DEU NO G1

Pesquisa Ibope divulgada nesta quinta-feira (2) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto na corrida para a Presidência da República:
– Dilma Rousseff (PT): 40%
– Marina Silva (PSB): 24%
– Aécio Neves (PSDB): 19%
– Pastor Everaldo (PSC): 1%
– Luciana Genro (PSOL): 1%
– Zé Maria (PSTU): 0%*
– Eduardo Jorge (PV): 0%*
– Rui Costa Pimenta (PCO): 0%*
– Eymael (PSDC): 0%*
– Levy Fidelix (PRTB): 0%*
– Mauro Iasi (PCB): 0%*
– Branco/nulo: 8%
– Não sabe/não respondeu: 7%

* Cada um dos seis indicados com 0% não atingiu 1% das intenções de voto; somados, eles têm 1%

A pesquisa foi paga pelo próprio Ibope.

No levantamento anterior do instituto, divulgado no dia 30, Dilma tinha 39%, Marina, 25%, e Aécio, 19%.

O Ibope ouviu 3.010 eleitores em 205 municípios entre os dias 29 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%, o que quer dizer que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos, a probabilidade de o resultado retratar a realidade é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00942/2014.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (2) mostra que a presidente Dilma Rousseff e candidata à reeleição pelo PT mantém a liderança nas intenções de voto, com 40%. A candidata Marina Silva (PSB) tem 24% e Aécio Neves (PSDB) marca 21%.

Votos brancos e nulos somam 5%. Eleitores que não sabem ou não responderam chegam a 5%.

Veja os números:

– Dilma Rousseff (PT): 40%

– Marina Silva (PSB): 24%

– Aécio Neves (PSDB): 21%

– Pastor Everaldo (PSC): 1%

– Luciana Genro (PSOL): 1%

– Eduardo Jorge (PV): 1%

– Zé Maria (PSTU): 0%

– Rui Costa Pimenta (PCO): 0%

– Eymael (PSDC): 0%

– Levy Fidelix (PRTB): 0%

– Mauro Iasi (PCB): 0%

– Branco/nulo/nenhum: 5%

– Não sabe: 5%

Na pesquisa anterior, do último dia 30, Dilma Rousseff tinha 40%, Marina, 25% e Aécio, 20%.

Os três principais candidatos à Presidência da República – Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) – passaram esta quinta-feira (2) no Rio de Janeiro se preparando para o debate entre os presidenciáveis que a TV Globo e o G1 exibem, ao vivo, a partir de 22h50.

Dilma, Marina e Aécio não têm agenda de campanha na rua. Eles vão priorizar reuniões com assessores para acertar os últimos detalhes nas estratégias que usarão no debate.

Dilma vai receber assessores e coordenadores da campanha no hotel em que está hospedada. Marina também receberá sua equipe em um hotel. Além das reuniões com assessores, Aécio deve dar uma entrevista coletiva à imprensa no período da tarde.

Também participam do debate os candidatos Eduardo Jorge (PV), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL) e Pastor Everaldo (PSC). Mediado por William Bonner, o debate terá quatro blocos e duas horas de duração. O regulamento foi definido com representantes dos candidatos e seguindo as regras da Justiça Eleitoral.

A fim de dar ênfase à discussão do programa de governo de cada candidato, o debate vai priorizar perguntas entre eles. No primeiro e no terceiro blocos, serão discutidos temas livres escolhidos pelo candidato que fará a pergunta. No segundo e no quarto blocos, o mediador sorteará temas específicos.

Cada presidenciável terá 30 segundos para formular a pergunta, um minuto e 30 segundos para a resposta, 40 segundos para réplica e 40 segundos para tréplica. O quarto bloco será destinado também às considerações finais dos presidenciáveis.

