out
27
Posted on 27-10-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2014


Apoiadores de Dilma na Avenida Paulista. / Nelson Antoine (AP)

=================================================================

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

María Martín

De São Paulo

Os nervos e as tensões de uma disputa tão acirrada acabaram canalizados em dois lugares: na avenida Paulista e nos bares, longe de lá. Enquanto centenas de entusiasmados partidários de Dilma Rousseff se concentravam na artéria econômica de São Paulo, os simpatizantes de Aécio afogavam as penas nos seus drinks de cores.

Por volta das 22h, o trecho da Paulista em frente à Faculdade Cásper Libero concentrava centenas de pessoas. O clima era de euforia. Casais, grupos de amigos e famílias pulavam ao ritmo das músicas usadas durante a campanha petista no país todo. Muitos carros paravam, seus condutores saíam e se abraçavam a desconhecidos que comemoravam depois de uma das campanhas mais tensas de que se tem memória.

Daniele Barros, de 31 anos, chorava enquanto ouvia as palavras que saíam do carro de som vermelho que anima a concentração. “Vimos muita intolerância e preconceito. Era um clima aterrador, mas está vitória é do povo. É muito emocionante estar na comemoração da esquerda em uma cidade tão elitista como São Paulo”, dizia às lágrimas.
mais informações

A comemoração em São Paulo é para muitos dos assistentes um prêmio por uma batalha vencida. “Isto é uma catarse, estávamos muito ansiosos. A gente vive no pior lugar do mundo para debater política, mas hoje estamos aqui. Semana passada eram os tucanos que nos xingavam, hoje aqui estamos nós”, dizia o psicólogo Rogério Gianini, de 53 anos.

Enquanto a Paulista se lotava de eleitores entusiasmados, o clima de derrota invadia os bares do bairro de Itaim. Chegadas às 20h os clientes de um bar de cuidada decoração famoso pela criatividade do seu bartender, circundavam a tela da TV. Na hora que os primeiros resultados já apontavam Dilma Rousseff como vencedora um guardanapo voou contra o televisor. “Puta que pariu”, “não acredito”, “isso é muito triste”, “só dá vontade de sair deste país que vai virar uma Cuba ou uma Venezuela, só que pior. Vamos ser um país do terceiro mundo”, podia se ouvir entre os clientes.

Especialmente triste estava Fabio Wertheimeaer, que repetia os lemas tucanos com angústia. “Falam dessa elite paulista. Pois eu sou paulista e trabalho como um louco, tudo para bancar o mensalão. Essa pilantra e ladra afundou um país, quebrou a Petrobras e pertence a um dos Governos mais corruptos da história deste país. Nos próximos quatro anos, isto vai ser Cuba”, lamentava.

BOA TARDE!!!


Calligari: “psicanalisto” no Manhattan Conection
——————————————————————————–

Psicanálise para nossa democracia

Maria Aparecida Torneros

Assistindo o programa Manhattan Connection (TV News, com Lucas Mendes, Caio Blinder, Diogo Mainardi, Ricardo Amorim e Pedro Andrade) da noite da vitória apertada da ” presidenta ” brasileira vi a análise dos comentaristas que tentavam explicar o resultado do pleito com a intercessão de dois convidados.

Um cientista político esmerou-se em mostrar que o fenômeno de votação atrelada a problemas regionais é mundial. Citou exemplos até da Baviera e de Bordeaux na França. Os apresentadores insistiam na hipótese de que o PT avança para um projeto de poder de 16 anos comparando aos governos anteriores e recentes da história do Brasil.

No entanto o psicanalista Contardo Calligari mesmo fazendo a blag de passar a ser um “psicanalisto” trouxe para o nível consciente o fato de que há um mundo eleitoral e inconsciente no ato da escolha.

Fico deduzindo que fatores emocionais perpassam a luta de cada cidadão ou cidadã por ser visto ou ouvido e quem sabe até respeitado e amparado nas suas diferentes formas de ser ou agir.

Quando o jornalista Pedro Andrade pediu que o terapeuta explicasse sobre o “borogodó” da Mulher reeleita percebi o quanto ainda paira em termos de preconceito não só de ideologia política ou crítica à política econômica ou social mas também ao gênero da mãe quase edipiana.

No momento em os homossexuais ganham seu merecido espaço até nas novas diretrizes da Igreja Católica Romana e as mulheres do mundo inteiro ainda clamam por seu lugar ao Sol em sociedades machistas e conservadoras, é hora de ajustar ponteiros.

Borogodó é atração pessoal ou identificação inusitada por necessidades inconscientes. A figura da mãe austera se sobrepõe muitas vezes à da mãe amorosa. O Brasil vive uma realidade ímpar pela quantidade de mulheres chefes de família principalmente no Nordeste e nas periferias das grandes metrópoles.

Talvez o encanto do lado feminino atrelado ao comando seja ainda atribuído às feiticeiras que um dia foram condenadas à morte nas fogueiras.

E o programa encerrou sua performance que tem sempre tom irônico e inteligente, destacando que entramos na semana do dia das Bruxas.

