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Charge de Duke:bom humor contra a desesperança

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ARTIGO DA SEMANA

Eduardo Campos: Tragédia e Bom Humor

Vitor Hugo Soares

Depois do abalo emocional devastador, causado pelo desastre do Boqueirão, em Santos (SP), – com epicentro no coração da política brasileira, nada como o bom humor para agüentar o tranco e tocar o barco adiante.Isso a partir da morte de Eduardo Campos, candidato do PSB à presidência da República e uma das mais jovens, lúcidas, competentes e promissoras esperanças do país.Mais uma que se vai.

Sorrir, mesmo em meio à lágrimas, é o remédio mais indicado para recuperar o fôlego, recobrar a consciência e retomar o rumo na direção do último apelo do notável moço pernambucano, na polêmica e histórica entrevista ao Jornal Nacional na véspera de partir: “Não vamos desistir do Brasil.”

Uma das gotas salvadoras de bom humor – e da arte de sorrir da própria desgraça -, foi a charge genial de Duke, publicada na edição de quinta-feira, 14, do jornal mineiro O Tempo. Sem a imagem para me ajudar neste artigo, peço licença ao leitor para “contar” o desenho.

O cidadão, apavorado, entra em um baú aberto no meio do quarto da casa. Antes de fechar a tampa, diz à mulher, mais espantada ainda diante da cena surreal: “Se precisar falar comigo sabe onde estou. Ficarei aqui até o ano 2014 acabar”.

Vi o desenho de Duke – um dos melhores da sua profissão no Brasil, e em qualquer lugar do mundo – no portal de humor A Charge Online e a reproduzi no blog que edito na Bahia. Dou uma risada de desabafo, e amenizo o travo de amargura e desesperança preso na garganta.

Traços de ironia e refinamento para retratar, com criatividade, mais esta dramática peça pregada pelo destino ao sofrido povo brasileiro. Praticamente sem dar tempo de prantear e assimilar os golpes severos (para muitos, duros demais e até injustificados) causados pelas mortes de João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna.

Recomendo a receita de especialistas em ciências médicas, políticas e humanas. Frente a desgraças como a do Boqueirão é preciso louvar e agradecer a prodigalidade dos nossos artistas e o enorme poder de recuperação da nossa gente, a partir da irrefreável capacidade de sorrir da própria dor.

Aliás, é preciso não esquecer: bom humor era uma das grandes marcas pessoais e receita sempre presente na vida e na atuação política de Eduardo Campos. De conhecimento pessoal e profissional (sou nascido em cidade das barrancas do Rio São Francisco e de largo tempo de vida passado entre as margens da Bahia e Pernambuco) posso afirmar: este era um dos maiores talentos herdados, por Eduardo, da convivência com o avô materno, Miguel Arraes, que ele soube somar aos seus próprios aprendizados de excelente gestor e de pensador moderno e equilibrado da política de seu estado e do país que pretendia governar.

É preciso não esquecer nem fazer ouvidos moucos, destas coisas, na hora da perda dramática e prematura do jovem lider pernambucano que se vai, cujo tamanho e profundidade são impossívei de avaliar no calor da hora, das paixões e dos interesses imediatos. Seus amigos de verdade, seus adversários e seus aliados políticos, precisam ter isso presente antes, durante e, principalmente, depois do seu enterro em Recife.

Este será o tributo mais justo e honroso que a nação, seus políticos e seus governantes poderão prestar à memória e ao sacrifício de Eduardo Campos.

Vitor Hugo Soares é jornalista, edita o site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitor_soares1@terra.com.br

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Comentários

Graça Azevedo on 16 agosto, 2014 at 12:25 #

Isso Vitor.


luís augusto on 16 agosto, 2014 at 13:03 #

Caro Vítor, não sei por quê, ou talvez saiba, identifico agora um paralelo entre a morte de Eduardo Campos e a de Roberto da Silveira, igualmente trágica e mesmo semelhante no aspecto familiar, uma viúva e jovens filhos deixados pelo caminho.

Você está certo. Tentemos o bom humor, porque o resto, não adianta.


Mariana Soares on 16 agosto, 2014 at 13:34 #

É isso mesmo, um pouco de bom humor nessa tristeza e desilusão enorme que esta semana nos deixou com a trágica partida de Eduardo Campos, embora esteja muito difícil sorrir…


luiz alfredo motta fontana on 16 agosto, 2014 at 13:36 #

Caro VHS

Velórios são assim, especialmente os longos, como o de Campos. Muito café, muito sigilo nas intenções, vastas esperanças de figurar no testamento, alguma inveja do luto de alguém, nenhum remorso presente, enfim, somos educados desde sempre sobre como devemos nos comportar nestas horas.

Mesmo as rodas, que se formam e disfarçam o rir das piadas inoportunas, têm seu valor e ritual.

O que preocupa, ao menos a este estranho no ninho, é o depois, é o que farão as carpideiras de ocasião, já que o que faria Campos, ninguém sabe, ninguém viu, afora o “peteleco” bem dado em Sarney, vide o vídeo abaixo, pouco se sabe do que faria esse neto de Arraes e devoto de Lula.

https://www.youtube.com/watch?v=MIkFG-93Cp0


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