Aécio e Serra:tucanos de peso no Congresso

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Por 12 anos, o PSDB fez uma tímida oposição aos governos petistas de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Com o resultado das urnas deste ano, caberá agora ao partido tentar articular as forças concedidas pelos mais de 51 milhões de votos de Aécio Neves para incomodar a presidenta e promover os debates necessários para o país. Com a disputa mais apertada do Brasil em 25 anos, o PSDB obteve sua maior votação em uma derrota e venceu Dilma em 12 das 27 unidades da federação.

“De uma certa maneira, o PSDB está ressurgindo. Mas é necessário esperar os primeiros meses de mandato para saber como ele vai agir de fato”, ponderou o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília.

Apesar de ter perdido dois senadores com relação a 2010, quando tinha 12, o PSDB entra mais experiente no Senado. Foram eleitos José Serra (SP), Tasso Jereissati (CE) e Antonio Anastasia (MG), todos com experiências no Executivo, e foi reeleito Álvaro Dias (PR). “Se olhar os quadros individualmente, ouso dizer que a bancada do PSDB no Senado é mais poderosa até do que a do PT, embora ainda seja a terceira maior da casa”, afirmou o cientista político Carlos Ranulfo, da Universidade Federal de Minas Gerais.

Na Câmara dos Deputados, o PSDB elegeu 53 deputados federais, nove a mais do que sua atual bancada. Ficou com pouco mais de 10% dos eleitos para essa Casa legislativa e chegou ao posto de terceiro maior partido, atrás do PT e do PMDB, respectivamente. Entre os deputados tucanos experientes estão o baiano Antonio Imbassahy, o paranaense Luiz Carlos Hauly e os paulistas Carlos Sampaio, Bruno Covas e Duarte Nogueira. “Não resta dúvidas de que a oposição sai mais forte desta eleição. Resta saber se ela vai conseguir ficar unida no campo político ou se alguns dos que se dizem opositores vão ceder aos encantos do Governo”, declarou Ranulfo.

A maior dúvida está com relação ao PSB, o partido que se colocou como a terceira via nesse pleito, primeiro com Eduardo Campos e depois com Marina Silva. Os socialistas sempre caminharam ao lado do PT. Quando decidiu romper com a gestão Dilma para lançar uma candidatura própria, não havia consenso, assim como não foi unanimidade o apoio a Aécio no segundo turno deste ano.

Os socialistas cresceram de 24 para 33 deputados. Contam com parlamentares experimentados como o mineiro Júlio Delgado, o pernambucano Fernando Coelho Filho, o piauiense Heráclito Fortes, o gaúcho José Stedile e a paulista Luiza Erundina. Além disso, elegeu três senadores, entre eles o polêmico ex-jogador Romário, e chegaram à quarta maior bancada no Senado, com sete nomes.

“Apesar da boa votação, o PSB se enfraquece. Não tem mais o seu líder [Eduardo Campos] e vai perder os quadros da Rede. Eles terão de se reorganizar internamente, ainda mais levando em conta que figuras históricas do partido seguiram rumos diferentes no segundo turno”, avaliou Ranulfo, referindo-se ao então presidente dos socialistas, Roberto Amaral, que contrariou a legenda e apoiou Dilma.

O que pode pesar a favor dos tucanos é o PMDB. Eterno partido governista, ele vem um tanto rachado das eleições, principalmente por conta da falta de apoio do Governo federal em algumas disputas estaduais, como no Rio Grande do Norte, no Amazonas e no Ceará. “Há que se lembrar que, durante a convenção do partido, quase 45% dos delegados do PMDB foram contra a manutenção do apoio ao PT. Isso tem alguma representação”, ponderou Fleischer.

