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Postado em 13-10-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 13-10-2014 11:16


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Ricardo Noblat

Cuidado! Nada de acreditar no que disseram à Polícia Federal e à Justiça Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, e Alberto Youssef, doleiro, sobre o esquema de desvio de R$ 10 bilhões da empresa para beneficiar políticos em geral e alguns partidos em particular – PT, PMDB e PP.

Os dois podem estar mentindo.

Quando comprovada de fato, a verdade deverá ser muito pior. Duvida?

Gaba-se a presidente Dilma Rousseff – e Lula também – da liberdade com que atua a Polícia Federal.

Sempre que se descobre um novo escândalo envolvendo o PT e seus aliados mais fiéis, Dilma corre a exaltar as virtudes republicanas do seu governo e dá a entender que a Polícia Federal só procede assim porque ela deixa. Como se a Polícia Federal fosse um órgão de governo e não de Estado.

Aqui cabem pelo menos duas perguntas.

Se é marca da Era PT o empenho dos governos em colaborar nas investigações de malfeitos por que há sete meses a Polícia Federal tenta ouvir Lula em um processo sobre restos do mensalão e simplesmente não consegue?

Lula está para ser interrogado na condição de eventual testemunha – jamais de réu. Como ex-presidente, escolherá hora e local para depor. Não o faz.

A segunda pergunta: se Dilma repele com veemência a insinuação de que possa não se interessar pelo combate à roubalheira por que então barra qualquer iniciativa das duas CPIs da Petrobras de apurar o que se passou na empresa nos últimos 12 anos?

Só a Polícia Federal pode ser livre? “Eu sou a favor de, doa a quem doer, as pessoas têm que responder pelo que fazem, seja de que partido for”, prega Dilma. Não convence.

Arrisco-me a ser impiedoso com a presidente por entender que o jornalismo não cobra piedade de quem o exerce, mas senso de justiça.

Dilma posa de incorruptível, e deve ser. Nada se conhece que indique o contrário. Quanto a ser conivente com a corrupção…

Ela o é, assim como a maioria dos governantes por toda parte.

Paulo Roberto roubou desde que foi nomeado por Lula diretor da Petrobras. Lula ignorava o que Paulo Roberto fazia por lá a serviço do PP?

O que fazia meia dúzia de diretores nomeados também por ele a pedido do PP, PT e PMDB?

Dois anos antes de se eleger presidente, Dilma convidou Paulo Roberto para o casamento de sua filha. Não sabia que ele era ladrão?

Demitiu-o “a pedido” em 2012. Paulo Roberto deixou a Petrobras cercado de elogios. Dilma desconhecia seu prontuário?

Ora, faça-me o favor!

Na semana passada, Dilma cogitou demitir Sérgio Machado, um economista cearense que há mais de 10 anos preside a Transpetro, subsidiária da Petrobras. Paulo Roberto contou à Justiça que recebeu de Sérgio R$ 500 mil em espécie.

O padrinho de Sérgio é Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, citado por Paulo Roberto como envolvido com a corrupção na Petrobras. Além de cogitar, o que mais fez Dilma?

De volta de um comício em Maceió, onde ao lado do senador Fernando Collor segurou no microfone para que discursasse Renan Filho, governador de Alagoas, Dilma esbarrou na oposição de Renan, o pai, à demissão de Sérgio. E deixou de cogitá-la.

Para demitir Sérgio seria preciso que Dilma conseguisse o afastamento de João Vaccari Neto do cargo de tesoureiro do PT, argumentou Renan. Vaccari é outro emporcalhado pela lama da Petrobras.
Lula disse que está de “saco cheio” com denúncias de corrupção contra o PT feitas às vésperas de eleições.

Eu também estou.

E você?

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Comentários

jader on 13 outubro, 2014 at 12:04 #

Contraponto ao Noblat saiu na Folha em 13/10/2014:
O príncipe que virou sapo
ricardo melo
Conforme previsto, boa parte da campanha eleitoral vem sendo dominada por vazamentos seletivos sobre a Petrobras. Neles ressaltam a falta de cuidado quanto às circunstâncias e alcance do que falam os “delatores”. Um áudio ali, uma declaração aqui, documentos secretos acolá –vale tudo. O julgamento parece estar feito.

Personagens surgem e desaparecem subitamente. O ex-candidato Eduardo Campos era um dos citados nas “denúncias” sobre propinas. Pois bem, o nome dele sumiu como que por encanto. Será que a evaporação tem a ver com o apoio do que sobrou do PSB a Aécio Neves? Cada um pense o que quiser.

Mas quem tocou no ponto central foi um candidato fora da cédula: Fernando Henrique Cardoso. Num tom quase que acusatório, disse que o voto do PT vem dos pobres. Claro, tentou tucanar o próprio preconceito. “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres [sic]. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”.

