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Marina (com Pedro Simon):sob os olhos do mundo


ARTIGO DA SEMANA

Marina (e companhia) na boca do mundo

Vitor Hugo Soares

Na imprensa e nas redes sociais pululam notícias, opiniões, análises, previsões e palpites para todo gosto, sobre as eleições presidenciais que se aproximam e as probabilidades de seus principais candidatos e partidos. “E isso é natural” (para seguir na batida do samba) em tempo de campanha política, mais ainda em disputa presidencial, que mexe com os nervos e interesses de muita gente, dentro e fora do país. Lá fora, por sinal, atrai mais interesse do que imagina nossa vã filosofia.

Às vezes entrando pela madrugada, podem testemunhar notívagos freqüentadores das redes sociais (Twitter e Facebook, principalmente). Ou insones ouvintes dos noticiários da CNN; os leitores dos sites dos principais jornais internacionais; além de boêmios e inveterados seguidores, nas noitadas de domingo, do programa Manhattan Connection, ancorado desde Nova Iorque pelo jornalista mineiro Lucas Mendes, no canal privado Globo News.

Além de Mendes, suas azeitadas extensões globais ilimitadas nos planos da política, economia e cultura. Tudo a cargo de profissionais de grosso calibre em informações jornalísticas, amenidades, humor inteligente, serviços e entrevistas referenciais. Fixados em Miami, São Paulo, Veneza e, eventualmente, Londres.

Assinalo esses pontos para destacar dois pilares básicos do jornalismo político ou de qualquer outro tipo: “Em primeiro lugar Sua Excelência o fato” – para usar uma frase sempre repetida por Ulysses Guimarães, até desaparecer em desastre aéreo e ficar encantado no fundo do mar. Depois, a opinião, a análise, o palpite. “Manhattan” é bom e exemplar em tudo isso.

Aqui desejo chamar a atenção para duas das mais recentes edições do programa da Globo News, com abordagem destacada da campanha presidencial no Brasil, a partir da morte de Eduardo Campos e da entrada, no palco principal da disputa, da candidata Marina Silva.

Programas que repercutiram, geraram polêmica e causaram até uma briga feia no Twitter (ou bonita, a partir do ponto de vista do observador) entre o jornalista Diogo Mainardi e o ator global e petista sem meias medidas, José de Abreu. Isso depois de Mainardi cravar a ousada previsão de que “esta eleição Marina já papou” e alinhar significativos motivos que o fazem pensar assim. O palpite foi dado originalmente no Manhattan Connection, no domingo seguinte à morte do ex-governador de Pernambuco, durante a entrevista do filósofo e cientista político da USP, José Álvaro Moisés.

Da capital paulista, ao lado do jornalista de economia, Ricardo Amorim, o entrevistado antecipava a reviravolta das preferências eleitorais, que se confirmaria a seguir nas pesquisas, mas hesitava em relação ao candidato que mais se beneficiária com a saída de Eduardo Campos da disputa.

“Tanto pode ser Marina, quanto Dilma ou até mesmo o tucano Aécio Neves. Tudo vai depender do tom que a campanha vai tomar”, tateava então o professor Álvaro Moisés. De passagem por Londres, a caminho da Escócia, Mainardi não deixou passar a oportunidade de atear fogo na entrevista.

“A gente não pode ser tão prudente e nós estamos sendo prudentes demais nessa análise. Marina já está com a eleição no papo. Nas próximas pesquisas ela já vai aparecer na frente de Aécio no primeiro turno e da Dilma no segundo”. Disse mais, que Marina nunca precisou dos votos de Eduardo, “pois ela sempre teve mais votos do que ele. Ela tem um caminhão de votos. Precisa sim da costura política que o ex-governador fez com muita competência e talento no país e ela nunca soube fazer”.

“Isso vai ajudar, e muito, a Marina crescer ainda mais e ganhar as eleições”, disse Mainardi, que no programa do domingo passado lembrou mais um dado para reforçar sua previsão: a revelação das pesquisas de que cada 10 votos do tucano Aécio no primeiro turno, 8 irão para Marina no segundo. No artigo da Folha, o jornalista reafirmou tudo e jogou mais gasolina na polêmica ao anunciar já no título do texto: “Eu apoio Marina (até a posse)”.

