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CRÔNICA
Mudanças do Tempo

Maria Aparecida Torneros

Se tudo fosse previsível, certinho, sem surpresas e o mundo pudesse ser desvendado numa bola de cristal, às vezes me pergunto, que graça teria a vida?

Estamos vivendo há meses a tal estiagem em São Paulo que ameaça o abastecimento de água, mas ontem choveu mais forte e já surgiu alguma esperança de alívio para a turma da garoa. No Rio, é tempo de ventanias, mudanças bruscas de temperatura, e muitas perguntas pairam nos ares em torno das eleições, tanto com vistas à sucessão estadual quanto à reviravolta que cerca o pleito federal.

Há um clube da Luluzinha indicando que um segundo turno, se acontecesse, teria só meninas, Dilma e Marina, sem a participação do mineiro Aécio, que anda engolido pela mudança de clima, essa febre que grassa o momento nacional.

Na era da multimídia e das redes sociais fervilhantes, o perfil dos candidatos é avaliado em seus programas e suas crenças, há uma sociedade mutante questionando casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre outras propostas da chamada nova política.

Uma rajada de debates entre candidatos mais parece um confronto de marketing de marcas de moda, o roteiro de perguntas e respostas expõe uma corrida que se transforma em maratona e cada eleitor ou observador vai acompanhando, com opinião oscilante, a saraivada de pés a correr em direção à linha de chegada.

Depois, só Deus sabe. Serão acordos e mais acordos a cumprir, o poder terá ou não trocado de mãos, mas, no fundo, os ventos terão balançado as cabeças sem entretanto atingirem as cúpulas do modelo que certamente seguirá atendendo interesses vários. Megainvestidores nacionais e internacionais fazem suas apostas e investem na tal corrida , aliando-se à midia tradicional que encomendam as pesquisas de opinião tentando avaliar as sutilezas desta temporada de vendavais.

Que venham chuvas e ventos, que Rio e Sao Paulo se decidam em suas escolhas e turnos eleitorais, que Minas ressurja com suas montanhas e tradições de política no cenário nacional e que o Norte , Nordeste e Centro-oeste estabeleçam seus desempenhos em torno do agro negócio e do turismo, do combate à seca e da erradicação do analfabetismo. Quanto ao Sul, meio calado, também parece alvejado por ventanias extemporaneas, afinal, os tempos mudaram e o Brasil se remexe em céu, terra e ar.

Haja paciência para estabelecer pontos que diferenciem candidatos que possam representar opções de mudanças que realmente renovem nossa postura de sustentável futuro.

Só decidi um voto pessoal, meu Senador carioca é o Romário, e não tem a ver com futebol, mas tem tudo a ver com uma sensação de que ele me passa sinceridade, espero que ele vença e não me decepcione.

O resto, sigo arrastada pelos furacões que os debates, pesquisas, noticiários, etc, me carregam , ainda sem saber para que lado. Eita mudanças climáticas arrazadoras essas pelas quais estamos passando. Haja sorte e haja fôlego, paciência, e que jamais percamos a esperança.

Terça-feira, 2., completei 65, hoje, 3, é meu day after, recomeço a repensar sobre o teatro de marionetes e já me descobri desejando que o voto não seja mais obrigatório.


Cida Torneros, jornalista e escritora, mora no Rio de Janero, onde edita o Blog da Mulher Necessária

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Comentários

ermelinda rita on 5 setembro, 2014 at 5:29 #

Que os ventos fortes tragam coisas boas para nossos estados e para o país após a escolha dos governantes.Parabéns Cida pelo belo texto que como sempre expressa nosso sentimento.Beijosssssssssss


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