Bem, caro ex-presidente, e antes, como explicar seus votos no Nordeste à custa de alianças com o finado PFL e oligarquias reacionárias? Pelo mesmo raciocínio, pode-se chegar à conclusão de que a derrocada tucana começou depois que os pobres se informaram. E não gostaram do que viram. Ou seja, o contrário do que deduz o ex-presidente. Isso sem falar que os bem ou mal informados, tanto faz, derrotaram o genérico Aécio em plena Minas Gerais. Danem-se as urnas: o outrora festejado “príncipe dos sociólogos” escolheu inverter a fábula e se transformar em sapo dos endinheirados.

Talvez o que mais incomode não seja propriamente a decomposição intelectual. É a soberba quando se trata de dar aulas de ética, moral e bons costumes. FHC protagonizou um dos maiores estelionatos eleitorais: promoveu a desvalorização abrupta do real, negada de pés juntos por ele durante a campanha de 1998. Para aprovar a reeleição, o esquema oficial subornou parlamentares a peso de ouro. Sua obsessão privatizante nem sequer gerou dinheiro em caixa, ao menos para o contribuinte honesto. Pelas contas do jornalista Aloysio Biondi, a liquidação estatal deu um prejuízo de cerca de R$ 2,5 bilhões ao povo. Para quem se interessar, os números estão lá, na página 100 do livro “O Brasil Privatizado”.

Aécio parece ir pelo mesmo caminho. Inútil perder tempo com as caudalosas entrevistas do candidato. Bastam alguns exemplos de disparates. Com a modéstia habitual, Aécio compara sua candidatura ao movimento que derrubou a ditadura militar! Diz ainda que fará um governo dos pobres (mal ou bem informados?) e que pretende ser o presidente da educação. Silencia sobre o fato Minas Gerais pagar aos professores, com base na contabilidade criativa tão criticada pelos tucanos, um piso inferior ao nacional. Chega a afirmar que obras como o aeroporto familiar construído com dinheiro público visaram ao interesse coletivo. Parece galhofa.

Quantos ministérios vai cortar? A gasolina custará quanto? Quantos cargos serão eliminados? Respostas: “Não posso antecipar cenários específicos”, “no momento em que anunciar o novo desenho da máquina pública”, “encontraremos o caminho legal adequado”. Para fechar com chave de ouro, diz opor-se “violentamente a qualquer tipo de cerceamento de liberdade […] em especial a liberdade de imprensa.” Os jornalistas de Minas que o digam.

Enfim, declarações que soam tão verdadeiras quanto a marquetagem do choque de gestão aecista. A esse respeito, vale ler a manchete da Folha deste domingo (12). O perigo é se informar e trocar de candidato.


maria luiza sá on 13 outubro, 2014 at 12:32 #

tenho 80 anos, votei no lula 2 vezes e hoje, se ele está de saco cheio, eu estou nauseada com o que ele, a incapaz que elegeu, e resto dos insaciáveis corruptos e corruptores do pt e correlatos, descaradamente nos afrontam. ou o brasil acaba com pt, ou o pt acaba com o brasil!!!!!!!


jader on 13 outubro, 2014 at 18:22 #

Lamentável ver o BP publicar texto de um canalha como o NOBLAT:
“Dilma posa de incorruptível, e deve ser. Nada se conhece que indique o contrário. Quanto a ser conivente com a corrupção…” Será que o troglodita sabe o significado da palavra conivente?
Quanto ao candidato Aecio , aquele construiu aeroporto de 14 milhões nas terras do tio , o que Noblat tem a dizer?. Minas o conhece muito bem e por isto o defenestrou! Em Minas a pergunta que se faz é :
Voce emprestaria seu carro para quem dirige bêbado , sem habilitação e tem outros vícios proibidos?
Abaixo publico parte do texto tirado do CAF sobre o rapaz:

O Golpe Militar entregou o CADE ao outro avô do Aécio, o mineiro Tristão da Cunha, mega-reacionário.

E, no CADE militarizado, o jovenzinho teria recebido uma Bolsa Família …

Entre 1977 e 1981, com 17 anos, o jenio precoce teria “trabalhado” como assessor na Câmara dos Deputados, enquanto cursava no Rio a Economia da PUC.

(Sempre na ponte-aérea para o Rio … É uma mania dele …)

Se isso for de fato verdade – o PT nos ajudará … – os avós de pai e de mãe o trataram com especial desvelo …

Está aí um caso típico de quem venceu na vida através da “meritocracia”.

Talvez fosse também interessante tratar de outros dois aspectos morais, nessa próxima temporada de debates e programas no horário eleitoral.

A questão da cocaína e da recusa em fazer o bafômetro.

