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DEU NO G1

Filipe Matoso e Priscilla Mendes
Do G1, em Brasília

Um dia após o PSB oficializar a candidatura de Marina Silva para a Presidência, o coordenador-geral da campanha de Eduardo Campos , Carlos Siqueira, anunciou nesta quinta-feira (21) seu desligamento do posto alegando divergências com a ex-senadora. Ao sair de reunião do PSB, Siqueira – que é secretário-geral do partido –, mandou um recado para Marina:“ela que vá mandar na Rede dela”, disse o dirigente, referindo-se ao grupo político da presidenciável, a Rede Sustentabilidade. Tentando evitar polêmicas com a cúpula do PSB, Marina disse que a divergência era motivada por um “mal entendido”.

Quadro histórico do PSB, Siqueira confirmou sua saída da coordenação da campanha na manhã desta quinta, pouco antes de os dirigentes socialistas se reunirem, em Brasília, com os demais partidos da coligação. Indagado por repórteres se estava magoado com a candidata ao Planalto, o secretário-geral criticou o fato de Marina ter feito indicações para cargos-chaves da campanha sem consultar o PSB.

“Magoado, eu não estou, não. Não tenho mágoa nenhuma dela. Apenas acho que quando se está numa instituição como hospedeira, como ela [Marina] é, tem que se respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela que vá mandar na Rede dela porque no PSB mandamos nós”, disse Siqueira.

Little Green Apples, com Ray Conniff & Singers. E 1969 ressoa com nostalgia no fim de tarde de agosto no BP! na Cidade da Bahia.

Faltam as macieiras, as maçãs verdes, e, evidentemente, o dia de verão no Hemisfério Sul, mas nada é completamente perfeito neste mundo. Mas a magia da música supera tudo

Confira.
(Gilson Nogueira)


Lídice: morte de Eduardo Campos deve aquecer o debate político
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Raul Spinassé | Ag. A TARDE

DEU NO PORTAL A TARDE

A senadora Lídice da Mata (PSB), candidata ao governo estadual, endureceu o discurso nesta quinta-feira, 21, e criticou os adversários. O principal alvo foi o grupo petista. Ao ser questionada, durante entrevista à rádio Metrópole, se o PT poderia reclamar de ter sido traído por ela, Lídice retrucou: “Acho difícil me colocar esse carimbo (de traidora). Se há alguém que não pode é o PT. Participou do meu governo (como prefeita em 1993) e no dia seguinte (que saiu), me atacava mais que o PFL (partido atualmente extinto em que Antônio Carlos Magalhães era filiado). Estava com o João (Henrique) e quando saiu (deixou de apoiar), atacava (o então prefeito). Esse tipo de fidelidade não pode ser cobrada”, disse para o projeto Vota Bahia, uma parceria dos grupos A TARDE, Metrópole e Aratu.

Lídice ainda explicou que antes de deixar o governo de Jaques Wagner, conversou com o governador e expôs seus argumentos para se candidatar pela aliança, mas optou pelo desligamento do grupo porque o PT não abriu mão de lançar um candidato próprio. “Quem tem alguma traição a apresentar (falar) não sou eu. Com certeza o PT tem muito mais a pensar (com relação ao tratamento dados aos partidos aliados)”.

A senadora ainda chamou o candidato petista Rui Costa de arrogante por achar que vai vencer no primeiro turno por ter a estrutura da “máquina do governo”. Já sobre Paulo Souto (DEM), ela sugeriu que “não tem novidade nenhuma para a Bahia”. De acordo com Lídice, ele “está na frente (das pesquisas de intenção de voto) e acha que pode ganhar com programa e propostas da gestão antiga (de quando ele foi governador)”.
A peesebista cobra uma discussão política. Para ela, a morte de Eduardo Campos e o lançamento da candidatura de Marina Silva não vão dar projeção a sua campanha na Bahia, mas deve aquecer a corrida eleitoral no Brasil e no Estado. “Não diria que vai alavancar (minha candidatura). Não tenho essa expectativa. Mas o fato infeliz do desaparecimento (morte) de Eduardo chocou tanto, que chamou a atenção para a eleição, que estava fria, distante. Essa atenção faz com que abra o debate político e isso beneficia todos que querem discutir política, como eu. A eleição estava empobrecida no debate político”.

