milhões para a atual campanha eleitoral. Se comprovado isso, é a confirmação de que houve operação de caixa dois na atual campanha presidencial do PT”, afirmou.

Segundo o candidato tucano, o Brasil “merece uma resposta daqueles que hoje governam” o país. “Infelizmente, até agora a única manifestação do PT foi pela censura. Foi pela retirada de circulação da maior revista nacional. Essa não é, certamente, a resposta que os brasileiros aguardam, e o TSE negou provimento a essa solicitação do PT. Não se trata de impedir a divulgação. O que o Brasil aguarda são esclarecimentos cabais e definitivos a partir dessas informações e dessas acusações”, disse.

Segundo o coordenador jurídico da coligação, deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), os supostos fatos narrados pela revista são “graves” e, se confirmados, configuram crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, corrupção ativa, peculato, prevaricação e crimes contra a ordem econômica.

Suspensão de propaganda
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga concedeu na noite de sexta (24) liminar pedida pelo PT para obrigar a revista “Veja” a suspender a propaganda em rádio, TV, internet e redes sociais sobre a edição deste fim de semana, cuja circulação foi antecipada para sexta. Para o ministro, a revista ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao tentar prejudicar uma das candidaturas. A “Veja” ainda pode entrar com recurso. O plenário do TSE pode analisar o caso na sessão marcada para meio-dia deste sábado (25).

“No período eleitoral, compete a este Tribunal Superior velar pela preservação da isonomia entre os candidatos que disputam o pleito. Desse modo, ainda que a divulgação da Revista Veja apresente nítidos propósitos comerciais, os contornos de propaganda eleitoral, a meu ver, atraem a incidência da legislação eleitoral, por consubstanciar interferência indevida e grave em detrimento de uma das candidaturas.”, escreveu o ministro na decisão.

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Pastoril eleitoral: Encarnados ou azuis?

Janio Ferreira Soares

Amanhã, finalmente, saberemos quem é o vencedor desta eleição que, na boa, está mais para um enorme Pastoril.

Para quem não é íntimo ao tema, trata-se de uma brincadeira que era apresentada nos natais de antigamente nas cidades nordestinas, onde dois cordões de pastorinhas – vestidas de encarnado e azul – encenavam autos sagrados e profanos, sempre com uma grande participação popular.

Aqui em Paulo Afonso, cidade barrageira crescida sob variadas culturas, a exibição era num tablado armado entre a igreja e o parque de diversões, onde, além da folia, me encantava o novidadeiro perfume das maçãs e a real possibilidade de sapecar um beijo molhado naquela menina que ficava ainda mais linda ao som das novas canções do Roberto. Mas, voltemos ao assunto em pauta, antes que minhas abstrações saudosistas alterem a verdadeira intenção da prosa.

Observando o atual estágio desta eleição, fica impossível não associá-la aos velhos pastoris. Vamos lá.

De um lado do palco, tentando desesperadamente se manter no poder por mais uma jornada, temos a turma do Cordão Encarnado, capaz de pagar qualquer prenda para que sua “pastora, pastorinha bela (ui!)”, continue alegremente indo a Belém (neste caso, a citação não se refere à terra de Cristo, mas ao latifúndio dos Barbalhos).

Na outra ponta, fazendo das penas coração para retomar o poder deste colossal folguedo chamado Brasil, temos o pessoal do Cordão Azul (será que o sangue também o é?), que depois de três derrotas consecutivas, vislumbra a chance de vencer e aí incluir no Bolsa Família uma camisa Ralph Lauren ou Richards, além de um vale-botox, que servirá para que pessoas como dona Nalvinha não passem vergonha quando sua foto for publicada na coluna de Mônica Bergamo, logo após ela ser apresentada como um exemplo de sucesso do novo governo tucano durante um jantar na casa de João Dórea Jr.

Se no Pastoril verdadeiro existe o Velho (uma espécie de palhaço que comanda a folia), nesta eleição temos a participação de dois ex-presidentes que, de modos distintos, agem como animadores de suas respectivas torcidas.

Do lado azul-marselhesa, tal um arlequim treinado nos palcos da Sorbonne, FHC continua soltando suas tiradas sutis e inteligentes, porém restritas à turminha que frequenta a Pinacoteca de São Paulo e depois vai comer risoto trufado no Fasano.

Já Lula, faz a linha do bufão escrachado – tipo seus conterrâneos Mangaba e Faceta -, nem aí para os que criticam seus convenientes apagões mentais ou as malandragens que rolam ao seu redor. Esperto, ele fala diretamente pra moçada que curte um pagode, enquanto um fardo de guaraná Dolly e latões de cerveja boiam num tonel de gelo coberto de pó de serra.

Por fim temos a Diana, personagem que é a cara do PMDB. Ela é aquela que usa um vestido metade azul, metade encarnado e canta: “Sou a Diana não tenho partido/o meu partido são os dois cordões/eu peço palma, peço riso e flores/aos meus senhores peço proteção”.

Com Sarney fora do páreo (suas varizes impossibilitariam o gingado), Temer e Renan são os cotados para representá-la.

Faça sua aposta. Azul ou Encarnado? Zeca Baleiro ou Zezé di Camargo? Desvios na Petrobras ou aeroporto de Claudio? Bom voto.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco, mas de frente para Pernambuco e Alagoas.

out
25
Posted on 25-10-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2014


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Clayton, hoje, no jornal O Povo(CE)


Frei Damião: o pregador do Nordeste…
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…estilo imitado por Lula na campanha de Dilma

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ARTIGO DA SEMANA

Frei Damião e a disputa Dilma x Aécio no Nordeste

Vitor Hugo Soares

Últimas horas da mais polarizada e agressiva campanha presidencial desde a redemocratização do País. As urnas deste domingo, 26, vão falar e teremos o veredicto de mais de 140 milhões de eleitores. Ainda sob o efeito dos tiroteios, ameaças e agressões – nas ruas, na imprensa, nos palanques, nos debates e bate bocas, nas rádios e TVs – mas desta vez principalmente nos laboratórios clandestinos de medo e intrigas e nas redes sociais.

