Torcida organizada (contra Marina)

Rosane Santana

O Jornal Folha de São Paulo deste domingo 31/08/2014 dá como manchete de primeira página: “Marina Silva fatura 1,6 milhão com palestras em três anos”, no alto do lado direito, espaço nobre, qualquer manual de jornalismo ensina isso. No lado esquerdo, uma chamada pequena diz “Ex-motorista diz que carregava dinheiro vivo para presidente do BB, que nega”.

A forma como a Capa do Jornal Folha de São Paulo foi editada neste domingo, sua disposição gráfica e o destaque CRIMINALIZAM a atividade de Marina Silva, para o leitor menos esclarecido, e TRATAM como banalidade a ação do presidente do Banco do Brasil, instituição anteriormente apontada como um dos caixas do Mensalão.

Como se não bastasse, a página de Opinião traz artigo do físico Rogério César de Cerqueira Leite, da Unicamp, intitulado “Desvendando Marina”, acusando-a de fundamentalista, de forma que traça um perfil da candidata do PSB semelhante àquele em que pintam Dilma Roussef como terrorista.

Depois de ler o artigo todo, naquele tom, me perguntei: mas quem é mesmo fundamentalista nessa história? Rogério Cezar Leite ou a candidata do PSB à presidência da Republica, Marina Silva?

P.S O manual de redação ensina que artigos assinados são da inteira responsabilidade de quem os assina. Para mim, isso é relativo. Afinal, também nesta página qualquer jornal tem um editor exercendo a função de Gatekeeper (expressão inglesa que significa porteiro e, em Jornalismo, designa a função daqueles encarregados de filtrar o que sai e o que não sai em um jornal, como pauteiros e editores)

Rosane Santana e’ jornalista, doutoranda em Comunicação e Política pela UFBA e membro do Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital ( CEADD-UFBA)

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Comentários

jader on 31 agosto, 2014 at 11:33 #

Faltou citar o comentário “tendencioso ” de Janio de Freitas :
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2014/08/1508656-um-em-dois.shtml


antonio jorge moura on 31 agosto, 2014 at 14:34 #

Rosane, a experiência eleitoral/politica pós-ditadura militar me diz que só uma fraude gigantesca tira a Presidência da República de Marina Silva!


rosane Santana on 31 agosto, 2014 at 15:08 #

Concordo, Antônio Jorge. Mas não há espaço para essa fraude. A onda pro’ Marina, tenho a impressão, vai desembocar numa vitória no primeiro turno.


luiz alfredo motta fontana on 31 agosto, 2014 at 19:28 #

Fatos devem habitar páginas de jornais, a perenização dos acontecimentos, seus efeitos, suas tragédias, seus sortilégios, suas regras, encontram, no relato diário da imprensa seu habitat.

Fatos despertam interesses ou não, aumentam ou diminuem a circulação, por vezes eriçam espíritos, alimentam tertúlias e cumprem seu fado.

Como costuma acontecer neste mundinho tão afeito ao duelo “nós contra eles”, fatos adquirem vestes antagônicas.

Agem como espelho, refletindo o olhar vesgo, dos que perderam a imparcialidade.

Mas continuam sendo fatos, por essa doce peculiaridade, cada vez mais, merecem estar em pauta.

No caso em testilha, o senhor fato, milita em favor da candidata, seu produto é consumido por quem deseja sem que nenhum patrimônio público, ou virtude seja vilependiado, Marina proferiu palestras na condição de cidadã, não mais senadora, não exercia funções em nenhum dos três poderes. Aqui, registra-se, o repúdio aos palestrantes togados, que costumam comparecer, em seminários ou simpósios, patrocinados, por exemplo, pela FEBRABAN.

Não é o caso de Marina.

Ressalte-se que apesar dos olhares transversos à realidade, os fatos desfilam mansamente nas folhas e telas da imprensa.

Que a imprensa sobreviva aos arrepios havidos. Caso contrário, este seria um fato preocupante.

Nenhuma saudade dos diletos censores que amavam Médici sobre todas as coisas. Amém!


luís augusto on 1 setembro, 2014 at 9:33 #

Ró-Ró, pelo desenrolar dos acontecimentos, como se dizia nas rádios antigamente, só um fato realmente muito grave, convincente, pode mudar o rumo das coisas.

A impressão é de que se juntaram a fome de mudança, um nome carismático e um fator de intensa comoção.

Esses colunistas podem bater à vontade que pouco mudará.

Digo-o sem paixão e sem entrar no mérito. Limito-me a observar.


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