Dilma: depois da ONU a carreata em Feira de Santana
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DILMA E A SOMBRA DE MARINA

Vitor Hugo Soares

O presidente Barack Obama, durante a sua campanha à reeleição nos Estados Unidos, já havia sinalizado um fenômeno intrigante das multimilionárias e espetaculares campanhas eleitorais atualmente: a quase onipresença de alguns candidatos (os mais bafejados pelas “doações financeiras” aos partidos, evidentemente) nos mais distantes lugares e nas mais improváveis situações quando a urgência das urnas bate à porta, como acontece agora no Brasil.

Um fenômeno exposto em três dias desta semana no puxado e incomun circuito Brasília – Nova Iorque (ONU)- Feira de Santana, percorrido pela presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição. Espetáculo multimídia e multinacional. Encenação político-marqueteira com todas as cores das velhas práticas do “jeitinho nacional”. Somado com a ostentação de novo rico que nada na grana; da retórica farsesca, da arrogância e demonstrações ostensivas de poder de uma das mais ricas superproduções eleitorais já levadas a efeito no País em sua história republicana.

Na noite de terça-feira (23), a candidata-presidente, seus aliados e coordenadores de campanha concluíram as manobras rápidas e de surpresa que incluíam medidas políticas, legais e de conveniências pessoais. A motivação foi passar – com a tranqüilidade e a confiança das ações entre amigos -, o comando da Nação ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, com quem, dias antes na solenidade de posse no STF, a presidente trocara beijinhos e afagos com direito a tapinhas nas costas.

Até uma viagem oficial do vice-presidente da República, Michel Temer, precisou ser arranjada para o Uruguai, do presidente Pepe Mujica. Antes da candidata petista (com vestes presidenciais) poder embarcar no avião que a levou a Nova Iorque, onde na quarta-feira, 24, surpreenderia o mundo ao usar o plenário das Nações Unidas na abertura da sua Assembléia Geral, como palanque eleitoral para tentar, impropriamente, ganhar pontos na indefinida disputa que trava , principalmente com a ambientalista do PSB, para continuar por mais quatro anos na cadeira de mando do Paláciodo Planalto.

Em seguida embarcou de volta ao País. E, assim, foi possível amanhecer na Bahia na quinta-feira, 25, e participar, ainda na manhã do mesmo dia, de feérica e barulhenta carreata pelas ruas de Feira de Santana, segunda maior cidade do estado, localizada estrategicamente no principal entroncamento rodoviário entre o Sudeste e o Nordeste do Brasil. Na Praça dos Nordestinos, ao lado do governador Jaques Wagner e do candidato petista à sucessão, Rui Costa, discursou, antes de pegar o avião de voar de novo para Brasília. Não antes que fossem produzidas novas e poderosas imagens de marketing para os próximos programas do horário eleitoral. Amaldiçoado seja quem pensar mal dessas coisas, diriam os irônicos franceses.

Governada pelo DEM, do falecido Antonio Carlos Magalhães, Feira de Santana é porta de entrada para os grotões do Interior e, ao mesmo tempo, importante e tradicional tambor de ressonância da política baiana e nordestina, desde o tempo do ex-prefeito cassado Chico Pinto. Depois, corajoso deputado condutor de lutas históricas de resistência contra a ditadura na Bahia e no País.

Assim como a Capital, governada por ACM Neto, (principal cabo eleitoral, ao lado do atual prefeito feirense, José Ronaldo, da candidatura de Paulo Souto, que lidera as pesquisas à sucessão de Wagner), Feira é espinha na garganta dos petistas no projeto de fazer do pesado Rui Costa o sucessor de Wagner e garantir para Dilma a votação expressiva, ou próxima da obtida na presidencial passada.Tarefa cada vez mais complicada e implausível.

Nas eleições municipais passadas, Jaques Wagner, Dilma, Lula e seus aliados (entre os quais muitos ex-carlistas em cima do palanque) foram surrados na capital e em Feira de Santana. Sem dúvida, aguarda-se novo embate decisivo, capaz de justificar tanto empenho da candidata Dilma e dos que a apóiam na região.