Antes da meia noite, espera-se, virá a resposta sobre se a presidente Dilma Rousseff, candidata petista a reeleição, vai seguir mandando no Palácio do Planalto por mais quatro anos – como trombeteiam os dois principais institutos de pesquisa (Ibope e Datafolha) há vários dias – ou se Aécio Neves, do PSDB, será o novo presidente da República, dando início a outra temporada de mando nacional dos tucanos.

Há muitas dúvidas no ar ainda. Mas um fato é inequívoco e terá de ser encarado mais cedo ou mais tarde pela sociedade (melhor que seja mais cedo): o Brasil sai rachado das urnas de 2014, qualquer que seja o resultado final deste fim de semana para não esquecer.

Uma rachadura política, social, religiosa – e até racial – sem tamanho. Feridas feias e difíceis de curar com aplicação de pomadas ou ungüentos. Muito menos com os velhos panos quentes do famoso jeitinho da política nacional.

No Norte e no Sul. No Sudeste, onde as pesquisas anunciam talvez a vitória mais expressiva de Aécio, ou no Nordeste, onde os números das prévias apontam para um significativo triunfo de Dilma, a começar pela Bahia de onde escrevo estas linhas.

Basta olhar de longe, andar na rua, ou abrir o computador no Facebook ou no Twitter para constatar que o país está partido. Até onde a vista e a memória me levam, só recordo de duas situações parecidas.

Na primeira eu era um garoto, beirando os 10 anos. Morava na cidade de Glória, na margem baiana do Rio São Francisco. Então se construía a hidrelétrica da CHESF em Paulo Afonso, idéia de Delmiro Gouveia na qual Getúlio Vargas investia com força, como aposta de superação das desigualdade chocantes entre “dois brasis”.

Paulo Afonso dos anos 50 era distrito de Glória. Formigueiro de operários (“cassacos” nordestinos na voz de Luiz Gonzaga em sua música famosa), engenheiros do país e do mundo. Gente de todas as partes (“até da Russia”, dizia-se) ao pé da construção monumental.

Foi na Vila Poty, na praça principal de Paulo Afonso, que ouvi o serviço de auto-falante anunciar o tiro no peito do suicídio de Getúlio. Os gritos de dor e revolta e as cenas de angústia e raiva que vi são inesquecíveis. Bem diferentes dos impropérios e agressões inomináveis que ouvira um dia antes contra Getúlio e seu governo. Repito aqui apenas o que presenciei e senti naquela manha nordestina de agosto. O resto está nos livros e relatos históricos.

A segunda experiência de Brasil dividido foi na eleição presidencial de 1989 (a primeira direta depois da abertura). Lula e Brizola brigavam na reta final da campanha, no primeiro turno, para saber qual dos dois enfrentaria no turno decisivo a Fernando Collor de Mello, saído do nada (ou sabe-se lá de que estranhas transações). Disparado na frente em todas as pesquisas.

Deu Lula, que foi abatido no segundo turno pelo alagoano Collor, “o caçador de Marajás”. Na época eu chefiava a sucursal da VEJA na Bahia e acompanhei de perto, profissionalmente, os lances principais e decisivos da campanha falso moralista Collor x Lula, marcada por agressões e golpes baixos como nunca até então. O petista foi “desconstruído” e triturado moralmente. Perdeu a eleição e deu no que deu.

Collor parece o mesmo de sempre. Lula mudou muito em relação ao que conheci como repórter naquela época em que Aloizio Mercadante e Ricardo Kotscho eram seus fiéis escudeiros, na travessia final da campanha no Nordeste, entre Vitória da Conquista e Paulo Afonso. No final desta campanha Dilma x Aécio (a velha disputa polarizada de petistas x tucanos, tão condenada pelo finado Eduardo Campos e Marina Silva), Lula virou protagonista outra vez. Andava calado e recolhido quando a candidata petista começou a vacilar depois do debate do SBT.

O ex-líder operário de outras campanhas, porém, parece ter trocado as vestes de ex-operário sindicalista do ABC paulista, com as do falecido Frei Damião de Bozzano, o temido frade conservador, pregador de santas missões em Pernambuco e no Nordeste. O religioso que verberava e prometia o fogo eterno do inferno para “cachaceiros” (assim o ex-presidente chamou Aécio, em comício no Pará), “casais amancebados” e até “o jovem que beijar a namorada na boca antes do casamento”.

De tudo isso,até hoje ainda sinto muito a derrota de Brizola, em 89. E para terminar, repito Ingmar, o garoto notável do filme Minha Vida de Cachorro: “É preciso comparar”.

Bom voto neste domingo.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitor_soares1@terra.com.br

out
25
Posted on 25-10-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 25-10-2014

Meu Sonho

Letra: Luiz Bonfá
Voz: Nana Caymmi

Eu vi
A água do rio correr
Canoa do nego passar
A chuva e o vento chegar
Eu vi sem poder reclamar
Acendi meu cachimbo, fumei
Lembrei do passado e chorei
Peguei na viola e ponteei
Tirei um cochilo e sonhei.

Sonhei com você junto a mim
Trançando os cabelos a sorrir
Que grande alegria senti
Em tê-la ao meu lado a cantar
Fiquei em silêncio a ouvir
Seu canto saudoso a chamar
Seus lábios tão doces beijei
Do sonho bonito acordei.
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BOM DESPERTAR!!! BOM DIA!!!

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