Dilma: “quase pardinha” em Salvador

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Renata Campos: à espera de Aécio

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ARTIGO DA SEMANA

Dilma x Aécio: O Bonfim no paraíso do Bolsa Família

Vitor Hugo Soares

Quinta-Feira, 09 de outubro da arrancada da campanha presidencial, no segundo turno, agora concentrada no confronto direto Aécio Neves (PSDB) x Dilma Rousseff (PT). O calendário oficial dos festejos populares baianos ainda não começou, mas Salvador ferve no perímetro da Cidade Baixa entre o santuário da Irmã Dulce e o alto da colina da Igreja do Bonfim, ambiente sagrado para os baianos de fé,transformado em palco cenográfico do alvoroço político-eleitoral causado pela visita da presidente da República, candidata à reeleição.

Eufóricos com o arrasador triunfo, já no primeiro turno, do quase imberbe candidato do PT, Rui Costa, se comparado ao veterano carlista Paulo Souto, na disputa pelo Palácio de Ondina, os petistas recebem Dilma com uma mini-reconstituição da famosa Quinta-Feira da Lavagem .

Candidata a permanecer no Palácio do Planalto por mais quatro anos, a presidente está em “visita de agradecimento ao santo da maior devoção dos baianos” pelos mais de 60% dos votos recebidos no primeiro turno da eleição, na capital e no interior do estado apontado como “paraíso do programa Bolsa Família”. Na Bahia, o programa posto na vitrine principal da disputa presidencial, alcança seus maiores e melhores índices (incluindo os eleitorais) no Nordeste e no País.

Os petistas em festa promovem o cortejo improvisado subindo a pé, como manda a tradição, a íngreme ladeira que conduz ao adro do templo famoso. A festa apresenta quase todas as vestimentas, cores e sons de uma “Lavagem” de verdade na Cidade da Bahia. Com imagens do jeito que todo bom marqueteiro gosta. Nem o falecido cacique político Antonio Carlos Magalhães, talvez, conseguisse fazer melhor em seus melhores tempos.

No comando do cortejo, o governador Jaques Wagner, a ponto de explodir de contentamento e orgulho, ao lado da presidente-candidata que o convenceu a desistir de concorrer a qualquer cargo eletivo em 2014 e o escolheu para ser o coordenador geral da sua campanha na região.

Sem ser candidato a nada, Wagner desponta agora como o grande vencedor entre os políticos do PT, governantes e personalidades de destaque de todos os partidos envolvidos no primeiro embate da refrega presidencial e nas disputas estaduais no Brasil.

Pouco antes de receber a notícia, nada animadora, de que as pesquisas dos dois principais institutos especializados do País – Ibope e Datafolha – a colocam pela primeira vez, na campanha, em desvantagem numérica frente ao adversário Aécio Neves (embora com empate técnico pela margem de erro), Dilma também não cabia em si de júbilo.

A ponto de, em conversa com o radialista Mario Kertész, ex-prefeito de Salvador, pedir no ar pela Rádio Metrópole, para quando deixar a presidência, “uma vaguinha de tocadora de tambor no Olodum”, a banda de percussão do Pelô de fama mundial. Deu até um espantoso motivo para merecer a escolha:

-Eu sou meio pardinha!

Porém (tudo tem um porém), antes de deixar Salvador rumo a Aracaju, a presidente tomou conhecimento dos números das mais recentes pesquisas de tendências de voto no País. E o humor da candidata petista deu uma reviravolta. Visivelmente.

E tem mais: em termos de festejar bons resultados no primeiro turno, o governador Jaques Wagner, principal aliado de Dilma no Nordeste, empata (ou perde, talvez) para a ex-primeira dama de Pernambuco, Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos, morto no pavoroso desastre aéreo que retirou o firme dirigente do PSB da campanha presidencial.

Renata comandou a maior e mais expressiva vitória eleitoral do PSB no País (64% dos votos) e o notável triunfo de Marina Silva sobre Dilma. Além disso, elegeu governador de Pernambuco, no primeiro turno, o jovem socialista Paulo Câmara – que mal se segurava das pernas com os ínfimos 3% de preferência dos eleitores, em seu estado, quando o avião e os projetos de Eduardo Campos se espatifaram no ar.

A brava e decidida viúva de Campos desponta, agora, como figura de crucial importância nos planos de Aécio Neves, e das oposições no País, de barrar a caminhada de Dilma, do PT, e de seus aliados, para carimbar nas urnas de 26 de outubro mais quatro anos de mandato. Ainda na quinta-feira (que dia!), saiu o anúncio da combinação do PSDB-PSB para que Paulo Câmara seja o coordenador da campanha tucana em Pernambuco, onde Aécio não alcançou os dois dígitos no percentual da sua votação. E se anuncia para este sábado uma visita de Aécio a Renata Campos, no Recife.

Eletrizante combate se prenuncia. Digno de um cordel de feira nordestina, do Largo de São Cristovão, no Rio de Janeiro, ou do Braz, em São Paulo: “A guerra do galego Jaques Wagner, da Bahia, contra Dona Renata, de Pernambuco”. “Galego” é como o ex-presidente Lula chama Wagner nos palanques e nas entrevistas.

A roleta começa a girar no segundo turno presidencial. Façam suas apostas.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 11 outubro, 2014 at 10:20 #

Caro VHS

Após a confissão desvairada de Dona Dilma, o escandaloso “somos todos corruptos”, ficam as sequelas.

Em meio ao torpor provocado pelo fedor que exala dos poços da Petrobrás é possível vislumbrar um fenômeno literário que conjuga o mesmo verbo, ou seja, “corrompe” o espírito e a crítica necessária de nossos articulistas políticos.

E eu pergunto ensimesmado:

– Somos todos “Marios Puzos”?

Romancear esses malandros é a saída? Temos até um candidato a “Poderoso Chefão”, meio que aposentado, trajado à barba rala. Candidatas a “Luca Brazzi” não faltam.

Te parafraseando: Responda quem acordar primeiro!

Tim Tim!


luiz alfredo motta fontana on 11 outubro, 2014 at 10:31 #

VHS

Se Puzo é o ideal épico dos que discorrem sobre estas tristes urnas, quem assinará os caminhos de Lídice?

Tal passarinha oportunista, a que usou fantasia de programática na campanha ao governo baiano, agora faz ninho na barba de Wagner.

Seria Nelson Rodrigues o indicado? Ou, como desconfio, Pitigrilli?


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