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CRÔNICA
A presidente que fala com Deus

Janio Ferreira Soares

Qualquer que seja o resultado desta eleição, Marina Silva já pode se considerar vencedora. Senão pelo fato de ter superado todas as dificuldades que pintaram na primeira parte de sua vida (malária, pobreza, contaminação por mercúrio…), pelo menos – e principalmente – pela surpreendente notícia de que ela, como se fora uma espécie de escolhida, mantém uma linha direta com ninguém mais, ninguém menos, do que Deus. Caraca!

Em se confirmando essa poderosíssima conexão, não tenho dúvidas de que a ex-senadora fatalmente será eleita, já que nenhum outro candidato demonstrou possuir um interlocutor de tamanho calibre, embora Dilma esteja convicta de que Lula possui atributos que lhe conferem certa equivalência com o Altíssimo. Em todo caso, diante desse acontecimento tão extraordinário, peço desculpas aos fanáticos de plantão, mas não tem como não imaginar o que poderá acontecer caso ela seja a nossa presidente. Simbora.

Meados de 2015, véspera de uma importante votação no Congresso. Depois de serem inocentados de alguma nova malandragem, Renan, Lobão e Sarney (com um tubo de oxigênio sob a cadeira de rodas) chegam ao Palácio do Alvorada para mais um achaque travestido de reunião. Antes de descer para recebê-los, Marina resolve conversar com Deus e, para tanto, segue à risca o ritual da canção de seu ministro Gilberto Gil. A sós, ela apaga a luz, despe-se, tira os sapatos, lambe o chão do palácio e apesar do mal tamanho a lhe espreitar degraus abaixo, tem que alegrar seu coração.

Enquanto isso, num ponto qualquer do firmamento, Deus, depois de mais um dia daqueles tentando resolver os problemas da Faixa de Gaza – e ainda tendo que aturar as preces das torcidas do Bahia e do Vitória para livrá-los do rebaixamento -, tenta relaxar tomando um vinho do Porto e ouvindo a trilha sonora de Cinema Paradiso. Na metade do tema de Totó e Alfredo, um insistente holograma com um mico-leão-dourado pulando de galho em galho começa a piscar em sua frente, o que o leva a emudecer fagotes e oboés com um gesto de mão idêntico ao que Jô Soares usa para silenciar o seu sexteto. Em seguida, com o humor afiado, pergunta: “o que foi dessa vez, Osmarina? Não me diga que é alguma revolução sexual na floresta, com os bichos querendo sair das tocas para reivindicar o acasalamento entre animais do mesmo sexo!”. Antes que ela prossiga, Ele continua: “eu bem que lhe avisei para não se meter na política e que era bem melhor pra você ter continuado convivendo com curupiras, sacis e mulas-sem-cabeça entre seringais e igarapés”. “Mas senhor, eu…”.

E antes que ela continuasse, Deus encerrou o assunto dizendo que lá, como cá, também existem os acordos entre o bipartidarismo que rege o Universo e que, para conter grandes tragédias e epidemias é preciso fazer algumas concessões, como entregar a alma de certos políticos ao líder da bancada oposicionista das entranhas.

Em seguida, serve-se de uma dose de bourbon, balança o dedo como o maestro do mundo e a voz de Bob Dylan cantando Mr. Bojangles ecoa pela galáxia, abafando o choro do outro lado da linha.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, na margem baiana do Rio São Francisco.

set
13


Lula e Marina: outros tempos

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DEU NO UOL/FOLHA DE S. PAULO

MARINA DIAS

DE ENVIADA ESPECIAL AO RIO

Alvo de uma série de ataques desde que entrou na corrida pelo Planalto e virou uma ameaça para a presidente Dilma Rousseff (PT), a ex-senadora Marina Silva (PSB) fez um desabafo e chorou ao ser questionada pela Folha sobre as críticas que recebeu do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem foi aliada por 24 anos.