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DEU NA FOLHA DE S. PAULO

JOAQUIM BARBOSA

De saída, vou ao que não me agrada na Folha: o deficit de sobriedade no tratamento da notícia em geral e a tentativa muito frequente de atrair o leitor pelo estardalhaço dos títulos, não raro em franco contraste com a banalidade e a pouca importância do que é exposto na matéria; a tendência a estigmatizar e debochar de certos grupos de pessoas, pela forma como a notícia é exposta; a antipatia a tudo que vem do setor público, a fazer crer que à esfera privada se deve tudo que aconteceu de positivo no nosso país, ignorando a parcela importantíssima de contribuição que a sociedade brasileira teve de extraordinários agentes públicos, como José Bonifácio, Pedro 2º, Rui Barbosa, Getúlio Vargas, Roberto Campos, Celso Furtado, Juscelino Kubitschek, Rubens Ricupero e vários outros; o caráter ralo e superficial do noticiário internacional; e, por último, um certo menosprezo por certos aspectos da cultura nacional, em oposição à desmesurada importância atribuída a alguns temas e atores da pauta, digamos, não nacional. Em suma, o velho complexo de vira-lata…

Sobre o último tópico, trago um exemplo bem ilustrativo, que me causou uma certa indignação na época. Em 2010, na mesma semana em que morrera o nosso inesquecível Paulo Moura, músico de indiscutível talento e talvez então a maior expressão da música instrumental brasileira, o jornal dedicou uma matéria de capa do seu caderno cultural não ao grande músico desaparecido, mas a uma obscura e inexpressiva cantora norte-americana! Moura foi relegado à antepenúltima ou penúltima página da “Ilustrada”, como se a sua carreira e a sua espetacular produção artística em nada se diferenciassem da de um artista de segunda ou terceira linha.

No domínio da política, o jornal erra redondamente no seu esforço de querer se mostrar neutro. Não é. Até admito que nos anos não coincidentes com o calendário eleitoral nacional e estadual o noticiário apresenta um pouco mais de equilíbrio. Mas tão logo se aproximam esses pleitos, o jornal começa a se agitar e a pauta, a esquentar artificialmente. Como muitos leitores e analistas, acho que seria mais transparente a direção do jornal pura e simplesmente declarar as suas “afinidades eletivas”, como fazem de tempos em tempos o “Le Monde”, o “New York Times”, a revista “The Economist”. O leitor entenderia e aplaudiria.

Mas o pior não é essa falsa neutralidade. Como outros periódicos brasileiros, o jornal não tem refletida em suas páginas a grande diversidade da sociedade brasileira. Choca-me, por exemplo, a ausência do olhar do negro, do mulato e de outros segmentos sociais culturalmente e socialmente identificados com essa relevante e majoritária parcela da nossa sociedade. É como se o jornal e os seus colunistas se dirigissem exclusivamente às classes média alta e alta, supostamente caucasiana, a que muitos jornalistas equivocadamente julgam pertencer. Nesse contexto, não são nada surpreendentes as campanhas que a Folha promoveu contra as ainda raquíticas políticas sociais implantadas no país nos últimos anos, como cotas em universidades, ProUni e outras. O jornal e alguns dos seus jornalistas e colunistas parecem ignorar por completo o que seja, de verdade, uma sociedade inclusiva e com amplo desenvolvimento econômico e social, que é o sonho da maioria dos brasileiros.

Há outras deficiências a lamentar: a natureza excessivamente opinativa do diário, em detrimento da apuração e da pesquisa jornalística em profundidade; a ausência de especialistas de peso em matérias altamente técnicas e fundamentais da nossa institucionalidade; o excesso de notícia sobre Brasília e os bastidores da política; a minguada cobertura de temas realmente interessantes sobre o país e o seu entorno, na perspectiva do leitor, como bem ressaltado recentemente por Nizan Guanaes; a quase ausência de cobertura relevante de assuntos da América Latina e Africa, o que leva à reprodução e ao enraizamento de vieses típicos das elites da nossa região, como o eurocentrismo e o norte-americanismo.