Um ponto que pode pesar contra os tucanos é a eterna disputa interna entre eles. Neste ano, Aécio Neves foi quase unanimidade para ser o nome do PSDB para a presidência, algo muito diferente do que aconteceu nos últimos pleitos quando José Serra e Geraldo Alckmin, o governador de São Paulo, queriam concorrer. Serra, que já perdeu duas disputas presidenciais para o PT, ainda mantém o sonho de se tornar presidente. Possivelmente, em 2018, ele tentará ser o nome do partido na corrida eleitoral. “Para mim está claro que o PSDB fará, ao menos nos dois primeiros anos, uma oposição nos limites de suas forças. Eles só não podem se apressar para a disputa de 2018, senão, o rompimento interno será rápido”, disse Ranulfo.

Nos Estados, tanto o PSDB quanto o PSB saíram enfraquecidos. Os tucanos elegeram cinco governadores, contra oito de 2010, enquanto os socialistas perderam metade de seus seis Estados.

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28
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DEU NO ESTADÃO

José Roberto de Toledo, Daniel Bramatti, Daniel Trielli, Diego Rabatone, Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2014 | 22h 43
Estadão Dados analisa ideias que apareceram neste período eleitoral

Mais perenes do que qualquer partido ou movimento político, algumas ideias sobre o que move os eleitores se repetem a cada eleição. No entanto, dados e detalhamentos das votações desafiam esse senso comum. O Estadão Dados analisou 7 erros mais repetidos

