Eduardo Campos no Pelourinho/Foto:Rosane Santana

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Última visita:Eduardo Campos na biblioteca de
Aninha Franco, no Pelô. Foto:Rosane Santana

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ARTIGO/ RODA VIVA

Com Eduardo Campos no Pelourinho

Rosane Santana
(Especial para o Bahia em Pauta)

A poeta, escritora e dramaturga Aninha Franco costuma repetir que o Centro Histórico de Salvador, especialmente o Pelourinho, “é a cidade com alma”. Faz sentido. Frequentadora assídua de sua biblioteca, na Rua das Laranjeiras, Nº 38 , que não é aberta ao público, circulo sempre naquela área, toda semana. O Pelourinho transpira identidade, tem sons e cheiro de Bahia por toda parte, muito além dos tambores do Olodum, nos tipos humanos que frequentam suas ruas, nos tesouros escondidos em suas belas igrejas, como a Catedral da Sé e São Francisco , e no imponente prédio da antiga Faculdade de Medicina, que hoje abriga o Museu de Antropologia. Ali e em arredores, – Sé, Carmo, Santo Antônio e Baixa dos Sapateiros espalham-se séculos de história, memória e cultura baianas, cenários de filmes e personagens da literatura.

Provavelmente por isso, os coordenadores da campanha de Eduardo Campos na Bahia escolheram o local para um corpo a corpo do candidato, na quinta-feira passada, dia 07.08. Na biblioteca de Aninha Franco desde a manhã, logo depois do almoço fui informada pela secretaria dela, que o candidato à presidência da Republica, pelo PSB, estava no Cruzeiro de São Francisco. Não resisti. Deixei um texto pela metade, e fui até a esquina da Agência dos Correios e Telégrafos, em frente à Igreja de São Francisco, para ver o movimento. Como, dali,não avistei nada, além de bandeiras e balões de publicidade político eleitoral, voltei ao estudo.

Cerca de três horas mais tarde, depois de observar pela janela da biblioteca um intenso movimento de pessoas vindo da Baixa dos Sapateiros em direção à Rua das Laranjeiras, a secretária de Aninha Franco avisou-me que Eduardo Campos estava a caminho. Corri para a porta, e pude observar sua figura, vestido de branco, aproximava-se cumprimentando a todos com um aperto de mão. Depois de desviar-se de mesas do restaurante L’ Arcangelo, onde falou com os garçons, veio em minha direção, repetindo o tradicional gesto de candidatos em campanha.

Expliquei a ele que naquela casa funcionava a biblioteca de uma destacada intelectual baiana e convidei-o a entrar, ao tempo em que chamei por Aninha Franco, que deixava a sua sala em direção ao corredor, onde o neto de Arraes foi ao seu encontro, pouco antes de a casa ser invadida por fotógrafos e cinegrafistas. Acompanhou-o, logo em seguida, a candidata ao senado pelo PSB na Bahia, Eliana Calmon, e a candidata à governadora Lidice da Mata, além da vereadora Fabiola Mansur, que disputa um mandato de deputado estadual. Ainda tive tempo de tirar umas fotos, com o iPad, e ouvir uma rápida conversa de Aninha com o candidato. Um homem jovem, cordial e, aparentemente, muito determinado na sua ambição política de chegar à presidência da Republica. “Mas eis que chega a roda viva, e carrega o destino pra lá, como na canção de Chico, lembrada hoje (13/8) por Regina Soares, la da Califórnia, ligada no Brasil.

Rosane Santana é jornalista, mestre em História Social, doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas e membro do Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital da UFBA.