Erram porém os que pensam que a minha visão sobre a Folha é predominantemente negativa. Não é. A Folha foi a grande referência cultural e política dos jovens da minha geração, os que consolidaram ou formaram a sua consciência político-cultural e social já no ocaso da ditadura. Lembro-me da façanha que era obter um exemplar do jornal fora do eixo Rio-São Paulo-Brasília. E que deleite era consegui-lo! Naquela era pré-tecnologia da informação, em que o país era um deserto de ideias, repressivo, misógino e preconceituoso ao extremo, ler a Folha era como um bálsamo; os temas abordados pelo jornal eram objeto de análises e discussões acirradas pelos jovens de então; e o estupendo time de colunistas e correspondentes internacionais que o jornal ostentava, cada um mais instigante que o outro: Gerardo Mello Mourão, Osvaldo Peralva, Janio de Freitas, Paulo Francis, Tarso de Castro, Flavio Rangel, Clóvis Rossi.

Nos dias atuais, porém, penso que o papel mais importante cumprido pela Folha, ao lado de outras publicações igualmente importantes, é o de fazer o contraponto eficaz ao poder político em geral. E isso, como se sabe, é essencial a qualquer democracia digna desse nome. Pena que esse contraponto também não exista em relação a outros fatores reais de poder.

DEU NA UOL/FOLHA

A candidata do PSB a presidente da República, Marina Silva, usará seu último programa na propaganda eleitoral do 1° turno, nesta 5ª feira (2.out.2014), para transmitir uma de suas falas mais duras contra a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT. Marina acusa a petista se ser mentirosa ao dizer que não sabia da corrupção na Petrobras e diz que Dilma é inexperiente porque “não foi nem vereadora”.

Esse tom foi adotado na campanha do PSB nos últimos dias. Na TV, é o programa de ataque frontal mais direto em toda a propaganda eletrônica marinista. A candidata vinha se recusando a usar esse tipo de discurso em outras fases da campanha, apesar de ter sido fustigada de maneira incessante nas últimas 4 semanas, tanto por Dilma como pelo candidato Aécio Neves, do PSDB.

O programa vai ao ar na televisão às 13h e às 20h30 desta 5ª feira, quando se encerra o horário eleitoral. A peça é dirigida pelo marqueteiro Diego Brandy e tem 2 minutos e 3 segundos de duração.

Diante do tempo exíguo de TV, o PSB preferiu priorizar um discurso político da candidata, e não ensinar, de forma didática, em que número o eleitor de Marina deve votar na urna. Isso poderá ser um problema para a pessebista. Segundo o Datafolha, os eleitores de Marina são os que menos conhecem o número de sua candidata. Somente 47% dos eleitores de Marina sabem citar corretamente seu número de urna. Entre os eleitores de Dilma, a taxa é de 66% e, entre os de Aécio, de 61%. A pesquisa foi feita em 29 e 30 de setembro.

DEU NO UOL / FOLHA

MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa apontou a Odebrecht como a empreiteira responsável pelo pagamento de US$ 23 milhões, o equivalente a R$ 57 milhões, que ele recebeu na Suíça entre 2010 e 2011, segundo quatro pessoas envolvidas nas investigações da Operação Lava Jato ouvidas pela Folha.

Na época dos depósitos, Costa era diretor de abastecimento da Petrobras e responsável pela obra mais cara da estatal, a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O custo final do empreendimento deve passar de R$ 45 bilhões.

Em consórcio com a OAS, a Odebrecht ganhou o terceiro maior contrato das obras de Abreu e Lima, de R$ 1,48 bilhão, em valores de 2010.

A OAS é acusada pelos procuradores de ter usado sua subsidiária na África para enviar US$ 4,8 milhões para uma conta do doleiro Alberto Youssef, preso desde março.

O doleiro e Costa são réus sob acusação de integrarem uma quadrilha acusada de desvios de recursos públicos, pagamento de suborno a políticos e lavagem de dinheiro.

A Odebrecht nega ter feito qualquer pagamento para o ex-dirigente da Petrobras.

Auditoria do Tribunal de Contas da União divulgada no último dia 24 aponta que Camargo Corrêa, Odebrecht e OAS superfaturaram seus contratos na obra de Abreu e Lima em R$ 367,9 milhões.

A Camargo Corrêa obteve o maior contrato da refinaria, de R$ 3,4 bilhões. As empreiteiras negam que tenha havido sobrepreço nos contratos e contestam critérios usados pelo TCU em suas análises.