“Eu não posso controlar o que Lula pode fazer contra mim, mas posso controlar que não quero fazer nada contra ele”, disse na noite de quinta-feira (11), no banco de trás do carro que a levava ao hotel após mais de treze horas de campanha no Rio de Janeiro.

Emocionada, disse ser quase impossível acreditar que o petista esteja fazendo isso, mas demonstrou que ainda nutre admiração pelo ex-presidente.

“Quero fazer coisas em favor do que lá atrás aprendi, inclusive com ele [Lula], que a gente não deveria se render à mentira, ao preconceito, e que a esperança iria vencer o medo. Continuo acreditando nessas mesmas coisas”, afirmou.

Marina, que frequentemente se declara “injustiçada” pelos ataques do PT, lembrou do que aconteceu com Lula nas eleições de 1989, quando ele disputou a Presidência da República e perdeu para Fernando Collor.

“Sofri muito com as mentiras que o Collor dizia naquela época contra o Lula. O povo falava: Se o Lula ganhar, vai pegar minhas galinhas e repartir’. Se o Lula ganhar, vai trazer os sem-teto para morar em um dos dois quartos da minha casa’.”

Em seguida, acrescentou: “Aquilo me dava um sofrimento tão profundo e a gente fazia de tudo para explicar que não era assim. Me vejo fazendo a mesma coisa agora”.

Na porta do hotel em Copacabana, após alguns segundos em silêncio, Marina desceu do carro recomposta. Virou o rosto e disse à reportagem: “Mas não tenho raiva de ninguém não, nem da Dilma. Vou continuar lutando”.

Desde que subiu nas pesquisas, Marina está sob ataques do PT, partido ao qual foi filiada de 1985 a 2009.

Ela deixou a legenda depois de se afastar do Ministério do Meio Ambiente, que comandou por cinco anos no governo de Lula. Marina teve várias divergências com o ex-presidente nesse período. A principal, alega, era a dificuldade para desenvolver sua agenda ambiental.

set
13
Posted on 13-09-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 13-09-2014


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Aroeira, hoje, no jornal O DIA (RJ)

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ARTIGO DA SEMANA

Marina x Dilma (e Aécio): tapas e beijos no ringue eleitoral

Vitor Hugo Soares

Cansada de apanhar, e de ser empurrada para as cordas no ringue em que se transformou a campanha presidencial, na sua ruidosa e indefinida quase reta de chegada, a candidata do PSB, Marina Silva, ensaia mudança drástica de conduta. Troca as sandálias da delicadeza política e da pessoal doçura franciscana, pelos sapatos de palmilha e salto reforçados: bem mais apropriados para a fase “bateu levou” que ela parece ter decidido encarar desde a última quinta-feira, 11 de setembro.

A ambientalista – trajada com a vestimenta socialista do partido que a protege e abriga desde que a Justiça Eleitoral lhe negou, estranhamente, o direito de criar a sua Rede – não poderia ter escolhido data mais emblemática para sinalizar a transformação de comportamento na campanha. Tanto os que recordam com espanto das torres gêmeas derrubadas em Nova Iorque, nos Estados Unidos, quanto os que não esquecem do Palácio La Moneda bombardeado em Santiago, no Chile, de onde foi retirado morto o presidente democraticamente eleito, Salvador Allende.

Marina não poderia, igualmente, ter escolhido ambientes mais apropriados para mandar os sinais ressonantes de seus tambores de guerra: o programa do PSB no horário gratuito de propaganda na TV, em cadeia nacional, e a sabatina a que foi submetida a candidata pelos colunistas do jornal O Globo, no Rio de Janeiro. No primeiro caso, a surpresa do programa repaginado, enxuto, direto e expressando à quase perfeição (diante da exigüidade do tempo) o sonho e o projeto da candidata de estabelecer ligação e diálogo diretos com a sociedade.

