BOA NOITE

ago
30

DEU NO UOL/FOLHA

Com as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) numericamente empatadas na primeira colocação, ambas com 34% das intenções segundo pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (29), a campanha petista partiu para o ataque contra a ex-senadora e ex-ministra do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

Em texto publicado na página oficial de Dilma no Facebook na tarde deste sábado (30), intitulado “Incoerência crônica”, Marina é chamada de “grande ponto de interrogação” e de “evangélica fervorosa”.

A redação procura atacar a candidata pessebista em três pontos:

A eliminação de trechos sobre a comunidade LGBT do programa de governo, divulgado na sexta (29);
O pagamento do jatinho em que o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos morreu por meio de empresas fantasma;
E a defesa que Marina faz de um plebiscito para decidir sobre a legalidade ou não do aborto.

Com a polêmica em torno da mudança de seu programa de governo um dia após a divulgação inicial, Marina falou sobre o assunto. Em visita à favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, a candidata afirmou que “não foi uma revisão”.

“Na parte LGBT, o texto que foi para redação foi a parte apresentada pelos movimentos sociais. Todos os movimentos sociais apresentaram propostas e se contemplou tanto quanto possível as propostas”, disse.

Trata-se do primeiro ataque da campanha de Dilma a Marina por meio de canais oficiais. Textos criticando a ex-ministra do Meio Ambiente já haviam sido publicados no site Muda Mais, que é ligado ao comando da campanha petista, mas não tem caráter oficial.


Dilma, a caráter, na casa de Nalvinha em Batatinha(Paulo Afonso)

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Dilma abalou a Batatinha

Janio Ferreira Soares

Se eu fosse um colunista do sertão (sei lá, uma espécie de July de alforjes), escreveria assim: “Dona Nalvinha, a sortuda moradora de uma vila com nome de diminutivo de tubérculo, não poupou esforços e caprichou no visual e na originalidade para receber a visita mais importante de sua vida – ou melhor, as visitas, já que uma surpresa de última hora foi o tempero que faltava para apurar o sabor do seu guisado. Com a ajuda dos filhos ela varreu o terreiro, podou os bougainvilles, matou um bode, botou roupa de novena e até colocou uma miniprótese pra disfarçar a nudez que transpassava o meio de sua arcada dentária superior, só pra poder escancarar o sorriso de satisfação por receber Dilma e entourage em seu quintal (sorry periferia, mas eu teria um estilo tipo Ibrahim Sued). Let’s go!

Desde cedo, era enorme a expectativa entre os moradores do pequeno povoado com cerca de 200 habitantes, distante 20 km de Paulo Afonso. Que o diga seu João Batista, 67 anos, vizinho de Nalvinha e meio clone de Anthony Quinn. Completamente atarantado pelo repentino movimento, nosso Zorba sertanejo me disse que estava adorando aquele alvoroço, mas queria mesmo era saber onde andava Bandoleira, sua estimada cadela, que desde o primeiro rasante do helicóptero da FAB embrenhou-se no meio do mato e nunca mais apareceu.

Passava um pouco das 16 horas, quando o helicóptero presidencial pousou no campo de futebol, bem ao lado da trave onde Dudé, brioso atacante do Batatinha Futebol Clube, fez um golaço no último clássico contra o Esporte Clube Bonomão, time do vizinho povoado do mesmo nome. E quando a poeira diminuiu no entorno de meninos correndo, bonés quicando e saias plissadas ameaçando abalonar, eis que surge a tiracolo de Dilma o ex-presidente Lula, usando uma vistosa camisa azul-turquesa, cor ideal para combinar com o tom prata-bari de sua barba.

Mas como nada é perfeito, a nota destoante do evento foi a presença de um jovem jornalista baiano que, só pra fazer futrica, escreveu num poderoso jornal que a prótese dentária de nossa hostess tinha sido um mimo da presidente Dilma, veja que coisa desagradável. Para ele, mando um beijinho no ombro e um recado: os cães ladram e a caravana passa, mon chéri!”.