Lídice também reclamou das alianças políticas que são feitas em troca de minutos no horário eleitoral. Ela citou o exemplo do senador Romero Jucá (PMDB), que foi líder do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff no Senado, e agora apoia o adversário Aécio Neves (PSDB). “Essa dança de cadeira na política faz com que o eleitor se desiluda. Governar não é apenas agregar, é ter clareza que tem programas diferenciados. Não pode aceitar troca, troca de cargo para ter tempo na TV”, disse Lídice.

“Ou fazemos uma reforma política ou vamos condenar o processo político. Os partidos estão valendo como mercadoria de pouco valor com essas alianças sendo feitas artificialmente para ganhar tempo de televisão. Precisamos colocar o dedo na ferida e rasgar esse tumor”.

A senadora explicou que não é contra alianças e que entende que esse é um processo natural, mas defende que os acordos sejam feitos respeitando o programa político dos partidos e do candidato. Ela disse que só tem aliança com dois partidos – PSL e PPL -, já que esses grupos estão de acordo com as suas propostas de governo.

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Posted on 21-08-2014
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Amarildo, hoje, na Gazeta Online

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Marina e Beto: união selada para a disputa presidencial
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DEU NO EL PAÍS (EDIÇÃO DO BRASIL)

Recorrendo constantemente à expressão “renovação política” e à memória de Eduardo Campos, Marina Silva deu nesta quarta-feira à noite, em Brasília, as suas primeiras declarações como candidata da coligação liderada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) à Presidência. A ambientalista disse que o país está experimentando sinais de mudança, após a sua expressiva votação ao Planalto em 2010 e as manifestações de junho de 2013.

Abrindo o discurso com um agradecimento a Deus pela ajuda na “difícil travessia” atual e sob os gritos de “Eduardo presente, Marina presidente”, Silva falou em um concorrido ambiente de expectativa formado por membros da Executiva da legenda e quase uma centena de jornalistas, após horas de informações desencontradas sobre a sua presença ou não na coletiva realizada na sede do PSB, após o término da reunião interna do partido à tarde.

A mensagem da candidata foi clara. “Nossa palavra de ordem neste momento é crescer. Crescer em maturidade política, em disposição na mudança que já está sinalizada no nosso programa, crescer na sensibilidade e na generosidade para lidarmos com nossas diferenças, e na unidade, na escuta do nosso povo, e na disposição para servi-lo”, disse ela, que garantiu que daria o melhor de si para cumprir esse propósito, e defender as ideias de Eduardo Campos.

No que diz respeito à programação partidária da coligação, no entanto, as mudanças deverão ser muito poucas. Uma delas diz respeito ao comitê financeiro de campanha, por uma exigência legal. “O que foi construído até aqui, como a base da coordenação, será mantido”, acrescentou. Nesse sentido, tanto Silva como o candidato a vice, o deputado federal pelo Rio Grande do Sul, Beto Albuquerque reforçaram que não haverá alterações nas coligações feitas nos Estados, principalmente aqueles em que as parcerias são mais sensíveis.

São Paulo, por exemplo, que tem como candidato a vice do governador Geraldo Alckmin na disputa pela reeleição o socialista Márcio França, não deverá contar com o engajamento ou a presença de Marina Silva ao lado de Alckmin. “Nesse momento permanece o mesmo enquadramento. Onde não houve comum acordo –entre PSB e a Rede Sustentabilidade, o movimento político liderado por Silva –, o enquadramento se mantém”, reforçou a ambientalista.

“Aqui há o compromisso das responsabilidades já assumidas, ombro a ombro com a liderança de Eduardo Campos. Recebemos uma carta-inventário e agora temos a responsabilidade de ajudar o PSB a se reerguer após a tragédia”, completou. “Não há nenhum estresse sobre todos os acordos nos Estados. Trata-se de um assunto absolutamente superado”, diz Albuquerque.

