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DEU NO UOL/FOLHA

O presidente do PSB em Pernambuco, Sileno Guedes, disparou, na manhã desta segunda-feira (20), contra o ex-presidente nacional da sigla, Roberto Amaral, que gravou depoimento para o guia eleitoral da presidente Dilma Rousseff (PT) na semana passada. Para Sileno, homem de confiança do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, falecido em agosto, Roberto Amaral atuava à serviço do PT dentro do partido.

“Mostra a interferência nas decisões internas do PSB”, afirmou Sileno, ao ser questionado sobre a participação de Amaral no guia. “Agora a gente vê que tinha alguém a serviço disso. E esse alguém era ninguém mais, ninguém menos, que o presidente do partido”, disse.

As declarações foram dadas durante um encontro do governador eleito de Pernambuco Paulo Câmara (PSB), atual vice-presidente nacional do PSB, com bispos pernambucanos. “Se eu fosse a Dilma, eu não teria colocado [ele no guia]“, avaliou Sileno Guedes. “Não sei qual o grau de representatividade que Roberto Amaral pode ter aparecendo no guia de Dilma”, cravou.

SAÍDA DO PSB – Questionado pelo Blog de Jamildo, Paulo Câmara afirmou que uma eventual saída de Amaral do PSB, como foi sugerida pelo deputado federal gaúcho Beto Albuquerque, que foi vice da ex-senadora Marina Silva na disputa presidencial, deve ser discutida apenas após o segundo turno das eleições, que acontece no próximo domingo (26).

“Essa é uma discussão que o partido vai ter que ter ainda depois das eleições. Não é momento ainda, no calor do segundo turno, faltando dias para as eleições. Isso tem que ser avaliado depois, de uma maneira interna, com a cabeça mais fria”, declarou.

“A gente entende que o partido tomou uma decisão de apoiar Aécio e isso devia ser respeitado por todos os filiados, porque foi uma posição discutida com ampla maioria. Mas quem discorda também faz parte do processo democrático e o partido, mais na frente, vai ver a forma de dar o encaminhamento a essa questão”, disse em seguida.

“PASSANDO DO LIMITE” – Já o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), afirmou nesta segunda, durante uma agenda oficial, que a posição de Amaral é isolada dentro da sigla e que “está passando dos limites”. “Amaral está tomando as decisões dele. De maneira extremamente isolada. Está totalmente fora de sintonia com todo o restante do partido. Ele é que vai decidir o que ele vai fazer”, disse, sobre a possível desfiliação.

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Roberto Amaral assumiu interinamente a presidência do PSB em agosto, após a morte de Eduardo Campos e teria atuado para que o partido apoiasse Dilma no segundo turno da corrida presidencial. Já o PSB de Pernambuco atuou e conseguiu fazer com que a sigla marchasse junto com o senador mineiro Aécio Neves (PSDB).

Tido como um militante histórico do PSB, Roberto Amaral também tentou articular a sua reeleição na presidência, mas foi mais uma vez vencido pela força da ala pernambucana do partido. O pernambucano Carlos Siqueira foi eleito presidente, tendo Paulo Câmara de vice e Geraldo Julio como secretário geral. Outros três nomes do PSB de Pernambuco integram a Executiva.

O PSB é comandado pela ala pernambucano desde 1993, com o ex-governador Miguel Arraes. Quando Arraes faleceu, em 2005, a presidência da sigla passou para o neto Eduardo Campos, que chegou a disputa a Presidência da República antes do acidente aéreo ocorrido em Santos, no litoral de São Paulo, no dia 13 de agosto.

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