os sete mitos das eleições 2014
Mito 1: foi o nordeste que elegeu dilma
É claro que o desempenho de Dilma no Nordeste foi crucial para a sua vitória – lá, ela teve 20 milhões de votos no segundo turno, o que correspondeu 72% do total de válidos. Mas a presidente reeleita obteve um apoio razoável em todas as cinco regiões. Seu menor porcentual de votos válidos foi no Sul, onde ela teve o apoio de 41% dos eleitores que escolheram um candidato.Na verdade, a impressão de que o Nordeste sozinho é o grande responsável pela reeleição de Dilma é fortalecida quando se vê o mapa eleitoral de cada Estado pintado por quem teve o maior porcentual de votos ali. Nesse mapa, metade do Brasil aparece pintado de azul, como se ela tivesse ido em direção totalmente oposta à outra metade, vermelha. O deputado estadual eleito Coronel Telhada (PSDB-SP) chegou a defender a independência do Sul e do Sudeste por causa disso. Mas, na verdade, dos dez Estados em que Dilma obteve menor votação, apenas três estão nessas regiões: SC, SP e PR. Todos os outros estão ou no Norte ou no Centro-Oeste. Visualmente, é possível ver como o apoio a Dilma se espalha pelo Brasil pelo gráfico de relevo ao lado – nenhuma das duas maiores “montanhas” que representam o número absoluto de votos está no Nordeste.
Mito 2: palanque estadual influencia eleitores
Pesquisas e resultados eleitorais voltaram a demonstrar que a maioria dos eleitores não faz conexão entre o voto para presidente e para governador. Apesar da prática tradicional dos presidenciáveis de buscar “palanques fortes” nos Estados – alianças com candidatos a governador -, não há evidências de que isso renda votos.Apoiado por praticamente toda a cúpula do PMDB do Rio de Janeiro, o tucano Aécio Neves buscou popularizar a chamada “chapa Aezão”, na esperança de que os eleitores de Luiz Fernando Pezão votassem também nele. Os mapas de votação de ambos, porém, mostram que não houve sintonia eleitoral.Pesquisa Ibope divulgada pouco antes do 2º turno mostrou que, dos eleitores de Pezão, seis em cada dez pretendiam votar em Dilma Rousseff. Marcelo Crivella, adversário do peemedebista, fez campanha explícita para Dilma – mas isso não impediu que cerca de 40% de seus eleitores manifestassem intenção de votar em Aécio.
Mito 3: pesquisas erram resultado da urna
Embora alguns insistam que as pesquisas de intenção de voto consistentemente erram o resultado das urnas, não é o que mostram os dados – tanto os das eleições de domingo quanto os e históricos. A vitória de Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência foi prevista pelo Ibope, que atribuía a ela 53% da preferência do eleitorado. Dilma recebeu 52% dos votos válidos, portanto dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais.O Datafolha também atribuía favoritismo à petista, embora ela estivesse no limite do empate técnico com Aécio Neves (PSDB). Ambos os institutos descreveram, por meio dos números, a campanha do 2.º turno: Aécio começa à frente, carregado pelo embalo do 1o turno, em que teve votação superior ao esperado. Dilma se recupera na última semana, com uma insuficiente reação de Aécio na véspera do pleito. Para os institutos, os números exatos importam menos que o movimento descrito pelas curvas de intenção de voto de cada candidato. Sem elas, é impossível analisar qualquer campanha.Desde 2002, a diferença média da sondagem de véspera do dia da eleição de Ibope e Datafolha para o resultado do 2.º turno é de um ponto porcentual – portanto dentro da margem de erro. Assim, os institutos acertaram os resultados das eleições em todos os anos, mesmo em 2014, na disputa mais acirrada da história.
Mito 4: votos nulos são sinal de protesto
Após os protestos que tomaram as ruas das principais cidades do País em junho de 2013, analistas e cientistas políticos previram aumento significativo de votos nulos na eleição deste ano. Isso não ocorreu: foram 4,4% de nulos em 2010 e 4,6% em 2014 – a comparação leva em conta os dois segundos turnos da disputa presidencial.É claro que muitos indivíduos podem anular o voto como forma de protesto. Mas as estatísticas indicam que parcela significativa dos nulos se deve a erros no momento do voto. Uma evidência disso é a diminuição dos votos anulados entre o 1.º e o 2.º turno das eleições – entre uma e outra etapa, o número de cargos em disputa cai de cinco para apenas um ou dois, o que reduz a complexidade do manejo da urna eletrônica.Outro indício é o fato de que a taxa de nulos para deputado estadual – o primeiro cargo na ordem de votação – é sempre mais baixa, já que são contadas como voto na legenda as tentativas equivocadas de digitar os números de presidenciáveis.
Mito 5: família campos transfere votos
O tucano Aécio Neves lançou sua campanha no 2.º turno em Pernambuco, onde recebeu o apoio da viúva e dos filhos de Eduardo Campos, candidato a presidente pelo PSB até agosto, quando morreu em um acidente aéreo. Os líderes do PSDB esperavam que a família Campos e a máquina do PSB no Estado proporcionassem uma vitória a Aécio no Nordeste, assim como já havia ocorrido com Marina Silva, primeira colocada em Pernambuco no 1.º turno.A estratégia não deu resultados. Aécio teve entre os pernambucanos apenas 29,8% dos votos, resultado próximo da média que obteve em todo o Nordeste: 28,3%. O tucano ganhou em apenas uma cidade pernambucana: a pequena Taquaritinga do Norte, onde obteve 7.340 votos, 432 a mais do que a presidente Dilma Rousseff (PT). Em Recife, onde Marina havia obtido 63% dos votos no 1.º turno, Dilma venceu na segunda rodada da disputa por 60% a 40%.
Mito 6: minas gerais elege presidente
Mesmo se ganhasse seu Estado natal, Aécio Neves (PSDB) ainda teria dificuldade em se eleger. Dilma Rousseff (PT) teve 52,4% no Estado, e o tucano teve 47,6%. Se ele tivesse invertido esse resultado e ganhado os 550.601 votos que ela ganhou a mais em Minas, ainda faltariam 2,3 milhões de eleitores no resto do Brasil. Na votação total de Aécio, Minas representa 11%, menos que a soma de Santa Catarina e Bahia. Só uma vitória distante em Minas, de 63% a 37%, daria a Aécio os votos necessários para ganhar de Dilma. Com esse resultado – quase igual ao do Estado de São Paulo (64% a 36%) –, ele teria 52.771.137 de votos em todo o Brasil, um a mais que Dilma. Mas uma vantagem tucana como essa não acontece em eleições presidenciais em Minas desde que Fernando Henrique Cardoso ganhou em 1994, no primeiro turno. Naquele ano, derrotou Lula no Estado por 65% a 22%. Nem em sua segunda vitória de primeiro turno, em 1998, Fernando Henrique repetiu o resultado: foi 56% a 28%.
Mito 7: abstenção é alta e demonstra apatia
Ao fim de todas as eleições, analistas correm para declarar que cerca de um quinto da população decidiu não votar. O número se baseia na abstenção divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou seja, os eleitores que não foram às seções eleitorais. Historicamente, a abstenção gira em torno de 20% e o número não varia muito de eleição para eleição.Essa análise é falha porque atribui às abstenções um peso político maior que o que de fato têm. Isso porque o suposto não comparecimento às urnas tem mais a ver com uma falha no cadastro eleitoral do TSE que com a falta de engajamento político. A abstenção foi menor em 2014 precisamente nos municípios que passaram recentemente pelo recadastramento biométrico — em que os eleitores registram na Justiça Eleitoral suas impressões digitais. O recadastramento remove da lista do tribunal eleitores que já morreram, e que, naturalmente, não podem aparecer para votar.

