Eduardo Campos com Aninha Franco (e Eliana Calmon) na
biblioteca da escritora no Pelourinho. Foto:Rosane Santana

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ARTIGO/OPINIÃO

E AGORA?

Aninha Franco

Apesar das ruas emitirem Pablo, gospel e um mexicano que eu desconheço, mas que me diz, inocente, que os meus problemas são dele, nós estamos Huxley & Orwell. E haja soma para suportar o Big Brother. Os ricos usam a pura, lógico. Os miseráveis ficam com a borra. Mais lógico ainda. E a Vida de toda a relevância esvai-se em irrelevâncias sem fim. Aquela vibração que eu vi, ao vivo, em Eduardo Campos, aquele brilho no olhar, aquela vontade de fazer, explodiram no ar, e os que perguntam se perguntam: e agora? Mais uma vez ninguém sabe o que fazer com o Brasil.

A disputa pelo poder que se abrasileirou, em 1823, com a expulsão oficial dos colonizadores, está no jogo entre os bads boys lulistas e o bom mocismo peessedebista. E, na verdade, ninguém larga o doce porque se largasse nós ouviríamos de todos os discursos, ou de quase todos, apenas a luta desenfreada pelo Poder dos cargos, helicópteros, puxa sacos e desfiles de cantar “beijinhos no ombro”.

Milhares de brasileiros e brasileiras faliram com os projetos de Sarney. Mas ele está ótimo, ele, os filhos, Lobão, os filhos de Lobão, e Madame Lobão com seu jeito de nova rica de Miami. Milhares de brasileiros tiveram seus vidas destruídas e se mataram com os projetos de Collor e Zélia Cardoso de Mello. Mas eles estão bem, Roseana está pastora evangélica, Zélia mora em NY e, eventualmente, passeia no Brasil ou publica um texto na imprensa explicando o inexplicável. Nós elegemos Lula para desmontar o Império, mas assim que ele chegou lá, lá, coroou-se imperador, elegeu Dilma má, má, e seduziu-se à Corte. Os descendentes dos Anões do Orçamento estão ótimos, e os próprios anões aumentaram suas estaturas patrimoniais e curtem a floresta esperando o tempo passar. E o tempo passa. E todos continuam ótimos, exceto Getúlio que se matou e tem a morte sempre usada pelos que jamais se matarão.

E o gigante pela própria Natureza gasta a Natureza com governos irrelevantes, um após o outro, imperiais assim que assumem o Poder, Dom Sarney, Dom Collor, Dom Lula, descendentes de Dom Pedro, o beócio, comandantes em chefe de um Poder Judiciário vestido pra matar que, como os capitães do mato, só ataca pobres, um Legislativo analfabeto, e um Executivo tomado pela febre da permanência no Poder.

Parece praga de madrinha!

Aninha Franco, escritora.

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