Não se pode deixar de registrar que os apresentadores de central de eleições da Globo News também demonstraram em suas análises uma aparente decepção comedida ao apontar a vitória de Dilma e insistiram nos prognósticos de dificuldades para o próximo governo.

Isso pode acontecer de fato em virtude do momento econômico e da atuação forte que se espera da oposição daqui para frente o que só enriquece a Democracia e nos amadurece para enfrentar a necessidade de reformas no país.

Há realmente um clima de terapia no ar para que façamos um balanço e os rumos sejam corrigidos. Educação e saúde além de segurança e mobilidade urbana fazem parte da pauta com certeza.

Quando se busca o terapeuta num programa de análise política há uma mensagem subliminar nesse ato de mea culpa. Nossa mídia tradicional vai para o divã e se pergunta sobre a parte que lhe cabe neste latifúndio.

Morte e vida Severina do grande João Cabral de Melo Neto com música de Chico Buarque talvez seja o cântico renascido no solo brasileiro. Haja carisma ou borogodó para transformar este país em terra comum de muitos gêneros.

Brasil Connection é o nome do melhor programa para os novos tempos que temos pela frente. O passado é mesmo tema para sessão de psicanálise. Com direito à cura e resgate. União em lugar de guerra. Será possível?

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro. Editora do Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente.

out
27
Posted on 27-10-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2014


===============================================================
Paixão, hoje, na Gazeta do Povo (PR)


Dilma em Brasilia:emoção no discurso da vitória

======================================================

DEU NO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Em uma eleição que foi a mais concorrida do país desde 1989, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita neste domingo para governar o Brasil por mais quatro anos, após receber mais de 54 milhões de votos – o que corresponde a 51% do total. O senador Aécio Neves, do PSDB, obteve mais de 51 milhões de votos (48%), ficando com a segunda colocação. A disputa foi a mais acirrada desde a redemocratização do Brasil.

Em seu discurso de vitória, Dilma se comprometeu a convocar um plebiscito pela reforma política do país, pregou a união e se disse aberta ao diálogo. “Brasil, mais uma vez, esta filha não fugirá da luta! Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!”.

Também foram escolhidos no segundo turno os governadores de 13 Estados e do Distrito Federal: Tião Viana (PT), no Acre; Waldez Góes (PDT), no Amapá; José Melo (Pros), no Amazonas; Camilo Santana (PT), Ceará; Rodrigo Rollemberg (PSB), no Distrito Federal; Marconi Perillo (PSDB), em Goiás; Reinaldo Azambuja (PSDB), no Mato Grosso do Sul; Simão Jatene (PSDB), no Pará; Ricardo Coutinho (PSB), na Paraíba; Luiz Fernando Pezão (PMDB), no Rio de Janeiro; Robinson Faria (PSD), do Rio Grande do Norte; José Ivo Sartori (PMDB), Rio Grande do Sul; Confuncio Moura (PMDB), em Rondônia; Suely Campos (PP), em Roraima.

BOM DIA BRASIL:PARA VITORIOSOS E PERDEDORES.

(Vitor Hugo Soares)

======================================

DO EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Após a divulgação da vitória de Dilma Rousseff, do PT, nas eleições presidenciais brasileiras, alguns presidentes dos países vizinhos ao Brasil correram para felicitar a reeleição da petista.

A presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, publicou uma carta e divulgou em sua conta no Twitter seus cumprimentos a Dilma. “Recebo com grande alegria a notícia de sua vitória desde Brasília, por isso quero ser uma das primeiras a te felicitar e transmitir um fraternal abraço em meu nome e de todo o povo argentino”, disse a presidenta argentina em sua carta. “Essa vitória, após uma árdua campanha eleitoral, mostra a sociedade brasileira reafirmando seu compromisso irrenunciável com o projeto político que garante crescimento econômico com inclusão social”, continuou Kirchner.
mais informações

Rafael Correa, presidente do Equador, também usou sua conta no Twitter para parabenizar Rousseff. “Maravilhoso triunfo de Dilma no Brasil. Nosso gigante segue com o Partido dos Trabalhadores. Felicitações Dilma, Lula, Brasil!”.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, também saudou a presidenta. “Esperamos seguir trablahando pelo bem de nossos países e a região”, escreveu ele no microblog.