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27
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Apoiadores de Dilma na Avenida Paulista. / Nelson Antoine (AP)

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

María Martín

De São Paulo

Os nervos e as tensões de uma disputa tão acirrada acabaram canalizados em dois lugares: na avenida Paulista e nos bares, longe de lá. Enquanto centenas de entusiasmados partidários de Dilma Rousseff se concentravam na artéria econômica de São Paulo, os simpatizantes de Aécio afogavam as penas nos seus drinks de cores.

Por volta das 22h, o trecho da Paulista em frente à Faculdade Cásper Libero concentrava centenas de pessoas. O clima era de euforia. Casais, grupos de amigos e famílias pulavam ao ritmo das músicas usadas durante a campanha petista no país todo. Muitos carros paravam, seus condutores saíam e se abraçavam a desconhecidos que comemoravam depois de uma das campanhas mais tensas de que se tem memória.

Daniele Barros, de 31 anos, chorava enquanto ouvia as palavras que saíam do carro de som vermelho que anima a concentração. “Vimos muita intolerância e preconceito. Era um clima aterrador, mas está vitória é do povo. É muito emocionante estar na comemoração da esquerda em uma cidade tão elitista como São Paulo”, dizia às lágrimas.
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A comemoração em São Paulo é para muitos dos assistentes um prêmio por uma batalha vencida. “Isto é uma catarse, estávamos muito ansiosos. A gente vive no pior lugar do mundo para debater política, mas hoje estamos aqui. Semana passada eram os tucanos que nos xingavam, hoje aqui estamos nós”, dizia o psicólogo Rogério Gianini, de 53 anos.

Enquanto a Paulista se lotava de eleitores entusiasmados, o clima de derrota invadia os bares do bairro de Itaim. Chegadas às 20h os clientes de um bar de cuidada decoração famoso pela criatividade do seu bartender, circundavam a tela da TV. Na hora que os primeiros resultados já apontavam Dilma Rousseff como vencedora um guardanapo voou contra o televisor. “Puta que pariu”, “não acredito”, “isso é muito triste”, “só dá vontade de sair deste país que vai virar uma Cuba ou uma Venezuela, só que pior. Vamos ser um país do terceiro mundo”, podia se ouvir entre os clientes.

Especialmente triste estava Fabio Wertheimeaer, que repetia os lemas tucanos com angústia. “Falam dessa elite paulista. Pois eu sou paulista e trabalho como um louco, tudo para bancar o mensalão. Essa pilantra e ladra afundou um país, quebrou a Petrobras e pertence a um dos Governos mais corruptos da história deste país. Nos próximos quatro anos, isto vai ser Cuba”, lamentava.

BOA TARDE!!!