No mais, ambos reforçaram a disposição de percorrer o país no que resta da curta campanha e mostrar unidade e uma maior integração. “Não vamos usar as redes sociais para mentir, caluniar quem quer que seja. Queremos uma campanha clara e transparente, como os olhos do Eduardo”, reforçou Silva. “Temos 46 dias para percorrer o Brasil, participar dos debates, com uma campanha propositiva”, segundo Albuquerque.

Para o registro definitivo da chapa liderada pelo PSB à Presidência, falta apenas uma reunião nesta quinta-feira pela manhã com os líderes dos partidos que integram a coligação para a posterior homologação da ata da reunião da Executiva do PSB no tribunal eleitoral.

Aos 56 anos, nascida em Breu Velho, no Estado do Acre, ao norte do Brasil, Silva tem um histórico de superação que lembra o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nasceu pobre e foi analfabeta até os 16 anos, quando se mudou para Rio Branco, capital do Estado, onde começou a estudar e teve seu primeiro emprego como empregada doméstica. Concluiu os estudos e se formou, em 1985, em História. Nesse mesmo ano filiou-se ao Partido dos Trabalhadores, pelo qual se elegeu vereadora, deputada estadual, e depois senadora. Em 2003, assumiu o ministério do Meio Ambiente durante o Governo Lula, de onde saiu em 2008, retirando-se em seguida do PT. Concorreu pelo Partido Verde à presidência em 2010, quando obteve 20 milhões de votos.

O presidente do PSB, Roberto Amaral, disse durante uma coletiva de imprensa ao final do encontro que o nome de mARINA foi uma escolha por unanimidade dentro do partido, depois da morte de Campos na semana passada. “Tivemos uma sorte imensa de tê-la como substituta.
Propostas

Marina Silva disse ainda que o programa de Governo, que já havia sido acordado com Eduardo Campos, não muda. Sobre economia, por exemplo, ela disse que defende o controle pelas metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal, assim como a independência do Banco Central. “Eduardo disse que essa independência precisa ser formalizada”, disse.

A candidata falou ainda sobre a necessidade de ampliar as energias alternativas na matriz energética brasileira, para evitar o uso de térmicas como complemento para a hidrelétrica, e considerou “lamentável” que o país viva sob o risco de apagão desde 2002. O primeiro ato público dos presidenciáveis deve acontecer no sábado de manhã, em Recife.

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DEU NO PORTAL A TARDE

Joyce de Souza

Há menos de 15 dias do fim do prazo do contrato de R$ 14 bilhões entre Petrobras e Braskem para fornecimento da nafta, o setor petroquímico aguarda com expectativa pela solução do impasse sobre o reajuste do insumo básico de toda a cadeia produtiva de plásticos.

A ameaça de uma consequente paralisação de metade do Polo Industrial de Camaçari – divulgada nesta terça-feira, 19, pelo jornal “Folha de São Paulo” – foi, entretanto, descartada pelo governo baiano e pelas principais entidades representativas do setor.

Na reportagem da “Folha de S. Paulo”, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, admite que a empresa pode paralisar total ou parcialmente duas fábricas nas próximas semanas. “Sim, há essa possibilidade, mas estamos empenhados em encontrar uma solução”, diz. Ele, no entanto, não cita a unidade que poderia ser afetada. O jornal paulista afirma que as linhas de produção que podem ser paralisadas são a fábrica de Mauá (SP) e metade de Camaçari.

“É uma questão que está nos fazendo perder o sono, já que a indústria não comporta mais um novo custo. Mas, ainda assim, o Polo de Camaçari talvez fosse o menos ameaçado, por ser um complexo moderno para onde estão programados investimentos de peso, como o complexo acrílico da Basf, inclusive em parceria com a Braskem”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo. Ele acredita que as atividades da Braskem em Mauá (SP) e Triunfo (RS) estariam mais vulneráveis.