O mesmo fez Nicolás Maduro, que em sua conta no Twitter parabenizou a presidenta reeleita. “Felicitações Dilma por sua coragem e valentia diante de tanta maldade, o povo do Brasil não falhou com a História, mil abraços da Irmandade”.

out
27
Posted on 27-10-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 27-10-2014


Aécio Neves reconhece a derrota em Belo Horizonte. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)
===============================================================
DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

No último debate da corrida presidencial, promovido pela Rede Globo a dois dias da votação do segundo turno, o candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, prometeu acabar com a corrupção no país com uma medida simples: tirar o PT do poder. A derrota do PT nas urnas neste domingo não teria o poder de dar um fim à corrupção — no máximo, sepultaria os possíveis esquemas petistas em nível federal —, mas a declaração do senador tucano resumiu a essência de sua candidatura ao Palácio do Planalto. Mais do que a ex-senadora Marina Silva (PSB), tida durante boa parte do primeiro turno como a candidata capaz de vencer a presidenta Dilma Rousseff nas urnas, foi Neves que conseguiu personificar melhor o sentimento de mudança ‘anti-PT’ com que boa parte da população brasileira foi às urnas neste ano. E o candidato tucano contou com uma boa ajuda da propaganda da adversária Dilma Rousseff para se transformar em alternativa.
mais informações

Em uma campanha pautada desde o início pela eficiente máquina de propaganda do PT, cujo grande trunfo nas últimas duas eleições foi comparar os governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Aécio Neves topou colocar as gestões Fernando Henrique e Lula na balança, ao contrários do que fizeram os últimos candidatos tucanos à presidência, José Serra e Geraldo Alckmin. O senador mineiro bateu durante toda a campanha em pelo menos duas teclas nesse sentido: os programas sociais que se expandiram nos governos Lula e Dilma, simbolizados sempre pelo Bolsa Família, tiveram origem na gestão tucana; e o Plano Real, conduzido no Governo Itamar Franco pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique, foi o “maior programa de distribuição de renda” do Brasil, por proporcionar a estabilidade econômica perseguida desde o fim da ditadura militar (1964-1985).

Seria simplório entender a posição de Neves como mera gratidão a Fernando Henrique, que foi o grande fiador da candidatura presidencial do senador mineiro. O candidato tucano teve, neste ano de inflação acima do teto da meta de 6,5% e com previsão de crescimento da economia de menos de 1%, um cenário mais confortável para comparações entre as gestões PSDB e PT no Palácio do Planalto. Confortável o bastante para ‘ressuscitar’ o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que Neves apontou, antes mesmo do fim do processo eleitoral, como seu futuro ministro da Fazenda. Ao contrário do que ocorreu na reeleição de Lula, em 2006, e na eleição de Dilma, em 2010, o discurso de justiça social defendido pelo PT foi limitado pelos maus resultados econômicos do Governo Dilma Rousseff, durante o qual o país cresceu em média 2% ao ano. Nos oito anos do Governo Lula, a média de crescimento foi de 4%, e, durante o Governo Fernando Henrique, o país cresceu em média 2,3% ao ano.

Seguro de que o legado de Fernando Henrique Cardoso enfim podia render frutos eleitorais a um presidenciável tucano, o senador mineiro tentou, sempre que confrontado pela candidata à reeleição, ficar com o melhor e se esquivar do pior do Governo Fernando Henrique, sempre com uma mesma fórmula: “Me honra muito a comparação com Fernando Henrique, mas eu me chamo Aécio Neves”. Era nele mesmo (Aécio Neves), contudo, que estava o grande alvo da chapa tucana, como percebeu a campanha petista. Com uma longa história de vida pública, que começa aos seus 25 anos de idade, quando foi nomeado, durante o Governo José Sarney (1985-1990), para uma diretoria da Caixa Econômica Federal, e uma movimentada vida social, o senador teve o histórico político e pessoal dissecado pelas propagandas do PT. Durante a campanha, o tucano foi cobrado por ter sido líder do PSDB na Câmara dos Deputados durante o Governo Fernando Henrique; por tudo o que fez ou não conseguiu fazer enquanto governador de Minas Gerais (2003-2010); por ter se recusado a fazer o teste do bafômetro quando parado em uma blitz, em 2011, no Rio de Janeiro; e até por ter dito, em uma entrevista concedida aos 17 anos de idade, que nunca havia arrumado a própria cama.

O candidato tucano ainda teve de lidar com as denúncias de que favoreceu familiares ao autorizar a construção de um aeroporto na cidade de Cláudio, em Minas Gerais, e de que seu partido teria participação em um esquema de corrupção eleitoral que ficou conhecido como o mensalão mineiro, além, é claro, de se esquivar da fama de ser usuário de drogas e de ter agredido a mulher, Letícia Weber, em público. Mesmo com tanto a se criticar nos campos político e pessoal, Aécio Neves se transformou, por força das circunstâncias, em um dos dois expoentes da mais polarizada campanha presidencial do Brasil desde a redemocratização, em 1989. Boa parte disso se deve ao discurso de mudança que a ex-senadora Marina Silva, criada politicamente dentro do PT, não conseguiu sustentar ao longo do primeiro turno, em que teve a candidatura dissecada pela propaganda petista.

Ancorado no passado tucano e impulsionado pela promessa de um futuro mais próspero, sem corrupção e previsível no campo econômico, Aécio Neves conseguiu se estabelecer como o melhor candidato anti-PT desta eleição. E mesmo que isso não tenha sido o bastante para bater Dilma Rousseff nas urnas neste ano, pode ser o suficiente para que continue representando a melhor alternativa ao PT daqui a quatro anos.

  • Arquivos