No dia seguinte, já desencarnado do colunista, voltei à Batatinha e lá estava a incansável Nalvinha, com sua costumeira disposição de uma formiguinha em constante lida pré-invernal. Pergunto se a ficha já caiu e ela diz que ainda parece um sonho. Elogio sua horta e ela responde, adequando a constatação de um velho navegante: “meu filho, com fé e água, dá de tudo nesse sertão de meu Deus”. Num papo rápido com alguns moradores, comprovo que a polêmica não reverberou por lá e que, pra comunidade, ela continua sendo muito mais do que uma simples rima com o nome do lugar.

Antes de partir, indago por Bandoleira. Seu João me diz que ela voltou, mas que seus nervos estão em frangalhos. “Hoje mesmo liguei o liquidificador e a bichinha se jogou embaixo da cama”. Comento sobre o broche da presidência ainda na sua camisa e ele diz que não o tira mais. Definitivamente, a Batatinha de Nalvinha e o sistema nervoso de Bandoleira nunca mais serão os mesmos.

Janio Ferreira Soares, cronista, é secretário de Cultura de Paulo Afonso, no lado baiano do Rio São Francisco.

ago
30
Posted on 30-08-2014
Filed Under (Artigos) by vitor on 30-08-2014


Sinovaldo, hoje,no jornal NH (MG)


Marina na Bienal do Livro em São Paulo

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ARTIGO DA SEMANA

Mãos que embalam Marina (além do Destino)

Vitor Hugo Soares

Inúmeras mãos – visíveis a olho nu ou ainda submersas nas profundezas do imaginário nacional – embalam a ex-senadora e ex-ministra ambientalista Marina Silva. “Esse vulcão” humano e eleitoral avassalador em que se transformou a acreana aparentemente frágil de 50 quilos e 1.65 metro de altura, substituta do jovem e vigoroso ex-líder pernambucano, Eduardo Campos, nesta formidável corrida presidencial em curso no Brasil

A metáfora telúrica do vulcão tomei por empréstimo da biografia referencial sobre o cineasta Glauber Rocha, escrita e publicada há mais de uma década – e mais atual que nunca – por João Carlos Teixeira Gomes: jornalista, poeta, culto ensaísta literário e indomável polemista da Academia de Letras da Bahia.

Glauber, só para lembrar aos de memória curta, foi um bravo e genial criador de cinema. Figura com reconhecimento mundial. Revolucionário e inflexível santo guerreiro em permanentes batalhas contra diabos sociais e pessoais: do atraso político, da miséria econômica e cultural, da mendicância ideológica, defensor imbatível do pensamento crítico e livre. Demolidor de preconceitos de todos os tipos, declarados ou dissimulados sob quaisquer disfarces, incluindo os culturais e religiosos de que ele próprio foi vítima até a morte.

Não custa lembrar, mesmo ciente que muitos irão considerar uma comparação tola e despropositada: Glauber Rocha, a exemplo da evangélica Marina, era um crente da Igreja Batista que jamais abdicou dos sentimentos religiosos e éticos. “E o que tem isto a ver com o fenômeno Marina Silva e os acontecimentos extraordinários da política e da campanha eleitoral destes dias finais de agosto de 2014? Das entrevistas de vozes ásperas, dedos em riste, acusatórias ou quase condenatórias? Das guinadas abruptas dos programas eleitorais no rádio e TV? Dos ataques e insinuações quase inimagináveis (pela invencionice e grosseria) que grassam nas conversas, “informações” e comentários nas redes sociais?

Não sei e prefiro deixar as respostas para os leitores. O que faço é repetir aqui o estafeta, no seu diálogo inesquecível com o poeta Pablo Neruda, no paraíso imaginário do exílio, criado no livro do chileno Antonio Skármeta, “O Carteiro e o Poeta”, transformado em filme antológico e que faz pensar: “A poesia não pertence a quem a escreve, mas a quem precisa dela”.

Mas que ninguém se engane – nem os mais crentes, nem os incrédulos mais empedernidos. Além daquelas invisíveis e imponderáveis, outras mãos e braços fortes sustentam, embalam e ajudam a explicar e entender esse vulcão chamado Marina Silva. Forças e pessoas bem mais explícitas e objetivas, ao lado de outras não totalmente declaradas ou impossíveis, ainda, de ver com clareza sem uso de instrumentos que ajudem a enxergar mais longe ou no escuro.