O Conversa Afiada reafirma a convicção de que o candidato Aecioporto deveria se submeter a um exame público e transparente para definir se foi ou não usuário de cocaína.

Ele é candidato a Presidente da República.

O Brasil é um país assolado pela cocaína e o crack, e vizinho de produtores e comerciantes de drogas.

Não se pode correr o risco de ter um Presidente que foi usuário de drogas.

Só um exame público, na Fundação Oswaldo Cruz, diante das câmeras da Globo – e do Conversa Afiada – com médicos especializados, escolhidos pelas duas campanhas – poderá esclarecer essa dúvida cruel.

Que não é só do Conversa Afiada, mas de toda a família Perrella e do respeitado jornalista Fernando Barros e Silva, hoje na revista piauí, e que militou na Fel-lha (no ABC do C Af), com destaque, por muitos anos.

Reveja os trechos do programa Roda Morta em que Barros e Silva, de forma corajosa, apesar do âncora (…), trata da “questão moral”, a partir da confissão do próprio candidato tucano de que já consumiu maconha:

https://www.youtube.com/watch?v=1f6LmE7vHIo

O senhor foi usuário de cocaína ?

É uma pergunta que todo brasileiro tem o direito de fazer !

E que, indiretamente, fez, como lembra Barros e Silva, o ardoroso defensor da candidatura Aécio, o agora eleito senador Padim Pade Cerra.

Num artigo na Fel-lha de São Paulo, em 15 de dezembro de 2013, Cerra, que ainda disputava a candidatura a Presidente pelo PSDB, exigiu que o debate sobre o consumo de cocaína fizesse parte das questões eleitorais em 2014.

Todos se lembram de um dos capítulos dessa sangrenta disputa entre Cerra e Aécio, num sábado, no Estadão, quando um redator da turma do Cerra escreveu celebre artigo “Pó pará, governador”, para se referir a Aécio.

(É constrangedor assistir, hoje, a cenas em que o Padim Pade Cerra se posta ao lado de Aecioporto, candidato a Presidente. Não se distingue quem demonstra odiar mais o outro…)

O próprio “príncipe que virou sapo”, no magistral título de Ricardo Melo na Fel-lha, na mesma revista piauí, naquela celebre entrevista em que disse que o 7 de setembro é uma palhaçada, FHC disse:

“Agora, o Aécio gosta demais da vida privada dele. Pode parecer banal, mas é assim que as coisas funcionam.”

Vida privada ?

Mas, como, FHC, se o rapaz desde os 25 anos tem “vida pública” ?

Ou sempre foi assim e a irmãzinha não deixava a gente saber ?

Um outro ponto a ser considerado pelos eleitores evangélicos de Classe C é a questão moral do bafômetro e o alcoolismo.

Basta refletir: quantos brasileiros já se curaram do consumo de drogas e do alcoolismo com a ajuda de igrejas evangélicas ?

No vídeo que está na TV Afiada, se vê:

– Aécio completamente alcoolizado, mal se equilibra nas pernas, entra num botequim da zona Sul do Rio, à noite, e recompensa um garçom com gorda gorjeta;

– depois, numa reportagem da Globo (da Globo !!!), se vê que a carteira de motorista dele está vencida;

– e que ele se recusa a fazer o teste do bafômetro: “preferiu não se submeter ao bafômetro”, diz o BO.

Quer dizer, então, amigo navegante evangélico, que corremos o risco de, numa emergência, numa crise que acabe de estourar, o Presidente da República poderá estar alcoolizado, sem poder andar – nem se dirigir à Nação ?

Quer dizer, então, amigo navegante evangélico, que o candidato da Moralidade se recusou a fazer o teste do bafômetro ?

Como diz aquele amigo navegante, se ele não respeita o teste do bafômetro, obrigação mínima, elementar de todo cidadão civilizado, quem garante que ele, Presidente, respeitará a Constituição ?

Quem garante que ele não feche TODOS os blogs ?

Inclusive este ?

http://www.conversaafiada.com.br/brasil/2014/10/13/evangelicos-aecio-a-cocaina-e-o-bafometro/


jader on 13 outubro, 2014 at 18:26 #

OK. Aguardando apublicação


Carlos Volney on 13 outubro, 2014 at 19:27 #

Caro Jáder, concordo contigo no que tange à opinião sobre FHC.
Para mim esse senhor institucionalizou e consagrou a corrupção como método de alcançar sucesso em política.
Para mim é um dos maiores farsantes que esse nosso Brasil já conheceu.
Minha tristeza é reconhecer que o Lula se não o superou, pelo menos se igualou a ele.
Mas, como sempre, é só minha opinião.
Vida que segue! …


jader on 13 outubro, 2014 at 20:18 #

Algum problema com comentário postado as 18:22?


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