Calligari: “psicanalisto” no Manhattan Conection
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Psicanálise para nossa democracia

Maria Aparecida Torneros

Assistindo o programa Manhattan Connection (TV News, com Lucas Mendes, Caio Blinder, Diogo Mainardi, Ricardo Amorim e Pedro Andrade) da noite da vitória apertada da ” presidenta ” brasileira vi a análise dos comentaristas que tentavam explicar o resultado do pleito com a intercessão de dois convidados.

Um cientista político esmerou-se em mostrar que o fenômeno de votação atrelada a problemas regionais é mundial. Citou exemplos até da Baviera e de Bordeaux na França. Os apresentadores insistiam na hipótese de que o PT avança para um projeto de poder de 16 anos comparando aos governos anteriores e recentes da história do Brasil.

No entanto o psicanalista Contardo Calligari mesmo fazendo a blag de passar a ser um “psicanalisto” trouxe para o nível consciente o fato de que há um mundo eleitoral e inconsciente no ato da escolha.

Fico deduzindo que fatores emocionais perpassam a luta de cada cidadão ou cidadã por ser visto ou ouvido e quem sabe até respeitado e amparado nas suas diferentes formas de ser ou agir.

Quando o jornalista Pedro Andrade pediu que o terapeuta explicasse sobre o “borogodó” da Mulher reeleita percebi o quanto ainda paira em termos de preconceito não só de ideologia política ou crítica à política econômica ou social mas também ao gênero da mãe quase edipiana.

No momento em os homossexuais ganham seu merecido espaço até nas novas diretrizes da Igreja Católica Romana e as mulheres do mundo inteiro ainda clamam por seu lugar ao Sol em sociedades machistas e conservadoras, é hora de ajustar ponteiros.

Borogodó é atração pessoal ou identificação inusitada por necessidades inconscientes. A figura da mãe austera se sobrepõe muitas vezes à da mãe amorosa. O Brasil vive uma realidade ímpar pela quantidade de mulheres chefes de família principalmente no Nordeste e nas periferias das grandes metrópoles.

Talvez o encanto do lado feminino atrelado ao comando seja ainda atribuído às feiticeiras que um dia foram condenadas à morte nas fogueiras.

E o programa encerrou sua performance que tem sempre tom irônico e inteligente, destacando que entramos na semana do dia das Bruxas.

Não se pode deixar de registrar que os apresentadores de central de eleições da Globo News também demonstraram em suas análises uma aparente decepção comedida ao apontar a vitória de Dilma e insistiram nos prognósticos de dificuldades para o próximo governo.

Isso pode acontecer de fato em virtude do momento econômico e da atuação forte que se espera da oposição daqui para frente o que só enriquece a Democracia e nos amadurece para enfrentar a necessidade de reformas no país.

Há realmente um clima de terapia no ar para que façamos um balanço e os rumos sejam corrigidos. Educação e saúde além de segurança e mobilidade urbana fazem parte da pauta com certeza.

Quando se busca o terapeuta num programa de análise política há uma mensagem subliminar nesse ato de mea culpa. Nossa mídia tradicional vai para o divã e se pergunta sobre a parte que lhe cabe neste latifúndio.

Morte e vida Severina do grande João Cabral de Melo Neto com música de Chico Buarque talvez seja o cântico renascido no solo brasileiro. Haja carisma ou borogodó para transformar este país em terra comum de muitos gêneros.

Brasil Connection é o nome do melhor programa para os novos tempos que temos pela frente. O passado é mesmo tema para sessão de psicanálise. Com direito à cura e resgate. União em lugar de guerra. Será possível?

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Editora do Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente.

out
27
Posted on 27-10-2014
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Paixão, hoje, na Gazeta do Povo (PR)


Dilma em Brasilia:emoção no discurso da vitória

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DEU NO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Em uma eleição que foi a mais concorrida do país desde 1989, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita neste domingo para governar o Brasil por mais quatro anos, após receber mais de 54 milhões de votos – o que corresponde a 51% do total. O senador Aécio Neves, do PSDB, obteve mais de 51 milhões de votos (48%), ficando com a segunda colocação. A disputa foi a mais acirrada desde a redemocratização do Brasil.