Sonhos alentados em razão da atual falência política e moral dos partidos políticos e de seus principais representantes nos parlamentos e nos governos: federal, estaduais e municipais. Uma Inspiração, diga-se, recolhida do pensamento e da ação do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos: o candidato inicial do posto agora ocupado pela ex-senadora, tragicamente morto em 13 de agosto no desastre aéreo de Santos.

Desastre, por sinal, ainda à espera de investigações sérias sobre as suas causas e responsabilidades. Esclarecimentos cabais e insofismáveis. Além de reparações justas e rápidas (reivindicam familiares do ex-governador) às famílias de todas as vítimas da tragédia. Passageiros e tripulantes do jatinho Cesna e moradores do bairro santista onde o avião caiu e explodiu.

Medidas que poderiam estancar ou mesmo impedir siga prosperando a perversa cultura nacional de transformar vítimas em culpados. De confundir tudo e misturar na geléia geral brasileira, em que nada é verdadeiramente esclarecido e os reais culpados sempre escapam, entre os dedos ou pela cada vez mais escancarada porta da impunidade e da cumplicidade.

No segundo caso, mas não menos importante (até ao contrário), a decisão de Marina Silva de promover o ensaio geral da sua fase “bateu levou”, durante a sabatina do jornal O Globo, na última quinta-feita, igualmente no 11 de setembro. E a candidata socialista bateu forte e sem meias palavras ou metáforas impenetráveis.

Partiu para cima do PT e da adversária Dilma Rousseff, com quem disputa ponto a ponto nas pesquisas de opinião a preferência do eleitorado nacional, na corrida para destronar a atual ocupante do Palácio do Planalto, uma vez que Aécio Neves, do PSB, “só faz murchar”, como definiu o jornal espanhol El Pais.

Dilma briga pela reeleição com todas as garras (e alguns sorrisos e beijinhos, como se viu esta semana na cerimônia de posse do ministro Ricardo Lewandowski, no comando do Supremo Tribunal Federal). Na sabatina, a ambientalista mirou na cabeça do PT, ao responder uma pergunta sobre a situação atual dos partidos políticos no Brasil: as pessoas não confiam em um partido que colocou um diretor na Petrobras por 12 anos para “assaltar os cofres” da estatal, disse, referindo-se a Paulo Roberto Costa, ex-diretor da empresa encarcerado pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal, por evidências de participação de esquema de corrupção em contratos da Petrobras.

E, sobre a acusação de que pretende sepultar o pré-sal, espalhou chumbo na direção da candidata petista que, na véspera, a acusara, em um palanque de Belém do Pará, ao lado do ex-presidente Lula, de “candidata frágil, insegura e vacilante, que recua e muda de posição, até diante de um Twitter postado nas redes sociais”, foi enfática:

“É preciso entender que o que está ameaçando o pré-sal é o que está sendo feito pela Petrobras. Uma empresa que hoje vale metade do que valia quando Dilma assumiu, e que está quatro vezes mais endividada, em relação à dívida que tinha. É isso que está ameaçando o pré-sal”, rebateu Marina, na sabatina.

Teve muito mais, mas não repito aqui. Os detalhes estão nos jornais, nas redes sociais, nos horários eleitorais e na ressonância das ruas. O que importa de tudo isso são os fatos, a verdade, e o resultado. A conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@ terra.com.br

DEU NA COLUNA DE MÔNICA BERGAMO, NA FOLHA DE S. PAULO

As campanhas de Dilma Rousseff e de Marina Silva vão travar uma “guerra das estrelas” na segunda-feira.

Há alguns dias, a equipe da petista começou a preparar um encontro no Teatro Casa Grande, no Rio de Janeiro, para reunir artistas e intelectuais que apoiam a reeleição.

Os convites estão sendo feitos pelo sociólogo Emir Sader. Entre os que foram chamados para o evento estão o teólogo Leonardo Boff, a economista Maria da Conceicao Tavares, a filósofa Marilena Chaui, as cantoras Beth Carvalho e Alcione, o compositor Noca da Portela, Vera Niemeyer, viúva do arquiteto Oscar Niemeyer, e o produtor Luiz Carlos Barreto.