Paulo Roberto Costa apontou a Odebrecht num dos depoimentos que prestou após o acordo de delação premiada que fez com o Ministério Público Federal em agosto.

Ele se comprometeu a contar o que sabe na tentativa de obter uma pena menor na Justiça. O executivo foi libertado nesta quarta (1º), mas continuará em prisão domiciliar.

OUTRO LADO

Em nota enviada à Folha, a empreiteira afirma: “A Odebrecht nega veementemente ter feito qualquer pagamento ou depósito em suposta conta de qualquer diretor ou ex-diretor da Petrobras. A Odebrecht mantém, há décadas, contratos de prestação de serviços com a Petrobras, todos conquistados de acordo com a lei de licitações públicas”.

Prossegue a nota: “A empresa repudia a divulgação, pela Folha de S.Paulo, de notícia totalmente leviana, falaciosa, baseada em suposto vazamento ilegal de informações especulativas e desprovidas de qualquer fundamento fático. E lamenta que pretenso vazamento como este –feito ao arrepio da lei e em período pré-eleitoral– ocorra sem que a reportagem do jornal tenha tido acesso aos termos da delação e a qualquer documento que possa embasar a sua notícia.”

A empresa conclui: “Neste sentido, é de estranhar a postura da Folha, que contradiz a cautela’ com supostos vazamentos de informações inverídicas em procedimentos de delação premiada, recomendada pelo editorial do jornal (Petrobras como prêmio’), publicado no último dia 9 de setembro”.

A OAS não quis comentar as acusações do Ministério Público Federal. O consórcio liderado pela Camargo Corrêa diz que não há “qualquer procedência” nas acusações feitas pelo Tribunal de Contas. O consórcio diz que obteve a obra, por meio de licitação, após oferecer o menor preço.

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Posted on 02-10-2014
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Sponholz , hoje, no jornal da Manhã (PR)

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Posted on 02-10-2014
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Virgulino Ferreira, o Lampião:Gay?

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DEU NA VEJA ONLINE

Depois de três anos, finalmente o escritor e juiz aposentado Pedro de Morais vai poder lançar e vender o seu livro Lampião, O Mata Sete, em que diz que Virgulino Ferreira, o famoso cangaceiro nordestino, era gay. Por unanimidade, a 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE) reformou a sentença de primeiro grau que proibia o lançamento e a venda da obra.

Para o autor, o voto unânime dos desembargadores pode abrir um precedente no Brasil para autores que estão com biografias paradas na Justiça. “Foi um voto notável”, disse Morais, ao se referir ao desembargador Cezário Siqueira Neto, relator do processo.

No voto, Siqueira Neto entendeu que garantir o direito à liberdade de expressão coaduna-se com os recentes julgamentos do Supremo Tribunal Federal (STF). “Não é demais repetir que, se a autora da ação sentiu-se ?ofendida? com o conteúdo do livro, pode-se valer dos meios legais cabíveis. Porém, querer impedir o direito de livre expressão do autor da obra, no caso concreto, caracterizaria patente medida de censura, vedada por nossa Constituinte”, afirmou o magistrado.

Uma medida – 25 centímetros – levou as filhas do jogador de futebol Mané Garrincha a processar o escritor Ruy Castro pela publicação da biografia Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha, lançada em 1995. O número se refere ao tamanho do órgão sexual do ídolo e o detalhe rendeu ao autor e à editora Companhia das Letras uma ação por danos morais e materiais, em 2001, ano em que Castro foi condenado em primeira instância. O título chegou a ser impedido pela Justiça de ser vendido por um ano. Após recorrer, o autor foi eximido do processo por danos morais pelo desembargador João Wehbi Dib da Segunda Câmara Civel do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que viu como elogio a referência ao tamanho avantajado do órgão sexual de Garrincha. A editora e Castro, porém, não escaparam da condenação por danos materiais e tiveram que repassar 5% do valor de capa de cada exemplar vendido às filhas do jogador.

O relator afirmou, ainda, que a liberdade de expressão é algo fundamental na ordem democrática, por isso não é papel do Poder Judiciário estabelecer padrões de conduta que impliquem restrição à divulgação do pensamento. “Cabe, sim, impor indenizações compatíveis com ofensa decorrente de uma divulgação ofensiva”, completou.