Em seu discurso de vitória, Dilma se comprometeu a convocar um plebiscito pela reforma política do país, pregou a união e se disse aberta ao diálogo. “Brasil, mais uma vez, esta filha não fugirá da luta! Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!”.

Também foram escolhidos no segundo turno os governadores de 13 Estados e do Distrito Federal: Tião Viana (PT), no Acre; Waldez Góes (PDT), no Amapá; José Melo (Pros), no Amazonas; Camilo Santana (PT), Ceará; Rodrigo Rollemberg (PSB), no Distrito Federal; Marconi Perillo (PSDB), em Goiás; Reinaldo Azambuja (PSDB), no Mato Grosso do Sul; Simão Jatene (PSDB), no Pará; Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba; Luiz Fernando Pezão (PMDB), no Rio de Janeiro; Robinson Faria (PSD), do Rio Grande do Norte; José Ivo Sartori (PMDB), Rio Grande do Sul; Confuncio Moura (PMDB), em Rondônia; Suely Campos (PP), em Roraima.

BOM DIA BRASIL:PARA VITORIOSOS E PERDEDORES.

(Vitor Hugo Soares)

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DO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Após a divulgação da vitória de Dilma Rousseff, do PT, nas eleições presidenciais brasileiras, alguns presidentes dos países vizinhos ao Brasil correram para felicitar a reeleição da petista.

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, publicou uma carta e divulgou em sua conta no Twitter seus cumprimentos a Dilma. “Recebo com grande alegria a notícia de sua vitória desde Brasília, por isso quero ser uma das primeiras a te felicitar e transmitir um fraternal abraço em meu nome e de todo o povo argentino”, disse a presidenta argentina em sua carta. “Essa vitória, após uma árdua campanha eleitoral, mostra a sociedade brasileira reafirmando seu compromisso irrenunciável com o projeto político que garante crescimento econômico com inclusão social”, continuou Kirchner.
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Rafael Correa, presidente do Equador, também usou sua conta no Twitter para parabenizar Rousseff. “Maravilhoso triunfo de Dilma no Brasil. Nosso gigante segue com o Partido dos Trabalhadores. Felicitações Dilma, Lula, Brasil!”.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, também saudou a presidenta. “Esperamos seguir trablahando pelo bem de nossos países e a região”, escreveu ele no microblog.

O mesmo fez Nicolás Maduro, que em sua conta no Twitter parabenizou a presidenta reeleita. “Felicitações Dilma por sua coragem e valentia diante de tanta maldade, o povo do Brasil não falhou com a História, mil abraços da Irmandade”.

out
27
Posted on 27-10-2014
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Aécio Neves reconhece a derrota em Belo Horizonte. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)
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No último debate da corrida presidencial, promovido pela Rede Globo a dois dias da votação do segundo turno, o candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, prometeu acabar com a corrupção no país com uma medida simples: tirar o PT do poder. A derrota do PT nas urnas neste domingo não teria o poder de dar um fim à corrupção — no máximo, sepultaria os possíveis esquemas petistas em nível federal —, mas a declaração do senador tucano resumiu a essência de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Mais do que a ex-senadora Marina Silva (PSB), tida durante boa parte do primeiro turno como a candidata capaz de vencer a presidenta Dilma Rousseff nas urnas, foi Neves que conseguiu personificar melhor o sentimento de mudança ‘anti-PT’ com que boa parte da população brasileira foi às urnas neste ano. E o candidato tucano contou com uma boa ajuda da propaganda da adversária Dilma Rousseff para se transformar em alternativa.
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Em uma campanha pautada desde o início pela eficiente máquina de propaganda do PT, cujo grande trunfo nas últimas duas eleições foi comparar os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Aécio Neves topou colocar as gestões Fernando Henrique e Lula na balança, ao contrários do que fizeram os últimos candidatos tucanos à presidência, José Serra e Geraldo Alckmin. O senador mineiro bateu durante toda a campanha em pelo menos duas teclas nesse sentido: os programas sociais que se expandiram nos governos Lula e Dilma, simbolizados sempre pelo Bolsa Família, tiveram origem na gestão tucana; e o Plano Real, conduzido no Governo Itamar Franco pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique, foi o “maior programa de distribuição de renda” do Brasil, por proporcionar a estabilidade econômica perseguida desde o fim da ditadura militar (1964-1985).

