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DEU NO BLOG POR ESCRITO

Luís Augusto Gomes

O jornalista da Folha de S. Paulo quis saber apenas se o governador Jaques Wagner, assim como a presidente Dilma Rousseff e o PT, via como “golpe” ou “calúnia” a confissão de crimes feita à Justiça por um acusado que foi diretor da Petrobras nos governos Lula e Dilma.

Depois de atribuir o fato à campanha eleitoral, na qual se estaria tentando criar “um palanque”, e proferir a estranha tese de que “a corrupção é um tema rejeitado pela população”, Wagner, ainda na primeira resposta, enveredou pelo que, na verdade, se atocaiava em seu raciocínio.

“Não reconheço em Aécio Neves alguém que possa dar aula de ética. O povo sabe que tem santo e diabo em todos os partidos. No meu e nos outros”. Pronto! Havia a “convivência com a seca”. O governador da Bahia inaugura agora a convivência com a corrupção.

Santo e diabo, no caso, são reles eufemismos. Wagner sabe que o que há no meio que frequenta são ladrões, é possível até que os conheça de longe, mas aceita esse quadro legalmente anômalo e, em última análise, dele se beneficia, porque, por exemplo, o caixa dois anônimo, feito à base de dinheiro público, se é de todos os partidos, é também daqueles que o apoiam.

Como Lula, que assumiu o comando do país à frente de uma avalanche popular que respondia ao discurso da ética, Wagner projetou inicialmente essa imagem, transfigurada, no entanto, ao ponto de, agora, ele entender que Aécio não é pessoa indicada para falar de ética. Ótimo. Sendo assim, ele não precisará, nesse aspecto, explicar o PT.

Wagner repetiu palavras com que passou a sintetizar o pensamento sobre muitas coisas, como “palhaçada” e “besteirol”, que nos tempos de lhaneza e serenidade não faziam parte de seu vocabulário. E disse ser falsa a fama de gestor de Aécio, que, “sem apreço pelo trabalho” e “passeando no Rio”, deixava o governo mineiro para o vice Antonio Anastasia.

A entrevista, segunda-feira passada, foi, de longe, o mais importante acontecimento político no Brasil em uma semana tão intensa, marcada por um debate presidencial sanguinolento e baixo. É lamentável que as declarações do governador não tenham tido na imprensa, por incompetência ou descompromisso, a dissecação pública que exigiam.
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Mesmo a crítica eleitoral requer sobriedade
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A falta de uma crítica severa e clara a tal disparate, que talvez levasse o governador de volta ao centro, estimulou-lhe a reincidência, pois outra definição não cabe à nova investida perpetrada quinta-feira, quando questionou a capacidade do senador e ex-governador de exercer a presidência da República.

Não tanto pela dúvida em si, mas pela formulação: “Eu convivi com Aécio como deputado e não acho que ele é um cara que tenha pique para conduzir o Brasil. A pessoa pra conduzir um país como esse tem que se dedicar 24 horas por dia, 365 dias no ano. Esse não é o perfil dele. Todo mundo sabe, Minas sabe, todo mundo no Congresso sabe”.

Ao governador também não agrada o fato de o candidato tucano ser neto de Tancredo Neves, que o iniciou na política, o que lhe dá a condição, para ele menor, de “herdeiro”. Nem o suposto hábito pessoal de consumo de bebida alcoólica. “Ele bebe”, apontou Wagner, do alto de sua condição de abstêmio inveterado, de permanentemente sóbrio.

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