Lídice: morte de Eduardo Campos deve aquecer o debate político
================================================================

Raul Spinassé | Ag. A TARDE

DEU NO PORTAL A TARDE

A senadora Lídice da Mata (PSB), candidata ao governo estadual, endureceu o discurso nesta quinta-feira, 21, e criticou os adversários. O principal alvo foi o grupo petista. Ao ser questionada, durante entrevista à rádio Metrópole, se o PT poderia reclamar de ter sido traído por ela, Lídice retrucou: “Acho difícil me colocar esse carimbo (de traidora). Se há alguém que não pode é o PT. Participou do meu governo (como prefeita em 1993) e no dia seguinte (que saiu), me atacava mais que o PFL (partido atualmente extinto em que Antônio Carlos Magalhães era filiado). Estava com o João (Henrique) e quando saiu (deixou de apoiar), atacava (o então prefeito). Esse tipo de fidelidade não pode ser cobrada”, disse para o projeto Vota Bahia, uma parceria dos grupos A TARDE, Metrópole e Aratu.

Lídice ainda explicou que antes de deixar o governo de Jaques Wagner, conversou com o governador e expôs seus argumentos para se candidatar pela aliança, mas optou pelo desligamento do grupo porque o PT não abriu mão de lançar um candidato próprio. “Quem tem alguma traição a apresentar (falar) não sou eu. Com certeza o PT tem muito mais a pensar (com relação ao tratamento dados aos partidos aliados)”.

A senadora ainda chamou o candidato petista Rui Costa de arrogante por achar que vai vencer no primeiro turno por ter a estrutura da “máquina do governo”. Já sobre Paulo Souto (DEM), ela sugeriu que “não tem novidade nenhuma para a Bahia”. De acordo com Lídice, ele “está na frente (das pesquisas de intenção de voto) e acha que pode ganhar com programa e propostas da gestão antiga (de quando ele foi governador)”.
A peesebista cobra uma discussão política. Para ela, a morte de Eduardo Campos e o lançamento da candidatura de Marina Silva não vão dar projeção a sua campanha na Bahia, mas deve aquecer a corrida eleitoral no Brasil e no Estado. “Não diria que vai alavancar (minha candidatura). Não tenho essa expectativa. Mas o fato infeliz do desaparecimento (morte) de Eduardo chocou tanto, que chamou a atenção para a eleição, que estava fria, distante. Essa atenção faz com que abra o debate político e isso beneficia todos que querem discutir política, como eu. A eleição estava empobrecida no debate político”.

Lídice também reclamou das alianças políticas que são feitas em troca de minutos no horário eleitoral. Ela citou o exemplo do senador Romero Jucá (PMDB), que foi líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff no Senado, e agora apoia o adversário Aécio Neves (PSDB). “Essa dança de cadeira na política faz com que o eleitor se desiluda. Governar não é apenas agregar, é ter clareza que tem programas diferenciados. Não pode aceitar troca, troca de cargo para ter tempo na TV”, disse Lídice.

“Ou fazemos uma reforma política ou vamos condenar o processo político. Os partidos estão valendo como mercadoria de pouco valor com essas alianças sendo feitas artificialmente para ganhar tempo de televisão. Precisamos colocar o dedo na ferida e rasgar esse tumor”.

A senadora explicou que não é contra alianças e que entende que esse é um processo natural, mas defende que os acordos sejam feitos respeitando o programa político dos partidos e do candidato. Ela disse que só tem aliança com dois partidos – PSL e PPL -, já que esses grupos estão de acordo com as suas propostas de governo.

Be Sociable, Share!
Deixe um comentário
Name:
Email:
Website:
Comments:

  • Arquivos