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OPINIÃO/OUTRO LADO

DEU NO UOL/FOLHA

RICARDO MENDONÇA
DE SÃO PAULO

A tragédia com Eduardo Campos monopolizou o noticiário político. A brutalidade do evento, a dor dos familiares, a comoção, a entrada de Marina na disputa, o enterro, o PSB, o Datafolha… Depois de tudo isso, alguém ainda lembra o que Aécio Neves disse no “Jornal Nacional”?

Esta foi a primeira vantagem da presidente Dilma Rousseff na entrevista para William Bonner e Patrícia Poeta. Ao falar após a avalanche, sua mensagem fica mais fixada. Um ganho circunstancial.

A segunda vantagem foi ter feito a conversa no Palácio da Alvorada, não na intimidadora bancada do programa. Ela não precisou jogar fora de casa por ser candidata à reeleição, explicou o apresentador.

A diferença mostrou-se importante. O ambiente sóbrio, institucional, é bem mais condizente para um diálogo importante sobre a Presidência do país. Um ganho tático.

Mas a principal vantagem de Dilma não foi pelo momento nem pelo local da entrevista, mas pelo comportamento.

Fora de seu habitat, Bonner parecia excessivamente preocupado em não deixar Dilma tomar as rédeas da conversa. Correto, mas seria melhor não deixar transparecer.

E, ao contrário do que foi visto nos “JNs” anteriores, quem parecia aflito com o cronômetro eram os apresentadores, não a entrevistada.

No início, a guerra de nervos foi parelha. Bonner fracassou na primeira tentativa de interromper Dilma, mas conseguiu logo em seguida.

A presidente ouviu muda e voltou mais Dilma do que nunca: “Então, continuando o que eu estava dizendo, Bonner (…)”, retomando o raciocínio de antes da interrupção.

O que vale mais: um presidente que tenta parecer simpático ou um que demonstra saber usar a autoridade? Aí, Dilma ganhou na estratégia.

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