A primeira, pelo fato de, ao contrário de Camaçari, não contar com um porto e uma refinaria próximos, “sendo o porto fundamental, no caso de importação”, frisou. Já em Triunfo, o comprometimento é justamente pelo fato da unidade depender hoje 100% de nafta importada, diferentemente de Camaçari”.

Para o presidente da Abiquim, a solução imediata para a questão passa pela medida impopular de reajustar a gasolina, reduzindo a demanda pela nafta destinada ao produto.

O secretário de Indústria, Comércio e Mineração, James Correia, acredita que a questão deva ser resolvida com subsídios. “É uma negociação entre gigantes, mas que deve ser vista também pelo lado positivo por promover uma discussão acerca da logística atual da nafta”, disse.

Segundo Correia, o governador Jaques Wagner também estaria preocupado com o impasse e até já teria recebido a diretoria da Braskem para tratar a questão, além de estar conversando, paralelamente, com a diretoria da Petrobras.

“É praticamente impossível se acreditar que um negócio que envolve bilhões entre empresas prósperas e sócias não chegará a um consenso”, diz Mauro Pereira, superintendente do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic).

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Beto, o vice, fala na quente reunião PSB-Rede em Brasília

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DEU NO IG

Por Luciana Lima – iG Brasília | 20/08/2014 20:27 – Atualizada às 20/08/2014 21:36

Na sede nacional do PSB em Brasília, Marina foi anunciada nesta quarta-feira (20) como candidata oficial do partido à Presidência da República. Assim como a ex-senadora, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS) também foi confirmado como componente da chapa socialista, ocupando o posto de vice.

“Chego ao PSB com o sentido de responsabilidade, com o compromisso assumido nesses dez meses de intenso trabalho e com a disposição de honrar o compromisso com Eduardo Campos”, declarou Marina, confirmando sua candidatura na sede do partido.

Ao assumir a candidatura, Marina colocou nomes de sua confiança no comando de campanha. Os escolhidos fazem parte do Rede Sustentabilidade, partido criado pela ex-senadora, que ainda não foi registrado oficialmente. A nova agremiação assume claramente uma posição de protagonista na coligação que sustenta a candidatura da ex-senadora, que reúne PSB, PPS, PHS, PRP, PPL e PSL.

Um dos grandes articuladores da Rede, o deputado federal Walter Feldman será o homem forte da campanha, assumindo o posto de coordenador-executivo. Representando o PSB, o secretário-geral do partido, Carlos Siqueira, vai auixiiar Feldman no comando.

Antigo adjunto da coordenação de campanha do PSB e também da confiança de Marina, Bazileu Margarido responderá pelas finanças da campanha. Henrique Costa, fortemente ligado a Campos, continua no comitê financeiro, mas agora ficará concentrado na arrecadação de doações.

Aliás, o comitê financeiro da campanha, numa deferência as posições políticas de Marina, definiu que não aceitará doações de empresas dos setores de armas, bebidas alcoólicas, fumo e agrotóxico.

Outra mudança na chefia de campanha foi feita na assessoria de imprensa, que agora será chefiada por Nilson Oliveira. No setor de mobilização permanece Pedro Ivo. Maurício Hands e Neca Setubal também continuam na coordenação geral.

A indicação de Marina como candidata a presidente já era esperada desde a morte de Campos na quarta-feira (13) da semana passada, num acidente aéreo na cidade de Santos. A ex-senadora era vice do ex-governador na chapa do PSB.

Marina sempre planejou candidatura própria, mas preferiu embarcar como vice na campanha de Campos depois que a Justiça Eleitoral barrou a fundação da Rede Sustentabilidade. Sem legenda, filiou-se ao PSB junto com seus principais seguidores com a autorização para homologar sua legenda já em 2015.

Com a tragédia da semana passada, seu nome para encabeçar a disputa foi imediatamente dada como certa e defendida principalmente pela viúva do ex-governador pernambucano, Renata Campos, até os últimos minutos cotada para vice.

