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PARE O MUNDO…

Maria Aparecida Torneros da Silva

Eu também vou reclamar, cantou Raul
Seixas, àquela época, referindo-se ao Silvio Brito, de quem era amigo, como um chato que repetia “pare o mundo que eu quero descer”.
O problema é que o mundo continua o mesmo e protestar é a única saida sensata ou se escolhe a loucura de deixar a vida, deliberadamente.

Aquele abraço ao Rio de Janeiro, onde estou, que continua lindo apesar da guerra do tráfico e da corrupção da polícia. A beleza do lugar tenta ofuscar a tristeza das mortes por violência. Às vésperas das eleições, o desepero pela corrida ao poder segue sendo o vale tudo cantado por Tim Maia, só que vale mais agora, vale dançar homem com homem e mulhef com mulher porque toda a maneira de amar vale a pena. Sempre. Melhor o amor do que a guerra. Sempre. Melhor a pobreza honesta do que a riqueza advinda da corrupção.

Salve a delação premiada do Paulo Roberto Costa e sua tornozeleira garantindo o conforto da prisão domiciliar. Afinal, ele devolverá milhões de dólares roubados aos cofres públicos.

Ainda reflito se devo descer desse mundo ou subir aos céus e descobrir outro mundo verdadeiramente justo que talvez nem exista ou caso exista, seja de alguma paz e muitos sofrimentos ainda. Será? Caramba, e pensar que a doutrina espírita prega que há seres pedindo orações para ajudá-los na caminhada além-túmulo.

Os cristãos, católicos e protestantes também protestam e falam do sono dos corpos e da ressureição da carne. Esta se alimenta do pão nosso de cada dia e das contaminações de bactérias e vírus. Por falar em vírus, o ebola descobriu a América e o serviço secreto deixou de cobrir a segurança da Casa Branca. Obama correu risco com o invasor armado de faca? Dizem que não pois estava fora da residência presidencial na hora do ataque. Logo ele que comanda ataques com armas sofisticadas no Oriente distante, ser ameaçado por uma peixeira nas mãos de um ex soldado?

Ironia das ironias é pensar que os tornados já atingem o Brasil que faz parte do mundo e não escapa das mudanças climáticas. Um tornadinho classificado como zero atingiu Brasília e destruiu parte do seu movimentado aeroporto. A seca antes nordestina agora é paulista. O vírus da falta d’água contaminou a Paulicéia como se não bastasse a falta de políticas publicas decentes que já é doença crônica, here, there and everywhere, lembrando os Beatles que também protestaram em suas canções, inumeras vezes.

Parando o mundo, desçamos todos!
Seria a metáfora da arca de Noé? Vamos pegar o barco imaginário da salvação da lavoura e da humanidade. Fugir dos grãos transgênicos ou dos frangos que nos alimentam com os antibióticos e hormonios de cada dia é uma excelente opção de coragem ou covardia?

Mas o vulcão cospe fogo no Japão e as chuvas inundam localidades em rincões dos continentes. O bicho homem tenta lutar contra sua própria consciência. Os médicos sem fronteiras enfrentam, galhardamente, um sem numero de desafios enquanto os radicais de várias sepas, decapitam com suas guilhotinas atualizando revoluções, na base da barbárie, ou das adagas, ou das peixeiras matadoras.

Que mundo é esse? Por Allah, que se creia na justiça? Que se confie em candidatos que pedem nossos votos? Ou que se desça do caminho, ou se desvie da rota, correndo o risco de sermos abatidos por missel em pleno vôo, ou por bala perdida em plena rua, ou até por uma corrupção premiada com tornezeleira em peno condomínio de luxo?

Nada disso é improvável, mas tudo é questão de estar pronto para protestar, como fazem os estudantes em Hong Kong, que esperam a definição da forma de governo na China que se diz comunista mas é capitalista e poluidora.

O Brasil? Ora, é lugar de felicidade, em tese. Como cantou Sinatra, em my way, fazemos à nossa maneira, com nosso jeitinho, e votamos, sim, a cada eleição, democraticamente, buscando construir um país de mudanças, cujos protestos ultrapassam as canções, seus ídolos, as novelas, o futebol, e até os seus politicos profissionais.

E sigamos, vamos nos equilibrando no transporte publicamente deficitário e coletivo. Cuidado, tomemos, para não cair do estribo do bonde da vida, e não quebramos nossas caras já tão recomendadas por tantos tombos anteriores.

Ainda bem que o Pitangui é nosso, tem 90 anos, primor de amante pela reparação das cicatrizes, um brasileiro que não desceu do mundo e acaba de lançar seu livro “viver vale a pena”.

Então, recado para os desanimados e protestadores, para os revoltados e descrentes, os cansados e desanimados: nem tudo está perdido! Votemos e sigamos, escapando, é claro, dos tornados, vírus e mentirosos, se possível.

Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janeiro.É editora do Blog da Mulher Necessária, onde o texto foi publicado originalmente.

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Comentários

Cida Torneros on 6 outubro, 2014 at 23:32 #

Boa noite Turma do BP. Não paramos o mundo, mas enquanto ele gira nós sobrevivemos! Abraços!


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