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Postado em 08-10-2014
Arquivado em (Artigos) por vitor em 08-10-2014 00:10

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OPINIÃO

DEU NO BLOG POR ESCRITO

LUIS AUGUSTO GOMES (EDITOR)

Para quem estava disposta a ser a responsável pelas decisões mais importantes do país, Marina Silva tem uma à altura para tomar nestes dias: o candidato que apoiará no segundo turno da eleição presidencial.

Em 2010, no calor da emoção de uma votação consagradora, ela ficou neutra entre Dilma Rousseff e José Serra. Este ano, é possível que vá por caminho diferente, já que está evoluindo no trato político e dsabe que o isolamento não lhe será útil no futuro, a menos que esteja aposentando-se.

Muitas variáveis, entretanto, interpõem-se nesse processo. Diz-se, por exemplo, que ela preferiria o PT, por estar mais próximo ideologicamente de sua história, não fosse ela própria uma ex-petista que representou o partido em altos cargos da República.

É uma hipótese não automaticamente factível, haja vista que no pleito anterior ela não levou em conta esse amor antigo.
Além disso, embora não seja fator determinante nas alianças políticas, Marina atacou duramente o governo em sua campanha, especialmente a presidente Dilma, com quem, em certos momentos, chegou à última fronteira da proximidade física. Teria, portanto, de encaixar um discurso muito elaborado para anunciar um eventual apoio.

Por esses aspecto, seria menos traumática a opção por Aécio Neves, que a confrontou legitimamente como adversária a ser derrotada no primeiro turno, usando o argumento da inexperiência administrativa e da inabilidade para construir politicamente o governo –, o que, comparando-se com ele, senador, duas vezes governador, presidente da Câmara dos Deputados, é inegavelmente verdade.

Foram tais conceitos, aliás, determinantes para que lá atrás, talvez mais longinquamente do que sonha nosso vão conhecimento dos meandros da política, tenha sido definido que Eduardo Campos, e não Marina, seria o cabeça da chapa.
Outro componente é a questão partidária. Frustrada na sua criação do Rede, Marina está no PSB como “hospedeira”, conforme conceituou um alto dirigente do partido. O PSB é uma legenda tradicional da “esquerda” cujo líder maior, o falecido governador Campos, sempre esteve no campo de congregação petista, tendo sido até ministro de Estado.
Sua proposta de deixar o governo e candidatar-se foi acatada com restrições, pois muitos correligionários defendiam a reeleição de Dilma, e alguns, como os irmãos cearenses Ciro e Cid Gomes, não aceitaram o rompimento e foram fundar o PROS.

Não seria incoerente que essas personalidades remanescentes no PSB, agora que o leite foi duplamente derramado – a morte de Campos e a derrota de Marina –, voltassem aos braços de Lula e companhia.
Peculiaridades regionais são outra grande influência e, certamente, conduzem a uma divisão, que a instância nacional, em sua reunião de quinta-feira, terá de esclarecer: o alinhamento compulsório para um lado ou a liberação geral.
Há Estados em que a incompatibilidade entre petistas e, digamos, socialistas não permitem nem o início da conversa, há outros onde a convergência será natural.

O termo restante da equação é o próprio Aécio, representante do “abjeto” neoliberalismo, que absolutamente não faz – este sim – a cabeça de Marina. Fala-se em agregação do programa construído orginalmente com Eduardo Campos aos compromissos do PSDB, mas isso é pura retórica eleitoral.

Uma vez vencida a eleição, com o retorno do receituário tucano à direção do país, Marina que andou dando uns passos errados no momento crucial da disputa, poderia, a depender de como a gestão de desenrolasse, sofrer sua queimação final.

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