Marina mal assumiu a vaga e já é pressionada a ratificar as alianças partidárias costuradas por Campos e até agora rejeitadas por ela, como as candidaturas de reeleição dos tucanos Beto Richa, no Paraná, e Geraldo Alckmin, em São Paulo.

Em seu quarto mandato de deputado federal, Beto Albuquerque é tido entre aliados como um hábil conciliador. Ele comandou a bancada em um momento chave, quando o partido anunciou seu desligamento do governo da presidente Dilma Rousseff (PT) para construir a candidatura própria ao Planalto.

Nome organicamente ligado ao partido, empenhou-se fortemente pela candidatura de Campos em seu Estado, candidatando-se ao Senado para garantir um palanque ao pernambucano, apesar de entrar em uma disputa pouco promissora.

A escolha de Marina e Albuquerque ocorre uma semana após a queda do avião em que Campos viajava para cumprir agenda de campanha na cidade de Santos, litoral de São Paulo. Outras seis pessoas – dois assessores, um cinegrafista da campanha, um fotógrafo da campanha e dois pilotos – também morreram na tragédia.

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Posted on 21-08-2014
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BOM DIA!!!

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DEU NO JORNAL ESPANHOL EL PAIS (EDIÇÃO DO BRASIL)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, condenou nesta quarta-feira o “brutal” assassinato do jornalista James Foley e prometeu que seu Governo não descansará até que se faça “justiça” com seus assassinos do Estado Islâmicos (EI), uma organização extremista que “não tem lugar no século XXI”, sustentou.

“Jim nos foi tirado em um ato de violência que abalou a consciência do mundo inteiro”, disse Obama pouco depois da Casa Branca confirmar a autenticidade do vídeo distribuído na terça-feira pelo EI, no qual é mostrada a decapitação do jornalista James Foley em vingança pelos ataques aéreos norte-americanos contra os jihadistas no Iraque, e em que ameaçam assassinar também um segundo repórter norte-americano.

“A comunidade de inteligência dos EUA analisou o vídeo que mostra os cidadãos norte-americanos James Foley e Steven Sotloff. Chegamos à conclusão de que este vídeo é autêntico”, declarou a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Caitlin Hayden, pouco antes de Obama realizar um pronunciamento público da ilha de Martha’s Vineyard, Massachusetts, para condenar o assassinato do jornalista.

Em suas declarações, o presidente não confirmou se, como haviam afirmado meios de comunicação como a rede de televisão ABC, a Casa Branca sabia que o EI havia ameaçado matar Foley como vingança pela campanha aérea de apoio para as tentativas das forças iraquianas e curdas de frear o avanço jihadista no Iraque.

Obama tampouco fez menção específica ao segundo jornalista ameaçado de morte pelo EI se os EUA não detiverem os ataques aéreos no Iraque contra posições jihadistas. Pelo contrário, o presidente assegurou que essa organização extremista é um “câncer” que deve ser “extirpado” com a ajuda dos governos de toda a região “para que não se estenda”.

“Esse tipo de ideologia niilista tem de ser rechaçada”, pediu Obama. “Uma coisa na qual todos estamos de acordo é que um grupo como o EI não tem lugar no século XXI. Amigos e aliados de todo o mundo compartilham valores enraizados totalmente contrários ao que vimos na terça-feira”, disse referindo-se ao vídeo da decapitação de Foley. “E seguiremos enfrentando esse odioso terrorismo para substituí-lo por um sentimento de esperança e civismo”, acrescentou, além de prometer que os EUA “continuarão fazendo o que tem de ser feito para proteger” seus cidadãos.

“Quando um norte-americano é atingido em qualquer lugar, fazemos o que é necessário para conseguir que se faça justiça, e agiremos contra o EI, de forma conjunta com outros”, insistiu.

Segundo o The Washington Post, altos funcionários da Casa Branca e especialistas em antiterrorismo fizeram no início da quarta-feira uma reunião de emergência para discutir como responder à ameaça jihadista. Fontes consultadas pelo jornal asseguram que é “improvável” que os EUA cedam à demanda islamista de pôr fim aos ataques aéreos contra o EI no Iraque.