Na campanha da sua reeleição, dizia Obama nos Estados Unidos, de monumentais distâncias a serem cumpridas por candidatos em campanhas eleitorais: – Agora basta pegar um avião e não há distância que não possa ser percorrida em poucas horas ou em poucos minutos. Para uma reunião importante do staff, um comício eleitoral, uma caminhada nas ruas, um abraço pessoal no militante ou um pedido de voto”, disse então o presidente antes da apertada conquista do novo mandato que agora exerce.

No Brasil, agora, com a incansável Marina nos calcanhares (figura aparentemente frágil, mas com fôlego e resistência de dar inveja aos adversários e surpreender aliados e críticos), Dilma trata de “passar sebo nas canelas”, no dizer dos nordestinos. Ou “botar azeite nas asas”, segundo os soteropolitanos, ao adaptar o ditado popular aos feitos (e malfeitos) da candidata petista esta semana, na rota Brasília, Nova Iorque (ONU)- Feira de Santana.

Resultados a conferir.

Vitor Hugo Soares, jornalista, é editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 27 setembro, 2014 at 11:13 #

O desfile canhestro.

Dona Dilma cumpriu sua sina na ONU, o crachá, dava-lhe uma certa importância, o Brasil não é, de há muito, uma excentricidade.

Mas…

A tal chefe da nação tupíniquim, a gerentona em campanha, com certeza, é no mínimo fora de tom.

Enterrou de vez as pretensões diplomáticas, de um dia vir ter assento no conselho de segurança, sabe-se lá com que propósito, ao pregar diálogo com os tais mestres da decapitação. Talvez Freddy Krugger seja o intérprete desta insanidade.

De resto claudicou no tema meio ambiente, desmatamento zero em 2030, nem pensar, Dilma, Lula, e quejandos, são nômades, precisam de espaço infindos, novos eleitores, novas frentes a conquistar.

O que sobrou da viagem?

Simples, sobrou tempo, combustível e alarido, para promover corsos fora de época na Bahia.

Caymmi não foi.


luiz alfredo motta fontana on 27 setembro, 2014 at 11:30 #

A Bahia, pelo visto, vai acabar virando reduto petista.

Bahia – 7,1% do eleitorado brasileiro
Dilma Rousseff (PT) – 52%
Marina Silva (PSB) – 23%
Aécio Neves (PSDB) – 11%
Luciana Genro (PSOL) – 1%
Outros com menos de 1% – 1%
Branco/nulo – 6%
Não sabe/não respondeu – 7%
Margem de erro: 3 pontos percentuais, para mais ou para menos

O Ibope ouviu 1.512 eleitores em 83 municípios do estado dos dias 21 a 23 de setembro. A pesquisa, encomendada pela TV Bahia, está registrada no TRE-BA sob o número 00026/2014 e no TSE sob o número 00763/2014.


luiz alfredo motta fontana on 27 setembro, 2014 at 11:31 #

Alguém pode me dizer o que acontece na Bahia?


jader on 27 setembro, 2014 at 12:12 #

Aguardando o post da frase do dia .


luiz alfredo motta fontana on 27 setembro, 2014 at 14:19 #

E o Genoíno?

E o Dirceu?:

Ambos leves, soltos e pímpões em 2015.

Dilma irá compensar o período de Papuda nomeando Dirceu e Genoíno para alguma “pasta que fura poço”?

Marina os incluirá no tal rol de “melhores do PT”?

Porque o silêncio a respeito?

Esta dúvida só perde para a que envolve o futuro de um baiano, já não tão predestinado a brilhar nos salões petitas, o tal Gabrielli, aquele que quase foi a “Dilma de Wagner”.

A campanha, com seus marqueteiros, aproxima-se do fim, as delações premiadas ainda padecem de sigilo.

O eleitor, este pobre coitado, exibe orgulhoso a tal margem de erro, sem saber se o candidato sorridente foi devidamente citado nos escaninhos da delação.

A possibilidade de termos recém eleitos nos bancos dos réus é tão abissal quanto à certeza que as contas não fecham na condução da economia.

2015, será o ano de driblar a conta de luz, dirigir na banguela, tomar banho de canequinha, tudo em módicas parcelas sob o patrocínio da Friboi.


Olívia Soares on 28 setembro, 2014 at 9:09 #

A Bahia é o Brasil levado às últimas consequências (Armando Oliveira). É isso, Poeta.


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