A lista dos que confirmaram presença ainda não está fechada.

A reação da equipe adversária foi rápida.

Hoje, o cineasta Fernando Meirelles enviou e-mail para artistas e cineastas convidando-os para que eles possam “ter um contato mais próximo” com Marina Silva.

Na lista de Meirelles estão, entre outros, Odilon Wagner, Andre Abujamra, André Klotzel, Alexandre Frota, Astrid Fontenele, Bruna Lombardi, Bruno Barreto, Cao Hamburger, Denise Fraga, Fabio Assunção, Gero Camilo, Irene Ravache, Ivaldo Bertazzo, Toni Venturi e Gisela Moreau.

Nem todos já confirmaram presença.

O evento de Marina será na Casa das Caldeiras, em São Paulo


A canção de Caetano Veloso reproduz musical, poética e magistralmente a vida no Recôncavo Baiano e, dentro dela, a viagem de motriz entre Santo Amaro da Purificação e Salvador.

Um dos encantamentos da adolescência deste editor do BP, no tempo em que morava e estudava em Terra Nova, então distrito de Santo Amaro.

A música e a poesia Caetano, completadas pela interpretação de Bethânia, são insuperáveis.

Além do cheiro e do sabor doce amargo do canavial que a melodia também provoca em mim, sinto cada vez que a escuto (e gosto mais) a recordação poderosa e a intensa sensação de ver o mar pela pela primeira vez através da janela do motriz.

Uma canção fundamental: ontem, hoje e sempre,

BOM DIA!!!

(Vitor Hugo Soares)

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Motriz

Composição:Caetano Veloso

Voz: Maria Bethânia

Embaixo a Terra e em cima o macho, o céu
E, entre os dois, a idéia de um sinal
Traçado em luz e em tudo a voz de minha mãe
E a minha voz dela e a tarde dói de tão igual

A tarde que atravessa o corredor
Que paz! Que luz que faz! Que voz! Que dor!
Que doce amargo cada vez que o vento traz
A nossa voz que chama verde do canavial, Canavial

E nós, mãe…
Candeias, motriz!

Aquilo que eu não fiz e tanto quis
É tudo o que eu não sei, mas a voz diz
E que me faz e traz capaz de ser feliz
Pelo Céu, pela terra a tarde igual pelo sinal, pelo sinal

E nós, mãe…
A penha – Matriz!
Motriz…
Matriz…
Motriz…

set
13

DEU NO JORNAL DIÁRIO DE NOTÍCIAS, DE LISBOA

A Casa Branca declarou esta sexta-feira, 12, que os EUA estão em “guerra” contra o Estado Islâmico (EI), uma atualização depois de uma flutuação semântica sobre a estratégia anunciada na quarta-feira pelo Presidente Barack Obama.

O secretário de Estado, John Kerry, que está em viagem no Médio Oriente para reunir uma coligação o mais ampla possível contra o EI, tinha sido reticente em utilizar o termo “guerra” para qualificar o alargamento da operação militar norte-americana contra o EI no Iraque e na Síria.

Mas, ontem na sexta-feira, o Pentágono e a Casa Branca deixaram poucas dúvidas sobre a sua forma de ver o conflito.

“Os EUA estão em guerra contra o EI da mesma maneira que estávamos em guerra contra a Al-Qaeda e os seus aliados no mundo”, declarou o porta-voz da Presidência, Josh Earnest, durante o encontro diário com a imprensa.

A mesma mensagem foi passada pelo porta-voz do Pentágono, contra-almirante John Kirby: “Estamos em guerra contra o EI da mesma maneira que estamos em guerra e continuamos a estar com a Al-Qaeda e os seus aliados”.

Na véspera, Kerry tinha preferido falar em “operação antiterrorista de grande envergadura”, durante uma entrevista à estação televisiva CBS.

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