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Comentários

regina on 14 agosto, 2014 at 2:38 #

Pois é, Rosane, estamos, ao fim e ao cabo, todos ligados… Nas minhas andanças, fiz esse percorrido da Baixa dos Sapateiros ao Pelourinho tantas vezes que sei de cor e salteado, como dizemos nós, os Nordestinos.
A poeta/escritora/dramaturga/intelectual com diploma de advogada, Aninha Franco, é minha irmã de fé desde os tempos em que, juntas, como colegas/amigas/comparsas, aterrorizávamos os salões e corredores da então moderna Faculdade de Direito da UFBA, onde fazíamos de tudo menos estudar a arte de interpretar as leis.
Pois bem, na sua casa também entro sem avisar, coisas de intimidades de baianos que se conhecem e sabem pisar devagarinho…
Mas o que eu queria mesmo falar era desse acontecimento surreal que nos surpreendeu hoje de manhã e que, graças à internet, não faz diferença onde você esteja, se o interesse de saber late no teu peito. Fui dormir com a imagem e a lembrança que me ficou da entrevista do William Bonner e Patricia Poeta ao candidato do PSB à Presidência da República do Brasil, Eduardo Campos, no JN da Globo. Confesso que era a primeira vez que ouvia o candidato expor suas opiniões (para quem não sabe, esclareço que não resido no Brasil), dado os descontos do pouco tempo e da pressão natural da condição esdrúxula de uma entrevista no meio de um noticiário, achei que o Campos não estava à vontade nem com as perguntas nem com a atitude dos entrevistadores que nem sequer o tratavam como um individuo, chamando-o de “candidato” como se essa condição eliminara sua identificação pessoal. Sei não, achei tudo muito extranho e superficial… se eu quisesse saber mais sobre o Sr. Eduardo Campos ia ter que recorrer à internet ou outras leituras…
Ao despertar, tenho o costume de abrir meu iphone que me põe à par do que perdi enquanto dormia, e qual não foi minha surpresa, assim como a de vocês no Brasil, ao ler no Twitter a noticia do desastre aéreo em Santos… OMG, devo estar sonhando…. pedi confirmação e o poeta Fontana, sempre atento, me tirou do pesadelo para a realidade, a noticia conferia e o dia apenas começava….

“Roda mundo, roda-gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração”


rosane Santana on 14 agosto, 2014 at 6:21 #

Triste, Regina. Qdo soube da noticia, passava do meio dia, liguei para Aninha transtornada, e percebi que ela, como eu, nao queria acreditar nos fatos. Aquele cidadão simpático, jovem, bonito, sonhador, neto de um dos maiores ícones da esquerda brasileira, que acabáramos de conhecer, pessoalmente, estava morto.


luís augusto on 14 agosto, 2014 at 9:53 #

Ró-Ró, são 24 horas de tristeza. Este país parece até a Argentina. Ainda não deu pra tomar fôlego.

Lamentavelmente, pelas circunstâncias do dia a dia, não pude ver pessoalmente meu candidato numa de suas vindas a Salvador. Você foi mais feliz.

Sobre tudo isso, sejamos sensatos: cada um de nós é uma partícula mínima do universo, não podemos querer ter a pretensão da satisfação em tudo. É mais uma dor e um vazio a amargar, e “la nave va”.

Não tinha visto a Roda Vida, porque o BP ficou algum tempo ontem fora do ar, mas escrevi em meu título: “Um golpe do destino na democracia brasileira” – “destino, viola, roseira, que um dia a fogueira queimou, foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou”. Pura e dolorosa realidade.


Olivia on 14 agosto, 2014 at 11:52 #

Eu estva lá, Eduardo, como sempre, muito feliz. Um tristeza sem tamanho.


Aninha Franco on 14 agosto, 2014 at 13:53 #

Ótimo texto, Rosane. Precisa escrever mais. Eu também preciso escrever para esse Espaco. Se ele quiser. Sobre Arte,


Mariana on 14 agosto, 2014 at 15:04 #

A partida de Eduardo Campos, dessa forma tão trágica, cruel e avassaladoura, deixou um gosto amargo e de desesperança em todos nós, não só pela pessoa humana, pai de familia, mas, também, pelo homem público com um futuro político promissor pela frente.
É uma tristeza tão grande…uma desilusão…
Não me lembro de tempos com tantas e tão grandes perdas, em tão pouco tempo, como tem sido estes ultimos tempos no nosso país…
Que Deus nos ajude!!!!


vitor on 14 agosto, 2014 at 21:55 #

Aninha

Bahia em Pauta quer, e muito, ter você nesse Espaço. Escrevendo sobre Arte ou sobre quaisquer outros temas que você escolher. Será sempre brilhante…e polêmico. É só escrever e mandar. Abraços, com admiração.
Vitor Hugo


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