Seria simplório entender a posição de Neves como mera gratidão a Fernando Henrique, que foi o grande fiador da candidatura presidencial do senador mineiro. O candidato tucano teve, neste ano de inflação acima do teto da meta de 6,5% e com previsão de crescimento da economia de menos de 1%, um cenário mais confortável para comparações entre as gestões PSDB e PT no Palácio do Planalto. Confortável o bastante para ‘ressuscitar’ o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que Neves apontou, antes mesmo do fim do processo eleitoral, como seu futuro ministro da Fazenda. Ao contrário do que ocorreu na reeleição de Lula, em 2006, e na eleição de Dilma, em 2010, o discurso de justiça social defendido pelo PT foi limitado pelos maus resultados econômicos do Governo Dilma Rousseff, durante o qual o país cresceu em média 2% ao ano. Nos oito anos do Governo Lula, a média de crescimento foi de 4%, e, durante o Governo Fernando Henrique, o país cresceu em média 2,3% ao ano.

Seguro de que o legado de Fernando Henrique Cardoso enfim podia render frutos eleitorais a um presidenciável tucano, o senador mineiro tentou, sempre que confrontado pela candidata à reeleição, ficar com o melhor e se esquivar do pior do Governo Fernando Henrique, sempre com uma mesma fórmula: “Me honra muito a comparação com Fernando Henrique, mas eu me chamo Aécio Neves”. Era nele mesmo (Aécio Neves), contudo, que estava o grande alvo da chapa tucana, como percebeu a campanha petista. Com uma longa história de vida pública, que começa aos seus 25 anos de idade, quando foi nomeado, durante o Governo José Sarney (1985-1990), para uma diretoria da Caixa Econômica Federal, e uma movimentada vida social, o senador teve o histórico político e pessoal dissecado pelas propagandas do PT. Durante a campanha, o tucano foi cobrado por ter sido líder do PSDB na Câmara dos Deputados durante o Governo Fernando Henrique; por tudo o que fez ou não conseguiu fazer enquanto governador de Minas Gerais (2003-2010); por ter se recusado a fazer o teste do bafômetro quando parado em uma blitz, em 2011, no Rio de Janeiro; e até por ter dito, em uma entrevista concedida aos 17 anos de idade, que nunca havia arrumado a própria cama.

O candidato tucano ainda teve de lidar com as denúncias de que favoreceu familiares ao autorizar a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais, e de que seu partido teria participação em um esquema de corrupção eleitoral que ficou conhecido como o mensalão mineiro, além, é claro, de se esquivar da fama de ser usuário de drogas e de ter agredido a mulher, Letícia Weber, em público. Mesmo com tanto a se criticar nos campos político e pessoal, Aécio Neves se transformou, por força das circunstâncias, em um dos dois expoentes da mais polarizada campanha presidencial do Brasil desde a redemocratização, em 1989. Boa parte disso se deve ao discurso de mudança que a ex-senadora Marina Silva, criada politicamente dentro do PT, não conseguiu sustentar ao longo do primeiro turno, em que teve a candidatura dissecada pela propaganda petista.

Ancorado no passado tucano e impulsionado pela promessa de um futuro mais próspero, sem corrupção e previsível no campo econômico, Aécio Neves conseguiu se estabelecer como o melhor candidato anti-PT desta eleição. E mesmo que isso não tenha sido o bastante para bater Dilma Rousseff nas urnas neste ano, pode ser o suficiente para que continue representando a melhor alternativa ao PT daqui a quatro anos.

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