Ao lado de Lucas, em New York, Caio Blinder preferiu gozar com humor o companheiro de programa: “Agora estou certo de que Marina não ganha, porque Diogo sempre erra em suas previsões”, comentou durante a entrevista do cientista da USP. Até aqui, Mainardi acertou na mosca. As mais recentes pesquisas eleitorais, divulgadas simultaneamente esta semana pelos institutos Ibope e Datafolha, demonstram que o fenômeno Marina segue a produzir estragos e bruscas mudanças de rumos em todas as campanhas e propostas dos principais candidatos.

O vulcão produz erupções menos intensas, mas segue ativo. O resto, a conferir.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 6 setembro, 2014 at 6:42 #

Caro VHS

A nossa democracia padece em fila semelhante ao SUS.

Exposta em corredores, exalando o cheiro fétido da corrupção, as pústulas do descaso, a hemorragia dos desmandos.

A falência parece ser múltipla, afetando os três poderes sonhados por Montesquieu.

Dilma e seus “Mantegas” desfilam a arrogância como destaque na alegoria da incompetência.

Renan e Henrique Alves, coroam o aspecto doentio do legislativo ao serem diagnosticados como componentes da delação premiada de Costa, aquele diretor da Petrobrás mantido em cárcere.

Ricardo Lewandowski e seus togados fazem mesuras ao “Deus da Morosidade”, neste pobre país, preguiça e inércia vestem togas.

Três poderes, cada qual com sua peculiar forma de transgredir o mito de que todos eles emanam do povo.

Eleições viciadas e engessadas, basta olhar para essa jabuticaba chamada “Horário eleitoral gratuito”. caríssimo por sinal.

Pior a forma envergonhada com que se elegem presidentes do Senado e da Câmara, “Renans” atestam a distorção. Emana do povo brasileiro o exercício manejado por Renan?

No judiciário, então, por falta provavelmente de tempo, já para votar livremente os diletos ministros levariam, por certo e por hábito, meses entoando laudas e laudas, preferem abolir a eleição e adotam o funesto rodízio, como se o poder emanado do povo pudesse ser objeto de partilha entre amigos.

Marina? Dilma? Aécio?

Tanto faz, a democracia continua entubada em uma maca no corredor.


luiz alfredo motta fontana on 6 setembro, 2014 at 7:17 #

E por falar em “guerra santa”

Em tempos de lavas e erupções, pergunta-se:

Marina Silva tratará a inclusão do nome de Eduardo Campos, no rol dos que se beneficiaram com o esquema Petrobrás, como sendo algo perfeitamente aceito na teoria da “sustentabilidade”?

Pedro Simon encontrará e defenderá o “componente ético” deste desvio de conduta?

Ou a Veja e Costa arderão em reprimendas prenhes de preces e boas intenções.


luiz alfredo motta fontana on 6 setembro, 2014 at 7:26 #

Repetindo para não esquecer:

2014, o ano em que todos terão direito à ânsias

Ou:

Viver não é preciso, vomitar é preciso!


luiz alfredo motta fontana on 6 setembro, 2014 at 13:25 #

Com a palavra Pedro, o Simon, avalista ético, será didático seu pronunciamento a respeito, tamborilando o dedo na tribuna do senado e fazendo pose de vestal.

Já atestou Lula, Dilma, e tantos outros que lhe afagaram o ego, senil mas voraz.


luiz alfredo motta fontana on 6 setembro, 2014 at 14:40 #

Receita cruel

Pegue-se um país de algum futuro.

Submeta-o à um longa ditadura militar.

Separe e descarte todas as lideranças.

Crie novas, com a ajuda da mídia e seus articulistas.

Não é necessária experiência e muito menos traços ideológicos definidos.

Divida a população em adeptos destes ou daqueles, lembrando sempre que são iguais, diversos apenas na aparência.

Misture um judiciário preguiçoso. Não precisa bater.

Leve ao forno brando da especulação financeira.

Pronto, em menos tempo do que espera, terá uma nova Venezuela.

Sirva no JN.

Antes da novela, por certo, o choro é certo.


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