O FBI já adiantou no começo desta quarta-feira para a família de Foley sua convicção de que a gravação era autêntica, segundo a plataforma de notícias Global Post, para quem Foley trabalhava quando desapareceu na Síria, há dois anos.

A família do jornalista, de 40 anos, dava por certa desde a noite de terça-feira a morte de Foley e enviou uma mensagem para os milhares de pessoas que expressaram seu pesar nas redes sociais criadas para exigir a libertação do repórter.

“Nunca estivemos mais orgulhosos de nosso filho Jim. Ele sacrificou sua vida tentando expor para o mundo o sofrimento do povo sírio”, escreveu sua mãe, Diane Foley, em um comunicado emitido para a rede de apoio virtual Free James Foley (Liberdade para James Foley) e o Global Post.

“Agradecemos a Jim toda a alegria que nos deu. Foi um extraordinário filho, irmão, jornalista e pessoa”, acrescentou a mãe de Foley, que pediu também que sua privacidade seja respeitada nos próximos dias.

Obama foi informado do vídeo a bordo do Air Force One, quando voltava de Washington para Martha’s Vineyard na noite de terça-feira.

O problema adicional para o Governo norte-americano é a ameaça proferida pelos extremistas no vídeo de assassinar o outro jornalista norte-americano sequestrado, Steven Joel Sotloff, se Obama não ordenar o fim dos ataques aéreos limitados no Iraque que autorizou há duas semanas.

Enquanto isso, o Governo do Reino Unido admitiu nesta quarta-feira que o homem que aparece no vídeo e que é o suposto algoz de Foley poderia ter origem britânica, tendo em vista seu sotaque e o “significativo número” de cidadãos que se uniram à luta islâmica no Iraque e na Síria. O primeiro ministro britânico, David Cameron, interrompeu nesta quarta suas férias de verão e regressou para Londres para tratar da situação no Iraque e na Síria após o “estremecedor e depravado” assassinato do repórter.

Também o secretário geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou duramente o “horroroso” assassinato de Foley, um “crime abominável” que coloca em evidência a “campanha de terror” que o EI continua realizando contra os povos do Iraque e da Síria, segundo disse em um comunicado, no qual pediu que os responsáveis por esses “horríveis crimes” sejam levados diante da justiça.

O grupo extremista EI afirmou na terça-feira ter assassinado James Foley, que desapareceu na Síria em novembro de 2012, quando trabalhava como freelance para vários meios de comunicação internacionais. O EI distribuiu um vídeo muito explícito intitulado Mensagem para a América, no qual se registra a decapitação de Foley, que antes de ser assassinado é obrigado a proclamar críticas contra os Estados Unidos, segundo trechos conhecidos da gravação.

De acordo com o EI, o assassinato do jornalista é uma resposta aos ataques aéreos norte-americanos no norte do Iraque para apoiar as forças iraquianas e curdas em sua tentativa de frear o avanço dos jihadistas no país. O grupo extremista ameaça assassinar um segundo jornalista desaparecido há um ano, Steven Joel Sotloff, se os EUA não se retirarem do Iraque.

As imagens do assassinato de Foley foram postadas inicialmente no YouTube, mas rapidamente retiradas pela empresa. No entanto, em redes sociais como o Twitter partes do vídeo foram distribuídas, embora o CEO da empresa, Dick Costolo, tenha anunciado nesta quarta feira que a empresa “continua suspendendo ativamente, na medida em que são descobertas, as contas relacionadas com essas imagens grotescas”.

O SITE Intelligence Group, uma organização que segue grupos extremistas e tenta verificar suas mensagens, publicou uma parte dos quatro minutos e 40 segundos totais do vídeo original, omitindo apenas o momento da execução.

