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Artigo / Opinião

Trânsito, a máquina de matar no Brasil

Marinaldo Mira

O trânsito no Brasil transforma-se em ‘máquina’ de matar. É o que diz a reportagem da Agência Brasil, publicada em 17.08.14 e assinada pelo jornalista Vinícius Lisboa. Segundo o texto, mais de 500 mil pessoas morreram no trânsito de 2003 a 2012.

Trecho 01 da reportagem:

‘Acidentes de trânsito deixaram mais de 536 mil mortos no Brasil em dez anos, contabilizou uma pesquisa do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ). A principal base de dados utilizada foi a da Seguradora Líder Dpvat, responsável pelo pagamento do Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (Dpvat).

O levantamento começa no ano de 2003, com o registro de 34,7 mil mortes no trânsito, e constata um crescimento de quase 100% até 2007, ano em que é atingido o pico de 66,8 mil mortes.

“É um número assustador de mortos, mas ninguém dá a menor bola para isso. As pessoas acham que faz parte da vida, mas é uma cidade de grande porte que faleceu nos últimos dez anos”, destaca o professor de engenharia de transporte da Coppe, Paulo Cézar Ribeiro, o responsável pela pesquisa. O banco de dados do Dpvat mostra ainda um número de quase 2 milhões de feridos nos acidentes, com o pico de 447 mil em 2012’. (fim do trecho 01)

Irresponsabilidade

O mais preocupante de tudo isso é que a mortalidade no trânsito do Brasil tende a continuar neste ritmo, pois os órgãos públicos não conseguem “frear”, sem trocadilho, a velocidade dos carros e das estatísticas.

Quem são os responsáveis por tantas mortes e vítimas? Simples: o responsável é o condutor, que não tem preparo para dirigir automóveis, pilotar motos ou outros veículos e abusa no desrespeito às leis, não se preocupa nem com a própria segurança, muito menos a de terceiros.

O condutor anda cansado de saber que não pode assumir a direção de um veículo depois de “encher a cara” de cerveja ou outra bebida qualquer. Para piorar, entra em cena a tecnologia para ampliar o leque de infrações. Agora, além de falar ao celular, o motorista, já deseducado, desastrado e desatento, ainda digita mensagem de texto com as mãos (simultaneamente), enquanto tenta segurar o volante!

A mistura de irresponsabilidade, falta de habilitação, imprudência, velocidade, bebida e dispositivos móveis só pode acabar mal. O resultado é cada vez mais acidentes, normalmente, com mortes, que vão engrossar estatísticas.

Curiosidade do drama: há uma década, os acidentes automotivos matavam no máximo duas ou três pessoas. Atualmente, as tragédias, matam cinco, seis, até dez ou mais. Quando envolvem ônibus, ultrapassam este limite. Observamos que a violência dos acidentes deixa os carros cada vez mais destruídos, sempre com perda total. Até parecem cascas de ovos de galinha amassadas!

Por que os carros desmancham em batidas até leves? A resposta é simples. A indústria automobilística passou a utilizar o plástico em vez de peças e acessórios metálicos. Por ser uma matéria-prima mais barata e ainda tornar o carro mais leve, por consequência, reduz o consumo de combustível. O consumidor é quem sofre, pois o item “segurança” sai prejudicado.

Vale observar à condescendência das autoridades com a indústria automobilística no Brasil, quando para agradar ou parecerem simpáticas reduzem o IPI para aquecer vendas e ainda facilitam o acesso ao crédito. Por consequência, o Brasil produz carros ditos populares extremamente caros e inseguros.

Trecho 02 e final da reportagem:

‘O professor responsável pela pesquisa defende que é preciso estudar esses acidentes para que se possa enfrentar esse cenário: “Ninguém apoia acidentes de trânsito. Todo mundo é contra, mas as pessoas continuam dirigindo perigosamente e construindo vias ruins. É preciso mapear. Cada acidente tem que ser analisado, para definir se o motorista foi imprudente, se a estrada é perigosa, se a velocidade máxima está alta”.

A pesquisa também traz dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), que comparam as mortes registradas no Brasil com outros países. Enquanto aqui há 19,9 mortos no trânsito para cada 100 mil habitantes, outros países registram números bem menores, como Estados Unidos (12,3), Finlândia (6,5), China (5,1) e Reino Unido (2,86). A pesquisa afirma que, se a OMS usasse os números do Dpvat, a proporção subiria para 30,9 em 2012. (fim do trecho 2 e final)

Propostas

Estudiosos acreditam na adoção de medidas para reduzir essas cifras, a começar pela reeducação dos condutores, leis mais duras, conscientização do perigo e importância da vida, um bem irreparável.

O problema reside em de que forma colocar isso na cabeça de condutores infratores, reincidentes e irresponsáveis! (Com informações da Agência Brasil)

Marinaldo Mira – Jornalista (Ufba/1980), e professor de Ética. (marinaldomira@gmail.com)

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Comentários

luiz alfredo motta fontana on 2 setembro, 2014 at 12:52 #

A simplicidade cartesiana, dos que preferem culpar os usuários e não quem presta serviços e estrutura abaixo de críticas.

As condições de nossas vias de tráfego, afora o custo proibitivo de manu tenção adequada dos veículos, respondem pela maior incidência de mortes.

Colocar isso na cabeça dos que opinam a respeito é mesmo tarefa árdua.

Análises simplistas só refletem o velho hábito, culpe-se a nacionalidade, assim estaremos livres de investir como se deve.


luiz alfredo motta fontana on 2 setembro, 2014 at 13:07 #

Estranha ética, só atinge quem não tem assento do banquete diário das autoridades e seus desvios de verbas e investimentos.

Datena e Marcelo Resende fazem escola, pelo visto.


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