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Simbora, meu povo!!!

Gilson Nogueira

A Prefeitura Municipal do Salvador fez rolar a festa na Barra. Foi inaugurada a parte que faltava da Nova Orla. A que vai do Porto da Barra até o Farol. Depois, virá a que contemplará o trecho do Barravento ( destruído pela insensibilidade de gestores públicos e privados ) ao Rio Vermelho.

Com isso, o soteropolitano, que dá a vida por uma muvuca, e visitantes de outras plagas, admiradores do cartão postal, começam o final de semana mais cedo, com direito a show de artistas da Cidade da Bahia e de outros estados, como a patriota Fafá de Belém, para quem, na Rádio Clube de Salvador, na Gamboa, no meio da década de 1970, durante a resenha do saudoso França Teixeira, escrevi um bilhete com os dizeres: “ Fafá, gostaria de ser criança na gangorra de seus cabelos!”

A paraense, de sorriso largo e marcante, leu-o, soltou uma gargalhada daquelas, que chegou ao Amazonas, pelos microfones da hoje extinta emissora de França, balançou os longos cabelos negros, iguais a graúnas em posição de sentido, e enfiou o pedaço de papel entre os seios generosos, para aquecer o elogio do baiano apaixonado por sua voz e por seu jeito de ser.

Plac! Eis o som do corte rápido para o assunto principal da despretensiosa crônica. Sexta-feira, 22, pela manhã, por volta das 11 horas de sol dengoso e céu azul de tontear anjos e deuses da gandaia, por tanta beleza, percorri os caminhos da obra da Prefeitura e dei nota dez, com ressalvas. Importo-me, aqui, em aplaudir o benefício urbanístico, para a qualidade de vida da população da capital e de visitantes, fruto do esforço empreendido pela PMS com a colaboração de operários e profissionais liberais, como engenheiros e arquitetos, entre outros bacharéis, técnicos e peões da construção civil, visando arrumar a casa para a comemoração de todos, como se o lugar onde a Bahia começou abrisse portas e janelas e arrumasse mesas, cadeiras e varandas para abrigar uma só família, a nobre família baiana, aquela que não distingue ricos e pobres e que faz da liberdade de ir e vir Salvador útero da democracia no país.

Mais que isso, mãe generosa de todos os que tiveram o privilégio de nascer na terra dos orixás e de todos os santos.Confesso, a Bahia foi feita para brilhar, cheirosa, faceira, iluminada, deslumbrantemente bela. Por isso, não contive a emoção ao contemplar a faxina geral na minha Barra amada. Admirei a roda gigante do tamanho de um prédio de sete andares, o Forte de Santo Antonio, como se ele estivesse relembrando a foto que embeleza a parede de meu apartamento, onde estou, de calças curtas e sapato branco, tirando onda, aos oito anos de idade, ao lado de meu saudoso pai e dois irmãos. Na moda!

Caminhei, sem pressa, disfarçando as lágrimas que escorregavam, a emoção ao ver a areia da praia limpa, o mar sacudindo alegria, as pessoas perfumando-se com a felicidade do instante, em ter sua cidade mudando para melhor, e o velho Oceania pedindo tinta. Quase um socorro, diante das melhorias ao redor. Por um instante, achei que aquele cidadão de mangueira em punho, de onde saia água com sabão, fosse o dono do lugar. Ele lavava o novo passeio sorrindo seu orgulho em poder ajudar com seu trabalho sua cidade. Um baiano retado!

Alí estava a Bahia de Caribé, de Caymmi, de Gil, de Jorge Amado, de João Ubaldo Ribeiro, de João Gilberto, de Alvinho Guimarães, de Armindo Bião, de Pancho Gomes, de Mãe Menininha do Gantois, de Carlinhos Brown, de Marito. de Batatinha, de Armando Oliveira, de Riachão, de Nego Nízio, de Caetano, de Daniela, de Pelágio, de Raimundo Reis, de André Setaro e de mais de um milhão de gente talentosa participando da festa. Enquanto isso, uma árvore, perto da Avenida Centenário, sustenta um “sanitário público”. Mesmo assim, admitindo que ele está lá por absoluta falta de educação de quem o “construiu” e de nenhuma fiscalização da comuna, ergo meu canto de louvor ao neto do inesquecível Antonio Carlos Magalhães.Simbora, meu povo!

Gilson Nogueira é jornalista, colaborador do Bahia em Pauta

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