Marina:voo para Salvador apesar do medo do jatinho…
Foto:Folha
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…Aécio (com Paulo Souto, Geddel e ACM Neto) no
palanque ambulante em Itabuna

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ARTIGO DA SEMANA

Dilma, Marina, Aécio e o Nordeste na Hora H

Vitor Hugo Soares

No Rio de Janeiro, na quinta-feira (18), seguia a candidata do PSB, Marina Silva, dentro do taxi rumo ao aeroporto para embarcar no jatinho que a conduziria aos estados do Espírito Santos e Mato Grosso, em novos voos da atribulada campanha presidencial que ela empreende pelos quatro cantos do País.

Cumpriu sem maiores sustos essas duas paradas, antes de desembarcar, neste sábado, 20, em Salvador, para caminhar pelas vias estreitas, praças, ladeiras e becos do Pelourinho: reduto de ressonância nacional e mundial das lutas políticas da negritude baiana; dos tambores da música e dos cultos afro-brasileiros. Depois, um comício nas Cajazeiras.

A candidata socialista, evangélica de fé comprovada, virá com propósitos sincréticos, bem ao estilo da terra, nesta nova ofensiva em busca dos preciosos votos da Bahia (quarto maior colégio eleitoral do País) e da região Nordeste, que despontam, novamente, como decisivos pela terceira eleição presidencial seguida, na Hora H das urnas. Quando é preciso mostrar, de fato, “quem tem farinha para vender na feira”, no dizer popular repetido pelo gaúcho Leonel Brizola.

À exemplo de Paris, para os ardorosos amantes do filme “Casablanca”, sempre haverá Salvador, a Bahia e o Nordeste, para quem sonha ser presidente do Brasil.

Na quinta-feira, Marina ainda carregava na rouquidão da voz e na intensidade das palavras que usa na conversa ao telefone dentro do carro, marcas da emoção deixadas pelo encontro, na noite anterior, com artistas (Gilberto Gil à frente) e intelectuais em terras cariocas. Ela se esforça para vencer o cansaço evidente causado pelo desgaste emocional e o repuxo intenso e implacável da campanha. Tem sido assim desde a morte trágica do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que a levou à cabeça da chapa socialista. E tende a aumentar.

Véspera de ser anunciado o resultado da mais recente pesquisa Datafolha-Rede Globo, que apontou nesta sexta-feira (19) para eletrizante e embolada reta final de campanha, na qual os três principais candidatos estão no páreo: Dilma(37%), Marina (30) e Aécio(17%). No caminho para o aeroporto, Marina enfrenta, de novo, um desafio que a apavora mais que seus dois ameaçadores oponentes políticos: o pesadelo de viajar de jatinho, que a tem feito “perder a compostura”, segundo confessou à repórter Marina Dias, em uma das melhores e mais humanas reportagens desta campanha, publicada na Folha.

Ao telefone, no taxi, a candidata do PSB fala para a Bahia. Dá entrevista para a Rádio Metrópole/Salvador. Conversa com Mário Kertész, ex-prefeito da capital, atualmente um antenado, sagaz, provocador e sempre polêmico radialista. Âncora de programas de fabulosa audiência na rádio local.

A candidata, mesmo à distância, conhece bem a casa e seu entrevistador, de outras conversas e batalhas políticas e eleitorais. Aproveita para rebater “críticas e ofensas de Lula, Dilma e Aécio” e cutucar petistas e tucanos na busca de votos de gregos, baianos e, principalmente, dos nordestinos em geral. Que ela enxerga – a exemplo de seus dois mais fortes oponentes – como decisivos à medida que se aproxima a votação do primeiro turno, em 05 de outubro.

A acreana “faz enxame” (a expressão é típica dos soteropolitanos) antes de desembarcar este sábado em Salvador, em busca de gás renovado e bons fluidos para impulsionar sua campanha. Quer, também, ajudar a empurrar para cima, as oscilantes campanhas de Lídice da Mata, para o governo do Estado, e da jurista e polêmica ex-presidente do CNJ, Eliana Calmon, para a vaga baiana no Senado.

Enquanto Marina fala na rádio, o candidato do PSDB, Aécio Neves, também namora a Bahia e o Nordeste. No mesmo dia 18, praticamente no mesmo horário da conversa via célular de Marina com Kertész, o tucano mineiro queima a pele ao sol do meio dia na cidade de Itabuna, no sul baiano.

Em cima de um palanque sobre rodas – cercado pelos maiorais do DEM no estado, o candidato a governador Paulo Souto, o prefeito de Salvador ACM Neto, e o maioral do PMDB, Geddel Vieira Lima, candidato de oposição ao Senado, líder das pesquisas, como Souto, – Aécio dispara munição pesada. No lugar que já foi, até eleições recentes, ninho petista comandado pelo ex-prefeito, compadre e amigo do peito de Lula, deputado federal Geraldo Simões.

“Ajudem-me a tirar o PT do Brasil”, pede o candidato tucano aos itabunenses da região do cacau onde nasceu Jorge Amado. E estende a convocação aos baianos em geral e nordestinos em particular. ACM Neto, recém saído de um embate vitorioso com os petistas, vaticina. “Itabuna e a Bahia mandam hoje um recado para todo o Brasil: a virada já começou”.

O comando da campanha petista se apressa em comunicar: a candidata Dilma Rousseff também baixará no terreiro baiano na quinta-feira da semana que vem. Hora H da campanha no primeiro turno.

Sempre haverá a Bahia e o Nordeste. A conferir.

Vitor Hugo Soares, jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luís augusto on 20 setembro, 2014 at 3:02 #

Bela análise, Vítor, evocando nossos sentimentos mais profundos, de baianidade e de política.

E não nos esqueçamos de que foi em Cajazeiras que Dilma decretou a derrota de Pelegrino em 2012.


luiz alfredo motta fontana on 20 setembro, 2014 at 9:04 #

Caro VHS

Tem sábados que assemelham segundas.

Este, para mim, amanheceu como um deles.

Talvez pelo desfile de candidatos “batendo sete freguesias”.

Talvez por saber que nenhum deles sobreviva ao “olhar o caroço dos olhos”.

Talvez…

Nessa hora lembro de Ulisses, que se encantou no mar, “azulou” sem dizer mais nada e sem nada dever.

Quando leio distraído que a tal nova política é um “caminhão de feira” em que FHC, Serra, e outros tucanos, têm assento garantido, todos com crachás garantidos por Simon, o Pedro, resto “abirobado”.

Ulisses foi surrupiado pelos tucanos, FHC, Serra, Covas, todos sem expressão eleitoral, mas com muita sede, espertos, levaram junto o ingênuo Franco Montoro, este sim “abuletado” de votos.

A desculpa? A presença de Quércia no partido, o “filho da bexiga” justificava o “meloto”.

A par disto, vem a memória, uma certa reunião em casa do “Senhor Diretas”, em que Simon, reza a lenda, teve de ouvir, poucas e boas, de Dona Mora enquanto tentava convencer Ulisses de abrir mão da candidatura em prol do mesmo Quércia.

A verdade é que São Paulo perdeu o encanto e ganhou tucanos e petistas em profusão. Triste trecho.

Pois é, sob o lema de “nova política”, essa turminha está prestes a “arear a fivela” com Dona Marina.

“DIABEISSO!”


Graça Azevedo on 20 setembro, 2014 at 15:16 #

Com todo o respeito. Minha preocupação agora é quem ganha o Mundial de Volei. Aí as regras são claras e os jogadores não podem trocar de lado ao sabor de derrotas e vitórias.


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