O vídeo começa com imagens de Obama, em 7 de agosto, nas quais anuncia na Casa Branca que autorizou o envio aéreo de ajuda humanitária à minoria yazidi refugiada no Monte Sinjar, no norte do Iraque, assim como ataques aéreos limitados para proteger interesses norte-americanos no país.

Na sequência, o vídeo mostra novas imagens do homem identificado como Foley ajoelhado em um lugar desértico, a cabeça raspada, com as mãos atadas nas costas e um pequeno microfone pendente de uma roupa laranja que parece imitar os uniformes que os EUA obrigam os presos de Guantánamo a usar, segundo destacaram órgãos da mídia norte-americana. Atrás dele se pode ver um homem vestido de negro, encapuzado e com uma pistola pendurada no ombro, que é quem procede à decapitação com uma faca segurada com a mão esquerda.

Antes de morrer, o homem que parece ser Foley é obrigado a ler um comunicado no qual se dirige à sua família, especialmente seu irmão John, membro da força aérea norte-americana. “Não aceitem nenhuma compensação exígua pela minha morte da parte das mesmas pessoas que puseram o último prego em meu ataúde com a recente campanha aérea no Iraque”, diz.

Depois, em um inglês com sotaque britânico, o jihadista a seu lado toma a palavra para acusar o Governo norte-americano de encabeçar a “agressão contra o Estado Islâmico”. Em uma ameaça direta ao presidente norte-americano, o extremista promete que “qualquer tentativa de sua parte de negar aos muçulmanos seu direito de viverem seguros sob o califado islâmico terá como resultado o derramamento de sangue de seu povo”.

O vídeo conclui com o mesmo homem ao lado de outro que identifica como sendo o jornalista Sotloff em posição semelhante à que antes estava Foley. “A vida deste cidadão norte-americano, Obama, depende de tua próxima decisão”, adverte. Em seu comunicado, a mãe de Foley implora também que os extremistas respeitem a vida dos demais jornalistas que continuam sequestrados. “Imploramos aos sequestradores que respeitem a vida dos demais reféns. Assim como Jim, eles são inocentes. Não têm controle algum sobre a política do governo estadunidense no Iraque, Síria ou em qualquer outra parte do mundo”, enfatizou Diane Foley.

Segundo o Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), que condenou o “selvagem” assassinato de Foley, dos mais de 80 jornalistas sequestrados na Síria, uns 20, tanto locais como estrangeiros, continuam desaparecidos nesse país. “Acredita-se que muitos deles estejam em mãos do Estado Islâmico”, disse em um comunicado.

O assassinato de Foley trouxe à lembrança a morte brutal de outro jornalista em circunstâncias semelhantes: a do correspondente do The Wall Street Journal Daniel Pearl, que foi sequestrado no Paquistão e decapitado em 2002, um assassinato que também foi gravado em vídeo.

“Nossos corações estão com a família do jornalista James Foley. Sabemos o horror que estão vivendo”, disse a mãe de Pearl, Ruth, em uma mensagem difundida pela conta da Fundação Daniel Pearl no Twitter.

O Journal também publica nesta quarta-feira uma mensagem de solidariedade aos parentes de Foley da parte de outro jornalista norte-americano desaparecido na Síria, em agosto de 2012, Austin Tice.

“Nos últimos 635 dias temos compartilhado um terrível pesadelo, que nos tornou mais próximos da família Foley. Nossos corações estão com eles”, disseram os pais de Tice, Marc e Debra, segundo o diário.

No momento de seu desaparecimento, em 22 de novembro de 2012, James Foley trabalhava na Síria para o Global Post e para a agência France Presse, entre outros. Desapareceu na província síria de Idlib e depois disso nem sua família nem os órgãos de imprensa para os quais trabalhava voltaram a saber dele.

A publicação do vídeo ocorre um dia depois de Obama confirmar que as forças iraquianas e os peshmergas curdos tinham recuperado com apoio aéreo norte-americano a represa de Mossul no Iraque e prometer continuar com o apoio contra o avanço do EU mediante o fornecimento de armas e a continuidade de ataques aéreos limitados.

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