As palmas mais numerosas e decisivas que sustentam a agora candidata socialista, na espantosa aprovação revelada nas pesquisas, são aquelas que silenciosamente (mas aos borbotões) ressurgem em cada ponto do País dos gritos das ruas e dos protestos de junho do ano passado. Os jovens, principalmente, somados aos descrentes nos políticos em geral, e no governo petista de Dilma em particular.

“A Dilma e seu governo fizeram cinco pactos para atender às vozes das ruas e não cumpriu nenhum”, diz Marina. Ou como disse Eduardo Campos, na entrevista a Bonner e Patrícia Poeta no Jornal Nacional, na véspera de sua morte: “Dilma é a única presidente, da história, que vai entregar o país a seu sucessor pior do que encontrou”. Preferiu apostar na velha política da dicotomia PT x PSDB, no mito que o marketing resolve tudo na hora H, nas conversas de confessionário com o Bispo Macedo, no suporte “imutável” do poder econômico ou na força eleitoral dos homens e mulheres do agronegócio. Ou da “incompatibilidade” de Marina (que chamam de xiita da floresta) com outras religiões ou com os poderosos do sistema financeiro e da “grande mídia”.

Tudo parece desmoronar agora como castelo de areia.

Relata o jornal espanhol El País, em reportagem destacada de sua sua edição para o Brasil: “Se nas redes sociais se estabeleceram os debates contra e a favor do avanço da ambientalista, na Bolsa de Valores de São Paulo ela já é tida como a próxima titular no Palácio do Planalto. A bolsa fechou nesta quarta-feira em 60.950 pontos, seu melhor resultado desde janeiro de 2013. Os analistas atribuem o desempenho à divulgação da pesquisa eleitoral, que colocou Marina num movimento ascendente, com capacidade de bater Rousseff no segundo turno. “A Marina é o nosso Obama”, diz Tony Volpon, chefe de Pesquisas para Mercados Emergentes da Nomura Securities”.

Ontem, sexta-feira, 29, Dilma baixou de surpresa em Salvador, com seus coordenadores de campanha e de marketing. Em suas novas vestes de modéstia e de freqüentadora de “bandejão”, a petista, ocupante do Palácio do Planalto em disputa da reeleição, veio tentar reacender, no Pelourinho, a chama de antigos pactos de Lula com as lideranças da cultura negra e dos cultos afro-brasileiros dos terreiros de candomblé. Enquanto isso, Aécio, do PSDB, só faz minguar. O resultado, o tempo, o povo e o destino dirão.

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mal: vitor_soare1@terra.com.br

ago
30

DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAÍS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Carla Jiménez

São Paulo

A ‘sensação térmica’ de que a economia anda devagar foi confirmada pelo resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo semestre, que recuou 0,6% em comparação com trimestre anterior, que havia registrado, inicialmente, um avanço de 0,2% sobre o período anterior, mas cujo resultado foi revisado para 0,2% negativo. Quando há dois trimestres com resultado negativo a leitura do mercado é de recessão técnica. No caso de três períodos consecutivos, aí é considerada recessão no sentido pleno.

Quase todos os indicadores registraram queda. A taxa de investimento, por exemplo, que marca os projetos de longo prazo patrocinado pelas empresas, caiu de 17,7% no primeiro trimestre para 16,5% do PIB. Na comparação com o período de abril a junho de 2013, a queda é de 11,2%. Até mesmo a importação de bens e serviços fechou com uma queda de 2,4% sobre o ano passado.

O setor industrial, como um todo, caiu 3,4%, com destaque para a construção civil, que já contabiliza um recuo de 8,7% na atividade. Somente a área extrativa mineral, ligada à cadeia de petróleo, registrou uma alta de 8% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Um relatório do banco Bradesco destaca que o ajuste na produção de caminhões e bens de capital, após elevado grau de antecipação ao fim dos incentivos fiscais ao setor ocorrido no final de 2013, influenciou nesse resultado.