Para o desembargador, “as pessoas públicas, por se submeterem voluntariamente à exposição pública, abrem mão de uma parcela de sua privacidade, sendo menor a intensidade de proteção”, citando em seu voto a doutrina do procurador federal Marcelo Novelino.

Processo – Em outubro de 2012, Vera Ferreira, neta de Lampião, entrou com duas ações na Justiça: uma por danos morais, justamente, pelo autor discutir a sexualidade do cangaceiro; e outra impedindo o lançamento do livro. Vera queria uma indenização de 2 milhões de reais nas duas ações, por danos morais e por Morais ter vendido os livros na 2ª Bienal de Salvador, que ocorreu em 6 de novembro de 2011. O escritor disse que Vera perdeu nas duas ações que moveu.

O livro, de 306 páginas, ainda não tem data para ser lançado. “Vou conversar com o meu advogado, Frederico Costa Nascimento, sobre o assunto. Também pretendo conversar com o escritor Oleone Coelho Fontes, que faz a introdução do livro, para decidirmos isso”, comentou. O autor tem mil exemplares em casa e há outros 10 000 já encomendados.

O advogado de Vera Ferreira, Wilson Winne de Oliva, disse que vai recorrer da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele disse que, embora respeite a decisão do TJ de Sergipe, não concorda, pois o que está em jogo é a intimidade de uma família. “E intimidade não é história”, defende. Wilson tem 15 dias, a partir da publicação no Diário Oficial da Justiça, para entrar com o recurso. “Acredito que até segunda-feira, dia 6, faremos isso”, afirmou.

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Uma crise no abastecimento de água de um Estado inteiro nos meses que antecedem as eleições poderia ser desastroso para qualquer governante que pretendesse ser reeleito. Mas não em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com 31,5 milhões de eleitores (22% do total nacional). Na última pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, o governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 49% das intenções de voto, contra 23% de Paulo Skaf (PMDB) e 10% de Alexandre Padilha (PT).

Embora Alckmin siga negando, 31 das 645 cidades paulistas já adotaram o racionamento de água por causa da crise hídrica, segundo um levantamento feito pelo jornal SPTV na semana passada. E as torneiras também estão secas em diversas outras cidades do Estado e em dezenas de bairros da capital paulista, numa espécie de racionamento silencioso. A única que se pronuncia é a população, que sai às ruas para se manifestar contra a falta d’água. Desde a semana passada, moradores de Itu (a 74 quilômetros de São Paulo) organizam protestos em frente à Câmara dos vereadores. O Governo trata de maneira seca o assunto. “Não falta água em São Paulo e não faltará”, disse Alckmin em debate nesta terça-feira na Rede Globo.

A situação no Sistema Cantareira é preocupante desde 2004, quando o Estado já era governado por Alckmin, que assumiu o cargo após a morte de Mario Covas. Na época, foi renovada a outorga que concedia o direito à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) administrar o reservatório. Para a renovação da outorga, uma das condições era que a Sabesp realizasse um estudo “para viabilizar a redução de sua dependência do sistema”, em um prazo de 30 meses. O documento foi entregue somente em outubro do ano passado, nove anos depois. E uma das conclusões desse estudo foi que “a região não dispõe de dispositivos hidráulicos capazes de garantir o suprimento de água bruta quando da ocorrência de eventos críticos de escassez”. Nesta quarta-feira, o volume útil do Cantareira continuava batendo recordes, registrando 6,7%.

“Estamos à beira de um desabastecimento por conta desse gerenciamento de risco que vem sendo feito desde 2004”, explica o especialista em hidrologia Antônio Carlos Zuffo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo Zuffo, outra condição não cumprida na época da renovação da outorga foi a necessidade de se fazer um controle chamado Curvas de Aversão a Risco (CAR). Isso significa que o volume mensal do reservatório deveria ser calculado e, baseado nesse volume, se estabelecer a quantidade de água que poderia ser retirada para a distribuição. O que, segundo Zuffo

BOM DIA!!!

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