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http://youtu.be/xWkUrz7Btu4

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CRÔNICA


Peppino di Capri, sarapatel e saudade de Bio

Gilson Nogueira

Peppino de Capri não estava lá (?) cantando “Roberta”. Mas, a voz era a mesma. O italiano, fabricante de paixões, curava tristezas e estimulava sonhos. A noite convidava ao amor, como todas.Enquanto isso, ele, ali, querendo entrar no clube da Barra Avenida,
sem ser dele associado .

Na portaria, um funcionário, que conhecia, de cara, todos os sócios, barreira intransponível. Não adiantava tentar passar por lá. A barração era mais certa que
boca de bode, como diria Luiz Vieira, saudoso cantor, que marcou época na antiga TV
Itapoan.

Dito popular de lado, o fato é que o penetra desistiu de ver a festa, ao vivo, ao tentar
passar por Waldir e descer pequena ribanceira, ao lado do aristocrático clube vizinho ao Hospital Português, a fim de curtir seu momento Pignatari.
Na vontade de aproveitar o final de semana, convidou
os amigos de aventura, que o acompanhavam, a curtir o clima do
Botafoguinho, na orla de Amaralina-Pituba, onde não faltava companhia para dançar colado como o diabo gosta.

“Negativo!”, gritou Cóscois, zagueiro grandalhão, do Botafoguinho do São Bento, criado na Rua Direita da Piedade, onde Andinho ensinava capoeira, ao tempo em que sugeria aos amigos esticada, na paleta, ao Braseiro, ao Chinês e á La Fontana, na Rua Carlos Gomes, hoje, totalmente esculhambada, para misturar churrasco, pastel e pizza, com
chope e cerveja, no meio da madrugada.

Ao quase amanhecer, tudo terminava em sarapatel, no Largo das Flores, sob as bênçãos dos orixás e anjos azuis da boemia soteropolitana, em companhia do inesquecível
Bio, ao lado da mesa.

O buda negro da gandaia dos anos em que Salvador possuía em suas ruas gosto, cheiro, jeito, ginga, magia, sons, atmosfera única e outras coisas mais de vida
sendo comemorada como se o mundo fosse acabar amanhã. Que saudade de seu jeitão, Bio, nosso velho conselheiro!volte!

As lágrimas, feito filetes de ontem, lembram-me: Na cabeça da rapaziada que adorava penetrar nos clubes sociais da capital do berimbau e do subúrbio, a idéia forte era que cada penetrada, na base da cara de pau e de muita ousadia, em hagás maiúsculos, na sua entrada principal e escaladas de muros e paredes, era mais uma conquista
inesquecível, tipo a primeira Taça Brasil ganha pelo Bahia, o Esquadrão de Aço,
em 1959. Quanto mais façanhas, para narrar, nas conversas de esquinas e bares, melhor. O ego de cada um enchia-se de massagens e ficava tão firme como o papo dos
que diziam ter um cara parecido com o Rei Roberto Carlos entrado em uma festa
de carnaval na Barra perguntando ao
porteiro:

“ O senhor, é o senhor Gilmar?”
“Não!”
“ Então, é o senhor Castilho?”
“Também não !”
Então, deixa essa bola
passar.”
Conta-se, ao sol nascente, o folião, abraçado a uma colombina, mergulhava no Porto.

Gilson Nogueira é jornalista

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Comentários

Cida Torneros on 14 outubro, 2014 at 8:25 #

Que lindo ouvir Peppino cantando Roberta e imaginar os bons tempos de Salvador quando, assim como no Rio, acreditávamos mesmo que as noites eram umas crianças para serem mimadas até o nascer do Sol! Em Capri, devia ser também desse jeito, anos 50, 60 e início d8s 70. Saudades!


Gilson Nogueira on 14 outubro, 2014 at 8:41 #

Cara Cida, viver Salvador, naquela época, valia a pena. Salvador está, hoje, bastante diferente, sufocada, cada vez mais, pelos absurdos, que fazem o inesquecível Octávio Mangabeira tremer no Inifinito.
Haja paciência para suportar o que presenciamos, no dia a dia. Mesmo com as melhorias empreendidas em alguns pontos da cidade e do subúrbio pela administração municipal, falta muito, muito, mesmo, para a capital do berimbau atingir o que a sua população deseja e voltar a ter a paz que reinava nos seus espaços tantos de felicidade. Quem dera que o Cine Capri, no Largo Dois de Julho, voltasse e, assim, rebubinasse nossos sonhos. Saúde e Pax!


Gilson Nogueira on 14 outubro, 2014 at 8:54 #

REBOBINASSE É O CERTO. AMANHÃ, COMO FAZIA O SAUDOSO SÍLVIO LAMENHA, VOU TENTAR, DE MADRUGADA, GRAVAR O SILÊNCIO DA PIEDADE. BJ


Gilson Nogueira on 14 outubro, 2014 at 8:59 #

REBOBINASSE, ESCREVO, CORRIGINDO, FLEXIONANDO OS MÚSCULOS!


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