Os números vêm fortalecer os argumentos sobre a dificuldade do Governo para atenuar os efeitos da crise internacional, e retomar a confiança dos empresários para investir no país. O mercado, como um todo, espera um avanço do PIB de 0,7% neste ano, segundo pesquisa elaborada pelo Banco Central feita com mais de 100 instituições financeiras. Até mesmo a agricultura, que sempre se destaca em relação as demais setores, teve crescimento zero na comparação com abril a junho de 2013. “A Copa [que reduziu os dias úteis nas empresas] explica uma parte dessa queda. Mas o fato é que a economia já vem com uma perda de ritmo desde o início do ano, o que na nossa avaliação é fruto de uma política equivocada, que começou a cobrar seu preço”, diz Alessandra Ribeiro, economista da Tendências Consultoria.

Os dados contrastam, ainda, com as expectativas do Governo para os resultados do ano que vem. Nesta quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o cenário deve melhorar nos próximos meses e que o país pode alcançar um crescimento de 3% em 2015. “Os problemas conjunturais deste ano não vão se repetir em 2015”, disse Mantega, em referência, por exemplo, à seca que atingiu a região Sudeste neste ano. Além disso, segundo o ministro, a recuperação dos Estados Unidos é mais evidente, o que vai beneficiar o Brasil. Mantega fez as afirmações durante a apresentação do orçamento para 2015.

A consultoria Tendências, por exemplo, projeta um avanço de 1,5% para o ano que vem, um ano que será difícil, independentemente de quem vencer as eleições. Ribeiro observa que as notícias negativas acabam por contagiar a confiança dos consumidores, que também se inibem a assumir grandes dívidas. Nesta quinta-feira, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma pesquisa mostrando que a confiança das famílias mantém uma tendência de queda.

O levantamento da CNI revela que as expectativas da população sobre o emprego, e principalmente a inflação estão se deteriorando. E desta forma, o consumidor se torna mais conservador.

O Bradesco espera a reversão da queda acumulada no primeiro semestre de 2014 na segunda metade do ano. A previsão de crescimento do banco, em todo caso, foi ajustada de 1,0% para 0,5% em 2014. A Tendências também prevê uma leve recuperação, e desta forma o país não chegaria a completar três trimestres consecutivos de queda do PIB, ou seja, não se configuraria a recessão no sentido clássico do termo.

Em coletiva depois do anúncio do resultado, Mantega disse que não se pode falar em recessão, pois o emprego e a renda continuam crescendo.

ago
30

BOM DIA!!


Dilma, em campanha na Bahia, toca tambor no Pelourinho

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DEU NO PORTAL A TARDE

Biaggio Talento

A presidente Dilma Rousseff (PT) usou palavras duras para definir a postura da adversária Marina Silva (PSB) na área energética. Tachou as posições de “fundamentalista, retrógrada e obscurantista” por defender a exploração do petróleo do pré-sal não como prioritária.

“Quem acha que o pré-sal tem que ser reduzido, não tem uma verdadeira visão do Brasil. Isso é um retrocesso, uma visão obscurantista. O pré-sal, dependendo da política que você faça, transforma uma riqueza finita num passaporte para o futuro”, disse, se referindo ao fato de 75% dos royalties e 50% do fundo social pré-sal ser destinado à Educação. O que em 35 anos pode render recursos de R$ 1,3 trilhão. Ela deu essas declarações em Salvador, logo após visitar o Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia (Cimatec), na tarde dessa sexta, 29.

Sem se referir nominalmente a Marina, Dilma continuou sua crítica na seara que, aparentemente, a adversária domina. “Não sei se é um desconhecimento da realidade supor que haja, hoje, entre as várias fontes de energia alternativas, alguma para substituir o petróleo no campo da matriz de combustíveis que move os transportes. Nesse (campo) temos algumas alternativas como o etanol, mas ele dá conta da gasolina, já o diesel (do transporte carga) quem dá conta é o biodiesel. No Brasil a fonte do biodiesel é a soja. Nem o etanol nem o biodiesel são alternativas de fato, concretas ao uso do petróleo, não substitui, complementa”, afirmou.

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